segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Dois japoneses inimigos

Manoel e Joaquim eram dois japoneses que chegaram ao Brasil na década de 40. Bem antes de por aqui aportarem, já eram velhos inimigos lá na Santa Terrinha, em Tóquio, capital de seu país.
Ninguém jamais ficou sabendo, nem mesmo os amigos mais chegados, a verdadeira origem dessa antiga inimizade entre eles, a ponto de nem ao menos se cruzarem nas ruas da Freguesia do Ó, como também, no restante de toda a nossa querida São Paulo.
Ambos chegavam a mudar de rumo ou alterar sua rota, ao perceberem que o outro vinha em sua direção.

Também ninguém tinha uma explicação lógica para o fato de ambos terem deixado o Japão no mesmo dia e viajado para o Brasil no mesmo navio. Muitos até acreditavam que eles deixaram o Japão, pelo fato de, em Tóquio, não haver padarias, pois como todo o mundo já sabe, lá Já a Pão.
Então, juntaram um dinheirinho que tiraram de seus cofrinhos e colchões e vieram, como outros tantos patrícios seus, buscar um pouco de sorte, aqui, nesse imenso Brasil.
E, é claro não titubearam e escolheram a cidade onde com fé, luta, trabalho e muita dedicação, muitos antes deles haviam enriquecido, sendo assim, não deu outra; a cidade escolhida foi mesmo a nossa S
ão Paulo.
O ramo escolhido foi aquilo que eles aprenderam, desde cedo, no Japão; fabricar os ditos cujos aqui em nossa região norte. Os dois, então, resolveram, vejam só que irônica coincidência, morar aqui no Bairro da Freguesia.
Um fato inexplicável que até hoje é bem polêmico, ninguém consegue explicar o porquê de dois asiáticos, recém chegados do Japão, depois de cinco ou seis anos morando em solo paulistano, já estavam até ficando ricos!
Por que esses dois japoneses, que sempre foram inimigos, torciam para o mesmo time, o time da Portuguesa, que na época não tinha nem campo pra jogar seu futebol, mas tinha um super time, um verdadeiro timaço que deu de sete no Corinthians, muito embora o Timão, nesse ano, tenha sido o campeão do nosso IV Centenário?
Corinthians levou de sete da Portuguesa com esse time: Gilmar, Homero e o grande Olavo, Idário, Goiano e Roberto, Cláudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Colombo.
Nem sei se foi esse mesmo o time, mas, quem quiser saber a verdadeira escalação, basta mandar um email ao nosso queridíssimo Mário Lopomo.
O time da Portuguesa era mesmo de arrebentar; era, praticamente, a Seleção dos Paulistas.
Lindolfo (ou Muca) Nêna e alguém, Djalma Santos, Brandãozinho e Cecy, Julinho, Renato, Níninho, Pinga e Simão. Esse “Alguém”, só mesmo com o Lopomo.
Chegou o dia que os dois Japas se encontraram. Foi na entrada do antigo e famoso Parque Shangai, ali na várzea do Glicério, onde hoje existem viadutos por todo lado, bem ao lado daquela enorme figura de mulher que ficava na entrada do parque, rindo feita louca o tempo todo. E, enquanto ela ria, Manoel e Joaquim, pela primeira vez em muitos anos, se falaram.
Manoel disse ao Joaquim, com aquela sua calma bem oriental, umas coisas que muita gente deveria ouvir nesse nosso país.
Joaquim, meu querido conterrâneo, você muito é prepotente, maldoso, invejoso, atrevido, metido a gostoso e não sabe reconhecer o talento e os valores dos outros; vive sempre se achando muito melhor que todo mundo. Mas, fique sabendo você, que sempre se achou o bom, um dia vai morrer como todo mundo e, então, será enterrado em uma fria sepultura, lá em sua última morada você ira apodrecer e sua podridão vai virar o capim que forrará a sua cova; você ficara bem verde e bonito e daí será ruminado por uma vaca; você se transformará em massa digestiva desse animal e, um dia, a mesma ao pastar pelo campo distraída, vai devolver você de volta nesse pasto, em formato de um bolo fedorento, e eu, vendo você assim tão mal cheiroso, vou gritar bem alto aos quatro cantos desse mundo:
Joaquim! Joaquim! Como você mudou! HEM?
E o Joaquim, furioso, encarou o Manoel e disse assim bem delicado, repetindo praticamente o mesmo que Manoel havia falado.
Manoel, meu horrível conterrâneo, você também é prepotente, maldoso, invejoso, at
revido, metido a gostoso e não sabe reconhecer o talento e os valores dos outros, vive sempre se achando muito melhor que todo mundo. Mas, fique sabendo você, que sempre se achou o bom, um dia também vai morrer como todo mundo e, então, serás enterrado em uma fria sepultura e lá, em sua última morada, você também apodrecerá; sua podridão vai virar o capim que forrará a sua cova; você ficara bem verde e bonito, então, serás ruminado por uma vaca; você, aos poucos, se transformará em massa digestiva desse animal; um dia a mesma ao pastar pelo campo distraída, vai devolver você de volta nesse pasto, em formato de um bolo fedorento, e eu, vendo você assim tão mal cheiroso, vou gritar bem alto aos quatro cantos desse mundo:
Manoel! Manoel meu inimigo predileto! Você não mudou nada, continuas o mesmo.

