segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Palavras de Modesto Laruccia

https://youtu.be/GLyHoxgTQtc 

imagens lembranças dos momentos do encontro, usando um aplicativo teste, pois não existe miais o movie maker. Muita paz! 

Prezados amigos:

Na plenitude de nossa condições, relativas à nossa idade, quero descrever um sentimento sem obliterar a realidade presente em nossas vidas. 
Sabemos todos que os anos que desfrutamos em nossa atividades como colaboradores do msite São Paulo Minha Cidade – SPMC – há mais de 10 anos, tivemos um encontro não marcado, ao desfrutarmos dos textos de cada um de nós, na expectativa de semre conhecer diferentes perfis e ocorrências.
Amalgamados em nossas atividades, sentimos que, em cada texto apresentado, dávamos um passo a mais em nosso caminho cujo destino era – e ainda é – conhecermo-nos pessoalmente. Nas rodadas anteriores, com raras exceções, pudemos, paulatinamente, ter este prazer realizado, chegando ao ápice de  de termos conhecimento de intimidades, sempre dentro da mais restrita obediência às normas dos bons relacionamentos. 
Porém, quis o destino, implacável nas mãos de desinteressados, interromper essa primorosa, despretensiosa, agradável e encantadora lúdica espiritual, para dultos.
Amigos, essa reunião não foi organizada para queixumes e lamentos, mas sim, para um grande abraço e, voltados cada um de nós, a satisfação de nos vermos mais uma vez, lamentando os ausentes e sem desmerecer os presentes.
Feliz Natal e Próspero Ano Novo de 2018.

Por Modesto Laruccia

sábado, 18 de novembro de 2017

A visita de Sua Eminência


Somos pessoas modestas, não se importando muito com a pompa e a circunstância. Também nunca fui muito chegado a religiões, portanto muito me surpreendeu- e a todos nós- a visita de Sua Eminência ao nosso jardim, de nossa casa no Brooklin.

Um Cardeal, a cabecinha vermelha contrastando com o branco do corpo e o escuro das asas. Estamos acostumados com a visita diária de pássaros. Como deixamos sempre uma tigela de frutas suspensa no ipê, e uma travessa de quirera no chão para as rolinhas, temos sempre um festival matinal de aves disputando a comida. Cambacicas, sabiás- agora mesmo apareceu uma mãe sabiá com dois filhotes-sanhaços, bentevís, rolinhas, periquitos em grande número.

Uma vez apareceu até um canário belga. Escrevi sobre ele. Mansinho, fugido de alguma gaiola, deixou-se apanhar e soltou por dias seu deslumbrante trinado pela casa toda, antes que o doássemos para uma instituição protetora.

Nosso Cardeal- acho que já posso chamá-lo assim, pois há dois dias que nos dá a honra de sua augusta  presença no jardim, disputando pacificamente a comida com os outros pássaros- também parece ter fugido de gaiola, pois nunca havia visto um neste bairro, pródigo em espécimes voadores, incluindo joãos de barro, pica paus e outros. Mas de bobo nada tem, e tem se virado muito bem sozinho.


Pois que seja abençoada- e que ele também possa nos abençoar, com sua autoridade clerical- sua estadia nesta casa, à qual parece ter se afeiçoado. Como o sabiá Plínio, o Jovem-pois era só um filhote grudado às penas da mãe, quando apareceu aqui pela primeira vez, e creio, nunca deixou de frequentar nosso ipê. Olhai as aves do céu, que não plantam nem colhem, mas com sua presença vêm trazer um pouco mais de alegria e esperança em nossas vidas.

Por Luiz Saidenberg

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Pra ver a banda passar

Imagem: carnaval da Av. Tiradentes, antes do Sambódromo

Não sou de Carnaval. Fora os bailes da infância, a que íamos levados pelos pais, em clubes locais, regados a lança perfume, confete e serpentina, fora o desfile que víamos da sacada do Clube Cultura Artística, em Campinas, com bumba meu bois e fanfarra, a folia coletiva nunca me entusiasmou.
Fora os dois anos que passamos no Rio de Janeiro, - e ali não se pode escapar aos ritos de Momo- dos grandes desfiles de blocos não oficiais na Av. Rio Branco até um humilde bando de moradores descendo, com bateria e muita ginga a R. Jardim Botânico, um senhor já idoso sem camisa e sacudindo a pança num ritmo insensato, totalmente fora deste também pouco sensato mundo. Depara-se com a folia a cada esquina. Pura, espontânea, pouco tendo a ver com os milionários desfiles globelezais da Marquês de Sapucaí.
Mas, como disse, não entendo esta louca alegria generalizada , a multidão desvairada. Minhas alegrias e paixões, embora intensas, relacionam-se muito mais com experiências pessoais, mais íntimas.
Nos anos em que tivemos casa no litoral, íamos para lá, sem nada ver ou ouvir de Carnaval, e voltávamos após a folia acabada. Nada de desfiles de grandes escolas, siliconadas cabrochas de destaque, porta estandartes e mestres salas. Até hoje é assim, e o famoso Carnaval apenas uma ilusão estranha e distante. Costumava dizer que, para mim, Carnaval é todo dia. A festa iniciando-se toda manhã e só extinguindo-se à noite.
Agora, nem mais ao litoral vamos; multidões de carros descendo a serra, sujeitos a arrastões e horas de congestionamento, para encontrar lá embaixo a continuação desse tumulto insano. O mesmo aconteceu este ano. Enquanto a farra explodia nos sambódromos, ficamos por aqui mesmo, em São Paulo, recolhidos, fazendo nossos passeios pelo bosque vizinho, vendo um bom filme à tarde.
Foi então que a banda passou. Pelo bairro calmo, em parte deserto pela ausência dos moradores viajantes, na tarde do sábado. Estridente, alegre, mas podia-se adivinhar que modesta, humilde, simples, inocente em suas raízes.
A alegria espontânea, como nos velhos tempos. Saí do sossego do lar para conferir. Na rua de trás, umas poucas dezenas de pessoas, todas locais, mães com crianças, alguns fantasiados modestamente, um ou outro mascarado, e a bandinha, a “furiosa”, como já se disse, tocando furiosamente. Um dos foliões ostentando um estandarte verde, no qual se lia Brooklyn.
Em plena rua, toda coberta de confete e serpentina, surpreendendo com sua alegria os poucos motoristas que passavam. E aí sim, as emoções que não senti nos Carnavais passados reclamaram sua quota. Uma banda passando.
No bairro tranquilo, na rua deserta, na tarde morta, com nuvens ameaçadoras de chuva como pano de fundo. Não era alucinação: eu vi mesmo a banda passar, tocando coisas de amor. Nem tudo está perdido, neste mundo.


