sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Quando as placas valiam

Hoje em dia, e já vem de muitos anos, as placas dos carros (chapa) estão vinculadas aos carros desde que foram instituídos três letras e quatro algarismos em sua identificação.
Anterior a esta mudança, as placas dos carros podiam ser negociadas. Era um procedimento dos anos 1950-60, nem tanto para os carros particulares, mas, as placas de carros de praça (taxi) eram vendidas a parte. Quanto aos carros particulares, as placas de cor amarela só interessavam quando os números correspondiam a alguma data importante ou ao ano de nascimento.

Já as placas dos carros de praça, ou taxi, que eram de cor vermelha, eram negociadas até mesmo por quem nunca teve carro na praça. Era como se fosse uma bolsa de placas de taxi e eram vendidas a preço bem alto. De posse da placa, era só colocar em seu carro e ir ao DETRAN regularizar o documento. Geralmente, quem vendia a placa, se incumbia do resto por intermédio de um despachante.
As placas, naqueles anos, tinham somente os números e foi instituído letras quando da fabricação dos carros no Brasil, que aumentou o número de veículos circulando pelas ruas, já não tendo mais como colocar só números, podendo causar duplicação da identificação.
Sendo assim, no inicio dos anos 1970 foi instituído a colocação de letras, mas somente um foi colocado, a letra S, para cidade de São Paulo, que vigorou até a colocação das três letras e quatro algarismos, com validade para todo o pais, sem o perigo de duplicação dos números.
M
as, quando só haviam números nas placas, nos anos acima citado, era comum as pessoas quererem negociar as placas com poucos números. Lembro que todos os dias eu passava no Vale do Anhangabaú, indo com destino à escola, no Brás, ao lado da Galeria Prestes Maia, onde tinha os mictórios, ao lado da área feminina estava a garagem do prédio do edifício Matarazzo. Ali estavam estacionados os carros da família e veículos de algumas das firmas do complexo IRFM.(Industrias Reunidas Francisco Matarazzo)
Os carros do Conde Chiquinho, tinham as placas números, 1, 3 e 4, até ai eu vi. Não tinha carro com a placa número 2. Curioso como sempre fui, falei com um serviçal:
Xará, e o carro com a placa número 2, porque não fica aqui estacionado? A resposta veio quase antes de terminar a pergunta:
- Porque ele não tem essa placa. Para lhe falar a verdade, ele está atrás dela, já há tempos. É propriedade de um endinheirado da alta sociedade. Meu patrão pagaria quanto ele pedisse, mas, o cara não vende por dinheiro algum. Já se ouviu dizer, numa de suas festanças, ele dizer em voz alta: - Eu, vender a minha placa e deixá-lo possuir a sequência completa? Pára ai, cara!
O Diário Popular, em seus pequenos anúncios classificados, estavam sempre colocando em suas páginas, anúncios compro e vendo placas de autos.
Hoje em dia, você pode pedir ao DETRAN a placa com as letras e números de sua preferência, mas, se vender o veiculo, lá vai sua placa junto.

Por Mário Lopomo

12 comentários:

Luiz Saidenberg disse...

Muito interessante, essa memória das velhas placas. E com os trambiques que sempre ocorreram no Detra, nada a estranhar que houvesse comércio de placas e números. Creio que isto não existe mais, e adquirindo novo veículo, por sorte podemos escolher o final e ter uma opção de alguns números mais simpáticos.

Miguel S. G. Chammas disse...

Placas de carros antigamente não tyinham esse nome, eram simplesmente chamadas de "!chapas".
Nos jornais, lia-se com certa assiduidade o c arfo de chapa numero tal atropelou fulanol de tal, e outras coisas desse genero.
Valeu a lembrança!

Bernadete disse...

Mario muito curioso e interessante suas lembranças das "chapas e placas" de antigamente.
Um abraço

Zeca disse...

Mario!

Embora nunca tenha sido muito ligado a carros e, muito menos às suas "chapas", lendo seu texto lembrei dessa história do Conde Matarazzo estar sempre querendo comprar a "chapa" nª 2 e o proprietário (que nunca soube quem era) recusar-se a vendê-la - picuinhas entre endinheirados!
Não sabia é que hoje se pode solicitar nºs ao Detran! Já fiquei com "minhocas" na cabeça, imaginando o quanto se deve pagar para conseguir esses números, devido à (re)conhecida cultura de corrupção que sempre marcou esse órgão.
Abraço.

