sexta-feira, 16 de julho de 2010

Sônia, a Fonte do Amor


Fonte Sônia é uma estância hidromineral que tem suas águas captadas para engarrafamento e venda no varejo. No final dos anos 1950, inicio da década de 60, era uma estância muito procurada por jovens, que gostavam mais de ir para namorar do que apreciar o meio ambiente.
Para a fonte Sônia eram realizadas muitas excursões, tanto da capital como de outros locais.
Na Vila Olímpia, essa excursão era prioritária. As pessoas preferiam mais ir à fonte Sônia do que ir à praia, mesmo que fosse verão. Na praia não se tinha o mesmo “clima” da fonte Sônia, principalmente para os casais de namorados ou aqueles que iam paquerar as que estavam indo sem companhia. O motivo de tal preferência era o local sossegado para se namorar, pois, lugares peculiares de lá, era apelidados de gruta, onde mal cabiam dois corpos, esses locais eram os mais procurados pelos casais de namorados, pois, quanto mais colados os corpos, melhor.
Essas excursões tinham várias denominações, tais como viagem de recreio, convescote ou pic-nic, fosse qual fosse o título, o certo é que havia muita procura quando, alguém metido a “agente de viagem”, colocava uma placa num bar ou açougue, dizendo: Excursão para Fonte Sônia, telefone tal.
Na Vila Olímpia, quem mais gostava de ir a essas excursões eram os membros da comunidade de congregados Marianos e filhas de Maria, da igreja do Divino Sal
vador que, assim que terminasse a missa dominical a eles dedicada, entravam no ônibus do Carlão, que fazia a viagem fretada para essa turma, com o valor das passagens apenas para pagar os custos com combustível e manutenção e um pequeno lucro. Assim, o preço da passagem saia pela metade do valor dos outros transportadores, que queriam ter lucro abusivo e nem tinham a licença para o serviço.
Carlão que, praticamente nasceu na Vila Olímpia, comprou um ônibus da CMTC, quando essa empresa colocava a venda veículos fora de circulação do transporte coletivo. Depois de adquirido, ele colocou o veículo aos cuidados de funileiros e pintores, para uma guaribada na lataria, além dos cuidados do Luizão, na manutenção do motor.
Os frequentadores do ônibus o apelidaram de Pão Pullman, porque as partes de cima da lataria eram arredondadas nos quatro cantos laterais.
Carlão só fazia viagens com percursos não muito distantes. Sua predileção era para Santos, Praia Grande, num bate volta, como costumavam fazer os “farofeiros” de fim de semana.
A fonte Sônia fazia parte destes percusos não muito distante. Quando muito, o “Pão Pullman” ia até a cidade de Aparecida do Norte, a 178 quilômetros da capital, ai o preço da passage
m era pouco menos do que a da Rodoviária Central.
Mas, o pessoal dava preferência para a Fonte Sônia, por ter lugares próprios para namorar, árvores frondosas convidativas e lugares mais distantes dos olhos de fofoqueiras, como buracos e valetas nos gramados que tinham o apelido de grutas. Quem não tivesse próximo jamais poderia imaginar que dois corpos estavam entrelaçados num sonoro beijo. Esses locais eram apelidados de grutas do amor. Eita lugarzinho gostoso... diziam os jovens enamorados.
O “buzão” estava sempre pronto para as viagens. Eram, na certa, viagens clandestinas e nunca o Pão Pulman foi barrado na estrada pela Polícia Rodoviária.
Só sei que, vira e mexe, Carlão era chamado para levar, praticamente, os mesmos de sempre, aqueles viciados na Fonte Sônia.
Do pessoal da Vila Olímpia, iam sempre jovens sem companhia, tanto moças como rapazes. Na verdade era um bom momento para estar ao lado de uma nova companhia.
Quem não ficava sem ser convidada era Leonor, uma morena que deixava qualquer um de boca aberta, devido sua beleza, era alta, esbelta e, seu corpo escultural, deixava qualquer cara com a mão no bolso, sem se dar conta. Ela era bastante assediada e não se importava com gracejos, fossem eles até mesmo maliciosos. Ela se achava a melhor do mundo.
Sendo assim esnobava quem ela bem entendesse. Andava sempre com os mais bonitos, na opinião dela, mas, se o rapaz não fosse “de nada”, dispensava antes mesmo do convescote terminar. Gostava mesmo era de cara fogoso no sarro e, quando Agostinho não ia, ela pegava outro qualquer, mas quando ele estava era o preferido dela.
Quando vejo os caminhões de distribuição de água da Fonte Sônia, me vem essas lembranças dos anos 1960, onde nos finais de semana era o lugar preferido de pic-nic, convescote ou outro título qualquer, que nos traz a saudade de um tempo muito gostoso.

Por Mário Lopomo

10 comentários:

Soninha disse...

Olá, Mário!

Já ouvi falar tanto nesta fonte, mas, você acredita que nunca fui lá?
Pois é...uma fonte com meu nome e nunca fui visitar.
Lendo seu texto, deu vontade de conhecer o lugar.
Obrigada por enviar este texto.
Valeu!
Muita paz!

Arthur Miranda disse...

Grande lembrança Mario, A fonte Sônia em Valinhos 90 quilometros de São Paulo, qual paulistano que nunca ouviu falar da famosa fonte Sônia? sua narrativa me levou de volta a um passeio virtual a Fonte Sônia. Na mocidade estive varias vezes passeando em Valinhos e é claro na Fonte Sônia.

Bernadete disse...

Muito interessante Mario!! Pelo jeito, essa poderia ser chamada
"A Fonte da Juventude" pois a garotada deitava e rolava.
Um abraço / Bernadete

Marcia disse...

Mário, eu ia perguntar onde fica a Fonte Sonia, mas já vi no comentário do Arthur, que fica em Valinhos. Um abraço, valeu pela lembrança e pela dica.

Miguel S. G. Chammas disse...

Mário, quando jovem fiz diversospic-nios nessa fonte. Valeu relembrá-la com seu texto.

Leonello Tesser disse...

Mário, infelizmente não cheguei a conhecer a Fonte Sonia, mas uma coisa me intriga: os congregados marianos e as filhas de maria gostavam muito das grutas!! parabéns pelo texto, abraços, Nelinho.-

Leonello Tesser disse...

Mário, infelizmente não cheguei a conhecer a Fonte Sonia, mas uma coisa me intriga: os congregados marianos e as filhas de maria gostavam muito das grutas!! parabéns pelo texto, abraços, Nelinho.-

Zeca disse...

Mário, teu belo texto trouxe-me a Fonte Sonia, que não conheci, mas da qual sempre ouvi falar! Só não sabia da predileção dos Congregados Marianos e das Filhas de Maria por suas grutas milagrosas! A minha congragação, acho, nunca ouviu falar dessas grutas! Senão, certamente teriamos dado um jeito de fazer um belo passeio por lá... rs.
Abraço.

Modesto disse...

Também no seu texto, Mario, fiz o comentário e... nada.

Luiz Saidenberg disse...

Quando morei em Campinas, fomos algumas vezes à Fonte Sonia. Tomava-se o bonde(!!!) até Valinhos, e era agradável a viagem, lugares bonitos e bem sossegados.
Nessa época era uma criança, então esses problemas de transas e amassos estavam ainda distantes!