Por Luiz Saidenberg

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Hoje completo bodas de prata

O texto foi escrito em 23/10/2017

Tal qual o dia de hoje, era 23 de outubro.

ACORDEI  MAIS CEDO DO QUE O NECESSÁRIO, tamanha ansiedade. Era o primeiro dia do meu primeiro emprego.
Cheguei quase uma hora antes do horário de entrada e fiquei por ali, nos jardins do Parque São Jorge, sede do Sport Club Corinthians Paulista.
Este foi o início de uma história que hoje completa 25 anos. Pensei sobre o que escrever para expressar algum sentimento relacionado a uma data marcante como esta, pensei em contar detalhes apenas deste primeiro dia começando pela rotina matinal que teve início ali com a minha Mãe, preparando o café da manhã, fazendo companhia enquanto me preparava para sair de casa e assistindo um quadro no telejornal sobre flores. Eu gostava de acompanhar com ela este quadro, mesmo não entendendo absolutamente nada sobre as flores. Achei interessante perceber que, neste aspecto as coisas ainda continuam como antes, o quadro no telejornal ainda existe e eu continuo não entendendo nada de flores. 
Ah..., minha mãe não prepara mais o meu café, mas é só um detalhe, pois tenho isso presente comigo da mesma maneira.
Também pensei em detalhar a experiência de um jovem de 18 anos que acabara de passar pela dificuldade tradicional (não sei se isso ainda ocorre hoje) da escassez de oferta de trabalho para os jovens em período de alistamento militar, e que encontrou uma oportunidade, mas precisaria fazer um sacrifício, e fez.
O sacrifício que menciono foi o fato de que, para ter este primeiro emprego eu precisaria abrir mão de algo valioso para todos, que é o tempo. Eu aceitei uma jornada de trabalho de terça até domingo em horário comercial, com folgas somente às segundas.
Alguém sabe como é para um jovem desta idade, deixar de acompanhar sua família, sua galera em vários momentos nos finais de semana, por conta do trabalho? Eu sei.
Este primeiro emprego durou aproximadamente 14 anos então, imaginem quantas histórias eu tenho para contar, incluindo a experiência sem igual que foi dividir 12 destes 14 anos com meu Pai. 
Isso mesmo, fomos colegas de trabalho. Eu nem vou tentar dizer nada sobre isso, pois não vou encontrar palavras. Agradeço por um destino que me reservou 12 anos nesta experiência.
Tal qual, com relação a minha Mãe, as experiências com meu Pai não mais se repetem na forma, mas todas continuam presentes comigo da mesma maneira.
Foram 14 anos no Sport Club Corinthians Paulista, tantas vivências e tantas pessoas. Carrego tudo comigo com uma riqueza de detalhes que surpreenderia, caso colocasse isso em um texto. Não vou citar nomes, pois não quero deixar de mencionar ninguém, mas sei que todos se reconhecerão aqui.

Dali, segui para outras valiosas experiências, convivendo com diversas pessoas e circunstâncias que me trouxeram até o dia de hoje, 25 anos após o início de minha vida profissional.
Ninguém me fez essa pergunta, mas se algum jovem me perguntasse qual minha sugestão para quem está no início de uma trajetória profissional eu recomendaria apenas três coisas:
- RESPEITE-SE,

- IDENTIFIQUE O PROPÓSITO EM SUA VIDA, e 
- REALIZE.

De tudo que poderia mencionar sobre o que sinto ao completar esta estrada o que mais se destaca e chama a minha atenção não está necessariamente neste longo passado, mas está no futuro.
Tenho hoje a sensação de que estou começando uma história, e isso me deixa muito feliz, pois não penso que estou completando 25 anos de uma experiência que vai durar mais alguns, eu penso que estou iniciando exatamente agora uma trajetória que vai durar o tempo que for, mas será escrita por alguém que não tem os mesmos 18 anos, mas tem o mesmo entusiasmo daquele jovem que ACORDOU MAIS CEDO DO QUE O NECESSÁRIO, em 23 de outubro de 1992.
Obrigado pelo seu tempo.

