sábado, 23 de setembro de 2017

Memórias de uma saudade


Todos têm saudades. Não existe ser vivente, neste mundo de meu Deus, que não tenha saudades, Saudades de alguém, de alguma situação, de uma época, de emprego, enfim saudades de qualquer coisa. Este cronista, ou melhor, este rabiscador de textos insólitos também as tem, e muitas, de muitas coisas, de muitas ocorrências, mas Saudades mesmo, com “esse” maiúsculo eu tenho de uma senhorinha de estatura pequena, de nariz abatatado, de olhar intrigante e melancólico que povoou meus dias por mais de 40 anos. 
Uma grande mulher embora de estatura pequena. Uma mulher que sofreu em silêncio ao ver seus sonhos irem, a cada dia, sendo apagados ou desestimulados. Uma mulher que dedicou sua existência a um casamento falido, a cuidar, com denodo, de uma família que não era originalmente sua, a zelar por filhos gerados dentro de seu útero, com todo carinho e responsabilidade, ensinando-os desde os primeiros passos, as primeiras letras, os primeiros voos, as primeiras desilusões, como deveriam enfrentar o mundo. Esses ensinamentos, lembro-me bem, foram efetuados de todas as formas e possibilidades, ora com carinhosos gestos, ora com surras homéricas.
Uma mulher que zelou, ainda, pela educação e acolhimento dos filhos de sua cunhada quando ela foi convocada por Deus para a espiritualidade.
Uma mulher que, acreditando no dever de suas promessas, ao perder, ainda na gestação, uma filha tão desejada, foi já no outono da vida, buscar na adoção a filha desejada, dela cuidando, acalentando e perdoando suas falhas e erros até sua despedida deste plano.
Isso mesmo, estou falando de Dona Thereza, minha tão honorável mãe, que neste 23 de setembro, se viva estivesse, completaria 97 anos de vida.
É, minha mãe, minha velha, como eu habitualmente e carinhosamente te chamava, hoje, novamente, aliás como todos os dias, me lembrei de você.
Lembrei de nossos segredos, de nossos desejos, de nossos sonhos, mas mais ainda, lembrei dos lindos momentos que juntos desfrutamos. Sabe minha velhinha, lembrei de várias tardes em que juntos, sentados no nosso quarto lá na casa da Rua Augusta, onde eu assistia você, com suas mãos milagrosas e mágicas, bordava os pontos em cruz ou outros mais difíceis ainda, nas peças de lingerie, de cama ou, ainda, de mesa que lhe encomendavam e que você agradecia por poder melhorar as finanças de nossa família com o suor e sangue de seus dedos. 
Lembra, velhinha? Lembra que você, em várias oportunidades me olhava entretido em seus afazeres e perguntava, o que você está querendo Miguelzinho? E na ausência de minha resposta concluía: quer cantar comigo? E na ausência de minha resposta, começava a cantarolar, com sua voz maviosa e afinadíssima: “vide el mare quanto é bello....”, “Mamma son tanto felice”, ou ainda, “sola fané descangayada, la vi esta madrugada sair de um cabaret”,  “La cumparsa de misérias sem fin desfila” “Il primo amore non siscorda mai” e tantas outras melodias que emolduravam nossas tardes com muita alegria.
É, minha velhinha, faz tempo que estas saudades brotam de meu coração amargurado. 
Tenho medo, às vezes, de não ter feito por você tudo que lhe era merecido, mas, saiba que o pouco que pude fazer foi do fundo do coração, tentando compensar o muito que fez por mim.
Hoje, neste 23 de setembro de 2017, respeitosamente, te envio meu mais carinhoso e saudoso beijo e te confesso que a minha saudades é imensa. Um dia, ainda, deveremos nos encontrar novamente e afogar em abraços e beijos toda esta angustia.
Parabéns minha mãe!

