sexta-feira, 23 de julho de 2010

Na fila do banco



No meu tempo de vendedor da Basf eu visitava alguns clientes estabelecidos na Vila Santa Catarina, uma tarde aproveitei um momento de folga e fui ao banco para efetuar pagamentos de algumas contas.
A fila estava grande, pois era sexta-feira e somente dois caixas estavam atendendo (naquela época não havia caixa para idosos).
Enquanto eu aguardava a minha vez, alguém tocou meu ombro. Virei-me e vi uma senhora de cabelos grisalhos que perguntou se eu me lembrava dela. Em princípio não a reconheci mas, puxando pela memória e olhando bem nos seus olhos, ao
s poucos me veio à memória a tarde de um domingo no Cine Ipiranga Palácio. Era ela! A primeira mulher que beijei na minha vida! Era a V... Depois do primeiro momento de surpresa, passamos a conversar; Ela casou-se, ficou viúva e tinha dois filhos casados e com netos.
Lembramos com alegria os bons e maus momentos de nossa mocidade e chegamos, até, a dar boas gargalhadas. Após cumprir meu compromisso no banco, esperei por ela na porta e ficamos ainda conversando, na esquina, por mais alguns minutos. Por fim, ela alegou estar atrasada e eu também tinha ainda alguns clientes a visitar. Assim, nos despedimos, não trocamos números dos telefones e nem me ocorreu perguntar seu endereço. Fiquei parado na calçada, pensando em como este mundo é pequeno.
Ela virou a esquina e desapareceu, mas confesso: eu nunca vou me esquecer daqueles olhos azuis e do sabor daquele primeiro beijo.

Por Leonello Tesser (Nelinho).

10 comentários:

Soninha disse...

Olá, Nelinho!

Nossa! Que reencontro, heim?!
É bacana quando podemos reencontrar os conhecidos de outrora, amigos ou namoradas,recordar o que se viveu, saber que todos formaram famílias, seguiram seus passos, seu rumo...
Achei muito legal seu texto.
Valeu, Nelinho!
Muita paz!

Miguel S. G. Chammas disse...

Nelinho, fazendo este tipo de confissão você pode estar comprando dores de cabeça caseiras.
Em todo caso, achei muito legal teu reencontro e a emoção que ele te proporcionou.
Na vida o que vale são mesmo as emoções.
Valeu amigo.

Luiz Saidenberg disse...

Nelinho, o primeiro beijo nunca se esquece. Mas que coincidência, meu...bem, se eu fosse encontrar minha primeira beijoqueira, por certo não a reconheceria. E, ai de mim, creio que nem ela a mim. Agora, amigo, cuidado, como disse o Miguel. Fica se abrindo por aí, e se sua esposa for ciumenta como a minha...abraços.

margarida disse...

Nelinho, como este mundo é pequeno! É gostoso reencontrar pessoas que fizeram parte da nossa vida. Eu também já encontrei aquele que ganhou meu primeiro beijo, mas o contrario de você, trocamos nossos endereços e telefones e hoje somos bons amigos. Muito legal seu texto, adorei a historia.Um abraço.

Zeca disse...

Ô, Nelinho!
Que história mais gostosa de se ler! Fez-me lembrar, com bastante saudade, a minha primeira namorada "firme", com quem troquei os primeiros beijos... só que a nossa história é bem mais picante e, qualquer dia vou contá-la aqui... rs.
E sua história fez-me lembrar também que essa história de fila em banco e em tudo quanto é lugar já é emblemática neste nosso Brasilzão. Desde tempos remotos faz-se fila pra qualquer coisa... nem o que deveria ser "nosso privilégio" já o é mais, já que muitos "velhinhos" como nós vão para as filas resolver assuntos de "mocinhos" que não têm tempo a perder e os pagam para isso... assim, muitas vezes acabamos amargando longas esperas em "nossas filas".
A cultura enraigada na cabeça do brasileiro continua sendo mesmo a da Lei de Gerson!
Parabéns pelo texto.
Abraço.

MLopomo disse...

Reecontra amigas do passado, e a mesma coisa que ir nos 40 anos de formatura. Cada coisa estranha, que a gente vê, papagaio!

Arthur Miranda disse...

Nelinho gostei da historia mas... prefiro ficar calado e não fazer comentários.

Modesto disse...

Nelinho, quem falou que naquela época não existia "caixa pra idoso"? Em qualquer funerária era só pedir e não era uma simples caixa, era "caixão". Era só dar a altura do "cliente" e ele (ou ela), só usava uma vez. Agora, a maioria prefere ser cremado(a) (chantili ou de baunilha), que seja da Nestlé, pelo menos....rsrsrsrs.
Agora, essa conversa do "primeiro beijo, nunca se esquece", papinho na esquina, despedida sem trocar o número de telefone... Nelinho...Nelinho, como diz o ditado napolitano: "A'ca nicciune é fesso". Auguri, Tesser.
"El viejo portenho te aguarda em la cale Bom Pastor, quiero verte a bailar un requintado tango" Tchau, belo.

Bernadete disse...

Nelinho, lendo seu texto, lembrei-me de uma canção que dizia assim...
"Este teu olhar,quando encontra o meu.
Fala de umas coisas que não posso acreditar.....
Ah! se eu pudesse entender, o que dizem os teus olhos"....
Quem consegue esquecer, essa troca de olhares que "arrepiavam" e beijos que marcaram???
Um abraço / Bernadete

Nelson de Assis disse...

Amigo Nelinho. Por total negligência minha, venho comentar a sua crônica e só agora.
Tenho que corroborar com o Miguel e o Tutu. Já, a Margarida foi mais corajosa. O Modesto também já deu o seu alerta. Duzer mais o que? Se a coisa 'pegar' por aí, tenho um 'puxadinho' aqui na Bahia. Dá para passar um tempo até a poeira baixar.
Só me avise antes, tá?
Abraços.