Por Alex Brito

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Memórias de um Professhow


Texto em escrito em 15/10/2017 - imagem Escola Técnica Frederico Ozanam

(Hoje, 15 de outubro de 2017, dia do Professor, minha memória resolveu dar sinal de vida e eu registrei mais este causo.)
O ano, se meus poucos neurônios me ajudaram, foi de 1965 , o cenário principal foi o auditório do Colégio Porto Seguro, instalado na Rua Gravataí quase esquina com a Praça Franklin Roosevelt onde, no número 123, ficava a famosa Escola Técnica de Comercio Frederico Ozanam, onde iniciei meus estudos no ano da graça do Senhor de... bem deixa para lá esse detalhe.
Nosso grupo teatral, onde eu era o diretor, coordenador e participante, tinha resolvido, no início do segundo semestre, preparar um show e homenagear os professores daquela instituição de ensino. Decidido o evento, colocamos em prática os trabalhos para sua efetiva realização.
O GATO (Grupo Amador de Teatro Ozanam) tinha um grande número de participantes (atores e atrizes), entre eles, já pedindo desculpas pelo possível esquecimento de alguns, o grande parceiro Romualdo Henrique Lancelote Strichalsky, o Guilherme Carlos Graziano, o Itamar, os irmãos Adilson e Hamilton Furlaneto, o Arnaldo Mathias Seraphim (Bolão para os íntimos), os Jograis de São Paulo formado por Helyon Gianpaolo Pasquini, Fernando Martins Pizo, Roberto Sergio Chammas Cardoso,  Marcos Henrique Magalhães Giacomo, Brilhante, Jose Rosa, e dos futuro integrante Edison Alexandre, o Sebastião, as irmãs Juçara e Jurema, a Maria Aparecida dos Santos Lima (depois Chammas),  as irmãs Elizabeth e Cinira, Fernando Fernandes, Jose Provetti (que levou o apelido de Gato para a Jovem Guarda) Tinha o GATO também os seus agregados auxiliares que, mesmo não entrando em cena, ajudavam demais todas as nossas atividades, entre eles eu destacaria Edson Gomes, os irmãos Durval e Mario Paulo Galacini, José Carlos Munhoz Navarro, o Jose Mari Ferreira, Newton Rubem Caggiano, Walter Cozzolino,o velho e eterno Waldemar Vieira.
O programa era de esquetes humorísticos, poesias, cantorias tudo costurado com muito amor e alegria.
Os professores homenageados disseram “presente” na hora da chamada. Lá estavam o prof. Marcelino, o prof. Benevides, o prof. Vinicius, o prof. Cipriano, o prof. Pascoal, o prof. Ytiro, o prof. Youssef, a prof.  Clarice, a prof. Doracy, o prof. Donato, o prof. Zacharias, o prof. Wolf, o prof. Ferré, o futuro prof. Scarlato, a prof. Cecilia, A PROF. Maria Jose, o prof. Argemiro, o prof.  Cicero o prof. Ribeiro, o prof. Jurandyr,  o Prof. Negrão, e todos os demais que meus neurônios não conseguiram recuperar.
O show, como acontecia sempre, foi bombástico. Os professores homenageados ficaram bastante emocionados e abraçaram a todos os participantes. Eu que havia escrito os esquetes, definido o roteiro e encabeçado a direção, novamente estava radiante embora bastante cansado.

Tarde gloriosa que até hoje vive na minha memória e, tenho certeza, de todos que dela participaram. Muito bom ter um passado e memorizar. Esta lembrança dedico a todos que ainda vivem neste plano e aos que já estão na espiritualidade.

Por Miguel Chammas

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Apenas um quarteirão


São Paulo é um macrocosmo. Uma galáxia em expansão desordenada e incontrolável. Formada de incontáveis universos, subdivisíveis em milhões de microcosmos e microcosmos.
Podemos nos deter para observar alguns deles. Podemos limitar uma região, uma zona, um bairro, uma rua, até uma casa e sempre será fascinante. Detenhamo-nos sobre essa imensa praia, para apanhar alguns dos grãos da infinita areia.
Desta vez ficarei com um quarteirão, uma quadra apenas do Brooklin, que muitas vezes me chamou a atenção. Logo após a esquina, uma bem sucedida loja de chocolates finos. 
Mas, logo a seguir, uma estranha casa em violento contraste. Era feia e mal reformada, e até parece ter sido invadida. Repentinamente surgiram ali, do nada, uns latinos, barbados e mal ajambrados, como vindos da Revolução Cubana. Creio que são bolivianos, ou de outro país subdesenvolvido.
Instalaram-se ali muito à vontade, espalhando pela calçada e em frente a ela uns móveis destrambelhados, nos quais por vezes se escarrapacham. O tema principal seria reforma de estofados, mas faz-se de tudo um pouco: eletricidade, encanamento, o que pintar.
Condoída, minha mulher passou-lhes um velho pufe, todo arranhado de gato, para revestir. Prometeram o serviço para a semana seguinte, mas nada foi feito. 
–Deixa pra lá, disse eu, o pufe estava mesmo muito feio. Mas, ao saber que ela tinha dado um adiantamento, fui lá cobrar. Soltei meu espanhol com o que pareceu ser o chefe deles, e, si, señor, por cierto que si, como no, prometeu-me o serviço para poucas horas.
E cumpriu, mas depois vimos que o courvin era de má qualidade, rasgando-se facilmente. Saltemos para a casa seguinte: também muito decadente, que parece ser de uns velhos japoneses. No jardim, dois fuscas condizentes: velhos, encardidos, brancos e absolutamente iguais.
Logo a seguir, o que foi a tentativa de ser um restaurante. 
Um espaço verde, no qual foi colocado um cartaz com a cara do Sr. Madruga, o que por si bastaria para afugentar os clientes. Durante uns dois dias ficaram por ali umas moças distribuindo prospectos, mas creio que o restaurante não sobreviveu a esses dois dias. Tentaram então transformá-lo em bar de Happy Hour, mas nada de happy ocorreu ali, e fechou. 
Sobrou a carantonha de Madruga, assombrando o local, até hoje.
Depois de uma loja de utilidades domésticas, chegamos então à Cidade Proibida. Um mistério, que começou como loja de louças e estatuetas chinesas, bonitas e baratas. Compramos até dois potes, pois tudo na China é feito em duplas.
Logo transformou-se, cerrando-se dentro de altos muros, como a Muralha da China. Quase nunca se via ninguém, mas passaram a estacionar defronte carrões: BMW, Audis, Mercedes, Porsche Panamera. Deles, de vez em quando via-se sair um chinês.
O andar superior ampliou-se, tornando-se quase um pagode. Certa vez vi um guarda no porão, tão blindado como tivesse chegado da Guerra do Golfo. Grande, forte, feroz, todo de negro, colete à prova de balas, metralhadora. De outra, vi pelo portão entreaberto, rara ocasião, a placa de um banco desconhecido. Mas qual? De quê?  Não se vê vivalma entrar, nem sair. 
Tão misterioso como um antro de ópio do Dr. Fu Manchu, de Sax Rohmer. Eu é que não vou bater lá, para saber.
Pois é, só um quarteirão. Poucos metros. E contrastes e enigmas, como rotina de um bairro, de uma rua. Somente alguns do grande caos que é nossa cidade.


