sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Pátria amada

Ouviram, certa vez, do Ipiranga, um brado.
Será que são incapazes de ouvir, não só do Ipiranga, mas, da Vila Prudente, do Sacomã, da Vila das Mercês, Vila Carioca, Vila Alpina, Vila Zelina, Jabaquara, Santana, Vila Olimpia, Freguezia do Ó, do Bras, do Bixiga, do Centro, do Brooklin, Pompéia, da Mooca, Itaquera, Guaianazes, Jaguaré, Jaraguá, Sapopemba, Água Rasa e de todos os cantos de São Paulo e do Brasil, os brados retumbantes deste povo varonil que sofre...sofre e trabalha, sem deixar de ter esperança, sem deixar de acreditar num futuro
melhor?
Que pena que nosso líderes governamentais esqueceram de seus compromissos de honra, quando assumiram seus postos, cheios de promessas maravilhosas que, efetivamente, se cumpridas, trariam igualdade e justiça sociais.
Pão sobre a mesa, transporte público descente, atendimento médico, moradia, escolas públicas, são essenciais para qualquer população e seria digno por parte de qualquer instituição governamental providenciar.
Nosso povo heróico não desiste de trabalhar, mesmo estando cada vez mais pobre para que nossos líderes fiquem cada vez mais ricos.
A classe patronal cada vez mais rica e pagando menos impostos, enquanto o povo varonil, filhos desta Pátria amada, sucumbem diante
de tantos tributos, agonizam presos em malhas finas, tentando explicar de que maneira heróica foram capazes de viajar para o circuito das águas, enquanto os magnatas desfrutam de cruzeiros ostentosos, viajam para paraísos fiscais e hospedam-se em hotéis luxuosíssimos, mais parecidos com castelos de príncipes árabes, sem nenhuma satisfação a dar a ninguém.
Oh, Brasil, terra adorada, símbolo de amor eterno, da paz no futuro e da glória do passado, mas, que o sol da liberdade nem sempre brilha sobre todos os seus filhos e o penhor desta igualdade foi esquecido. Foi esquecido porque seus filhos gentis tem memória curta e, embora com braços fortes, a consciência do poder é fraca.
Brasil, gigante pela própria natureza, belo, forte, impávido colosso e em seu céu resplandece o Cruzeiro que seus filhos já não conseguem enxergar, por tanta poluição do ar e por não conseguirem mais erguer a cabeça para olhar o céu.
É preciso que erguemos a clava forte da justiça, não fugir da luta e não temer a morte...a morte do comodismo e da omissão, estes monstros que devem ser extirpados deste solo, oh Mãe gentil.
Nossa história mostra a nossa descendência...descendentes de heróis que lutaram pela liberdade, igualdade, fraternidade; palavras que, por si sós, são o programa de toda uma ordem social e realizariam a ordem e progresso mais absolutos da humanidade. Basta que os princípios que representam possam ser inteiramente aplicados.
Em breves dias, uma vez mais, teremos a chance de mudar a história e fazer um Brasil novo, pois um sonho intenso, um raio vívido de amor e de esperança descerá sobre nós... Comecemos por trabalhar, antes de tudo, a base do edifício antes de querer coroar-lhe a cumeeira.
Temos que ter bom senso, inteligência, dignidade, critério, memória.

Que tenhamos por base a liberdade, igualdade, fraternidade, mas que, não sejam somente dizeres escritos em bandeira, mas sim, que estejam em nossos corações e corações não se mudam com decretos.
Para formarmos um lindo pomar temos que, antes de tudo, limpar o terreno de pedras, espinheiros e pragas, preparar a terra para receber as boas sementes. Assim, elas poderão germinar, crescer, florescer e frutificar.
Então verá, terra adorada, que seus filhos não fogem da luta e extirparão todo o mal, para que a ordem e progresso se façam, pelos caminhos do bem, oh Pátria amada, Brasil.

Por Sonia Astrauskas

9 comentários:

Modesto disse...

Sonia, querida puseste todo seu coração no translado da letra do nosso hino nacional. Cada parágrafo vc interpreta como uma dissolução de termos consagradores, em linguagem atual, absorvendo sua mensagem com mais enfase.
Gostei muito de sua crônica, Soninha, espero mais, do mesmo teor. Parabéns.

Zeca disse...

Soninha!
Um arrepio foi percorrendo meu corpo à medida que lia sua oração (e orava com você!) e a transpunha para o momento atual em que, brevemente, mais uma vez, optaremos pela escolha daqueles que governarão esta terra adorada!
Entrará nessa escolha o livre arbítrio que norteia nossas vidas, mas que, no coletivo, talvez não traga o melhor que precisamos para que a ordem e o progresso se façam, pelos caminhos do bem!
Belíssima e extremamente oportuna esta sua crônica, pela qual, mais uma vez a parabenizo.
Abraço.

Arthur Miranda disse...

Sonia, meu coração paulistano, paulista e brasileiro, bateu mais forte o dia inteiro depois que entre lágrimas li o seu texto inteiro, parabéns.

Luiz Saidenberg disse...

Belíssimas palavras, cara Sonia. Pena que muitos brasileiros não pensem como você, e vêem no poder sómente a oportunidade de sangrar o erário público e promover-se demagógicamamente, além de eternizar-se no trono.
E ai da pobre Pátria amada, idolatrada, salve, salve!
Abrações.

Luiz Saidenberg disse...

Demagógicamente...desculpem !
E põe demagogia nisso !!!

Miguel S. G. Chammas disse...

Amor, altaneiramente li teu texto.
Você sabe meus sentimentos.
Você conhece o que vai dentro desse velho peito.
Sabe que não é somente um coração apaixonado, sabe que neste peito vive um laivo de esperança de poder ver, um dia, a liberdade do povo sofrido e subjugado por toda essa raça de políticos mau intencionados.
Hoje, mais uma vez, vibrou o orgulho de um homem que lidou muito para te fazer escrever.
Conforme já disse em outras oportunidades, a "criatura", novamente, venceu o "criador".
Que honra!

Bernadete disse...

Ah Soninha! Como adoraria ouvir esse texto lido no JN pelo William Bonner.
SALVE, SALVE, BRASIL.
Bjos

Bernadete disse...

Ah Soninha! Como adoraria ouvir esse texto lido no JN pelo William Bonner.
SALVE, SALVE, BRASIL.
Bjos

Leonello Tesser (Nelinho) disse...

Soninha, teu texto deveria merecer um quadro especial no Fantástico, quem sabe o povo acorda dessa letargia que tomou conta de nós, as eleições vem aí, vamos escolher bem, abraços, Nelinho.