Por Miguel Chammas

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Memórias por um ditado


Já lá se vão muitos anos. Estávamos no curso dos anos “tenta”, possivelmente “tenta e cinco”. O solar da família Chammas era em um apartamento no oitavo andar de um prédio da Rua Rocha, esquina com a Rua Itapeva, lógico, no meu idolatrado Bixiga.
O titular daquele núcleo familiar, eu, era um orgulhoso profissional da área de Consultoria Empresarial de O&M que, naquelas alturas, já colecionava uns tantos trabalhos de sucesso em todo o território nacional. Meu sucesso não era medido pela remuneração um tanto aquém do merecimento natural, mas era, sim, medido pelos trabalhos realizados com todo o denodo e com seus resultados devidamente comprovados.
A família, por sua vez, sentia com minhas ausências profissionais já que, por força de trabalhos distantes, era eu obrigado a me ausentar por períodos de três semanas a cada fim de semana retornando, mas mesmo assim íamos vivendo com dignidade respeito e muito carinho.
O apartamento era alugado; veículo, tínhamos um Ford Corcel II vermelho flamejante, naquela altura, um tanto quanto necessitado de melhorias.
Estava desenvolvendo, no período, um trabalho em São Paulo o que alegrava a todos. Fiquei nesse trabalho por algumas semanas e, utilizando o carro com maior frequência, fui reparando todos os seus defeitos e necessidades.
Resolvi, então, depois de pesquisar orçamentos, mandar arrumar o nosso transporte. Seriam verificados e reparados os pequenos defeitos mecânicos e, lógico, os defeitos da carenagem e consequente pintura.
Aceite, para tal, trabalhar um período sem condução própria, utilizando serviços de taxi para meus deslocamentos.
Na última semana do meu trabalho em São Paulo a reforma do carro estava sendo terminada, e contente, eu poderia passear no final da semana com toda a tropa, coisa que já não fazíamos havia algum tempo. Mesmo por que eu já sabia que na semana seguinte estaria assumindo uma nova tarefa no interior e estaria ausente, quem sabe, por mais algumas semanas.
Fizemos o planejado passeio. Fomos almoçar na Cantina Veneta, nossa predileta, que ficava na estrada de M’boi Mirim.
Como de praxe, no carro já estavam acomodadas a minha mala de viagem e minha maleta 007 com os materiais de uso profissional (naqueles tempos noteboock não era nem conhecido por estas plagas), pois após o almoço, a “dona patroa” me desembarcaria na Rodoviária da Rua Duque de Caxias para início de minha viagem profissional e retornaria à casa com nossas filhas.
Pronto, final de semana perfeito, embarquei com destino ao interior e na segunda-feira, iniciei um novo trabalho. A distância dessa nova tarefa não era grande e isso me permitiria retornar a cada sexta-feira.
A semana passou rápida e me permitiu um retorno mais cedo para casa. Desembarquei em São Paulo por volta das 14h00 e de taxi fui para casa.
Minha ideia era chegar em casa, largar a bagagem, pegar o carro e ir buscar minha esposa (esqueci de contar que ela, no intuito de ajudar as finanças domésticas trabalhava, como escriturária, no Hospital Menino Jesus também no Bixiga) fazendo-lhe uma surpresa.
Se assim pensei, assim procedi. Só que ao descer na garagem do prédio e localizar nosso carro na vaga a ele destinada, levei um susto. Meu corpo gelou da cabeça aos pés. Aquele carrinho, quase novo., pintadinho de vermelho estava, agora, ostentando um nobre e profundo amassado na sua trazeira.
Cego de raiva embarquei e quase desmontei o carro tal a violência usada para bater à porta. Sai cantando pneus e só parei à frente do Hospital. Buzinei algumas vezes e, finalmente, ela e a prima que com ela trabalhava, apareceram na janela.
Ela fez um sinal me pedindo para aguardar e eu já percebi que a desculpa estava pronta e convincente. Tratei de me acalmar e quando ela se aproximou já foi dizendo: “-a culpada fui eu...não percebi a mureta do estacionamento e bati fazendo a manobra...”
Um pouco mais calmo disse que ela fosse para casa por que eu iria tentar resolver o problema do carro... Fui e resolvi.
Levei o carro até a Loja Ford Sonnerving que existia na rua Frei Caneca, pedi uma avaliação do carro no estado, perguntei o preço de uma Belina Ford LE Branca, que era meu sonho e havia me encantado desde a entrada, negociamos a troca e o financiamento do valor excedente e, às 19h30 este consultor, extremamente satisfeito, já com seu novo troféu estacionado na garagem, usou o interfone da portaria para chamar toda família e com eles festejar a nova aquisição que, diga-se de passagem, foi aprovada e comemorada por todos.
Em seguida, todos embarcados, fomos passear e mostrar nosso carro aos parentes mais próximos.
Lembrei dessa passagem hoje ao ler hoje em algum lugar um ditado que dizia “Há males que vem para o bem.”


Por Miguel Chammas

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Memórias Gestuais


Há muito tempo que não me sinto propenso a sentar diante desta maquininha eletrônica e digitar fragmentos da minha memória. Tinha receio de que minha caixa de lembranças estava exaurida. Nada vinha aguçar minha vontade de formalizar um registro histórico.
Então, tentei aceitar a situação como normal e abstraí a vontade de escrever.
O tempo passava e de quando em vez me pegava pensando na possibilidade de retornar aos meus rabiscos. Concentrava-me na busca de um tema e...nada acontecia.
Resignado voltava ao meu “ponto zero” e, consequentemente, ao fazer nada de sempre.
Hoje, ainda sem nada interessante para fazer, sozinho, uma vez que, por conta de uma vontade enorme e um merecimento incomum, minha companheira iniciava um curso acadêmico, restou o cotidiano, assistir TV ou ouvir a irradiação do jogo do meu time que, por ser uma segunda-feira, não seria sequer televisionado. Não tive dúvidas, optei por ouvir o rádio.
O jogo estava seguindo seu curso normal, meu time jogava bem e me dava a certeza que de um momento para outro abriria o placar. Certeza confirmada, o verdão abria 1 x 0 contra o, também verde, Coritiba. A tranquilidade tomou conta de meu ser até o final do primeiro tempo e me dava a certeza que no segundo tempo de jogo o placar se ampliaria e a vitória seria definitiva.
A segunda etapa teve início, algumas alterações foram realizadas pelas duas equipes e, nosso adversário mudava um pouco sua estratégia de jogo, nosso time não se encontrava em campo.
As dificuldades eram evidentes. O verdão de Curitiba ia se encontrando cada vez mais e ameaçava nossa mísera vitória. A bola ia e vinha, os ataques seguiam muito mais perigosos contra o Palmeiras e eu, como todo torcedor consciente, torcia, tentava mandar fluidos positivos para minha equipe na determinação de, pelo menos, manter a apertada vitória.
Foi então que, num momento de muita tensão, me percebi fazendo um gestual que era marca registrada dos Duques de Piu-Piu nos anos “entas” da minha juventude, no meu amado Bixiga, bairro famoso de Sampa, para amarrar o time adversário.
Esse gesto, introduzido em nosso grupo pelo amigo e irmão Xiribi era simples, em ambas as mãos, devidamente postadas, estirávamos para a frente os dedos indicador e mínimo como se fossem um par de chifres e, os dedos restantes, anelar, médio e polegar, se contraiam e formavam uma figa.
Pura crendice nos permitia a certeza que estávamos amarrando o adversário e impedindo-o de concluir com eficiência suas jogadas.
Lógico que, em muitas ocasiões, nem esse gesto cabalístico nos ajudou, mas quando a coisa acontecia a nosso favor, a ele (gesto), eram concedidas todas as glórias.
Hoje, mais uma vez, devo render ao velho ritual as glórias da vitória. Vencemos com um suado 1x0 e ao término da irradiação, minhas velhas mãos, já padecentes de artroses e artrites, estavam bastante doloridas pelo uso desse gesto durante a maior parte do segundo tempo.
Eis que, na paz da vitória, consciente da lembrança gestual, voltei para meu notebook, abri o Word e registrei mais um rabisco.
Será que voltei em definitivo? Não sei, mas aguardem por favor.  

