quarta-feira, 21 de julho de 2010

esconde esconde

Lendo os textos dos amigos, daqui do blog, vou lembrando, também, fatos de minha vida, da infância e juventude, que o tempo não nos faz esquecer.
Lendo as peraltices da amiga Bernadete, recordei de muita coisa.
Morávamos na Rua Umuarama, na Vila Prudente, quase chegando na Rua Oratório. Esta, inclusive, importante rua, por sua extensão e por seu
comércio, ia desde a Rua da Mooca e esquina com a Avenida Paes de Barros, na Mooca, até a Rua do Orfanato, na Vila Prudente. Por esta Rua do Oratório trafe
gava a linha de ônibus 27, que ia até a Praça Fernando Costa, no Centro.
Nossa casa ficava na Rua Umuarama, que começava praticamente no Largo da Vila Prudente, mais precisamente na Rua Dante Alighieri e ia até à Rua do Oratório.
Em frente à nossa casa, tinha uma rua, formando um “T” entre elas. Era a Rua Angelina Techio Cidro, onde morava minha avó e outros parentes também.
Numerosas famílias, consequentemente, muitas crianças...E, as brincadeiras de rua eram as mais legais. Pique esconde; pega pega; passa anel; mão na mula; amarelinha; gincanas; desfiles; concursos; entre outras.
Certa vez, lá pelos idos de 1964, brincávamos na rua da casa de minha avó, de pique esconde. Havia um terreno vazio, bem em frente da casa e
tinha um matagal, que as crianças costumavam se esconder durante a brincadeira. Um ficava contando até 10 e os outros saiam em
disparada para se esconderem. Também fui e escolhi o terreno com o mato alto, me embrenhei e fiquei completamente abaixada, meio deitada até... De repente, um rato enorme saiu de uma moita e deu de cara comigo. Levei um susto grande, mas, prendi o grito para não ser localizada e perder a brincadeira. Ao mesmo tempo, fiquei olhando para o rato e ele para mim. Fiz um movimento de encolher o corpo e respirei mais forte, o suficiente para assustar o rato que, com um pulo rápido, passou sobre mim e se escondeu em outra moita. Fiquei alí, escondida, chorando de medo e de nojo, mas, não arredei pé. Acabei sendo a última a ser localizada, tendo que sair do esconderijo e correr para o pique, sã e salva.
Depois, contando para a turma o ocorrido, todos deram muita risada e me elogiaram pela minha coragem.
Brincadeiras de crianças...Doces recordações...

Por Sonia Astrauskas

9 comentários:

Luiz Saidenberg disse...

Boa narrativa, Sonia. Talvez fosse O Rato Que Ruge, da comédia com Peter Sellers, nos anos 60.
De qualquer forma, uma aparição apavorante. E sua coragem definiu a linha que divide um homem de um rato... Abrações.

Miguel S. G. Chammas disse...

Amor, então vc já era corajosa quando criança.
Já pensou se esse roedor resolvesse se esconder nos seus pés?
Você iria chorar ou gargalhar com as cocégas?

Leonello Tesser disse...

Sonia, voce fala de uma Vila Prudente que eu conheci, bairro vizinho ao Ipiranga, lembro-me das porteiras do trem, bonito texto, parabéns, abraços, Leonello Tesser (Nelinho).

Zeca disse...

Oi, Sonia!
Mais um belo texto para nos trazer de volta os bons tempos de crianças! Que saudade de quando não eramos escravizados pela TV, nem pela net e podíamos brincar sem medo, com nossos amiguinhos, nas ruas e terrenos baldios dos bairros onde moravamos! E onde podíamos, também, testar e comprovar para nós mesmos - e para nossos amiguinhos - o quanto podíamos ser corajosos, como no caso do rato que, hoje sabemos, devia estar ainda com mais medo de você do que você dele!
Beijo.

Arthur Miranda disse...

Sonia,parabéns pela historia e pela coragem de ter enfrentado esse rato,
mesmo morrendo de medo.
Porem aceite meu conselho, se você tem medo de Ratos. Jamais vá a Brasília, pois ratos existe em toda parte, mas... em Brasília anda cheio.

Bernadete disse...

Soninha,eu fiz uma peraltice, mas o que aconteceu com você,foi um verdadeiro ato de coragem! Cruuuuuzes, fiquei até arrepiada só de imaginar a situação.
Um abração amiga

MLopomo disse...

Eu também aos 14 anos, brinquei muito de pique, mas somente à noite. De dia era para jogar bola. Mesmo porque, a noite tinha outro sabor, a brincadeira começava na rua e podia terminar nos fundos da minha casa, onde tina o galinheiro e a horta do meu pai, tinha tambem muitas arvores belo refugio para se esconder. Não sei bem porque, mas quando a Lucilia estava no pique, ela sempre sabia que eu estava por ali perto da goiabeira. Ela ia direto lá e dizia te peguei. Olha e pegava mesmo viu, gente. Cada pegada!Quando era eu que estava no pique tambem sabia que ela estava por lá Juro, por todos os juros:- pura coincidência.

margarida disse...

Sonia, quantas brincadeiras deliciosas podíamos fazer naquele tempo.Quanto ao rato, você foi muito corajosa, se fosse eu já estaria aos gritos e a brincadeira teria seu fim...rsrsr. beijos.

Modesto disse...

A doçura que instantânios de nossa infância trazem até nós, não só superam nossa letargia existencial como justificam todas as agruras que a vida não deixa de impor a todos. Como é fácil degustar estes momentos, como é difícil faze-los voltar. Parabéns, Sonia.