quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Minha história mesclada à de Sampa – 2ª parte

Minhas lembranças dos primeiros sete anos de vida se referem mais às brincadeiras com meu irmão, sendo que eu já me mostrava um pouco mais calmo, com preferências mais amenas como desenho e leitura. Meu pai não gostava muito disso, forçando-me a brincadeiras com os outros meninos, para que eu não crescesse como “mariquinhas”, segundo ele. Mas não resistiu e, em seus momentos livres, acabou me ensinando a ler e a escrever, antes mesmo de me matricular no curso primário.
Com cerca de três anos de idade, morávamos em uma casa no centro de Guarulhos, em frente ao Grupo Escolar Conselheiro Crispiniano e eu passava boa parte do dia empoleirado no muro de casa, conversando com as alunas do curso normal e invejando os meninos maiores que eu, que já podiam ir à escola.
Um dia, escapuli da vigilância atenta de minha avó, atravessei a rua e entrei no pr
édio da escola, onde havia um curso de jardim de infância. Misturei-me às crianças e acabei entrando em uma das salas. A professora logo percebeu que havia um intruso, mas como era uma criança muito simpática e falante, logo se tomou de amores por mim, pediu a uma inspetora que fosse até em casa avisar onde me encontrava e permitiu que participasse da turma informalmente.
E ali, paparicado por todas as professoras, me sentia realizado. O que mais me vem à memória eram as aulas onde desenhávamos. E eu me destacava entre os coleguinhas, pois desenhava muito bem e tinha excelente domínio das cores. Vira e mexe uma professora pedia um desenho para guardar. E eu, todo orgulhoso, caprichava no desenho e era com grande prazer que o dava para a mestra.
Mas como já disse anteriormente, esse período não durou muito tempo, pois nos mudamos para outro bairro. A casa era maior, com mais espaço no quintal, mas não havia uma escola por perto e, assim, eu perdi essa alegria.

Por Zeca Paes Guedes

7 comentários:

Miguel S. G. Chammas disse...

Zecamigão, não poderia ser de outra forma, vc, como sempre, cativa pessoas e amealha amigos muito facilmente.
Eu mesmo fui cativado por sua simpatia e já lá se vão alguns anos de convivência internética.
Então, tenho certeza, a sua convivência com essas professoras deve ter sido muito grand.
Parabéns pela bela lembrança.

Soninha disse...

Olá, Zeca!

Sua aptidão para gestão das artes já vinha desde sua infância, heim?!
Depois de tantos caminhos profissionais, hoje você está no meio as artes plásticas, como se tivesse sido preparado, desde menino.
Bem, de qualquer forma, é muito bom conhecer um pouco mais de sua história.
Logo, teremos a terceira parte, né?!
Aguardemos.
Obrigada.
Muita paz!

margarida disse...

Zeca, como é bom recordar nossos tempos de criança. Meu neto adora quando conto passagens da minha infancia e eu adoro relembrar. Você já nasceu um menino encantador, por isso logo conquistou as queridas professoras. Texto muito gostoso de ler....um grande abraço.

Bernadete disse...

Zeca, qual professora,resiste a uma criança cativante e criativa? Não acho que você perdeu com a mudança. Acho que acabou ganhou mais amigos pelo caminho.
Um abraço

Arthur Miranda disse...

Que gostoso Zeca, suas narrativas, essa então despertou em mim uma vontade louca de ser criança e voltar a ficar na fila para entrar na classe pareço até ouvir o sinal que encerrava a bagunça no recreio. Valeu, parabéns.

Bernadete disse...

Desculpem pelo erro de digitação, quis dizer....acabou ganhando mais amigos pelo caminho..
Obrigada

Luiz Saidenberg disse...

Muito legal sua narrativa, Zeca. Os primórdios duma existência, que determinam os rumos que teremos no futuro. Como vc, desenho desde pequenino. Por sorte, meus pais jamais coibiram tal vocação.
E, apesar do conselho de tios, de que arte não dava em nada- o negócio era o comércio- minha arte sempre foi a ferramenta da abertura de novos campos. Então, escrevemos, desenhamos, pintamos e bordamos...felizes de nós! Abraços.