Por Miguel Chammas

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A festa


1963
13 de junho dia de Santo Antônio.
Meu pai Antônio já por tradição de família, todo ano fazia a festa de Santo Antônio para reunir a família e os vizinhos em nossa pequena chácara em Itaquera.
A festa era preparada com antecedência e minha mãe encarregava-se de preparar os doces típicos que fazia com muito carinho e competência, pois para ela nada mais importante no mundo que receber elogios de suas comadres de como estes estavam deliciosos.
Meu pai como que por um ritual, sempre uma semana antes ia até o Calipeiro, onde hoje está o Itaquerão, para escolher o mais belo exemplar que seria transformado em mastro para sustentar as imagens dos três santos, Antônio, João e Pedro, ao pé do qual na noite da festa seria rezado o terço sob o comando do Juca da dona Olâmpia, o “maió” rezador da região.
A mim ficava a missão de durante as semanas que antecediam a festa ir catando lenha para armar a fogueira, que não podia ser pequena e pela tradição deveria queimar a noite toda e amanhecer ainda acesa.
O dia da festa amanheceu lindo como um típico de inverno com sol tímido num céu sem nuvens  de um azul brilhante que contrastava com o frio dos ventos de inverno.
Minha mãe e Ana minha irmã deram início a decoração do quintal que foi todo enfeitado com bandeirolas de papel de seda colorido. Meu pai como exímio carpinteiro já ia improvisando os bancos de madeira de construção ao redor da fogueira. Eu fui escalado para ir buscar um saco de capim gordura, de preferência seco, que seria utilizado no processo de acender a fogueira.
Missão dada missão cumprida, peguei um saco de estopa que utilizada para carregar o capim que normalmente eu cortava para os coelhos, passei na casa do João Turco, e chamei o João Burrão para ir comigo buscar o capim.
Sabia que na entrada do Calipeiro havia muito capim gordura, pois eu o havia avistado no dia em que fui com meu pai buscar o mastro para o estandarte dos santos. Fomos diretos para lá e foi muito fácil cumprir esta missão, pois nesta época de seca quase todo o capim estava bem seco, no ponto para ser queimado.
Ao colocarmos o capim no saco avistamos, mais a frente em uma touceira isolada em uma haste de sementes do capim gordura, uma bola escura que ao longe nos parecia ser um ninho de bico de laca, um passarinho de porte pequeno que vive junto aos papa-capins.  Nos aproximamos do ninho e pudemos notar que não era de bico de laca e sim era uma bola de carrapatos micuins também conhecidos como carrapatos pólvora.
Nesta época do frio eles escalam estas hastes e se amontoam para acasalarem e depois serem levados pelo vento para reprodução em qualquer lugar. Uma bola desta deve ter mais de milhão de pequenos seres, prontos para encontrarem um animal mamífero de sangue quente e se alimentar antes de morrem.
Olhei para o João e ele para mim. Pronto a traquinagem já estava desenhada. Corremos para casa com o saco de capim e retornamos para o Calipal agora com um saquinho de papel destes onde eram vendidos a granel os grãos de arroz e feijão, que comprávamos no armazém de secos e molhados do Seu Luiz Português.
A habilidade do João era extrema. Vergou suavemente a haste do capim gordura, colocou o saquinho debaixo e com um leve bater de dedos de forma contínua foi derrubando toda a ninhada para dentro do saco. Agora saco com a boca amarrada era só levar e guardar nosso tesouro para o grande momento.
A festa tinha  seu ritual, ou seja, o povo ia chegando a partir das 18 horas e até as 20 todos já estavam lá. Às 20 horas em ponto meu pai hasteava o mastro com os santos sob um estrondar dos fogos que simultaneamente eram queimados pelos especialistas, meus tios Nine e Antônio. Mastro fixado era a hora de todos sentarem-se nos bancos para a reza do terço. Após o terço a fogueira é acesa e começa a comilança. Naquele ano meu pai havia contratado um sanfoneiro que iria alegrar a festa e tocar para o povo dançar.
Assim que o mastro começou a ser erguido e todos estavam com o olhar fixo nos santos, os santinhos João e eu pegamos o saquinho e esparramamos os “porvinhas” por todos os bancos.
Já na segunda Ave Maria que o Juca rezava teve início o baile, sem música, porem era um tal de coça coça, mexe mexe, sem parar e que por respeito a reza ia sendo aguantado com bravura, principalmente pelas mulheres.
Não teve jeito, antes do primeiro Pai Nosso o povo não aguentou foram levantando dos bancos, os homens coçando para todo lado e as mulheres mais recatadas correm para dentro de nossa casa onde minha mãe as ajudou a livrarem-se dos carrapatos já depois do estrago feito.
Meu pai indignado falou que os carrapatos só poderiam ter vindo junto ao feixe de capim gordura, e sendo assim ateou fogo na fogueira e solicitou os homens que passassem tochas de fogo pelos bancos e pelo terreiro para matar os micuins.
A fogueira iluminou todo o quintal, porém o estrago era grande e a mulherada não para de coçar. Minha mãe tentou distribuir suas guloseimas, mas não adiantou as nove da noite só restavam no quintal o Chico Torto que sempre ficava até a meia noite quando descalço passava sobre as brasas da fogueira sem queimar os pés e o Seu Eduardo que ficava até acabar o caldeirão de quentão.
O assunto foi tema das conversas entre as comadres durante toda a semana e motivo de gargalhadas quando comentavam sobre s as mais diferentes e engraçadas formas de se coçar de cada uma das senhoras.
Meus pais ficaram frustrados com a festa do Micuim, porém atribuíram o fato a uma fatalidade.
João Turco e eu nunca contamos a verdade para eles, e durante muitos anos seguidos sempre que havia a festa de Santo Antônio na minha casa nós lembrávamos este fato olhávamos um ao outro de soslaio e riamos da piada que somente nós entendíamos.