Soninha disse...

Olá, Mário!

Boa lembrança!
Os donos de carros disputavam números de placas, etc...
Já, as crianças, se divertiam com as brincadeiras com os números de placas...somando os números, fazendo sinais quando encontravam números dobrados, entre outras crendices.
Valeu!
Obrigada.
Muita paz!

MLopomo disse...

Prezado Zeca. Sempre dono vê belos textos. A gente pode pedir o numero e letras que quiser, sem para nada. Palavras do Dr. Ciro Vidal, diretor há muitos anos do Detran, Hoje já aposentado. No caso de alguém pedir propina é só denunciar. Em tempo: Obrigado a todos pelos comentarios.

Laruccia disse...

Peraí, Mario, ainda falta o meu.
Realmente é como vc conta, o trambique em torno do número de placas era de lascar. Se, naquele tempo (que não é muito...)alguém fizesse uma previsão e chegar aos tempos atuais, veria como se brigava por uma coisa tão boba e insignificante. O principal era e é o carro. Sem uma boa máquina o número mais baixo deixo pros aficionados. Quando fiz uma visita a um primo meu, Vito Laruccia,(já falecido) nos Estados Unidos, ha 30 anos atraz, o proprietario de carros podia escolher as letras que quizesse pra montar sua placa e ele pôs no seu Buick, o nome da família, "LARUCCIA". Me presenteou a placa e tenho até hoje, guardada como recordação. Parabéns, Tomate.

Laruccia disse...

Peraí, Mario, ainda falta o meu.
Realmente é como vc conta, o trambique em torno do número de placas era de lascar. Se, naquele tempo (que não é muito...)alguém fizesse uma previsão e chegar aos tempos atuais, veria como se brigava por uma coisa tão boba e insignificante. O principal era e é o carro. Sem uma boa máquina o número mais baixo deixo pros aficionados. Quando fiz uma visita a um primo meu, Vito Laruccia,(já falecido) nos Estados Unidos, ha 30 anos atraz, o proprietario de carros podia escolher as letras que quizesse pra montar sua placa e ele pôs no seu Buick, o nome da família, "LARUCCIA". Me presenteou a placa e tenho até hoje, guardada como recordação. Parabéns, Tomate.

Leonello Tesser disse...

Mário, ainda falta o meu comentário, eu me lembro bem dessa época, tive um tio que "comprou" uma placa de número baixo, ele tinha um Ford coupê ano 1946, bons tempos, abraços, Nelinho.

Leonello Tesser disse...

Mário, ainda falta o meu comentário, eu me lembro bem dessa época, tive um tio que "comprou" uma placa de número baixo, ele tinha um Ford coupê ano 1946, bons tempos, abraços, Nelinho.

Arthur Miranda disse...

Lopomo, me lembro muito bem dessa época, as chapas de carros com numeros baixos eram bem caras, acho que por essa razão os carros de meus parentes eram com numeros altos. eu tive um carrinho que meu pai comprou para mim e ele mandou colocar uma chapa de nºOOOO
(é claro que o carrinho era de rolemãns) Mas,parabens pela lembrança Mário, as placas ou chapas com baixa numeração custavam mesmo um dinheirão.

Betty Vidigal disse...

Os números das placas foram atribuídos à medida que os carros eram comprados. Francisco Matarazzo foi o primeiro a ter carro nesta cidade, então ficou com a placa 1. A placa 2 certamente estava com o segundo paulistano a possuir um carro. E assim por diante. Meu avô tinha a placa 44.
Qdo comprou o carro dele, havia só 44 carros na cidade de São Paulo... Depois, meu pai e seus irmãos sempre fizeram questão de ter placas com final 44. O carro do meu pai era 7144. Qdo houve a decisão de pôr mais um número nas placas, ele ficou com o 27144.
Até hoje tenho primos que fazem questão de ter placas formadas só por números 4, qq q seja a combinação de letras. XYZ 4444, por exemplo.
Saudosismo...