sexta-feira, 9 de julho de 2010

Memórias de um ex juiz de paz


Em 1971, fui nomeado Juiz de Casamentos do 18º Cartório do Ipiranga.
Realizávamos casamentos no cartório, nas igrejas, nos salões de festas e nas residências dos contraentes.
Nessas andanças pelo bairro, meu colega escrevente e eu, tivemos oportunidade de viver momentos curiosos, os quais passo a descrever.
Como é sabido, a cerimônia de casamento civil exige que todos os participantes masculinos devam apresentar-se com traje social completo.
Estava eu no cartório, num sábado, para realizar o casamento cujos noivos eram 2 irmãos que iriam contrair matrimônio com 2 irmãs, sendo que os dois casais deveriam entrar juntos na sala e eu, então, procederia ao ritual normal.
Ocorre que os noivos se apresentaram sem os paletós. Estavam somente com camisa e gravata; A funcionária do cartório veio comunicar o fato, informando-me que os rapazes moravam em uma pensão e, durante a noite, um dos hóspedes da pensão roubou as roupas de alguns moradores e levou os paletós.
O fotógrafo, que iria cobrir a cerimônia, residia perto do cartório, foi até sua casa e trouxe dois paletós que, embora um pouco grandes, serviram para que os noivos participassem do ato com dignidade.
Outro fato curioso, que me causou certo constrangimento, ocorreu em um casamento que realizei numa residência na Vila Carioca onde, após o término do ato, a noiva pediu para que meu colega escrevente e eu, posássemos para uma foto junto com os demais participantes da cerimônia. Uma das madrinhas, imediatamente se postou ao meu lado, de maneira provocante, dizendo em alto alto e bom som que "não poderia perder a oportunidade de posar ao lado de um juiz cujos olhos verdes eram de matar"... Tudo isso aconteceu ante o olhar espantado do marido da dita senhora!
Saímos rapidamente de lá, antes que a coisa ficasse mais séria.
No próximo capítulo da série, vou falar sobre os padres das igrejas onde eu também realizei centenas de casamentos.

Por Leonello Tesser - Nelinho

8 comentários:

Miguel S. G. Chammas disse...

Nelinho, acho que prefiro vc dançando nos velhos endereços de Sampa do que como Juiz de Paz.
No Paulistano e no Lilás, sabiam dessa tua profissão?????

Luiz Saidenberg disse...

Nelinho,vc era um juiz de muita paz! Deve ter presenciado muitas e boas, ou más, acho que suas historias casamenteiras encheriam vários livros, todos registrados e arquivados em juizo.Isso aí, meu, vai contando que a prosa está ótima! Abração.

Unknown disse...

Nelinho, será que foi você que me casou em 12 de fevereiro de 1977? a conferir. Pelos seus relatos, você estava mais para "de paz" do que para "juiz", não? Abraços.

Unknown disse...

Nelinho,quer dizer que você,com esses olhos verdes,arrastava corações. Ainda bem que foi a madrinha que não resistiu ao seu olhar. Mas teve alguma noiva mais "assanhada"?.
Vou aguardar os próximos relatos.
Um abração / Bernadete

Soninha disse...

Olá, Nelinho!

Suas memóriasvão dar o que falar, não é?!
Mas, tirar foto até que não é nada...melhor seria poder participar da festa, comer bolo, beber champagne, etc...
Brincadeiras a parte, acredito que deva ter sido uma saia justa, com certeza.
Valeu, Nelinho!
Esperaremos suas outras histórias.
Muita paz!

Modesto disse...

E aí, Nelinho, não deu nada mesmo? "Ojos Verdes, venga que jo te quiero". Aí sua mulher comprou um estacionamento e a cabou com a alegria do "Ojos Verdes". Bela lembrança, Nelinho, um casamenteiro distribuindo boas mensagens, com um par de olhos esmeraldino, lembrando aquela música que fala da "cobra de oios verdes, com foi que não arreparei..." Parabéns, Tesser.
Modesto

margarida disse...

Nelinho, como juiz de paz você deve ter presenciado cenas inesquecíveis,acho que de tudo um pouco. Adorei estas do seu texto, conta mais algumas.
Um abraço.

Zeca disse...

Nelinho,
parabéns pelo texto que mostra algumas situações que deixam qualquer juiz de paz sem paz alguma pra si mesmo.
E aquela história da obrigatoriedade do uso de paletós? Ainda vale?
Abraços.