Por Luiz Saidenberg

domingo, 15 de outubro de 2017

Comemorando a data


Pensando nesta data de 15 de outubro em que se comemora o dia do Professor, remeti-me ao passado e às minhas lembranças de 1969. Neste ano, eu e minha turma recebemos nossos títulos de professores primários, expedidos pelo Instituto de Educação Estadual Nossa Senhora da Penha, e que nos davam licença para ensinarmos da 1ª à 4ª série do 1º grau e nas classes de pré-escola, que, naquela época, eram raras dentro de uma Unidade Escolar. Estávamos também preparados para prestarmos concursos públicos e assim iniciarmos nossa árdua, mas maravilhosa, carreira. Era assim que eu a via.
Tivemos excelentes professores que nos passavam através de seus relatos, além do conhecimento básico que devíamos receber, a dificuldade de permanecer no magistério e seguir carreira, a importância de trabalhar com “dedicação e amor” e que estes deveriam ser os eternos dizeres da nossa bandeira e guiadora dos nossos caminhos. Hoje sei como isso foi importante e pesou nas minhas tomadas de decisões.
Hoje, depois de mais 40 anos de vivência, posso afirmar com segurança que nunca me arrependi da escolha que fiz. Pude continuar meus estudos, me aprimorei, ganhei outros títulos, prestei concursos e outras conquistas obtive dentro do magistério, das quais sempre me orgulharei. Na minha caminhada e dando continuidade aos meus estudos, aprendi um pouco mais sobre as grandezas e misérias da educação brasileira. Hoje sei que a nossa educação não anda bem e outras grandezas e misérias surgiram agravando os problemas não resolvidos no passado. O tempo passou e foram tantas modificações e tantos desencontros que é notório que algo se perdeu pelo caminho.
Bem, como otimista e esperançosa, acredito que ainda vamos ter a tão sonhada educação de qualidade e para todos, norte e sul, leste e oeste, do nosso imenso Brasil.
E para não dizer só dos espinhos, atualmente tenho encontrado ex-alunos formados engenheiros, advogados, médicos, físicos, pedagogos e outros que são professores de diversas áreas de ensino. E outros ainda não menos importantes, mas em profissões diversas como, artistas, técnicos, motoristas, secretários e etc. E esses são os motivos que me orgulham de ter sido e ser uma professora!
Voltando para 1969, lembro que éramos mais ou menos 100 formandos, um grupo grande, forte, amado, unido e certo das responsabilidades futuras. Não sei se todas continuaram no magistério, mas eu, Edna, Maria Alice, Marilisse e Maria Helena, éramos amigas inseparáveis e aprontamos muito durante todo o curso e a nossa amizade continua até hoje, exceto uma delas que já faz muito tempo que não temos mais notícias. Todas optaram por continuar no magistério e quase todas já se aposentaram e merecidamente.
Então nesta data, quero desejar à minhas amigas inseparáveis que deram duro todos estes anos e a todos professores que optaram pela maravilhosa carreira e que estão frente a sala de aula, que lidam na constância do ensinar X aprender, ousando modificar , meus parabéns! Meu agradecimento e todo respeito e carinho!


Por Maragaria Peramezza

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Pacaembu


Este texto escrevi em 27/04/2010 por ocasião dos 70 anos do Pacaembu

A caminho do trabalho, sempre fico ouvindo o rádio para saber sobre as novidades, que não são muitas. Hoje, na rádio Bandeirantes, logo cedinho, falava-se sobre os 70 anos do estádio Paulo Machado de Carvalho, o conhecidíssimo Pacaembu, de Sampa, inaugurado em 27 de Abril de 1940.
Orgulhosa, fui ouvindo sua história que se misturava à história de meu avô materno, filho de imigrantes italianos e louco por futebol e à de meu amado pai, mineiro vindo ainda adolescente para São Paulo e que, igualmente, adorava futebol.
Ao longo da Rodovia dos Imigrantes, fui ouvindo o locutor e me lembrando de quando meu pai e meu avô contavam sobre o feito maravilhoso.
A televisão, rádio, internet e jornais estão repletos de detalhes sobre tão importante monumento que é o Pacaembu, mas, em minha memória os detalhes eram especiais, pois eu via os olhos expressivos de meus amados pai e avô contando-nos como havia sido, quais as dificuldades e, ainda, sobre a rodada dupla que teve no dia seguinte ao da inauguração.
Indignado, meu avô relatava sobre a maneira desrespeitosa, segundo ele, do público receber sob vaias o então Presidente da República, Sr. Getúlio Vargas, que foi assistir ao desfile e outras homenagens da inauguração, juntamente com Ademar de Barros e Prestes Maia, respectivamente governador e prefeito da época.
Os famosos jogos da estréia, sendo o primeiro Palestra Itália contra Sport Coritiba, Sport abrindo o placar com o gol de Zequinha, mas o jogo finalizou com o placar de 6 a 2 para o Palestra, sendo este o atual Palmeiras, clube que mais comemorou títulos no Pacaembu.. O Segundo jogo, a convite da prefeitura da cidade de São Paulo, Corinthians e Atlético Mineiro, com o placar de 4 a 2 para o Corinthians, contava-nos meu amado pai, cheio de orgulho de seu time do coração.
Por 10 anos o Pacaembu foi o maior estádio da América do Sul, perdendo seu posto para o Maracanã, em 1950.
Pacaembu foi a base de muitos jogos importantes da seleção brasileira de futebol e por longo tempo foi o local oficial de jogos nacionais e internacionais, deixando de ser sede obrigatória depois a inauguração do Morumbi, em 1960.
Ícone importante de São Paulo, recebeu inúmeras estrelas de nosso futebol, além de tantos outras estrelas internacionais. Foi uma das principais sedes dos jogos Panamericanos de 1963.
Suportou as mazelas do tempo, passou por profundas mudanças, entre elas a derrubada da concha acústica e a construção do tobogã atrás do gol à direita das cabines de imprensa.
Pacaembu orgulha-se, também, de ser um dos maiores divulgadores para o país do talento do garoto magrinho que usava a camisa branca do Santos, Pelé, que tem números impressionantes no estádio do Pacaembu. Em 119 jogos marcou 115 gols.
Hoje é atual casa do Corinthians, o Pacaembu também sedia, anualmente, a final da Copa São Paulo de Juniores, sempre no dia do aniversário da cidade de São Paulo, em 25 de Janeiro.
Sei que meu amado pai e meu querido avô sentir-se-iam orgulhosos por ver o Pacaembu como um dos principais pontos turísticos da cidade de São Paulo, com a inauguração, em 2008, do Museu do Futebol em suas dependências.
Em seu aniversário de 70 anos, o Pacaembu ganha um importante presente que é ser palco da finalíssima do campeonato Paulista-2010.
Parabéns, Pacaembu. Parabéns, São Paulo. Parabéns, Brasil.


