quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Verdade ou imaginção?



Vendo a notícia sobre o lançamento do livro “Lendas Urbanas”, do autor Jorge Tadeu, pela Editora Planeta, na Bienal do livro 2010, que acontecerá de 12 à 22 de Agosto de 2010, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, Av. Olavo Fontoura, 1.209 - http://www.bienaldolivrosp.com.br -, lembrei-me de momentos assustadores que vivemos na escola primária.
Antigamente, as primeiras letras aprendíamos na escola que se denominava “escola primária”. Hoje, é o primeiro ciclo do ensino fundamental.
Este período de minha vida estudei no Círculo Operário, hoje Colégio João XXIII, na Rua José Zappi, na Vila Prudente. O complexo era composto pelo local onde ficavam as salas de aula e, também tinha outro prédio, onde funcionava a administração da escola e diversas outras outras salas, como o anfiteatro, onde estudávamos as aulas de música e ensaiávamos, os consultórios médico e odontológico.
Bem ao fundo deste complexo, tinha o convento das freiras que atuavam na escola e na paróquia local, a Igreja de Santo Emídio, as irmãs franciscanas de São José, que aceitaram
o convite para trabalhar na paróquia e nas obras sociais do Círculo Operário.
Certa vez, rumores de que o prédio da administração estava assombrado, botavam medo na criançada toda, até mesmo nos mais crescidos.
Ninguém tinha peito de passar pelos corredores sozinho, nem se atrevia a ficar lá depois das 18 horas, pois, segundo diziam, um vulto feminino vagava por lá.
Alguns diziam que era mesmo um vulto igual ao da Santa, cuja estátua ficava bem ao lado do anfiteatro, perto da secretaria, outros, que era uma mulher de branco, com véu.
Era um medo geral. As mais incríveis histórias ouvíamos durante o recreio, ou na entrada e saída das aulas.
Tínhamos, obrigatoriamente, que passar pela avaliação do dentista e do médico, periodicamente e, quando preciso, passar pelos cuidados dos mesmos. O atendimento era marcado no período escolar e, tanto era de manhã quanto de tarde. A secretaria fechava às 18 horas, mas, quando o atendimento demorava um pouco mais, os médicos ficavam com os pacientes que, após terminarem, tinham que passar pelos corredores vazios e escuros, até chegarem na porta de saída. Bastava sair e bater a porta para ela se fechar.
Sempre ouvíamos as horripilantes histórias de quem ficava até mais tarde em atendimento e depois dava de cara com a fantasmagórica figura, saindo correndo e gritando de medo, até a rua.
Certa ocasião, foi minha vez de ser atendida pelo dentista, justamente às 17:30 horas. Odiei isso, mas, não pude recusar e tive de ir. O dentista demorou à bessa, terminando o atendimento por volta das 18:30 h. Agradeci, meio a contra gosto e fui em direção à saída. Eu sabia que teria de passar pelo longo corredor até a porta, abri-la e, depois, bater para fechá-la.
Ao passar pelo corredor meio escuro, à meia luz, vi um vulto entrando em uma das salas. Vi que era a saleta de orações das freiras. Minha vontade era sair correndo, sem olhar para trás, mas, nunca fui covarde e, mesmo com meus 10 anos de idade, enfrentei meu próprio medo e segui, calmamente, pelo corredor. O vulto passou nov
amente e foi para a sala em frente, voltou e entrou novamente na saleta de orações. Me pareceu ser uma freira...Respirei fundo e fui em direção à saleta, talvez movida pela curiosidade e sem deixar de sentir medo, espiei pela porta entreaberta...
Lá estava ela...um vulto diáfano, em posição respeitosa, mãos postas em oração, flutuando em frente ao pequeno altar...
Ela olhou para mim e fez um sinal de silêncio, com o indicador sobre seus lábios angelicais.
Mesmo em êxtase, respeitei e saí, deixando a porta entreaberta como encontrei.
O medo passou na hora e fui embora, emocionada. Não sabia se o que tinha visto era real ou foi imaginação. Só sei que vi...Não contei para ninguém, pois sei que não acreditariam. Mais tarde, contei para minha mãe e para minha avó. Algum tempo depois, contei para o padre, em confissão...Ele me deu uma penitência de 100 “Pai Nosso” e 100 “Ave Maria”, que eu deveria fazer ajoelhada, lá na igreja de Santo Emídio...Creio que ele não acreditou em mim. Mas, fiquei com bolhas nos joelhos, isso sim.
Hoje, depois de tantos anos estudando o espiritismo, posso compreender a visão que tive em minha infância. Tive muitas outras, mas, isto são histórias para outras ocasiões.
Muita paz!

