terça-feira, 12 de abril de 2011

Ovos de chocolate escondidos no domingo de Páscoa


Eu adoro chocolate.
Gosto tanto que até fiquei fã do Nat Kim Cole, por conta daquela música que ele gravou que dizia: “TOMA CHOCOLATE PAGA LO QUE DEVES”.
Quando eu era criança, lá em casa na Freguesia do Ó, havia o costume de no domingo de Páscoa, minha mãe com enorme esforço financeiro de pós- guerra, comprar três ovos de Páscoa, esconde-los no sábado da Aleluia, para que minhas duas irmãs e eu procurássemos os ovos até achá-los e, só assim, degustá-los.

Eu então, ainda menino e louco por chocolate (até hoje), ficava super ansioso, e não via a hora de sair à procura do ovo de chocolate.No ano de 1951, eu com 12 anos, já no Domingo de Ramos, estava matando cachorro a grito de vontade de comer chocolate. A vontade era tanta que, no sábado de Aleluia à noite, perto das 22 horas, quando todos já estavam para dormir, eu sabendo que os ovos já estavam devidamente escondidos, comecei disfarçadamente, sem que ninguém notasse, procurar o dito cujo pelos armários e outros cantos da casa... Procurei tanto que acabei achando e então, furtiva e sorrateiramente, como uma raposa que invadiu um galinheiro de penosas “grávidas”, ou melhor dizendo, chocas, surrupiei o mesmo e carreguei carinhosamente para o meu ninho, digo, cama. Tirei-o da embalagem de celofane, deixei-o apenas com aquela embalagem de alumínio. Minha intenção era aguardar que todos dormissem, para que assim pudesse comê-lo, sem deixar vestígios. Porem, como diz o ditado que o castigo vem a cavalo, o meu veio de foguete espacial. Acabei dormindo e, dessa forma, “chocando” aquele principal produto do cacau que amanheceu derretido e eu todo lambuzado como também o lençol, demais cobertas e a fronha.
Ao acordar, o cenário era digno de filme de terror ou suspense; meu pijama, minhas mãos, meus braços e meu rosto, tudo estava da cor do chocolate, eu parecia propaganda do famoso Diamante Negro. Se fosse hoje, muita gente iria sem duvida dizer, que havia acontecido comigo o contrário do que aconteceu com Michael Jackson.
Passei boa parte da manhã me lambendo e, depois de ouvir muita bronca e críticas de minha mãe, fui obrigado a tomar banho frio, pois justo naquele dia, lá Freguesia, faltou energia elétrica durante todo o dia.
Nos anos que se seguiram, o pessoal lá de casa abandonou completamente esse costume de esconder ovo de chocolate na Páscoa.
E eu, mesmo gostando demais de chocolate, prudentemente jamais voltei a “chocar” Ovos de Páscoa.

Por Arthur Miranda (tutu)


7 comentários:

Miguel S. G. Chammas disse...

Tutu, já diz o ditado "quem nunca comeu melado, quando come se lambusa"...
Você, mesmo tendo comido o tal ovo de chocolate em outras oportunidades, ao tentar come-lo às escondidas, ficou a ver navios e totalmente melado .
Sabe, me diverti demais com teu causo, o que,diga-se de passagem, não é nenhuma novidade.
Todos os seus relatos, ou pelo menos, a maior parte deles, são verdadeiramente impagáveis.
Feliz Pascoa, e com bastante chocolate tá?

Soninha disse...

Olá,Arthur!

Muito engraçada sua história,ao mesmo tempo, trágica, né?!
Mas, lembrei-me de nossa infância pobre e que na Páscoa ganhávamos ovo de chocolate de meu avô materno...um ovo grande que era repartio entre todos nós de casa.
Às vezes, nós mesmos fazíamos os ovinhos com o ovo de galinha esvaziado cuidadosamente e e enchidos com chocolate derretido...depois eram pintados e decorados.
Já com meus filhos,pude sempre lhes dar ovos de chocolate. Eu os escondia também, assim como sua mãe...Eu fazia as égadas do coelhinhocom farinha de trigo e espalhava pela casa toda...esconia pequenos ovinhos em vários lugares e um ovo maior em local secreto...Era aquela farra das crianças rocurando os ovos e o ninho do coelhinho...eles deixavam cenouras para ele...muito legal.
Saudade!
Valeu!
Obrigada.
Muita paz!

Wilsonnatale disse...

Arthur: De um "chocólatra" para outro, digo que a sua história foi muito chocolante! Oops! Chocante!
Pelo motivo chamado Tio Amedeu,em casa, deixaram de esconder os ovos de páscoa.Eles ficavam mais seguros trancados no guarda-roupa da minha nonna.
Adorei o seu texto! Aliás, texto delicioso!
Dia desses, precisamos marcar um encontro numa das tantas Copenhagen que existem pela cidade e tomarmos um porre de chocolate.
Depos do porre, a Chocólatra Anônimos que cuide de nós...(risos)
Abração,
Natale

Zeca disse...

Arthur!

Depois de um texto "saborosíssimo" como este, só resta mesmo esperar a chegada da Páscoa, para ver se, por algum milagre, o coelhinho da Páscoa se lembre de nós, os mais "crescidinhos", e faça novamente o seu ninho em nossas casas.

Lendo e saboreando este texto, com a boca cheia d'água, relembrei também a época (deliciosa!) onde eu também, junto com meu irmão, nos preparávamos o ano inteiro para, no domingo de Páscoa, nos aventurarmos pelo jardim em busca do famoso ninho do coelhinho, sempre recheado de deliciosos ovos.

O que nunca entendi mesmo foi como um bichinho tão delicado e fofo podia botar aqueles ovos enormes, envoltos em coloridos celofanes e enfeitados com enormes laços de fita!

E confesso que eu também, como bem atesta minha rotunda figura, sou amante do tal do chocolate, sem conseguir resistir, nem sob ameaças, ao seu sabor inigualável! E como chocólatra assumido, tenho o Coelho da Páscoa como um dos meus mais antigos Super heróis.

Abraço.

Laruccia disse...

Chocolate com leite, janduia, crocante, mezzo-amaro, branco, com amêndoas, passas etc. quem não gosta de chocolate? O bom chocolate é aquele que tem o ponto de fuzão na temperatura do corpo normal, 37 a 39 graus. Janduia é a fina flor do fabricante. Uma gostozura. E agora, Tutu, como vamos fazer pra resistir essa delicia com colasterol, triglicérides, diabete, pressão alta? Só de raiva vou comer um pedaço de mezzo-amaro (meio-amargo) que meu filho Moacyr trousse da Espanha. Parabéns, Arthur.
Laruccia

Luiz Saidenberg disse...

Muito bom, Arthur, e porquê não, bem feito pra você! Você, um chocólatra, chocando os ovos! Belos tempos em que se escondiam os ovos para serem procuradas. Nada mais é assim, e os ovos, hoje abundantes, não precisam de busca. Explodem em pencas a cada supermercado, em cada lojinha de esquina. E em sabores os mais diversos, inclusive o de pimenta, revivendo a velha fórmula maia, em que o Xokolatl, que é como eles escreviam, não era necessáriamente doce. Se gosto? Claro, embora não seja chocólatra militante. Mas, quem não gosta? Abraços.

suely schraner disse...

Doces recordações, Arthur. Com uma pitada de humor e de muito sabor. Valeu!