Por Sonia Astrauskas

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Uma igreja do passado


Existem memórias teimosas, que persistem em nossa mente. Não ocorrem frequentemente, mas quando passamos por certo lugar, elas reaparecem. Uma marca do passado, reavivada de passagem. Foi assim com aquela igreja.
Devia ser uma igreja muito marcante, para se fixar assim na memória. 
Como e porque? Foi na infância. Creio que vínhamos de Campinas pela Viação Cometa, e, na subida da Lapa de Baixo, havia uma agenciazinha, talvez um ponto de parada dos ônibus.
Toda vez que ali passei lembrava  disto, apesar de não compreender porque parávamos ali. Vínhamos pela velha Via Anhanguera, e ao chegar a São Paulo já começava a acontecer o extraordinário. Não sei como, o ônibus vinha pela Av. Raimundo Pereira de Magalhães, após o Tietê. Já era estranho, como é, até hoje. Depois de um trecho meio descampado, entrava em São Paulo... Pela porta dos fundos!
Uma passagem estreita, sob os trilhos da estrada de ferro, cercada de pedras tomadas de húmus e trepadeiras, como a entrada de uma caverna. Passagem para um só veículo, então era... E assim ainda é necessário esperar o semáforo abrir.
Calma, já estamos perto da tal igreja. Parava-se na tal agência de ônibus, e com direito a uma circulada pelas redondezas. Foi aí que avistei a igreja, que mais me pareceu um pagode, tão diferentes eram suas formas.
Passaram-se décadas, mas eu me questionava: ainda existiria? Toda vez que por ali passava, o que acontecia raramente, lembrava-me de quando a vi, de longe, e tentava vislumbrá-la. Mas, que nada.
Foi aí que Ana Maria Mortari postou sua foto, no Facebook. Reconheci-a de imediato, após talvez mais de sessenta anos passados. E tratei de pesquisar; era, antigamente, a Igreja Húngara, daí o inusitado de suas torres, com seus toques de castelo da Transilvânia, dos Montes Cárpatos, da Mongólia, sei lá. Por isto havia pensado, na primeira vez, num pagode chinês.
Como não podia deixar de ser, fui visitá-la no aniversário da cidade. De longe, seus ângulos agudos cortavam o espaço vazio, em nada se parecendo com o resto da vizinhança, que por sinal, acho que não mudou muito também, desde minha infância. Era isto que tanto me impressionou. Esses cortes bruscos, combinados com uma varanda de madeira e um galo no alto de uma das torres são mesmo notáveis, embora a igreja seja bastante pequena e simples.
Atualmente, é Igreja Presbiteriana Independente, e se mantém ativa, com uma série de ações beneficentes. Aí está, mais um mistério de São Paulo resolvido, e graças à Internet, que colocou todos à nossa disposição. É só pesquisar e lá vem essa igreja, o Cine Santa Cecilia, a Mansão Mormanno. 
De Volta Para o Passado, outra vez.


Por Luiz Saidenberg

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Memórias heróicas


O ano era, eu acho, 1946, o local, tenho certeza absoluta, era a casa da Rua Augusta 291, em Sampa, onde nasci e vivi meus primeiros 17 anos de vida.
Era uma casa enorme, tanto que era a residência dos Chammas, ou seja, meu avô paterno (minha avó já era falecida), minha Tia Neide e seus filhos Sonia Maria e Roberto, meu pai, minha mãe, eu e meu irmão e, ainda, minha tia Zaíra (Zazá para os íntimos) enquanto solteira.
Tinha ela três quartos enormes e mais um pequeno que tinha sido destinado à minha tia Zazá, uma vez que não tínhamos empregados. A distribuição dos quartos era através de um pequeno corredor de entrada, onde se localizava o quarto da frente e, depois, outro corredor que ocupava a totalidade da demais dependências da habitação, assim distribuídas: primeiro quarto para o Sr. Alfredo, meu pai, sua esposa e filhos; segundo quarto para a Sra. Neide e seus filhos; e a enorme sala de jantar. Depois, em continuidade do corredor, vinha o pequeno quarto da Tia Zazá, o banheiro e a cozinha.
Na cozinha, na mesma direção do corredor abria-se uma porta de madeira que permitia o acesso a uma escadaria que levava ao gigantesco quintal onde estava localizado o grande tanque de lavar roupas, bem abaixo do muro de contenção da escada, no mesmo sentido do já tão comentado corredor.
Posso, então, afirmar que era um grande imóvel ligado por um extenso corredor.
Desculpem os leitores, mas essa descrição detalhada se fez necessária para permitir a compreensão dos fatos que relatarei a seguir.
Conforme já mencionei no início deste relato, o ano era de 1946 e este rabiscador tinha ou estava prestes a ter 6 aninhos de vida. Era eu um aficionado por revistas de quadrinhos e vivia, quando não aplicando uma mirabolante aventura, lendo as estórias de Mandrake, Flecha Dourada, Super-Homem, Super-Boy, Capitão Marvel, Batman e Robin, Príncipe Namor, Homem Tocha, Homem de Borracha e outros que tais e sonhando ser uma dessas figuras imaginarias.
Bem, prefácio descritivo estruturado passemos ao relato memorial.
Um dia, fechado em meu quarto, terminei de ler uma estória do Capitão Marvel. Era uma aventura eletrizante e me imaginei ser o próprio herói. Olhei em volta e vi o roupão que meu pai usava. De imediato alcancei a peça de roupa e a dobrei de forma que pudesse ficar com a aparecia de uma capa. Coloquei a pretensa capa nos ombros, amarrei-a com seu próprio cinto ao meu pescoço e estava já encarnado na figura imaginada.
Abri a porta do quarto com o maior cuidado e espreitei o movimento da casa. Estava tudo muito calmo, o corredor estava desimpedido, olhei mais atentamente para o fim do corredor e me assegurei que a porta da cozinha estava bem aberta e, decididamente me lancei na aventura planejada.
Corri pelo longo corredor no intuito de pegar o máximo de velocidade e impulso e ao atravessar a porta da cozinha me lancei no espaço na certeza de que eu se não saísse voando, pelo menos cairia no tanque que estava, sempre com água ou roupas molhadas.
De fato, não voei. Cai no grande tanque de cimento onde minha adorada mãe estava a lavar umas roupas.
O susto dela, inicialmente, foi enorme, depois, passado o impacto, o susto se transformou em violência, e levei uma tremenda surra de toalhas encharcadas.
Depois, então, tive de voar com ela até a farmácia Flavius para fazer uma serie de curativos nas “medalhas” advindas do meu voo, da minha aterrissagem e da surra merecida.
Hoje fico a pensar, como podem viver as crianças atuais sem essas emoções infantís? Que coisa chata deve ser a vida deles. 



