domingo, 4 de julho de 2010

Mané garrafa

Manoel Messias Aguiar dos Santos era o tipo do cara folclórico. Contador de historias, Corintiano incontido, e tido como um bom profissional, do ramo de moveis, tinha uma marca sólida. Trabalhava divinamente quando estava alcoolizado.
A pinga era a sua vitamina de sustentação. Pela manhã ele vinha com o estomago sem o combustível que lhe era útil, porque o medico disse que com o estomago vazio ele podia ter uma ferida e ficar com uma bela ulcera. Sendo assim, até o meio dia ele era acomodado no trabalho. Sua produção não era muito boa, mas quando ia almoçar tomava umas uma ou duas doses, no bar do seu Manoel que ficava bem a frente da Firma Florença Artes e decorações, Na Rua Dr. Cardoso de Mello nº 615, na Vila Olímpia, para “abrir o apetite” e quando voltava ao trabalho às 13 horas, Mané era outro profissional.
O riso estampado em seu rosto mostrava que o segundo tempo seria outro. Sua produção dobrava, as historias brotavam em sua cabeça, Mané era o tipo do cara que quanto mais falava mais produzia. Seu Theodoro o mestre da seção de estofamentos, na base da brincadeira, achava que ele devia vir turbinado logo cedo para aumentar a produção. Ai, não só ele, mas também a, firma sairia ganhando. As 18 horas, saindo do trabalho ia para mais uma rodada de pinga, desta feita com os colegas na Mercearia e Bar do Celestino, Tambem na mesma rua só que uns 200 metros adiante nº 892. Era a programação, dele, e já chumbado e de pé “redondo” chegava “torto” em casa.
Quem sofria com isso era sua esposa, que fazia de tudo para ele largar o vicio da bebida, e para tanto, procurava todos os meios para tal. Mané tinha uma coisa de bom, apesar de bêbado, não era violento. Pelo contrario era relaxado, talvez a pinga fosse uma “anestesia” para ele. Um dia a esposa do Mané ouviu de uma amiga que tinha um remédio para afastar o marido da pinga. Era um pó branco que ela devia salpicar na comida ao fazer sua marmita. Era um inibidor da bebida.
Na hora do almoço Mané ia tomar aquela dose para “abrir o apetite” que nada mais era do que a desculpa de bebuns. Só que a comida com o remédio, para quem fosse comer estivesse com álcool no organismo, sofria uma forte reação. Mané ficava muito vermelho parecia que ia estourar, ficava um pouco tremulo e não sabia o porque. Seus colegas ficavam assustados parecia que ele ia morrer, mas aos poucos ia se recompondo.
Na manhã seguinte saindo do banho e passando pela cozinha, Mané viu sua esposa colocando aquele pó branco na marmita. Em sua cabeça veio logo a idéia que a mulher estava envenenando sua comida. Coitada levou uma surra, que mesmo depois de explicar que aquele pó era apenas remédio para ele largar a bebida, ainda levou mais uns tabefes.
Apesar de tudo Mané era religioso, ia sempre as missas dominicais, e sendo assim não foi difícil de levá-lo aos encontros de casais que a paróquia do seu bairro fazia. Nesses encontros ele ouviu muitos depoimentos de que toda desgraça dos casamentos tinha a ver com a bebida como fator da discórdia, esse foi o remédio que o livrou do vicio de beber. Depois de assistir cinco palestras ele continuou a ir aos encontros subseqüentes, e espontaneamente, participar como um dos coordenadores dos encontros. Para que Mané fosse um bom chefe de família, era só terminar com o vicio. Coisa que ele conseguiu.

Por Mário Lopomo

10 comentários:

Marcia disse...

Mário, seus "causos" são sempre muito bem-vindos e interessantes. Tomara que o Mané tenha se mantido firme na decisão de largar a "mardita". Abraços e parabéns pelo texto.

Miguel S. G. Chammas disse...

Mário e suas estorias do cotidiano.Cheias de detalhes e mumunhas.
Foia uma feliz estréia. Parabéns e obrigado

Soninha disse...

Olá, Mário!

Felizmente , Mané se regenerou e,mesmo com durante o vício, não deixou de ser bom funcionário.
Ainda desenvolveu um bom trabalho filantrópico, na igreja, junto aos outros casais em dificuldades.
Muito bom.
Obrigada pela participação.
Muita paz!

marcos Falcon disse...

Mario espero que o Mané tenha continuado produzindo bem na firma.
Abraços
Falcon

tutu disse...

Mário esses encontro de casais, patrocinado principalmente pela Igreja católica, até hoje tem ajudado muitas famílias por esse Brasil, parabéns pela narrativa, que vem com certeza enriquecer o esse novo Blog.

Leonello Tesser disse...

Mario, felizmente o Mané conseguiu deixar o vício, coisa que pouca gente consegue, parabéns pelo texto, abraços, Nelinho.

Luiz Saidenberg disse...

A marvada pinga é que atrapalhava!
Aí está, um bom funcionário, religioso e tudo mais, mas a "mardita" chegou a fazê-lo espancar a mulher. Quantos e quantos casos aconteceram , e acontecem, assim. Enfim, tudo está bem quando termina bem. Bebamos com moderação.
abraço.

Modesto disse...

Mario, se o Mané deixou de beber, perdeu o emprego pois, a qualidade profissional ficou comprometida com a falta da "branquinha"

Bernadete disse...

Mario, tive muitos tios que se deixaram levar pela "mardita". Ainda bem que o Mané conseguiu vencer o vício.
Um abraço

Zeca disse...

Muito boa a história, que ilustra tantas e tantas semelhantes neste nosso imenso Brasil, com o diferencial de que o Mané conseguiu sobreviver sem a "marvada".
Gostei do texto.
Abraço.