Por Marcos Falcon

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Memórias de um dia 16 de julho de 2016


imagem: Restaurante Guanabara, em Sampa

São Paulo, 16 de Julho de 2016, sábado, este foi um dia de grandes emoções para este escrevente idoso e cheio de memórias.

Nesta data eu estava me dirigindo para um almoço que pretendia fosse memorável, mas vamos por partes:
Primeira: Tinha experimentado, pela vez primeira, uma viagem usando minha condição de idoso. Aliás, condição que de nada vale no momento de requisitar a tal passagem por que para obtê-la o coitado do pleiteante tem que, com cinco (cinco) dias de antecedência e na hora exata em que pretende viajar, se apresentar no guichê da Empresa Transportadora, no terminal rodoviário de destino e contando com a benemerência das operadoras no local fazer o pedido que, depois de várias delongas pode ser aceito ou não. Se aceito, você recebe o bilhete emitido e faz, lógico, o seguinte questionamento: Pode emitir também o bilhete da volta? E ficará sabendo, então, que se a volta for para o mesmo dia, em período diverso da ida, terá que voltar no horário pretendido e tentar conseguir a passagem, mas poderá também, ficar aguardando próprio terminal até o horário para tentar conseguir o famigerado bilhete. Assim foi que perdi um dia inteiro no Terminal Rodoviário, desconfortavelmente acomodado para conseguir legislação específica. 
Ah! Registre-se que se consegue, com muita paciência, os almejados bilhetes, mas o direito de embarcar e viajar só lhe serão garantidos se desembolsar o valor das famigeradas taxas de embarque, por que essas não são gratuitas nem dispensadas pela exploradora dos terminais rodoviários. Ou seja, passagem gratuita só parcial.
Segunda: Chegando ao meu destino e percebendo que tinha, ainda, um bom espaço de tempo descompromissado, e ciente que meu compromisso era no centro da cidade, resolvi embarcar num trem metropolitano e descer na Praça da Sé. Queria tomar um banho de paulistanidade e respirar os mesmos ares que havia respirado em minha juventude, quando exerci a função de “Office-boy”. Assim decidi e fiz, desci na estação Sé do metro, galguei ao solo por escadas rolantes e...Meu Deus! Em que mundo estou? Que cenário é este tão dantesco e inóspito que se apresenta aos meus olhos?
Que horror, quanta desgraça, quanta sujeira, quanta tristeza rolando pelas calçadas do “marco zero” da Capital dos paulistanos. Lágrimas internas rolaram em meu coração, mas resistindo às decepções, continuei a minha peregrinação, cruzei a Praça da Sé desviando de uma série de imundices e excrementos e avancei para a Rua XV de Novembro. O cenário era menos tenso mas, ainda, bastante diferente daquele registrado em minha memória. Os velhos bancos, tão visitados outrora, já não existem mais. Apenas a resistente agencia do Bradesco que por centenas de vezes atravessei para alcançar a Rua Álvares Penteado, continua no mesmo lugar. Procurei achar o Banco Comercio e Indústria, o Banco Comercial, não encontro mais nada. Onde ficava a Lojas Garbo agora é uma churrascaria popular. Tudo mudado. Sigo em frente e chego na Praça Antonio Prado, no numero nove o famoso Edifício Altino Arantes, onde os primeiros andares eram usados para a sede social do Jockey Club Paulistano, os demais andares eram comerciais e no 9º andar e trabalhava, nos escritórios da empresa Comercial e Importadora Restinga Ltda., uma laminadora de ferro de propriedade de Pedro Cerquinho de Assumpção e José Cerquinho de Assumpção e gerenciada pelo grande esmeraldino Pedro Ferronato.Postas fechadas, uma placa indicando ser agora um órgão governamental (Secretaria Estadual de Esportes Lazer e Turismo) e nada mais. 
Olhei para os lados e não vi, além do prédio do Banco do Estado de São Paulo (agora Santander) mais nada de reconhecível. Onde está o City Bank? A Bolsa de Valores? Nada... Os quiosques que, no meu entender haviam sido implantados para embelezar a praça, sujos e mal cheirosos, servem-se, agora, como pontos de abrigo para o sono de mendigos.
Balancei a cabeça para apagar a visão e continuei minha caminhada em busca da ladeira da Avenida São João. Já sabia de há muito que o relógio havia sido retirado, mesmo assim arrisquei um olhada e sem surpresa não o encontrei, comecei a descida, busquei a Fotoptica onde revelei diversas fotos e aluguei várias câmeras fotográficas e já não existia, olhei em frente e, alvíssaras, encontrei as portas do Banco do Brasil onde fui muitas vezes a serviço na CACEX em busca ou re entrega de documentos. Na porta lateral do Edifício Martinelli,devidamente fechada, uma placa informava que as visitas ao terraço estavam suspensas nos finais de semana e feriados.Que pena, uma visita poderia, perfeitamente, preencher mais um espaço do meu dia e me permitiria, quem sabe, matar a saudades, que ainda sinto, do CAFÉ (Clube Associativo da Fazenda Estadual) que tanto freqüentei na infância mercê beneplácito de minha tia Zaíra Chammas (Zazá).
Sigo em frente, atravesso a Rua Libero Badaró decidido a sentar-me em um banco que avistei, lembro-me das muitas vezes que percorri aquele trecho de rua, empurrando um carrinho de ferro, levando ou buscando livros no Collie Posteaux dos Correios, executando minhas funções para a Rede Latino Editora, onde trabalhava.
Sento-me no banco visado e olho para os lados, nada de que minha memória registrava, do lado direito, no trecho da Avenida São João que ia da Rua Libero Badaró até o Vale do Anhangabaú, não vi nem uma daquelas enormes vitrines preenchidas com bugigangas mil, onde por centenas de vezes comprei pares de abotoaduras, prendedores de gravata e alfinetes de colarinho, peças indispensáveis, que compunham a elegância masculina da época. Nada mais existia! Virei meu olhar para o lado esquerdo e, tristeza, não vi o chamativo luminoso da Casa dos Dois Porquinhos, não vi a velha Pastelaria da esquina, hoje substituída por outra churrascaria.
Enfim, olhei para a esquina onde, as 13hs00m seria realizado o evento objeto do meu deslocamento a São Paulo. A Brasileirinha já não mais estava por lá, mas graças a Deus, o tradicional Restaurante Guanabara (onde degustei várias Coxinhas de Frango (coxinhas brancas) e sanduíches de Pernil sem molho, acompanhados de geladíssimas guaranás da Brahma), que era na Rua Boa Vista, agora ocupava o lugar e, em poucos minutos ali eu estaria degustando sua famosa feijoada.
Terceiro: Enfim, relato a terceira parte das emoções desse sábado. O almoço tinha sido preparado para reunir alguns autores de textos do site São Paulo Minha Cidade que, junto com seus familiares, se propunham a degustar a famosa feijoada do Guanabara e manter a amizade que os unia.
Logo que me aproximei da porta do restaurante, encontrei com o Leonello Tesser (Nelinho) e juntos entramos. Fui logo reparando que o balcão dos famosos sanduíches havia sido deslocado para o lado direito de quem entra, comentei com o maitre e ele me respondeu que aquilo já tinha acontecido há mais de dois anos (tempo em que eu não havia, sequer, passado por ali). Sentamo-nos em locais devidamente reservados para o grupo e fui logo bebericando uma Espírito de Minas para não perder tempo enquanto aguardavas os demais chegarem.
Com o passar dos minutos foram chegando a Teresa Fiore, O Roberto Capuano com seu filho Robertinho e sua nora a Lena, em seguida chegou o Marcos Falcon, depois vieram o Rymundo Montagna e esposa, o Arthur Miranda e a Denise sua esposa, em seguida o José Carlos Navarro e sua esposa Silvia, o Modesto Laruccia chegou sozinho, devidamente licenciado pela querida Myrte e, finalmente a família Loureiro (Marcos, Isabel e a pequena princesa) completando, assim, a lista dos participantes.
Entre bebericos, experimentos (o Robertinho Capuano fez questão de experimentar o famoso sanduíche Psicodélico tão comentado até aquele momento), e a feijoada, transcorreram horas maravilhosas e de muita alegria.
Fartos ou, como se diria nos antigamente, com os pandulhos cheios, chegou a hora da despedida. 
Beijos e abraços em profusão, renovadas promessas para uma nova reunião e cada um foi continuar a sua trajetória de vida. 
Sei que novos encontros hão de acontecer e rogo ao Bondoso Deus, que me permita estar presente em todos eles, pois, são dessas pequenas coisas, que meu ser fica revigorado e pronto para novas aventuras.
Até lá, vamos nos arrastando e buscando sobreviver!