Por Miguel Chammas

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Memórias de um dedo médio



A época pode ser situada entre os anos de 1955 e 1956.
O local é a Cantina da ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO FREDERICO OZANAN, situada à Praça Franklin Roosevelt, 129 – São Paulo.
Os envolvidos eram todos os alunos dos Cursos da referida escola e o proprietário da Cantina, um senhor de nome Saul que a havia comprado do antigo proprietário, o sempre querido Francisco (Chico para todos os alunos e alunas da velha escola).
Identificados os participantes vamos, enfim, aos fatos:
Éramos, todos, estudantes dos cursos de Técnico de Contabilidade ou Secretariado, com idade entre 14 e 19 anos, ávidos por alguma notícia que nos fizesse rir ou bagunçar durante os intervalos das aulas.
Quando a Cantina era ainda de propriedade do Chico, tínhamos uma válvula de escape muito boa.
Ele, diariamente, expunha uma gravura do “Amigo da Onça” (figura criada pelo cartunista Péricles e publicada na revista semanal “O Cruzeiro”).
A piada do dia tinha sempre uma alusão a um aluno ou aluna e causava verdadeiro reboliço entre todos. Comentários e piadinhas tomavam conta de todas as rodinhas e faziam o tempo passar mais depressa.
Quando a cantina foi vendida para o Saul (nunca consegui decifrar a sua nacionalidade, para mim, era uma mistura de português e qualquer outra raça europeia).
Ele tinha uma figura bastante estranha, era mal-humorado, resmungão e bastante pão duro. Fazia questão de não ser simpático e não admitia qualquer tipo de pendura. Ficava uma fera se alguém pedisse fiado.
Tinha mesmo um aspecto esquisito, um tanto quanto de não muito asseio.
Definitivamente, não caiu no agrado da classe estudantil e não conseguiu se enturmar com nenhum dos grupos líderes da escola.
Nós os alunos, vivíamos na vigília constante para flagrar qualquer gesto, ato ou derrapada do dito cujo para contar a todos e, assim, justificar os risos e chacotas da hora do recreio.
Na época, os refrigerantes tinham uma versão menor que era um sucesso no público estudantil.
Eram o Guaraná Caçulinha, a Coca-Cola pequena, etc.
Devido a grande aceitação, os estabelecimentos comerciais, inclusive a Cantina da Escola, tinha um significativo estoque desses vasilhames.
Um belo dia, eis que o Saul lança uma novidade na Cantina.
Era uma delícia bastante supimpa, Leite com Groselha, embalada em garrafinhas de Coca-Cola e produzida na própria cantina.
A novidade caiu imediatamente no gosto de todos, e no recreio seu consumo era bastante acentuado, mesmo por que o custo era menor que o de um refrigerante e, lógico, era muito mais saudável.
Um dia o sucesso da beberagem caiu em descrédito e, em pouco tempo estava fadado ao esquecimento.
O motivo deste descrédito foi que alguém, em algum momento não registrado no tempo, constatou que o velho Saul preparava o tal Leite com Groselha despejando os ingredientes em cada uma das garrafinhas e, para misturar, enfiava seu dedo médio, sem qualquer tipo de asseio, no gargalo de cada garrafinha e balançava-a antes de colocá-la na conservadora.
A notícia se espalhou como vento e causou nojo em todos os alunos.
Até hoje, só tomo Leite com Groselha se eu mesmo promover a mistura.
Arre égua! Como diriam meus amigos nordestinos.


Por Miguel Chammas

domingo, 1 de outubro de 2017

Doces recordações

Imagem: EEPSG Prfª Adelina Mazagão Alcovér

Outro dia, relembrava alguns fatos que ficaram marcados em minha adolescência. Foi quando veio em minha memória a época em que passei a frequentar a Escola Estadual de Primeiro Grau Professora Adelina Mazagão Alcovér, que ficava na Rua Celso de Azevedo Marques, na Mooca, quase no final da década de 60.

Meus olhos de menina de 11 anos deslumbravam um mundo completamente diferente do que eu estava acostumada na escola primária, dirigida por freiras, que era o Círculo Operário, na Vila Prudente, hoje Círculo de Trabalhadores Cristãos de Vila Prudente e Colégio João XXIII.

Nos primeiros dias de aula de ginásio, hoje ensino fundamental, meu amado paizinho me acompanhava para me ensinar o caminho. Íamos a pé, desde nossa casa, na Rua Umuarama (Vila Prudente) até a escola. Um longo caminho, mas, era preciso, pois não tínhamos carro e nossos parcos recursos não nos permitiam ir de táxi, e as linhas de ônibus, disponíveis na época, não nos levavam ao nosso destino e teríamos de utilizar várias linhas para conseguirmos chegar à escola.

Mas, para mim, tudo era fascinante. Eu me sentia crescida, adulta e tinha orgulho por ter conseguido passar no exame seletivo e frequentar aquela escola. Naquela época, as escolas estaduais eram hiper melhores do que as particulares, em se tratando de qualidade de ensino, conteúdo, rigor, disciplina etc., e preparavam o aluno para os cursos posteriores, como o segundo grau e faculdade.

Saíamos de casa bem cedo, pois as aulas iniciavam-se às 08h00. Descíamos a Rua Umuarama, onde morávamos, até um determinado trecho da Rua José Zappi, onde nos dava acesso à Rua Chamantá (Parque da Mooca), e esta, por sua vez, nos dava acesso à Avenida Paes de Barros, na altura do início da Rua Juatindiba, hoje Rua Juventus. Andávamos toda a extensão da Rua Juatindiba até chegarmos à Rua Celso de Azevedo Marques, em tempo de eu poder participar do hasteamento das bandeiras do Brasil, de São Paulo e da escola, ao som do Hino Nacional, cantado por todos os alunos.

