quinta-feira, 28 de julho de 2016

O reencontro

imagem: reencontro dos autores com feijoada no restaurante Guanabara em 16.07.2016

Manhã diferente, esta.
Após a feira orgânica para conhecer por onde anda e como anda o nosso mundo, fomos ao almoço.
Passeio pela cidade, calma, estranhamente calma, mesmo para um sábado de inverno, mas calma. Deixo a Silvia no ponto mais próximo possível do encontro, vou ao estacionamento, contorno o Largo do Paissandu, entro no cine Ouro, estaciono o carro. Sinto um piano tocando baixinho, vem o manobrista, entrego a chave, recebo o ticket, há um som de piano tocando baixinho.
Vou ao encontro de Silvia, passei pelo cine Paissandu, vejo o seu constante sorriso, olhamos a vitrine da loja; lembro do Marrocos mais adiante, no quartel do segundo exército um pouco antes, lembranças, de encantamentos e de correrias.
Descemos a São João. Passos lentos, meus passos guiados pelos dela, no ritmo que ela precisa. Foi ali que lanchamos aquela noite depois da reunião, diz ela, foi, respondo, seguimos. Ao nosso lado um alto falante berra como ninguém, chegamos ao prédio dos Correios, lembranças das filas e eu como “boy”, acostumado ao som do bater do carimbador nos selos das cartas. Hoje temos ainda correios, temos menos cartas, quase nenhum carimbador e nunca mais aquele prédio dos correios.
Chegamos. Uma pausa para descansar e eis que vejo a Teresa se destacando na multidão. O sorriso como sempre, a simpatia nunca perdida. Abraços, carinhos, beijos. O vento bate forte, resolvemos entrar, entramos e encontramos já parte dos amigos à nossa espera. A reunião da feijoada se inicia. Novos abraços, caipirinhas, chops, a insubstituível “Tônica” para a Silvia, mais amigos chegam e a mesa se completa. Almoçamos ou não almoçamos ? Almoçamos, mas o almoço é o de menos, o que vale é rever a cada um e ouvir o seu dia a dia, o seu momento, o seu passado, o seu rincão e ficarmos senhores do todo que a cidade nos proporciona ou nos proporcionou um dia. Há o discurso emocionado, a fala macia, o conselho compartilhado, a esperança renovada. Somos um grupo de pessoas fazendo a sua história, e, modestamente, por que não ? fazendo a história desta cidade, a historia deste País. O celular dispara, o facebook se atualiza e tal como nas antigas reuniões tudo se extrai para o bom e para o melhor. Somos um grupo de idealistas sonhando com o sonho dos realizadores, como só estes são capazes de conceber.
Mas, tudo tem um fim e o grupo se dispersa desta vez, ou melhor, um breve hiato, pois estaremos juntos mais vezes. Abraços, recomendações e sobretudo agradecimentos. Somos agradecidos pelo que temos e pelo que somos, lamentamos apenas por aqueles que desconhecem o que temos. A volta é feliz e nostálgica. Estamos satisfeitos, mas queríamos mais. Sempre queremos mais. Um amigo sobe devagar a São João, outra que se perde na multidão, eu e a Silvia voltamos na busca do carro. Faz frio, voltamos ao estacionamento, onde era o cine Ouro. Entrego o ticket e o manobrista vai buscar o carro. Eu olho as paredes, a Silvia sabe o que estou pensando, aperta minha mão como se fosse relembrar comigo. Nosso olhar de cumplicidade revela tudo. Encontramos nossos amigos, estamos felizes, mas há um som de piano tocando baixinho na minha cabeça. Vem o carro. O ruído do pneu abafa o piano, abro a porta e antes de entrar dou uma última olhada para o interior do estacionamento. Vejo o tapete macio, o balaustre de madeira, o porteiro elegante e me sinto como se assistir um antigo filme, fosse. Saímos à rua, o burburinho aumenta e eu calado. A Silvia passa a mão no meu rosto e murmura baixinho : Você também ouviu, não ouviu? Desvio do ônibus que chega muito perto, deixo passar a senhora que atravessou na nossa frente e penso baixinho : É; eu ouvi o piano também. 
Tarde diferente, esta.
​


Por José Carlos Munhoz Navarro

terça-feira, 26 de julho de 2016

Ganhei um livro

imagem: cedida pela autora

Brasileiro não tem o hábito de ler.
É o que dizem as pesquisas.