Por Miguel Chammas

sábado, 6 de agosto de 2016

Na rua Lavapés


Éramos 4 amigos inseparáveis, eu, Wagner, Fausto e Dimer. Juntos saíamos pela noite sempre procurando um bom programa para nossa diversão; geralmente a opção era para um salão de baile no centro.
Havia também um acordo: quem conseguisse uma companhia feminina podia se desligar da turma  e seguir seu caminho.
Certa noite, fomos todos juntos ao salão do Paulistano da Glória e, eu e o Fausto, conseguimos conquistar duas garotas, boas bailarina;, eram duas primas, a M. e a MP. (os nomes são mantidos em sigilo para salvaguardar a privacidade).
Uma hora antes do término, saímos os 4 para terminar a noite na casa delas; as duas residiam num casarão que ficava na Rua do Lavapés, no Cambuci, ao lado da antiga Fábrica de Chapéus Ramenzoni  (hoje nenhuma das duas existem mais). Na casa residiam outras pessoas e num corredor comprido havia quartos de  ambos os lados. Ficou combinado que uma delas entraria na frente para ver se tudo estava calmo e se os demais moradores estavam dormindo.
 Tudo estava em ordem. Fomos caminhando pelo corredor escuro até o quarto das meninas, que também estava às escuras, e com o máximo de silêncio, elas entraram primeiro, eu entrei logo após e por último entrou o Fausto. Antes de fechar a porta ele perguntou onde ficava o interruptor da luz, uma delas indicou que ficava ao lado direito, mas o que ela não falou é que naquele dia à tarde o interruptor teve problema e teve que ser retirado por um senhor que cuidava da habitação, mas, por falta de tempo, não conseguiu colocar outro no lugar. Assim, a lâmpada teria que ser acionada encostando um fio no outro para  fechar o contato.
 Dessa forma, o Fausto levou a mão procurando o interruptor... Não preciso me estender no assunto para explicar o que aconteceu;  encostando a mão nos dois fios desencapados,  ele tomou um tremendo choque, deu um grito e soltou uma série de impropérios em pleno corredor. Com isso, várias portas se abriram e só víamos cabecinhas sonolentas procurando saber o que tinha ocorrido. Tivemos  que sair às pressas do local antes que alguém resolvesse tomar satisfações mais sérias. Deixamos as meninas lá e a noite terminou dessa forma. 
Dias depois, tornamos a encontrar as garotas e felizmente nada aconteceu  com elas que continuaram morando lá, mas nunca mais nos convidaram.