Logo aprendi o caminho e ia sozinha para a escola. Depois, acompanhada pelas colegas que se foram somando, mesmo porque acabei fazendo parte da equipe de voleibol da escola. Esta atividade curricular me abriu as portas do Clube Atlético Juventus. No início de 1970, o treinador da equipe feminina juvenil do clube, o Ademar, juntamente com nossa professora de educação física, a Rosália, buscavam novos jovens talentos para o esporte e davam oportunidade aos alunos de nossa escola que desejassem praticar o vôlei. Nestas seleções, fui escolhida e lá fui eu jogar voleibol pelo time juvenil B do Juventus. Estudava pela manhã e treinava à tarde, no clube. Participamos de vários campeonatos locais e até intermunicipais, conquistando algumas medalhas e troféus para o clube.

Bons tempos, aqueles.

Depois, passei para o segundo grau, hoje ensino médio, e tive de me despedir da escola querida que eu jamais esqueceria, por tantos bons aprendizados e tantas alegrias recolhidas.



Por Sonia Astrauskas

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Memórias remediadas




Estava hoje, como soer acontecer, preenchendo o vazio dos meus dias praticando meu exercício físico-visual, ou seja, assistindo o que a “telinha” me oferecia quando, num dos múltiplos intervalos comerciais que nos enfiam goela abaixo, foi veiculado um filmete de uma nova campanha publicitária de um antigripal famoso, o “Benegrip infantil”.
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A veiculação me interessou pela forma com que foi abordado o assunto, mostra o desespero de um filho para tentar se desvencilhar das tentativas de seus pais para lhe administrarem o remédio, gritos, desculpas e mil artifícios... Depois do surgimento da nova apresentação do remédio a rejeição, conforme campanha publicitária, desaparece de imediato.
Assisti estarrecido lembrando de uma realidade muito antiga vivida por este rabiscador de palavras. Tudo veio claro em minha memória e, sem dúvidas, comecei a registrar os pensamentos com toda a realidade com que se apresentavam. Aqui vai:
Minha segunda filha, a Roberta, era um para-raios de doenças. Se alguém viesse a dar um espirro na Cochinchina (atual Vietnam) por resultado de uma nova virose ou coisa que o valha, era ali, na Rua Rocha, no miolo do velho e querido Bixiga, que se repicava o espirro e se manifestava o novo mal. Era incrível.
Numa dessas oportunidades, não sei como e nem por que, ela apresentou sintomas de abatimento da saúde. Uma febre logo se fez presente, eu estava em uma ausência profissional e a mãe, decididamente, a levou ao médico. Depois dos exames solicitados veio o diagnóstico, Febre Reumática.
Voltei para casa o mais depressa possível, mas minha presença já não se fazia tão necessária, a pequerrucha já estava medicada e brincando serelepe como sempre.
Ledo engano! Os males estavam por iniciar. O médico ao constatar a doença disse à minha esposa que o tratamento daquela doença era longo e dolorido.
Ela teria que ser medicada, pelo menos até os 14 anos com a aplicação mensal de um antibiótico famoso pela dor que até hoje é provocada quando injetado no paciente, injeções de Benzetacil eram e são, até hoje, o terror dos pacientes.
Inicialmente medicada minha pequerrucha iria nos meses seguintes me provar que era, também, uma grande atriz dramática além de uma fazedora de “auês” homéricos;
A cada mês, na época da injeção ela promovia um espetáculo, choros, gritos, rogos, tentativas de fuga e tudo mais que fosse possível ela usava e abusava, a vizinhança já sabia e não ligava mais para o barraco.

Na Praça 14 Bis, bem próxima de nosso apartamento existia uma farmácia que tinha, por sua vez, um farmacêutico de origem nipônica, cujo nome, por culpa de minha idade avançada, não consigo lembrar o nome, mas que era um “expert” em aplicar injeções, e depois do primeiro escândalo na farmácia, considerou a possibilidade de ir, a cada mês, aplicar a espetada lá em casa, no que foi, de imediato, entendido e aceito.
Então, a cada mês, aquele prédio se transformava no palco dos espetáculos da Robertinha, mas como diz o velho ditado “não há mal que sempre dure...” um dia, nova consulta, uma súplica emocionada dos pais já esgotados com tanta gritaria, veio a liberação médica. Já não mais teríamos que forçar a aplicação de novas injeções. Estávamos livres, nós e a Roberta, daquele suplício mensal.
A lembrança, porém, não foi apagada e, ao assistir esse comercial, voltou de cabo a rabo em nossa memória.
Graças a Deus só na memória.