Bibliotecas são sisudas. Quem chega lá, ou é para estudar ou para fazer pesquisas. Tudo por obrigação.
É o que dizem as pesquisas.

Esmolas financiam o uso de drogas das crianças  em situação de rua.
É o que dizem as pesquisas.

Crianças e adolescentes arriscam suas vidas com trabalho infantil e mendicância nas ruas.
A ONU Brasil,  falou que são cinco milhões nessa condição. O IBGE não contou. Mistério.
Fogem de casa por conta de violência doméstica e o” escambau”.
Pequenos refugiados urbanos na cidade de São Paulo.
É o que dizem as pesquisas.

A mais cosmopolita de todas? 
Cultural? Maior centro financeiro?
É o que dizem as pesquisas?

Daí que ele chegou  e pediu um dinheiro.
Eu só tinha um livro
Ofereci.
Ele pegou, olhou e sorriu.

Saiu saltitante e gritando pros amigos debaixo do viaduto:
“ganhei um livro, ganhei um livro, ganhei um livro”!

Do desterro pra glória, da agonia para o êxtase.

O que mesmo querem dizer as pesquisas?


Por Suely Schraner

sábado, 9 de julho de 2016

Semana de 9/Julho -- Antonio de Paula Mendonça – Soldado Paulista --


”O Sr. Antonio, de Cristais Paulista, viveu bravamente 95 anos – de 1912 até 2007. Acompanhou os trepidantes acontecimentos da História de S. Paulo por todo o século passado, sempre do ponto de vista de um morador do interior do Estado, região em torno de Franca e Barretos.
Viveu uma vida longa, rica e produtiva. Teve um casamento que durou 72 anos, seis filhos que obtiveram grau universitário e dezenas de netos e bisnetos. Uma exemplar trajetória paulista. Foram homens como este que fizeram do Estado de S. Paulo a 'locomotiva do Brasil', como já disse algum poeta.
Entretanto, talvez o ponto culminante de sua existência, a prova de fogo mais marcante que enfrentou, durou pouco. Aconteceu nos seus 20 anos, quando – durante alguns meses – participou da Revolução Constitucionalista de 32.”
Antonio de Paula Mendonça – Soldado Paulista


Por Douglas Bock

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Querido Noel


Naqueles idos, um parto “fórceps” mais  a hipoplasia, te deixaram sequelas. Hoje, um mosquitinho de nada,  anda fazendo estragos nas cabeças dos nenenzinhos. Trata-se do mosquito  que é vetor do vírus zikv  e que causa  a infecção “Zika vírus”.


É, caro cantor e compositor, “deu zica”. Uma zica geral.  Como disse Camões lá atrás,  “a pátria está metida no gosto da cobiça e da rudeza,  de austera, apagada e vil tristeza”. Com certeza,meu poeta,  seu bandolim choraria os mais triste  acordes hoje em dia. Seus desafetos teriam orgasmos cívicos, tripudiando sobre seu talento. 


Seu humor e sua crítica bem humorada, não dariam conta dos comentários ácidos e rasos das tais redes sociais. Aliás, estas, deviam se chamar “redes anti-sociais”.


Noel, é seu aniversário  e eu não deveria estar dizendo essas coisas. Entretanto, sua partida precoce livrou-o de poucas e boas. Fumar? Nem pensar. Todos os fumantes agora são párias. Beber? Só se fôr pedestre. O tal do bafômetro te flagra e é xilindró na certa. Namorar? Transar? Só se for “encapado”. “Com que roupa eu vou? 