Por Arthur Miranda (tutu
)

10 comentários:

Soninha disse...

Olá, Arthur!

Como sempre, suas histórias nos animam e divertem, pos são uma soma dos fatos verdadeiros com o seu bom humor de sempre.
Mas, você sabe que, quando "amigos" de longa data declaram inimizade eternas, é sinal que se gostam e se respeitam e, ainda, colaboram um com o outro para progredirem, com suas alfinetadas que são alavanca propulsoras de suceso, não é mesmo?!
Adorei, Tutu!
Valeu!
Obrigada.
Muita paz!

Laruccia disse...

Arthur, tenho certeza de que vc se enganou quanta a nacionalidade dos dois personagens. Pelos nomes, "tánakara" que são da Transilvánia ou do Kazaquestão. E o destino dos dois, eu conheço, foram vítimas do dr. Silvania por causa de um casaco, os jornais noticiaram, "Duas vítimas do transsilvanio, sobre um processo conhecido como "questão do casaco", nas cercanias da fronteira entre Transsilvania e Kasaquestão. Acho que vc se enganou devido ao prato preferido dos dois: "vacalhoada"...acertei?
Parabéns, Arthur, essa foi muito boa.

Miguel S. G. Chammas disse...

Tuto,lindo txto piada, entremeado de locais tradicionais da nossa Sampa.
Apenas, para meu descontentamento, vocepoderia ter excluido do texto a escalação do timinho lás da fazendinha.
Quando ocoração fala mais que a razão isso acontece, ou seja, estamos nos, ambos os dois, nessa mesma situação rsrsrsrsr
Parabéns

Bernadete disse...

Arthur,é muito bom e divertido, ter uma pessoa assim como você aqui no blog.
Portanto..."Viva a alegria"
Um abraço

Luiz Saidenberg disse...

Pois é, Athur. Inimigo é pressas coisas! Ou quem tem um inimigo desses não precisa de amigo nenhum ! Ó Pá, japonesadas à parte, sempre ouvi falar dessa boneca do Shangai, mas nunca a vi, e gostaria que vc contasse mais da dita cuja, ora pois, pois! Sayonara! E domo arigatô gusai masu!

Luiz Saidenberg disse...

ARthur, desculpe. Falha nossa- e põe falha nisso !

MLopomo disse...

Miranda. Goste muito do seu texto, e já que você me convocou a dizer algo cobre o jogo dos 7 a 3, te digo que o jogo PORTUGUESA 7 X 3 CORINTHIANS, não foi em 1954 e sim no dia 25 de novembro de 1951, O Corinthians jogou com. Gilmar, Murilo e Alfredo, Idario Touguinha e Julião. Cláudio, Luisinho, Baltazar, Carbone e Mario. A Portuguesa: Muca, Nena e Noronha, Djalma Santos, Brandaõzinho e Ceci. Julinho, Renato, Nininho, Pinga e Simão. Nesse jogo Julinho marcou 4 gols, e Gilmar goi considerado o responsável pela derrota e foi para a reserva ficando quase um ano, e nuca reclamou. Depois que retomou a posição não saiu mais e foi o responsável pelo titulo do IV Centenário em 1954

Zeca disse...

Arthur!

Além de relembrar antigos locais de referência em Sampa, assim como o Parque Dom Pedro (e o Park Shangay e sua estátua risonha, que eu desconheço, mas fiquei curioso), lembrou também de um jogo importante no futebol paulistano, devidamente corrigido pelo seu escudeiro Lopomo e ainda nos deu, de quebra, uma gostosa história da richa entre dois imigrantes da santa terrinha do sol nascente que para cá vieram, pasme!, não para abrir uma tinturaria, mas uma padaria, que era quase exclusividade dos Tanaka, Hiroshi e outros nascidos na velha e européia Portugal... rs.

Abraço.

Leonello Tesser (Nelinho) disse...

Arthur, no parque Shangai a boneca velha ficava na entrada do espelho mágico, ria o tempo todo, mais uma história hilariante do meu amigo Tutu, abraços, Nelinho.

Nelson de Assis disse...

As rivalidades, tanto 'nipônicas' como 'lusitanas', foram um episódio bem a propósito do desenvolvimento comercial de nossa São Paulo.
'Manoéis e Joaquins', 'Tanakas' e 'Hiroshis', unem-se aos 'Salims', 'Schultzs' e aos muitos 'paisanos' que, do além mar vieram, em busca de um novo eldorado em terras brasileiras.
A 'mulher risonha' do Parque Shangay realmente existiu e ficava dando suas incansáveis risadas, próxima da montanha russa. O ruim era quando o disco começava a 'pular' e seu sorriso saia do compasso.
Abraços, Nelson.