Por Miguel Chammas

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

A Batalha da Campanella

Imagem tirada do blog Falcão do Morro Itaquerense - Seleção Juvenil de 1963

Itaquera 1966, 23 de dezembro.
Sou acordado logo cedo por minha mãe e de imediato convocado por ela para irmos ao Mercadinho do SESI ao lado da padaria Vencedora para efetuarmos as compras para o almoço de natal que seria realizado na casa da tia Terezinha sua irmã mais velha.
Saímos de casa com duas enormes sacolas e na descida do Morro do Falcão passamos pela casa da prima Mariinha para pegar meu primo Paulinho, conhecido em Itaquera por Paulinho Porrete, pois ele iria nos ajudar a carregar as sacolas na volta para casa além de levar a lista de compras que ficara a cargo de sua mãe.
Chegamos ao SESI e como era de se esperar nos deparamos com enormes filas para efetuar as compras de natal, tendo em vista que aquele estabelecimento vendia a preços populares.
Enquanto minha mãe fazia as compras Paulinho e eu fomos nos sentar ao lado das carroças de carreto que ali tinham o ponto, e nos ocupamos em ficar jogando pedrinhas, ou melhor, saquinhos, pois eu sempre carregava os 5 saquinhos que eram preenchidos com areia, que minha mãe havia feito para substituir as pedrinhas.
Compras feitas, dona Nair minha mãe entregou as duas sacolas e ordenou a mim e ao Paulinho, que fôssemos direto para a casa da tia Terezinha levar as compras, e que não era para pararmos em lugar algum. Depois de deixar as sacolas lá poderíamos então sair para brincar.
Ordem dada ordem a ser cumprida. Colocamos as sacolas atravessadas num cabo de foice que havíamos levado para esta finalidade e marchamos em direção a Vila Corberi.
Passamos pela estação de Itaquera e no final da mesma Paulinho sugeriu que fôssemos direto pela linha do trem, que cortaríamos caminho. De imediato concordei e lá fomos nós. Esta mudança de rota foi o ponto chave para tudo que ocorreu e que vou relatar a seguir.
Ao passarmos pelo pontilhão sobre o Rio Verde, neste lugar o rio atravessava da Tomazzo Ferrara para a 25 de Março, e lá havia um túnel onde no seu término tinha uma queda que os garotos utilizavam para escorregar, nos deparamos com o Tampinha lutando contra o Landóia da Campanella dentro do rio.
Paramos para observar a luta entre os dois garotos e aos poucos foram chegando mais meninos da Campanella que começaram a atirar pedras em nós que estávamos lá no barranco da linha do trem. Vendo que a turma da Campanella ia crescendo, Tampinha interrompeu a luta corporal no rio e subiu para a linha onde nós estávamos e pediu para irmos buscar reforço.
Pegamos as duas sacolas e correndo descemos pelo campo do Figueirinha e fomos na casa do tio Bruno, onde deixamos as sacolas guardadas e convocamos o Bruninho Carijó, o Bilú irmão do Lauro e mais uma “renca” de garotos que estavam jogando bola no Figueirinha e marchamos em disparada para o pontilhão.
Em maioria e com farta munição de pedras de brita que sustentavam os dormentes da linha do trem passamos a levar vantagem na batalha, e aos poucos os garotos da Campanella foram retrocedendo e nós avançando, até que eles bateram em retirada subindo pela trilha da Biquinha que ligava pelo meio do mato a 25 de Março com o alto da Avenida do Contorno.
Empolgados, enchemos nossos bolsos de pedras e partimos em perseguição aos fujões, e não percebemos que estávamos entrando em terreno do inimigo. Dito e feito. La no alto já na Avenida do Contorno, perto do Campo do Botafogo os garotos da Campanella haviam juntado uma turma maior que a nossa e bem armados de paus e pedras.
Meia volta e desta vez partimos em retirada para o nosso lado, porém meu primo por ser portador de paralisia infantil de uma das pernas, não podia correr na mesma velocidade dos demais garotos, e sendo assim ele e eu ficamos mais para trás da fila. Ao chegarmos na trilha da descida da Biquinha, vendo que seríamos alcançados pelo inimigo, Paulinho se atirou de carrinho em uma grande touceira de Capim Angolão que havia ao lado do barranco e até mesmo por instinto eu fui atrás.
Ali escondidos vimos cada um dos garotos da Campanella passarem na trilha ao nosso lado sem nos verem. Após todos terem passado, não sei até hoje por qual motivo, o Paulinho cismou de sair do esconderijo e ir ao encontro do inimigo pela retaguarda. Ele sacou de seu bolso um canivete suíço que havia ganho de seu pai do qual nunca se separava e iniciou a marcha em direção aos garotos que agora estavam já na 25 de Março ao lado do rio travando uma batalha de pedras contra a turma do Falcão que estava sobre a linha do trem.
Desta vez eu titubeei, pois sendo um garoto magrela, não teria a menor chance o corpo a corpo contra aqueles garotos, diferentemente do Paulinho que compensara a perda de força na perna afetada por uma força descomunal nos braços, e encará-lo no braço era para poucos.
De onde eu estava podia ver meu primo aproximando-se da retaguarda do inimigo, até o exato momento em que ele desapareceu de minha visão e fora cercado por um grupo menor de garotos que defendiam esta retaguarda. Neste momento fui invadido por uma coragem súbita e com uma pedra em cada mão disparei em socorro ao Paulinho.
Ao aproximar encontrei Paulinho no chão gemendo de dor e gritando: - Quebrei a perna, quebrei a perna, corre chamar minha mãe.
Não sabia se obedecia ao Paulinho ou partia para a porrada contra os moleques, quando o Landóia falou: - nem tocamos nele, ele caiu sozinho. Versão esta que Paulinho de imediato confirmou.
Parti em disparada em busca de socorro, peguei minha mãe em casa e em seguida passamos na dona Olga cabelereira onde estava minha prima Mariinha a mãe do Paulinho fazendo o cabelo par a festa de Natal. Saímos então todos correndo e desesperados para a 25 de março, prima Mariinha ainda com os bobs no cabelo. E minha mãe se descabelando.
Encontramos o Paulinho já na beira da rua sentado em uma cadeira que fora providenciada pela mãe do Anibal e do Zé Zoiudo que moravam ao lado do rio.
Paulinho estava pálido e suando frio, mas pode contar que ao aproximar dos moleques, com o canivete em punho decidido a enfrenta-los e espetar o primeiro que chegasse perto, escorregou no barro e caiu sobre a perna afetada pela paralisia e quebrou o fêmur.
Os moleques a esta altura já haviam de dispersado temendo a consequência do ocorrido que ficara muito sério a partir deste acidente.
Fui incumbido de correr até a casa do seu Gabriel para que socorresse o Paulinho em seu taxi e dei sorte que seu Gabriel estava chegando para o almoço e de imediato atendeu a meu pedido.
Paulinho foi levado para o Hospital das Clínicas onde foi internado e teve que passar por uma grande cirurgia para implantar uma placa de platina de mais de 20 centímetros para religar os ossos do fêmur, placa esta que está em sua perna até hoje.
O Natal naquele ano foi triste, mais entendemos que a providência fora divina, pois se meu primo não caísse e quebrasse a perna poderia ter feito algo terrível com seu canivete.
Assim terminou a Batalha da Campanella. Paulinho, ou melhor Dr. Paulo Douglas Primerano Jr, hoje aos 66 anos é renomado advogado em Boituva. Tampinha continua em Itaquera desfilando com sua carrocinha de amolar facas e indo a todos os jogos do Falcão do Morro. Bruninho Carijó e Landóia já morreram, dos demais não tenho notícias.
Fica aqui uma enorme saudade do tempo de moleque e de Itaquera de antigamente.


Por Marcos Falcon