Por Leonelo Tesser ( Nelinho)

sábado, 30 de julho de 2016

E tudo terminou em pizza


Desde o início da década de 30, meu pai, Domingos Capuano, trabalhava no depósito de uma grande Papelaria de São Paulo na época. Na década de 40, já como chefe desse depósito, certa vez convidou uns amigos mais chegados para uma pequena reunião em sua residência (Rua Antonieta - atual Comendador Miguel Calfat na Vila Nova Conceição), motivado pelo seu aniversário. Vieram cinco amigos sendo que quatro deles aparentando entre 35 e 40 anos e um com bem menos do que 30, que era entre todos o mais falante e desembaraçado para se expressar. Em certo momento subiu num banquinho que estava no quintal e fez um breve discurso dirigido ao meu pai. Nessa ocasião deveria estar entre oito e dez anos de idade quando presenciei essa cena.
No final da década de 40, em reconhecimento ao excelente desempenho prestado pelos quase 20 anos na firma, o dono da empresa, Sr. Jorge, agraciou meu pai com um bom valor em dinheiro e mais duas vezes esse valor em mercadoria para possibilitar abrir uma pequena Papelaria no armazém que ele havia construído na própria residência. E foi assim que surgiu a Papelaria Martim Francisco que logo em seguida passou para a Avenida Santo Amaro, próximo da residência, tendo permanecido em atividade por 47 anos.
No início da década de 70, entra na Papelaria um amigo do meu pai que não se viam há algum tempo. Logo no início do encontro o assunto predominante não poderia ser outro: Futebol. Como os dois eram "palestrinos", começaram a conversar sobre o Palmeiras. Em dado momento da conversa esse amigo menciona o nome do MILTON PERUZZI, que também era "palestrino". Tive lampejos de ter ouvido do meu pai dizer o seguinte: "- Sim conheço, esteve uma vez na minha casa", Num momento me veio a mente aquele jovem muito falante que subiu num banquinho e fez um breve discurso, mas nunca tive a curiosidade de indagar meu pai sobre o assunto.
Somente há cerca de 5 ou 6 anos tomei conhecimento que a expressão que se tornou famosa no nosso cotidiano por todo o país, principalmente em Brasília: " E TUDO TERMINOU EM PIZZA ", teve como criador o marcante Locutor e Jornalista Esportivo MILTON PERUZZI que, entre outras façanhas, comandou com brilhantismo o programa Mesa Redonda Futebol é com Onze, na TV Gazeta.
Nessa altura meu pai não estava mais entre nós. Fiquei sem referência sobre o assunto. Recentemente surgiu a ideia de consultar a internet e buscar notícias sobre MILTON PERUZZI. Dentre muitos personagens surgiu o nome do Dr Milton Peruzzo Jr. médico cirurgião plástico, que constatei ser filho do MILTON PERUZZI (que na realidade era PERUZZO). Através de um e-mail para contato fiz a seguinte pergunta para o Dr Peruzzo: "... seu pai comentou alguma vez que na década de 40 chegou a trabalhar por algum tempo em uma Papelaria?" Logo no dia seguinte recebi a resposta do Dr Peruzzo: " - Não lembro de meu pai ter citado que trabalhou em Papelaria mas lembro dele ter dito que era amigo de um Capuano ".
Mediante essa resposta enviei outro e-mail esclarecendo a cena do banquinho e do discurso da década de 40 e também do encontro do amigo do meu pai na década de 70 na Papelaria onde foi mencionado o nome do MILTON PERUZZI. Prontamente obtive a seguinte resposta: " - Signore Capuano. Com certeza era meu pai, ninguém gostava mais de falar e discursar como ele... Abraço - Milton Peruzzo Jr ".
Passando a considerar verdadeira a minha presunção e consequentemente considerando terem sido amigos por algum tempo, certamente se encontraram e continuam a conversar sobre o "palestra"... lá no céu, ONDE TUDO TERMINA...EM PAZ!!!


Por Roberto Capuano

quinta-feira, 28 de julho de 2016

O reencontro

imagem: reencontro dos autores com feijoada no restaurante Guanabara em 16.07.2016

