segunda-feira, 28 de março de 2011

Curtas de Nelinho



Marcas de cigarro

Quando menino eu tinha a mania de colecionar carteiras de cigarros. Andava pelas ruas do meu bairro, Ipiranga, procurando alguma marca diferente. Lembro-me do dia em que achei um maço de Luke Strike, foi uma festa! Depois veio o Camel; ainda me lembro vagamente de algumas marcas, tais como: Aspásia, Fulgor, Rialto, Líricos, Continental liso e Continental com ponta, Big-ben, Neuza (mentolados), Yolanda, Ascott, Hollywood, Adelphy, Negritos (sabor adocicado), Cigarrilhas Talvis, cigarros de palha marca Pachola e tantas outras das quais já não me ocorrem no momento. Naquele tempo o empório vendia cigarros aos picados e meu falecido pai (que Deus o tenha) comprava o Aspásia na vendinha do Sr. João, que ficava na Rua Brigadeiro Jordão, perto da igreja São José do Ipiranga.


O primeiro aparelho de rádio, quanta alegria!


O primeiro aparelho de rádio que conheci foi montado pelo meu primo Benedito e ficava na sala sobre um suporte de madeira, bem alto para que nós não pudéssemos mexer; só meu avô e meus tios tinham a permissão para ligar. À noite, meu avô ouvia a "hora do Brasil", com o famoso "aviso aos navegantes", os programas "cadeira de barbeiro", peneira "rhodine", teatro Manoel Durães, festa na roça, o "chalaça" e a hora esportiva com o Aurélio Campos; os anúncios: "baton naná, gostoso como um beijo", "feridas no pé e na mão: pomada são sebastião", quem são os amigos da etelvina: cito, pox e parquetina", os musicados como: "passa passa talco ross quero ver passar. Passa passa talco ross para refrescar", "melhoral, melhoral é melhor e não faz mal" e, para finalizar: "phymatosan, quando você tussir, phymatosan, se a tosse repetir, renova seu apetite acabando com a bronquite, phymatosan igual não tem, é o amigo que lhe faz bem" e tatos outros.


Ipiranga - Paróquia de São José


Vamos voltar no tempo, década de 50, volto às páginas do livro do tempo e lembro-me da missa das 8:00 aos domingos, na igreja de São José, conduzida pelo padre Balint. Na sexta-feira santa a procissão reunia centenas de fiéis e saía por volta das 8:30 da noite e passava pelas principais ruas do bairro onde a maioria das casas enfeitavam suas janelas com flores e velas. O trânsito parava na Rua Silva Bueno e na Rua Bom Pastor e todos aguardavam, pacientemente. Os bares fechavam meia porta em sinal de respeito e as pessoas nas calçadas, em silêncio, tiravam o chapéu. A procissão retornava à igreja já quase à meia-noite. Fui coroinha naquele tempo e ajudei em muitas missas oficiadas pelos saudosos padres Vital, Dante, Estanislau, Vitalino e um muito idoso, o padre André. Recordo-me da cerimônia do lava-pés realizada no altar mór da igreja, das missas de réquiem quando era montada uma “essa”, simbolizando um caixão mortuário, e o padre, após o término da missa, descia do altar e vinha espargir a água benta. Aos sábados havia os casamentos e a igreja ficava lotada, parte pelos convidados dos noivos e parte pelas moças solteiras do bairro que iam apreciar os vestidos das noivas, era uma festa! Bons tempos àqueles. Hoje a igreja já não tem a mesma frequência, infelizmente a maioria dos jovens nem se lembra de Deus; é uma pena!


Por Leonello Tesser (Nelinho)

9 comentários:

Luiz Saidenberg disse...

Curtas, mas boas, Nelinho. Boas recordações, das quais ninguém aqui deste site fica isento de nostálgicas lembranças. Excetuando a igreja, a que nunca fui chegado, então minhas nostalgias são poucas, quem não fez, mesmo sem fumar, coleção de maços de cigarro-Elmo, Lincoln e tantos outros, ou não se lembra da fase áurea do rádio brasileiro? Abraços.

Arthur Miranda disse...

Nossa Nelinho você agitou o meu saudosismo, e agora o que faço? Ja sei! Vou dizer que dos cigarros faltaram Mistura fina - Gloria de Cuba - Elmo - Berverly - Lincoln e Athenas. no Radio o programa mais ouvido nas periferias era a NOVELA SERTANEJA as 19:00 na cultura. E eu que também fui coroinha até hoje me lembro das cerimonias das Semanas Santas, e da dificil resposta em Latim para o Orate Frates do Padre. Muitas saudades mesmo. e parabéns pelo excelente texto.

