segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Memórias de um Juiz de Paz - II

imagens: Paróquia Imaculada Conceição; Paróquia Santa Cândida; Igreja Nossa Senhora Aparecida; Igreja São João Clímaco


Em minhas andanças, na época em que exerci a função de Juiz de Paz, no cartório do Ipiranga, tive a oportunidade de conhecer os padres de algumas igrejas do bairro.
Na paróquia de Santa Cândida o vigário era o Padre Vicente, com quem tive longas conversas a respeito da nossa religião católica.

Na paróquia da Imaculada Conceição, da Av. Nazaré, o vigário era o Padre Castilho, um homem bonachão, que contava várias histórias do tempo em que ele esteve em Roma (infelizmente ele faleceu no mês passado).
Na igreja de Nossa Senhora Aparecida o vigário era o Padre Mário,
hoje falecido, um homem enérgico e de poucas palavras, mas nos atendia sempre com amabilidade.
Na paróquia de São José eu tive grande amizade com o Padre Aléssio, jovem e alegre, esse pároco me ensinou muita coisa; o pai dele morava em Santa Catarina e, de vez em quando, enviava um litro de cachaça, da boa, curtida em ervas. No sábado, antes da cerimônia do casamento civil, ele me conduzia à cozinha da paróquia e me servia um gole da cachaça (depois eu tinha que mascar um chiclete de hortelã para que os noivos não sentissem o bafo, na hora do "sim").
Um capítulo especial é para o pároco da igreja de São João Clímaco; Padre Beno era o seu nome; esse homem trabalhava 18 horas por dia, atendia pessoas até as 23 horas da noite, na sacristia, tentando resolver os problemas das pessoas que o procuravam. Muita vezes, deixava até de se alimentar. Uma vez, ele me disse: "Leonello, ser padre é muito fácil, o difícil é ser sacerdote". Lutou muito para manter a igreja em condições, pois o bairro era pobre; chegou a ser ameaçado de morte por jovens drogados, mas, com paciência e carinho, conseguiu recuperar muitos deles. Infelizmente, faleceu muito cedo. Sem dúvida, foi uma grande perda.


Por Leonelo Tesser (Nelinho)

9 comentários:

Luiz Saidenberg disse...

Que bom, Nelo. Vc conheceu verdadeiros sacerdotes, gente ainda é capaz de manter o bom nome da Igreja Católica. Senão, quem iria ensinar o Pai Nosso ao vigário seria você...abraços.

Luiz Saidenberg disse...

Que bom, Nelo. Vc conheceu verdadeiros sacerdotes, gente ainda é capaz de manter o bom nome da Igreja Católica. Senão, quem iria ensinar o Pai Nosso ao vigário seria você...abraços.

Luiz Saidenberg disse...

Desculpem. Gente ainda capaz de manter o bom nome...falha nossa!

Zeca disse...

Nelinho,
só me resta agradecer pelas lembranças que o texto me trouxe dos bons tempos em que andei pela igreja de São José e pelo Seminário Maior, no Ipiranga! Já lá se vão tantos anos!!!
E também por deixar-me com água na boca pela cachaça da boa, curtida em ervas - que nunca experimentei - pois não tive o prazer de conhecer o Padre Aléssio. Talvez ele seja de alguma turma posterior às minhas passagens por lá.
Abraço.

Miguel S. G. Chammas disse...

Tempos felizes não é?
Enforcando desconhecidos e tomando cachaça do padre.
Só você mesmo Nelinho!

Soninha disse...

Olá, Nelinho!

Além das histórias pitorescas que você, como Juiz de paz, passou, pudemos conhecer um pouquinho sobre as igrejas do Ipiranga e fatos também pitorescos sobre os padres...
Quem diria, heim?! O padre toma umas "biritas" às escondidas e o Juiz de paz também...kkkkkkk
Adorei!
Obrigada.
Muita paz!

Arthur Miranda disse...

Bela e pitoresca historia Nelinho. Também conheci muitos desses sacerdotes por todo o Brasil e como andei por mais de 5.000 paróquias das 10.000 de todo o Brasil, posso garantir que para cada dois ou três padres que fazem errados existem pelo menos uns cem que são grandes sacerdotes, assim como bispos e leigos. Parabéns pela narrativa que com certeza vem valorizar a maravilhosa missão da Igreja e o trabalho dos Padres no Brasil.

wilnat disse...

Nello, gostei muito! Então, embora separados, que a Igreja e o Estado se encontravam? Na cozinha-alambique da Paróquia? (risos)
Bricadeiras à parte, a sua homegagem é válida e merecida. Hoje a maioria dos sacerdotes estão longe daqueles que, ao mesmo tempo eram padres, psicólogos, mpedicos e provedores do seu rebanho. Antes, essas boas-almas eram muitas. Hoje, quase não se ouve falar delas. Pena!Abração,Natale.

margarida disse...

Nelinho, lembro que os coroinhas adoravam fazer uma boquinha do vinho da missa muitas vezes antes da cerimônia. Agora Juiz de Paz, tomar cachaça e ter que disfarçar o bafo, foi nova pra mim....rsrsr. Muito legal seu texto.Um grande beijo.