Por Sonia Astrauskas

11 comentários:

Zeca disse...

Oi, Sonia!

Muitos de nós viveram experiências com "fantasmas", criadas ou não pelas nossas imaginações infantis. Mas poucos sabem contá-las tão bem como você!
Parabéns por mais este belo texto!

Beijo, carinho.

Arthur Miranda disse...

Bem, eu não acredito em fantasma, assim como também não acredito em disco voadores, pelo simples fato deles não aparecem para que todos vejam e os ouçam, ou seja de uma maneira que uma multidão possa ve-los, mas reconheço que a situação vivida em sua historia é de arrepiar os cabelinhos da sola do pé.kkkk. Sonia,parabéns.

Miguel S. G. Chammas disse...

Uauuuuu
Esta é a mulher corajosa que tenho a meu lado.
É tãocorajosa, tão corajosa qude até consegue viver ao meu lado e nãpo se assustar.
E ainda dizer que me ama. Pode!!!!!

Luiz Saidenberg disse...

Bela história de fantasma, Sonia, como poucas que ouvi. Eu esperava algo como a famosa lenda urbana da Loira do Banheiro, mas vc fez de uma aparição, a principío assustadora, uma verdadeira poesia. A Márcia, kardecista, dirá que vc é uma medium, e das boas. Já eu não acredito en las brujas, pero que las hay, las hay...
Abrações.

margarida disse...

Sonia, acredito nas visões das crianças Minha irmã tão pequena, brincando no corredor de casa, viu minha vovó, já falecida e foi correndo contar para minha mãe. Certa vez eu ouvi meu neto com versando na sala, enquanto eu estava na cozinha, perguntei com quem ele estava falando e ele me disse: com o vovô ( meu marido já falecido). Por esta e por muitas outras razões, acredito na visão relatada no seu texto. Não só o Espiritismo mas outras crenças nos ajudam a esclarecer fatos e tantas coisas que acontecem com o ser humano. Adorei seu texto. um grande beijo.

Leonello Tesser disse...

Sonia, não posso dizer que "vi" fantasmas mas já senti a presença de alguém na minha sala quando estou sózinho, é um assunto muito complexo para o qual não tenho explicações, parabéns pelo texto, abraços, Nelinho.

Vera de Angelis disse...

Que texto e história fantásticos. Eu esperava um desfecho com uma explicação terrena para o misterioso fantasma do corredor e no fim veio uma revelação inesperada e linda. Foi comovente. Deixou em mim uma sensação boa e diáfana como foi a visão da mulher orando. Nunca quis me aprofundar no espiritismo, mas respeito e acredito que certas pessoas possam ter visões, principalmente as crianças. Coincidência ou não num texto que estou tentando escrever para o blog começa falando em assombração. um abraço e parabéns pelo texto e pela apresentação maravilhosa dos textos em geral.
Vera

Modesto disse...

Astrauskas, pela vez primeira, encontro dificuldade pra comentar uma narrativa sua, não por duvidar de vc, não por não crer, simplesmente, com a idade que tenho, não são simples dissertações a respeito de religião, que satisfaçam minhas dúvidas sobre nossa vida espiritual, se é que a temos. Se me permites, na noite de tangos, gostaria de trocar algumas ideias com vc.
Seu testemunho é maravilhoso, bem contado, dentro de uma pureza que esbarra a perfeição. Parabéns, querida.

Nelson de Assis disse...

Soninha.
Alguns velhos e antigos casarões nos metem medo e nos deixam sismados. O 'Bixiga' esteve repleto deles há algum tempo atrás.
Se não for só o imaginários, uma tábua solta ou fresta mais estreita poderá produzir sons fantasmagóricos.
Quanto à visão de algum espectro, só os mais preparados tem esse privilégio pois, não estamos e nunca estivemos sós, neste mundo de meu Deus.
Abraços.

Nelson de Assis disse...

Soninha.
Alguns velhos e antigos casarões nos metem medo e nos deixam sismados. O 'Bixiga' esteve repleto deles há algum tempo atrás.
Se não for só o imaginários, uma tábua solta ou fresta mais estreita poderá produzir sons fantasmagóricos.
Quanto à visão de algum espectro, só os mais preparados tem esse privilégio pois, não estamos e nunca estivemos sós, neste mundo de meu Deus.
Abraços.

Bernadete disse...

Soninha, sempre tive muitas visões fantasmagóricas. Algumas podem ter sido fruto da imaginação. Outras foram tão reais e inexplicáveis,que não consigo esquecer. O pior é que ninguém acreditava em mim. Portanto, apesar de não ser espirita, acredito na sua visão.
Um abraço