terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Memórias velhas para um novo ano




Estamos aqui, no aguardo de um final de ciclo anual e de um novo recomeço.

O coração, mercê das ocorrências dos últimos meses, está mais apanhando do que batendo. Dentro dele, tenho certeza, já não circula o sangue, seiva da vida, mas correm salgadas lágrimas, represadas por emoções e sentimentos tantos que não consigo esquecer.
Sentado no meu cantinho preferido, fecho os olhos e busco nas lembranças afogar essa angustia. Busco imagens, casos, fatos. Em meio a um turbilhão enevoado, surge a primeira imagem; é como uma foto em branco e preto, meio amarelecida pelo tempo, vejo uma casa pintada de creme, nos quarteirões primeiros da Rua Augusta e lá, no meio de uma comemoraçã
o de rompimento de ano, distingo vultos. Firmo o olhar e começo a reconhecer os participantes; lá estão Tia Zazá, Tia Neide, minha mãe Dona Tereza, meu pai, meu gido José, minha avó Laura, meu irmão Carlinhos, meus primos irmãos Roberto e Sonia e, lógico, meu fiel companheiro, o Pom-Pom. O erguer das taças de champanhe serve como pretexto para a imagem ir se dissipando, até sumir de vez.
Outra imagem vai chegando; agora a casa é na Rua Major Diogo, as pessoas são quase todas as mesmas... Faltam meus avos e minha tia Neide que, por desígnios de Papai do Céu, já tinham nos abandonado. O ano iria nascer e era significativo; uma nova pessoinha fazia parte da reunião, minha irmã Laura Neide, que acabava de se juntar a nós, depois de um pequeno processo de adoção. A felicidade transparecia no rosto de meus pais, no meu e no de meu irmão. Tia Zaza, convidada para ser a madrinha de batismo, estava radiante de alegria.
Em sobreposição a esta imagem, outra se torna nítida. O local é o mesmo. As pessoas são as mesmas, um tanto quanto mais envelhecidas, só uma nova personagem é notada, agora é notada, Renata, a minha primeira filha e sua primeira passagem de ano. Ergo minha taça e brindo aquela vida.
A imagem desaparece e outras vão surgindo simultaneamente. Vejo a casa da Rua
das Perobas, no Jabaquara, repleta de pessoas festejando várias passagens de ano. Vejo semblantes queridos que o tempo levou pra longe.
As gotas de suor escorrendo sobre meu rosto me tiram a concentração. Caio na real e vejo que hoje, todos os semblantes revividos já não mais estão perto de mim.
Reconheço que só minha mulher e fiel escudeira, a Sonia, irá me ajudar a transpor o limiar do ano que se aproxima. Agradeço a Deus por mais essa dádiva, rezo uma pequena oração e me preparo para a travessia.
Adeus 2010. Feliz 2011!

Por Miguel Chammas

10 comentários:

Modesto disse...

Meu caro amigo Miguel, quando se despede de um ano que nos deu alegrias e tristezas, devemos terminar suas últimas horas, de maneira bem alegres e felizes pra que o novo ano não nos receba, já amargurados, vamos reagir, Miguel. Tenha um feliz e ótimo Ano Navo de 2011, são os desejos da família Laruccia

Wilsonnatale disse...

Miquel: Natal,Ano Novo são comemorações onde estão os presentes e os onipresentes.
A vida a passar leva os amigos e os inimigos e deixa-nos as lembranças.
O Ano Novo está ai para, mais que os outros, felicitemos a nós mesmos pelas conquistas - e pelas perdas - que são lições. E muito mais por não nos havermos contaminado nessa trajetória de mais um ano.
Mais um ano que termina. Outro ano começará, como um caderno novo, onde registraremos as nossas vidas.
No meu caderno novo eu vou dar mais forças às minhas conquistas. Pois elas, por menores que sejam, serão sempre maiores que as batalhas perdidas.
Miguel,na passagem do ano eu estou sempre com os meus amigos, meus parentes e os meus queridos fantasmas. Nunca estou só. E contabilizando o ano que sai, vejo que os meus lucros são maiores que as perdas. E o lucro nada mais é do que o amor. Sem ele, até mesmo os milhões parecerão moedas jogadas à caridade.
Com muito amor fraterno desejo a você e Soninha um Feliz Ano Novo.
E, na véspera desse ano que se iniciará, sorria, alegre-se com você mesmo e receba com alegria os convidados:os parentes, os amigos e os seus queridos fantasmas.
Um abração forte, forte, carregado de energias de Saude, Paz e Prosperidade!
Natale

Luiz Saidenberg disse...

Caro Miguel, tristezas não pagam dívidas. Cada dia é um renascer. Devemos sóm olhar para a frente, e como diz a música, louvando o que bem merece e deixando o ruim de lado. Com uma companheira do brilho e quilate da Soninha, vc só poderá ter mesmo uma belíssima travesia deste novo ano, tão próximo.
Felicidades ao casal !

Soninha disse...

Olá, amor!

Vamos lá...chega de tristezas.
É bom ter lembranças, mas, elas n]ao devem nos fazer sofrer.
É legal ter coias boas para lembrar...páginas e mais páginas davida recheadas de bons momentos.
Legal também é poder viver o presente com a certeza da consciência tranquila, aproveitando ao máxio a companhia dos que agora estão ao seu lado e construir o futuro com muita disposição e alegria.
Este é o espírito que devemos dar ao ano novo e fazer de nossos dias algo sempre novo.
Valeu!
Muita paz! Beijossssssssss

Arthur Miranda disse...

Miguel, acho que nesses dias que antecedem a passagem do ano, todos nós ficamos assim pensativos assistindo um pouco do filminho de nossas vidas. Tenho certeza que o seu filme é uma super produção, que mostra para a plateia, composta só de você, Sua alma tão bela e o seu grande generoso coração de artista.

Leonello Tesser (Nelinho) disse...

Miguel, um novo ano se aproxima, novas esperanças habitam os nossos corações, eu também sou um saudosista nato e de repente me vejo a remoer lembranças de amigos e parentes que já se foram mas, a vida continúa e tenho certeza que você vai ter um ano maravilhoso junto com sua querida companheira Sonia, um grande abraço.-

suely schraner disse...

Se deu pra relembrar é porque foi bom. Passagens, paragens e boas visagens.Boas entradas em boa companhia!

MLopomo disse...

Miguel. A memória nunca envelhece. Ela é hoje apenas o reflexo da originalidade. A gente pensa em algo da infância e a infância esta no meio de nos.

Eurico disse...

Felizes dias do novo ano!
E ouça o bom conselho da Sonia.

Abraço fraterno.

Jens disse...

Camarada Miguel:
Que bom que junto com as lembranças de outrora (dói recordar, né?), desfrutas da companhia de um amor que traz alegria e felicidade aos teus dias de madureza.

Um abraço.