Manhã diferente, esta.
Após a feira orgânica para conhecer por onde anda e como anda o nosso mundo, fomos ao almoço.
Passeio pela cidade, calma, estranhamente calma, mesmo para um sábado de inverno, mas calma. Deixo a Silvia no ponto mais próximo possível do encontro, vou ao estacionamento, contorno o Largo do Paissandu, entro no cine Ouro, estaciono o carro. Sinto um piano tocando baixinho, vem o manobrista, entrego a chave, recebo o ticket, há um som de piano tocando baixinho.
Vou ao encontro de Silvia, passei pelo cine Paissandu, vejo o seu constante sorriso, olhamos a vitrine da loja; lembro do Marrocos mais adiante, no quartel do segundo exército um pouco antes, lembranças, de encantamentos e de correrias.
Descemos a São João. Passos lentos, meus passos guiados pelos dela, no ritmo que ela precisa. Foi ali que lanchamos aquela noite depois da reunião, diz ela, foi, respondo, seguimos. Ao nosso lado um alto falante berra como ninguém, chegamos ao prédio dos Correios, lembranças das filas e eu como “boy”, acostumado ao som do bater do carimbador nos selos das cartas. Hoje temos ainda correios, temos menos cartas, quase nenhum carimbador e nunca mais aquele prédio dos correios.
Chegamos. Uma pausa para descansar e eis que vejo a Teresa se destacando na multidão. O sorriso como sempre, a simpatia nunca perdida. Abraços, carinhos, beijos. O vento bate forte, resolvemos entrar, entramos e encontramos já parte dos amigos à nossa espera. A reunião da feijoada se inicia. Novos abraços, caipirinhas, chops, a insubstituível “Tônica” para a Silvia, mais amigos chegam e a mesa se completa. Almoçamos ou não almoçamos ? Almoçamos, mas o almoço é o de menos, o que vale é rever a cada um e ouvir o seu dia a dia, o seu momento, o seu passado, o seu rincão e ficarmos senhores do todo que a cidade nos proporciona ou nos proporcionou um dia. Há o discurso emocionado, a fala macia, o conselho compartilhado, a esperança renovada. Somos um grupo de pessoas fazendo a sua história, e, modestamente, por que não ? fazendo a história desta cidade, a historia deste País. O celular dispara, o facebook se atualiza e tal como nas antigas reuniões tudo se extrai para o bom e para o melhor. Somos um grupo de idealistas sonhando com o sonho dos realizadores, como só estes são capazes de conceber.
Mas, tudo tem um fim e o grupo se dispersa desta vez, ou melhor, um breve hiato, pois estaremos juntos mais vezes. Abraços, recomendações e sobretudo agradecimentos. Somos agradecidos pelo que temos e pelo que somos, lamentamos apenas por aqueles que desconhecem o que temos. A volta é feliz e nostálgica. Estamos satisfeitos, mas queríamos mais. Sempre queremos mais. Um amigo sobe devagar a São João, outra que se perde na multidão, eu e a Silvia voltamos na busca do carro. Faz frio, voltamos ao estacionamento, onde era o cine Ouro. Entrego o ticket e o manobrista vai buscar o carro. Eu olho as paredes, a Silvia sabe o que estou pensando, aperta minha mão como se fosse relembrar comigo. Nosso olhar de cumplicidade revela tudo. Encontramos nossos amigos, estamos felizes, mas há um som de piano tocando baixinho na minha cabeça. Vem o carro. O ruído do pneu abafa o piano, abro a porta e antes de entrar dou uma última olhada para o interior do estacionamento. Vejo o tapete macio, o balaustre de madeira, o porteiro elegante e me sinto como se assistir um antigo filme, fosse. Saímos à rua, o burburinho aumenta e eu calado. A Silvia passa a mão no meu rosto e murmura baixinho : Você também ouviu, não ouviu? Desvio do ônibus que chega muito perto, deixo passar a senhora que atravessou na nossa frente e penso baixinho : É; eu ouvi o piano também. 
Tarde diferente, esta.


Por José Carlos Munhoz Navarro

terça-feira, 26 de julho de 2016

Ganhei um livro

imagem: cedida pela autora

Brasileiro não tem o hábito de ler.
É o que dizem as pesquisas.

Bibliotecas são sisudas. Quem chega lá, ou é para estudar ou para fazer pesquisas. Tudo por obrigação.
É o que dizem as pesquisas.

Esmolas financiam o uso de drogas das crianças  em situação de rua.
É o que dizem as pesquisas.

Crianças e adolescentes arriscam suas vidas com trabalho infantil e mendicância nas ruas.
A ONU Brasil,  falou que são cinco milhões nessa condição. O IBGE não contou. Mistério.
Fogem de casa por conta de violência doméstica e o” escambau”.
Pequenos refugiados urbanos na cidade de São Paulo.
É o que dizem as pesquisas.

A mais cosmopolita de todas? 
Cultural? Maior centro financeiro?
É o que dizem as pesquisas?

Daí que ele chegou  e pediu um dinheiro.
Eu só tinha um livro
Ofereci.
Ele pegou, olhou e sorriu.

Saiu saltitante e gritando pros amigos debaixo do viaduto:
“ganhei um livro, ganhei um livro, ganhei um livro”!

Do desterro pra glória, da agonia para o êxtase.

O que mesmo querem dizer as pesquisas?


Por Suely Schraner

sábado, 9 de julho de 2016

Semana de 9/Julho -- Antonio de Paula Mendonça – Soldado Paulista --


”O Sr. Antonio, de Cristais Paulista, viveu bravamente 95 anos – de 1912 até 2007. Acompanhou os trepidantes acontecimentos da História de S. Paulo por todo o século passado, sempre do ponto de vista de um morador do interior do Estado, região em torno de Franca e Barretos.
Viveu uma vida longa, rica e produtiva. Teve um casamento que durou 72 anos, seis filhos que obtiveram grau universitário e dezenas de netos e bisnetos. Uma exemplar trajetória paulista. Foram homens como este que fizeram do Estado de S. Paulo a 'locomotiva do Brasil', como já disse algum poeta.
Entretanto, talvez o ponto culminante de sua existência, a prova de fogo mais marcante que enfrentou, durou pouco. Aconteceu nos seus 20 anos, quando – durante alguns meses – participou da Revolução Constitucionalista de 32.”
Antonio de Paula Mendonça – Soldado Paulista


Por Douglas Bock

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Querido Noel


Naqueles idos, um parto “fórceps” mais  a hipoplasia, te deixaram sequelas. Hoje, um mosquitinho de nada,  anda fazendo estragos nas cabeças dos nenenzinhos. Trata-se do mosquito  que é vetor do vírus zikv  e que causa  a infecção “Zika vírus”.


