sexta-feira, 16 de julho de 2010

Travessuras que marcaram

Meus pais diziam que eu era, das meninas, a mais levada. Não dava sossego, estava sempre aprontando. Morávamos numa casa, cujo acesso se dava por uma grande escada, sem qualquer proteção lateral. Era lá que eu gostava de brincar, sem imaginar o perigo que isso representava. Meus pais viviam retirando-me do local, sempre na base de palmadas e castigos.

Eu tinha 4 anos na época e, apesar da pouca idade, não consegui esquecer aquele dia. Era manhã de u
m domingo, mas, havia alguma coisa diferente, pois pude subir, descer e pular da escada, sem que ninguém viesse me castigar. Minha mãe e minhas tias, estavam muito ocupadas no preparo de um grande almoço, que serviria para comemorar o casamento de minha prima Joaninha.

Ao lado da escada, fizeram um fogão de tijolos, onde foram colocados 2 tachos grandes, que serviriam para depenar os frangos para o grande banquete. Não deu outra, de tanto brincar na escada pulando os degraus, caí dentro de um dos tachos... Correram todos para ajudar, foi uma loucura total. Tive o braço direito e parte da perna seriamente queimados. Enquanto decidiam o que fazer, alguém lembrou-se de um médico recém formado, que residia ali perto. Ele veio prontamente e receitou nitrato de prata, para ser colocado nas bolhas que se formaram. Meu pai foi contra e resolveu consultar sua mãe, que era cabocla e descendente de índios. Ela, então, pediu q
ue fossem colocadas batatas cruas sobre as queimaduras. Meu pai resolveu seguir o conselho, que ele considerava sábio. Foi até o armazém e trouxe, com a ajuda dos meus tios, um saco de batatas. Ele postou-se em minha frente e começou a descascar, fatiar e colocar as batatas na queimadura. Elas aliviavam as dores e eram trocadas quando a dor voltava. Isso durou muito tempo mas, deu resultado. Perdi toda pele do braço e todas as unhas da mão e não tive infecção. Até hoje me pergunto, que estranho poder curativo tiveram as batatinhas? Nenhum médico ainda conseguiu me explicar.

Certa vez, li um romance mexicano "Como água para chocolate" onde a protagonista, cura as queimaduras de seu amado, com batatinhas (é só conferir).
Não tenho marcas desse acidente (somente pequenos detalhes) Mas tenho lembranças bem marcantes do fato.
Quanto às travessuras...Acho que ainda continuei dando trabalho por um bom tempo.

Por Bernadete Pedroso

10 comentários:

Soninha disse...

Olá, Bernadete!

Qye delícia de texto!
Suas memórias trazem as nossas de volta...
Ai, que saudade de minha infância querida!
Foi sorte você não ter ficado com cicatrizes dea queimadura, não é mesmo?!
Os remedinhos caseiros sempre funcionam bem.
Benditas batatinhas!
Valeu, Bernadete!
Mande-nos mais textos.

Muita paz! Beijosssssss

Arthur Miranda disse...

Bernadete, que maravilha alem de você não ter ficado com cicatrizes ainda fritou as batatinhas, Parabéns.

Luiz Saidenberg disse...

Travessuras inevitáveis na vida infantil, Bernadete. Com todas suas dores, feliz de quem pôde vivê-las. Belo texto. Gostei das batatinhas, mas outro dia tive a comprovação: para queimadura, o melhor remédio doméstico é clara de ovo. Tiro...e queda, mas não no tacho ! Abração.

Marcia disse...

Bernadete, batatinha eu não sei, mas quando criança, minha nona colocava tomate nas feridas, que, segundo ela, "puxava" tudo que tinha de ruim. Funcionava. Parabéns pelo texto.

Berê disse...

Sua danada! Bem que eu desconfiava que existia algo de moleque na sua vida.... Adorei a história amiga, mas para aliviar a dor da queimadura e não deixar marcas, o bom mesmo é colocar na água gelada e ir trocando. A dor passa logo. Experiência própria. Saudades de você.

Miguel S. G. Chammas disse...

Bernadete, lindo texto, maravilhosa memória e, que bom, pensei que só eu fizesse estrepolias e paraltices e vc provou o contrário.
Sobre queimadiras lembro-me que ainda moleque, numa festa junina na casa de uma tia de meu pai em São João Novo, tentei pular uma fogueira e pisei num carvão incandescido.
A dor me fazia gritar e chorar. Tia Ana, veio me acudir e mandou que eu fizesse xixi no pé.
Melhorou bastante e eu, passei varios dias fazendo xixi no pé.

Leonello Tesser disse...

Bernadete, veja só o que você ia conseguindo com suas peraltices, hoje aprendi muito sobre tratamento de queimaduras, lindo texto, parabéns, Nelinho.

Zeca disse...

Uau, Bernadete!
Vivendo e aprendendo!
Não conhecia as propriedades terapêuticas das batatas! Espero jamais precisar usá-las dessa maneira! Prefiro-as fritas, crocantes... rs.
Abraço.

Modesto disse...

Bernadete, desculpe minha insignificante intromissão em assuntos que não me dizem respeito, mas, com uma menina em casa, sapeca como vc, ter uma escada sem nenhuma proteção lateral e instalar um fogão com um caldeirão aquecendo água pra determinados fins, ao lado da escada, é pedir que o "mergulho" tarda mas, não falha. E vc não se fez de rogada, a atração pelo perigo foi maior e deu no que deu. Com relação a batatas cicatrizarem as queimaduras, é resultado do poder de absorção de oxigênio que a tubércula exige, depois de descascada. E o oxigênio é primordial nestas ocasiões. Casca de mamão, também é um poderoso cicatrisante. Parabéns pelo texto, belíssimo.

margarida disse...

Mana peralta!! Era a mais terrível de todas, nunca se aquietava, nem com as broncas do Sr. Pedroso. Não lembro bem do fato, mas da historia sim, que ficou como lição de vida para todos nós.Ainda bem que pouco ficou marcado em seu braço, mas nas lembranças nunca será esquecido. Nossos netos já sabem desta historia e com certeza comentarão um dia com seus filhos e assim vai.... Tenho muito orgulho pelos lindos textos que escreve. Um enorme beijo.