quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Música e poesia

Já passa da meia-noite, todos de casa dormem o sono dos justos, sentado em minha poltrona predileta, de minha casa no Ipiranga, apago a luz do abajur, fecho os olhos e começo a relembrar velhas canções do passado que ainda permanecem vivas em minha memória bem como alguns versos esparsos:

De uma poesia chamada "Para uma menina Morta" (não me lembro o autor):


"Estava no caixão, como em um leito,
O diadema das virgens sobre a testa,
As mãos cruzadas sobre o casto peito,
Tal como a noiva que cansou da festa...

Trovas:

O vento sopra nas ondas,
Do mar, que então se enfurece,
Ao duro açoite das máguas,
O coração endurece...

Ima
gino um velho toca-discos, os acetatos vão emitindo as velhas canções:

Alcides Gerardi diz:

A chuva cai no telhado do meu quarto,
e eu contemplo o teu retrato
e me ponho a recordar

Carlos Galhardo em seguida diz:
Antigamente uma valsa de roda
era de fato requinte da moda
já não se dança uma valsa hoje em dia
com tanto gosto e com tanta alegria
mas se a valsa morrer
que saudades que a gente vai ter

Silvio Caldas, diz:

Nos olhos das mulheres, no espelho do meu quarto
é que eu vejo a minha idade
Meu retrato na sala faz lembrar com saudade
a minha mocidade
Minha vida tem sido tão ruim, só desenganos
ah! eu daria tudo, para poder voltar
aos meus vinte anos

Francisco Alves, o rei da vóz, diz:
Madrugada do homem banal
que compra o jornal e as notícias não lê
Madrugada um poeta boêmio, deseja por prêmio
viver com você

Gregório Bárrios diz:

Dos almas que nel mundo
habia unido Diós,
Dos almas que se amavam
Dos éramos tu y yo...

Dalva de Oliveira diz:

Este amor, quase tragédia,
Que me fez um grande mal,
Felizmente esta comédia,
Vai chegando ao seu final...

Pedro Vargas diz:

Acuerda-te de Acapulco
de aquellas noches

Maria Bonita
Maria del alma.....

Ainda o Chico Alves diz:

Eu sofri de mais quando partistes
Passei tantas horas tristes
Que nem quero lembrar esse dia
Mas de uma coisa podes ter certeza
No teu lugar aqui na minha mesa
Tua cadeira ainda está vazia...

O sono vem chegando, a madrugada vai alta, recolho-me ao leito e durmo tranquilamente; amanhã será outro dia, com a graça de Deus.

Por Leonello Tesser (Nelinho)

10 comentários:

Soninha disse...

Olá, Nelinho!

Você anda nostálgico, como o Miguel, ultimamente...
Sabe, o trecho que você iniciou é parte do soneto de Luís Delfino, "Cadáver de virgem", um preito para a menina morta.
Romântico e simbolista, retratou exatamente o que estava vendo.
Tétrico, mas, bacana conseguir colocar em soneto aquele momento triste.
No mais, belas recordações musicais, heim?!
Valeu, Nelinho.
Obrigada.
Muita paz!

MLopomo disse...

Geralmente o sono vem com belas recordações, do cancioneiro popular, boas recordações, Nelinho.

Zeca disse...

Nelinho,

que boa receita para aguardar a chegada do sono! Assim, certamente dormiremos em excelente companhia, embalado por belas canções.
Obrigado pela dica! Gostei muito, inclusive da seleção feita por você.
Abraço.

Arthur Miranda disse...

Nelinho as vezes eu também adormeço recordando velhas canções, e recordo Cauby em Conceição, o Silvio em Chão de estrelas, e o Chico Viola em Serra da boa Esperança, as vezes me recordo até de musicas do Paraguassú ( lembra dele?) e então durmo tranqüilo, tranqüilo, e as Vezes acordo assustado com o Falcão cantando umas letras de merda na minha cabeceira.
Parabéns pela saudosa narrativa.

Miguel S. G. Chammas disse...

Nelinho, lendo o início de sua cronica me lembrei de uma poesia que muito se lia e declamava nos meus tempos de primário. Aqui vão uns poucos versos:
Tange o sino tange....Pequenino Morto, se lembra?

Luiz Saidenberg disse...

Boas e belas lembranças, Nelinho.
Fernando Lobo diz:
-Podemos ser amigos, simplemente...
coisas do amor, nunca mais.
Amores do passado e do presente
refletem sentimentos tão banais.
Pressentimentos passam com o tempo...são coisas de momento, são chuvasde verão...
trazer uma aflição dentro do peito
é dar vida a um defeito que se esquece com a razão.
Abraços.

Modesto disse...

O bardo do Ipiranga despertando os sonolentos leitores, ao invez de adormece-los. Nelinho, quem é bom "joga em qualquer posição", como dizia o velho Brandão. Vc abusa da sua vertente e consegue lograr um belíssimo texto, sem a preocupação de cantarolar junto com as letras. Parabéns, "viejo portero de las letras ipiranguenses".

Bernadete disse...

Nelinho,de suas recordações, prefiro as musicais e tomo a liberdade de acrescentar mais algumas...

Maysa dizendo..

Ouça,vá viver
Sua vida,
Com outro bem.
Hoje,eu já cansei
De prá você,não ser ninguém...

e Angela Maria dizendo...

Escuta,
Vamos fazer um contrato
Enxuga o pranto barato
Que te entristece o olhar.
Escuta....

São músicas e versos,que nos transportam para um passado não tão longe assim.
Nosso cancioneiro nacional éra muito rico em letras e melodias.
Que saudade!
Um abraço Nelinho.

Nelson de Assis disse...

Nelinho.
Estas músicas ecoam em minha mente e me trazem recordações dos velhos discos 'bolachões', de 78 rpm's.
Ouvia-os na velha radiola 'hi-fi' de meu pai, uma RCA Victor, que tinha um punhado de válvulas mas, com um som inigualável.
Belas saudades.

MLopomo disse...

Nelinho, me lembrei de mais uma.
Você há de rolar como as pedras que rolam na estrada. (Lupcinio Rodrigues)