Vou me despedindo por aqui. Pra quê mentir, se tu não tens esse dom de saber  iludir? Só me resta pedir ao garçom uma média, um copo d’água bem gelada, que eu não estou disposta a ficar exposta ao sol.


 Suas composições iluminam os meus ais. 

Abraços saudosos.


Por Suely Schraner


terça-feira, 5 de julho de 2016

Matar ou Viver


Este título poderia, muito bem, ser o título de um filme ou de um best seller famoso, mas, no nosso caso, é apenas e tão somente um título apelativo que busca restabelecer a sanidade meio combalida de um canal de comunicação importantíssimo para mim e todos os paulistanos que dele fazem parte.
Estou falando do blog “MEMÓRIAS DE SAMPA” que nesta data completa 6 anos de vida, trazendo em seu bojo os textos de autores paulistanos que tentam preservar as coisas boas de “SAMPA”.
Plagiando as sagradas escrituras, inicio este parágrafo dizendo “No princípio era”, e depois continuo, um site chamado “São Paulo minha cidade”, que promovido sobre a égide política da Prefeitura municipal, chegou aos píncaros da glória mercê aos textos de centenas de paulistanos que ali registraram suas memórias de um passado, recente ou não.
As crises e intempéries sofridas por esse site no transcorrer de sua existência, provocaram preocupação tamanha nos seus colaboradores que não sabiam o que fazer para tentar mantê-lo no ar, servindo de ponto referencial às pesquisas de toda a sorte. Tinha-se a impressão de que de um momento para outro, por um da cá aquela palha dos políticos mantenedores, tudo iria por águas abaixo, destruindo algo que nos era tão alentador e querido.
No auge dessas dúvidas cada vez mais fortes e desalentadoras, surgiu no horizonte uma possibilidade de salvação, Sonia Astrauskas teve a ideia de criar um blog que, mesmo sem querer concorrer ou ofuscar o site, serviria para amenizar a ansiedade dos autores que clamavam por uma solução às diversas paralisações do site.
Nascia, assim, em 2010 o blog “MEMORIAS DE SAMPA”, http://memoriasdesampa.blogspot.com , que atendia a todas as reivindicações dos autores no que tangia à publicação dos seus textos memoriais.
O sucesso veio rápido, a trajetória de textos foi:
2010 = 220 textos; 2011 = 253 textos; 2012 = 131 textos; 2013 = 87 textos; 2014 = 31 textos; 2015 = 13 textos e, finalmente 2016 no dia em que ele completa 6 anos de vida, apenas e tão somente 9 textos, sem contar este que ora escrevo.
Será que os autores ficaram desinteressados ou desmotivados em escrever sobre o tema? Não acredito. O tema é por demais cativante para provocar desinteresses.
Será preguiça? Idade avançada? Falta de criatividade? Não sei explicar, sei apenas que não havendo interesse de participações o blog tende a se extinguir.
Por este motivo é que resolvi denominar este texto como MATAR ou VIVER e lançar o desafio: Vamos abandonar o blog e deixá-lo se extinguir, ignorando todos o esforço e dedicação da sua criadora, ou vamos voltar a participar e  novamente com toda animação e garra de outrora e fazer com ele ressurja do nimbo e volte a nos encantar?
A pergunta fica no ar, que respondam nossos colaboradores.