Zeca disse...

Delícia de lembranças, Nelinho!

Do rádio, as lembranças mais antigas vêm das músicas do Francisco Alves, pois minha avó era fã e, quando ele "cantava", tínhamos que ouvir em silêncio... rs. Lembro também das novelas, à noitinha. E do programa, se não me engano, chamado "Cadeira de Barbeiro", onde o barbeiro Manoel da Nóbrega atendia seus clientes, entre eles o iniciante Ronald Golias. Esse programa, se não me engano tinha uma participação do também iniciante, o Silvio Santos ou "O Perú que fala"... eu e meu irmão não perdíamos esse programa, todos os dias na hora do almoço.
Eu também juntei e colecionei maços de cigarros (e dobrando-os cuidadosamente, fazia cintos e faixas, trançados e sem a menor utilidade prática). Sem contar os anúncios que você mencionou, dos quais lembro todos.
Sobre a Igreja São José do Ipiranga e o oficiante das missas dominicais, Padre Balint, já até falei aqui, pois fui seminarista da Ordem de Sion e tenho uma história com o Seminário Maior do Ipiranga, durante boa parte da minha vida.
Enfim, este texto me trouxe deliciosas recordações, que foram puxando outras e, se eu não me policiar, este comentário acabará virando um novo texto... rs.
Obrigado, Nelinho, por estes bons momentos que acabo de ter!

Abraço.

LAERTE CARMELLO disse...

Caro NELINHO: Como Ipiranguista seu
contemporâneo, nascido num 7 de setembro na R.Bom Pastor, ao lado da Padaria dos Catelli que V. tão bem conheceu,também só tenho que agradecer estas boas recordações.
Não frequentava a Paróquia S.José, pois morava perto da Paróquia NSDores(R.Fico), mas todos os domingos ia no Cine Paroquial(ao lado da Igreja).
Quanto aos programas de rádio, me lembro do seu post de 01/10/2007 no
SPMC e destaco a Cadeira de Barbeiro; o Barbeiro era Aloisio Silva Araujo e o Freguês era Manoel da Nóbrega. Não perdia um programa.
Parabéns por este texto e por outros que certamente virão.

Laruccia disse...

Nelinho, vc numa disparada de mosquetão, trouxe tres fatos que estão intimamente ligados a minha infancia. Fui coroinha na Paróquia de São Vito, acompanhava a procissão da Semana Santa, colecionava massos de cigarros, ouvia o rádio com a afamília reunida em torno dos programas mais populares da época. Agora, o ponto alto da sua narrativa é o modo como vc conta, respeitando o leitor e deixando claro o amor que vc tem em fazer o que mais gosta: escrever. Parabéns, Nelinho.
Laruccia

Wilsonnatale disse...

Beleza Nello! Penso que quem nunca colecionou carteiras de cigarro nunca foi moleque.
Este foi um ótimo passeio pelas suas e minhas memórias! Valeu!
E as festas, quermesses, procissões das igrejas também eram o ponto alto da Mooca. Íamos às festas de San Gennaro, da Madonna di Casaluce e também, no Brás, nas festas de San Vito (do Larùccia).
Abração.
Natale

Soninha disse...

Olá, Nelinho!

Nossa...eu tb juntava maços de cigarros, junto cm meu irmão. Éramos crianças e saíamos pelas calçadas das ruas perto de casa, sempre olhano pelo chão para ver se encontrávamos algum maço vazio que ainda não tínhamos. Também fazíamos os cinurões dos maços entrelaçados...kkk
Minha mãe adorava ouvir as novelas de rádio e eu gostava mesmo era de úsica...mantinha sempre um radinho ligado, bem baixinho, nas estações com músicas...
Sobre as procissões, não perdíamos uma...kkkkk...Um pouco pela fé,óbvio,mas, também pela oportunidade que tínhamos de rever amigas e amigos, flertar, paquerar...era bem divertido.
Valeu, Nelinho.
Obrigada.
Muita paz!

Miguel S. G. Chammas disse...

Nelinho caríssimo, eu juro que fiz tudo isso e mis um pouco.
Juntei carteiras de cigarros, ouvi novelas e musicas nos radinhos, inclusive um galena, fui chefe dos coroinhas da Ingrena de N.S. da Consolação e aprontei muito.
Acho que fui um dos primeiros a comercializar hostiasnos domingos à tarde no Cine Odeon.
Quanta saudades.....

suely schraner disse...

Nelinho, viajei no tempo, grandes recordações. Parabéns!