terça-feira, 27 de julho de 2010

Será que vai chover?


Outro dia, numa das tardes quentíssimas desse nosso verão de 2010, estava na casa de minha filha, observando meu neto de 6 anos, que brincava alegremente pelo terraço. De repente, o som de um trovão, anunciava que uma pancada de chuva estava próxima.

Quando os primeiros pingos chegaram, observei que eram pingos grandes e esparso
s. Daqueles que minha mãe dizia, serem pingos de quatrocentos réis, parecidos no tamanho com as antigas moedas.

Meu neto, então, pegou um guarda chuva que estava num canto e começou a caçar aqueles pingos, divertindo-se com o barulho que eles produziam na abóboda do mesmo.

Enquanto observava a brincadeira, voltei um pouco no tempo e lembrei-me que guarda-chuva, na minha época, era um objeto muito bem cuidado. Meu pai tinha um com cabo de osso e minha mãe, uma sombrinha com cabo de marfim. Quando quebravam, eram levados para o conserto lá na loja do Pachá, na rua da Penha, onde providenciavam a troca dos tecidos e reparos na armações. As vezes, tínhamos que esperar 1 semana pelos consertos, que sempre eram feitos na época da estiagem.

Lembrei-me, até, que ganhei um de presente de natal. Era todo florido e muito lindo. Acho que durou muitos anos. Eu o adorava. Atualmente, não consigo imaginar uma criança ganhando um guarda-chuva de presente de natal.

Hoje em dia eles são dobráveis e práticos. Podem ser levados em pastas e bolsas, mas quebram com facilidade e tornam-se descartáveis. Pois, basta chover e você encontra um mont
e de camelôs, vendendo as peças por 5 reais, principalmente nas saídas do metrô e dos shoppings. Eu mesma, tenho uns 8 deles comprados nessas emergências.

Depois de me deixar levar por essas lembranças, tive que retirar meu neto da chuva, que nessa altura já caía com mais intensidade e ele estava todo molhado.

Acho que hoje, não temos mais objetos tão duráveis assim.

Por Bernadete Pedroso

10 comentários:

Soninha disse...

Olá, Bernadete!

Mas você, heim?! Suas memórias são, quase, as minhas...
Nossa! Como me lembrei de fatos que estavam lá, no cantinho da memória e que vieram à tona...
Lembrei-me de meu primeiro guarda-chuva dobravel, para poder levar na mala de escola e que acabei esquecendo no banco da igreja, quando fomos assistir a missa obrigatória, pois estudava em colégio de freiras...Quando voltei para buscar, cadê?
Chorosa, cheguei em casa deprimida, mas, meu amado pai me deu outro, logo que pôde...tadinho!
Valeu, amiga!
Obrigada.
Muita paz!

Zeca disse...

Ei, Bernadete!

Mas que delícia de texto, hein?!
Fez-me lembrar que, há muito tempo atrás, um dos meus grandes objetos de desejo era exatamente um guarda-chuva! E da alegria que me invadiu quando, na hora do "Parabéns a você", o recebi de presente de aniversário.
Obrigado pelas delicadas lembranças.
Abraço.

Arthur Miranda disse...

Oi Bernadete, eu acho que hoje em dia eles não fabricam mais guarda-chuva duraveis, para impedir que a gente possa guardar chuvas para sempre. Parabéns sua história me transportou para épocas remotas. Obrigado.

Luiz Saidenberg disse...

Muito boa história, Bernadete, com o bom gosto que vc sempre tem. Pois é, não se fabricam mais guarda chuvas cmo antigamente, a naõ ser talvez em Londres, pelos velhos hábitos londrinos: chapeu coco, guarda chuva e fraque. Se é que os ingleses ainda se vestem assim em Piccadilly, e não compram seus guarda chuvas no chinês da esquina mesmo ! Abraços.

Miguel S. G. Chammas disse...

Bernadete, texto delicioso e um tanto quanto molhado.
Li e, de imediato, me coloquei a pensar quantos garda-chuvas eu já perdi ao longo desta vida.
Não consegui. Sei que foram muitos, mas não consigo calcular quantos.
Ainda hoie, com, os danadinhos sendo descartáveis os perco de montão.

Marcia disse...

Bernadete, era um ritual ter um deles, usá-lo, secá-lo, colocar devidamente a capinha e guardá-lo com carinho e sequinho para a próxima chuva. Hoje a gente compra e esquece quase um por chuva em vários lugares. Não sei realmente, se mudaram os guarda-chuvas ou mudamos nós. Um abraço

margarida disse...

Mana, que boas suas lembranças! Eu já havia esquecido da loja do Pachá, esta foi demais! Ele era importante e fazia parte dos acessórios combinando com o tipo de roupa, principalmente com a da mulher. Eram duráveis e reformáveis. Uma graça seu texto, adorei os pingos de chuva grandes. Um beijo.

Modesto disse...

Bernadete, os pingos grandes a gente chamava de "quatrocentão" e os guardas-chuvas da época eram bem caros mas, eram bem sofisticados. O cabo de madrepérola ou marfim, madeira esculpida, armações italianas Ferrini, tecido de seda etc. A perda ou esquecimento, saía muito caro.belas lembranças, Bernadete, meus parabéns.

Wilsonnatale disse...

Bernardete,
Hoje não temos mais o prazer de ganhar ou comprar as coisas simples e necessárias à nossa vida.
Lembro de quando meu pai me levou à Fábrica de Guarda-Chuvas Vesúvio, aqui na Mooca e comprou o meu primeiro guarda-chuva - Lindo, com cabo de backelite, imitando marfim, com a carranca de um elefante. Durou anos! Outras coisas simples que ganhei: capa de chuva de nylon e galochas.
Mas nada superou o meu primeiro relógio de pulso! um Eska quadrado de 21 rubís.
Abração,
Natale

Wedis disse...

Muito bom seu texto. Sensibilidade adorável. Parabéns! Aproveitando o assunto, eu sempre fico me perguntando de onde saem tantos vendedores de guarda-chuvas, quando mal começou a chover. Parece que eles brotam do chão (ou do ceú - com a chuva). Fico pasmo com isso. Moro no Rio, e é só os primeiros pinguinhos começarem e eles já estão lá.