É, caro cantor e compositor, “deu zica”. Uma zica geral.  Como disse Camões lá atrás,  “a pátria está metida no gosto da cobiça e da rudeza,  de austera, apagada e vil tristeza”. Com certeza,meu poeta,  seu bandolim choraria os mais triste  acordes hoje em dia. Seus desafetos teriam orgasmos cívicos, tripudiando sobre seu talento. 


Seu humor e sua crítica bem humorada, não dariam conta dos comentários ácidos e rasos das tais redes sociais. Aliás, estas, deviam se chamar “redes anti-sociais”.


Noel, é seu aniversário  e eu não deveria estar dizendo essas coisas. Entretanto, sua partida precoce livrou-o de poucas e boas. Fumar? Nem pensar. Todos os fumantes agora são párias. Beber? Só se fôr pedestre. O tal do bafômetro te flagra e é xilindró na certa. Namorar? Transar? Só se for “encapado”. “Com que roupa eu vou? 


Vou me despedindo por aqui. Pra quê mentir, se tu não tens esse dom de saber  iludir? Só me resta pedir ao garçom uma média, um copo d’água bem gelada, que eu não estou disposta a ficar exposta ao sol.


 Suas composições iluminam os meus ais. 

Abraços saudosos.


Por Suely Schraner


terça-feira, 5 de julho de 2016

Matar ou Viver


Este título poderia, muito bem, ser o título de um filme ou de um best seller famoso, mas, no nosso caso, é apenas e tão somente um título apelativo que busca restabelecer a sanidade meio combalida de um canal de comunicação importantíssimo para mim e todos os paulistanos que dele fazem parte.
Estou falando do blog “MEMÓRIAS DE SAMPA” que nesta data completa 6 anos de vida, trazendo em seu bojo os textos de autores paulistanos que tentam preservar as coisas boas de “SAMPA”.
Plagiando as sagradas escrituras, inicio este parágrafo dizendo “No princípio era”, e depois continuo, um site chamado “São Paulo minha cidade”, que promovido sobre a égide política da Prefeitura municipal, chegou aos píncaros da glória mercê aos textos de centenas de paulistanos que ali registraram suas memórias de um passado, recente ou não.
As crises e intempéries sofridas por esse site no transcorrer de sua existência, provocaram preocupação tamanha nos seus colaboradores que não sabiam o que fazer para tentar mantê-lo no ar, servindo de ponto referencial às pesquisas de toda a sorte. Tinha-se a impressão de que de um momento para outro, por um da cá aquela palha dos políticos mantenedores, tudo iria por águas abaixo, destruindo algo que nos era tão alentador e querido.
No auge dessas dúvidas cada vez mais fortes e desalentadoras, surgiu no horizonte uma possibilidade de salvação, Sonia Astrauskas teve a ideia de criar um blog que, mesmo sem querer concorrer ou ofuscar o site, serviria para amenizar a ansiedade dos autores que clamavam por uma solução às diversas paralisações do site.
Nascia, assim, em 2010 o blog “MEMORIAS DE SAMPA”, http://memoriasdesampa.blogspot.com , que atendia a todas as reivindicações dos autores no que tangia à publicação dos seus textos memoriais.
O sucesso veio rápido, a trajetória de textos foi:
2010 = 220 textos; 2011 = 253 textos; 2012 = 131 textos; 2013 = 87 textos; 2014 = 31 textos; 2015 = 13 textos e, finalmente 2016 no dia em que ele completa 6 anos de vida, apenas e tão somente 9 textos, sem contar este que ora escrevo.
Será que os autores ficaram desinteressados ou desmotivados em escrever sobre o tema? Não acredito. O tema é por demais cativante para provocar desinteresses.
Será preguiça? Idade avançada? Falta de criatividade? Não sei explicar, sei apenas que não havendo interesse de participações o blog tende a se extinguir.
Por este motivo é que resolvi denominar este texto como MATAR ou VIVER e lançar o desafio: Vamos abandonar o blog e deixá-lo se extinguir, ignorando todos o esforço e dedicação da sua criadora, ou vamos voltar a participar e  novamente com toda animação e garra de outrora e fazer com ele ressurja do nimbo e volte a nos encantar?
A pergunta fica no ar, que respondam nossos colaboradores.


Por Miguel Chammas

Aniversário do blog


imagem: Viaduto Santa Efigênia, num entardecer chuvoso e belo

Neste último mês de Junho (2016), nosso blog esta completando 6 anos.
Muitos textos, muitas fotos, muitas histórias pudemos ver e ler aqui. Já são 743 textos publicados, recheados de emoções.
Não fosse a colaboração de nossos amados e respeitados autores, esta meta jamais seria alcançada. O blog ainda é o que é, graças aos textos geniais, às histórias fantásticas trazidas por estes escritores, contadores de histórias.
Ao criarmos este espaço humilde era nossa intenção agregar os amigos e amigas, autores do site São Paulo Minha Cidade que, havia algum tempo, estava parado. Hoje, percebo que, mesmo o site tendo voltado à ativa, com seus altos e baixos, os colaboradores do blog continuaram perseverantes também aqui no blog, acrescentando brilho a este trabalho e trazendo novos amigos.
Com o advento do Facebook houve um declínio, significativo, nas postagens. Mas, ainda confio que o nosso trabalho terá valido a pena e continuará a mostrar as belas belas histórias de Sampa.
Sou imensamente grata por tudo isto. E espero continuar recebendo estas histórias maravilhosas de todos os queridos autores deste blog.
Que Deus os abençoe com muita saúde, sempre... Sustentando a todos na palma de Sua mão.
Parabéns a todos!

Muita paz!

Sonia Astrauskas