segunda-feira, 26 de julho de 2010

Passeio de Bonde

Tenho saudades do meu tempo de criança, lá no bairro da Penha de França, onde nasci e cresci. Passei os melhores anos de minha vida, brincando e correndo pelas ruas perto de casa, pedalando minha bicicleta, fazendo teatro de rua, festa de carnaval e de São João. Nossa! Quantas travessuras fazíamos e criatividade é que não faltava para preenchermos nosso tempo de criança.

Era ainda pequena quando ia passear na casa de minha tia, que morava no Tatuapé. A condução que usávamos era o bonde, que saía lá da Praça Oito de Setembro. Neste dia, tudo era diferente e a festa começava antes de chegar ao nosso destino. Meu coração de menina batia forte quando chegava o bonde que no
s levaria ao Tatuapé. Dele, era possível observar todo o movimento da Celso Garcia, porque era aberto e os bancos facilitavam conversas e início de novas amizades. Estes passeios eram sempre bem-vindos, pois eram divertidos e gostosos.

Com o crescimento de São Paulo e os novos tempos, o bonde foi tirado de circulação e os trilhos, substituídos pelo novo asfalto. Tomou conta sua majestade, o ônibus, e a Praça Oito de Setembro ganhou outro visual. Os passeios de bonde se acabaram e tivemos que nos habituar ao novo transporte, mas as lembranças dos passeios e dos bondes ficaram na memória.

Sou a favor das mudanças, e elas aconteceram para atender melhor a população. Pena que, atualmente, os meios de transporte ainda deixem a desejar, mas tenho esperança que um dia tudo fique mais equilibrado e o povo de São Paulo possa ganhar um transporte melhor do que o que temos no momento, melhorando principalmente a sua periferia da cidade, que muitas vezes acaba sendo esquecida.

Por Margarida Peramezza

8 comentários:

Soninha disse...

Olá, Margarida!

Que saudade de meu amado paizinho que me deu, lendo seu texto.
Éramos bem pequeninos e meu pai sempre nos levavva para passear no centro de Sampa...`
Íamos de ônibus até o centro, depois, meu pai nos levava nos bondes para qualquer lugar que fosse, só para conhecermos este transporte. Ele dizia que, infelizmente, aquilo iria acabar, por conta do avanço dos meios de transportes e da pavimentação das ruas...Então, dizia que era para lembrarmos do passeio.
èramos bem peqenos mesmo, meus irmão e eu e me lembro que tínhamos medo de cair pois era aberto. Então. papai nos segurava e dizia para não temermos pois ele nos segurava.
Aquelas ruas com paralelepípedos, os trilhos, o ruído, as pessoas entrando e saindo num salto...Ainda trago na memória. Aliás, tudo o que era de meu pai, as coisas de seu tempo, as histórias que ele nos contava ao seu modo, seus costumes, seu jeito mineiro de falar, exaltando as coisas de São Paulo que ele amava tanto, guardo tudo comigo e ouço, ainda sua voz.
Ai, que saudade. amiga!
Adorei.
Obrigada.
Muita paz! Beijosssssss

Zeca disse...

Margarida,
cada texto lido aqui me remete à minha infância em meados do século passado... dos bondes, lembro que eu fazia qualquer coisa para que meus pais me levassem a passear neles, seja pelo centro da cidade, seja nas visitas aos meus avós que moravam na Penha de França, seja em direção a São Judas, quando moramos no Jabaquara. Gostava tanto deles que até tomava carona, na época de escola, como já contei aqui.
Obrigado por mais estas deliciosas lembranças.
Abraço.

Arthur Miranda disse...

Deliciosas lembranças Margarida, como era bom andar de bonde. Concordo com você que devemos acompanhar o progresso, mas bem que os administradores de nossa cidade poderiam ter deichado uma linha de bonde para a gente matar saudades e os mais novos podessem ficar sabendo ou conhecendo esse prazer que nós os mais velhos desfrutamos. Parabéns pea narrativa.

Miguel S. G. Chammas disse...

Ai que saudades me dá...
Ai que saudades me dá...
Parecia estar ouvindo essa musica na perfeitsa entoação de Francisco Petrônio, enquanto lia teu texto.
Que delicia, senti até o balançar do bonde.
Sabe de uma coisa Maga?
A SAUDADES MATA A GENTE MORENA.....

Modesto disse...

Peramezza, o bonde, sem muita velocidade, nos leva sempre ao ponto que devemos descer. Gostaria de continuar por toda vida, sem precisar descer. Eu continuo a "viajar" de bonde, esperando no ponto ele passar... tenho esperanças de que um dia ele vai reaparecer... ele virá e eu vou embarcar... pra sempre.
Encantadora lembrança, Margo, parabéns.

Luiz Saidenberg disse...

Que beleza de texto, Marga. Os velhos bondes não podiam continuar em S. Paulo...eram as novas regras do "pogréssio", do capitalismo selvagem que só valoriza o lucro. E lá se foram os bondes, muitos dos quais seriam importantes, até hoje. Veja-se São Francisco, Lisboa, Roma, Frankfurt, as grandes cidades europeias, onde jamais tomaram atitude tão caipira e modal, como acabar com veículos fortes e não poluidores. Só nos resta dar uma chegada ao centro de Santos, para matar as saudades.
Abraços.

Bernadete disse...

Mana, que saudade!! Lembro-me muito bem desse passeio que fazíamos uma vez por semana. Infelizmente só podíamos ir até a Rua Antonio de Barros. Coisas do Sr.Pedroso, nosso papai.
bjos

Leonello Tesser disse...

Margarida, desculpe o atrazo no meu comentário, o computador estava na assistência técnica, também para mim os antigos bondes foram úteis e me trazem muyitas lembranças, bons tempos aqueles, parabéns pelo saudoso texto, abraços, Leonello Tesser (Nelinho).