Por Miguel Chammas

Aniversário do blog


imagem: Viaduto Santa Efigênia, num entardecer chuvoso e belo

Neste último mês de Junho (2016), nosso blog esta completando 6 anos.
Muitos textos, muitas fotos, muitas histórias pudemos ver e ler aqui. Já são 743 textos publicados, recheados de emoções.
Não fosse a colaboração de nossos amados e respeitados autores, esta meta jamais seria alcançada. O blog ainda é o que é, graças aos textos geniais, às histórias fantásticas trazidas por estes escritores, contadores de histórias.
Ao criarmos este espaço humilde era nossa intenção agregar os amigos e amigas, autores do site São Paulo Minha Cidade que, havia algum tempo, estava parado. Hoje, percebo que, mesmo o site tendo voltado à ativa, com seus altos e baixos, os colaboradores do blog continuaram perseverantes também aqui no blog, acrescentando brilho a este trabalho e trazendo novos amigos.
Com o advento do Facebook houve um declínio, significativo, nas postagens. Mas, ainda confio que o nosso trabalho terá valido a pena e continuará a mostrar as belas belas histórias de Sampa.
Sou imensamente grata por tudo isto. E espero continuar recebendo estas histórias maravilhosas de todos os queridos autores deste blog.
Que Deus os abençoe com muita saúde, sempre... Sustentando a todos na palma de Sua mão.
Parabéns a todos!

Muita paz!

Sonia Astrauskas

sábado, 16 de abril de 2016

Praça Silvio Romero

imagem : Praça Silvio Romero


Nas décadas de 50 e 60, a Praça Silvio Romero, no Tatuapé de cima, era como se fosse de uma cidadezinha do interior, onde a vida girava em torno dela. A igreja de Nossa Senhora da Conceição, no centro da praça, embora fosse uma capela, era majestosa com a sua torre e seus sinos onde tive o prazer de badalar quando garoto.

O início dos passeios foi quando o prefeito Jânio Quadros instalou duas fontes luminosas. O Cine Leste das suas matinês aos domingos ou a seção das moças nas quartas-feiras onde enchia de rapazes para arrumar uma namorada. Impossível alguém daquela época que não teve algo a ver com a praça, nem que fosse só para embarcar no ônibus 34 que fazia o itinerário até o Anhangabaú, passando por Belém e Brás a caminho do trabalho ou a passeio, era o que a rapaziada fazia aos domingos à tarde quando nos encontrávamos para as domingueiras nos salões do Independência, no Brás, ou em outro salão qualquer da cidade.

Para tratar dos dentes era o Dr. Estevão, precisando de um médico era o Dr. Oswaldo Cruz. Quando sobravam alguns trocados, a molecada se reunia para uma pizza na padaria Montenegro e a padaria Lisboa até hoje está lá com seu pãozinho imbatível. Para dar uma aparadinha no cabelo era o salão do Mario, ao lado do cinema. Havia o Bazar Cinelândia, um dos primeiros a vender os Bolachões de 78 RPM, quem comprava dez ganhava um de presente.

Na Farmácia Santa Rita era onde curávamos nossas gripes e resfriados, bancos Auxiliar e Noroeste, onde quase todos tiveram seus primeiros talões de cheque. Em época de eleição, os comícios, tanto do Jânio quanto do Adhemar, eram na praça, foi em um desses que vi cantando em cima de uma carroceria de caminhão os Demônios da Garoa, em uma das suas primeiras formações.

O comitê do sempre candidato a vereador pelo bairro, Alfredo Martins da padaria Lisboa, que entre as mensagens tocava a Deusa do Asfalto e a Volta do Boêmio Nelson Gonçalves a noite toda. Avistava-se o enorme galo da caixa d'água da fábrica de canos D. Maio e Gallo.

Em uma manhã, houve um enorme incêndio no posto de gasolina Izildinha, que depois virou um mercado. Quem precisasse de material de construção tinha o Macalci, na esquina com a Padre Adelino, a pastelaria e na frente dela o pipoqueiro Paulin, para quem procurasse casa para comprar ou alugar: Imobiliária Boa Sorte. Para estudar: a escola 22 de Outubro do professor Narciso, quem gostava de música: o Conservatório Musical Heckel Tavares, reunião na sede da Sociedade Amigos do Bairro.

Alfaiataria, Alonso, um espanhol que confeccionava os ternos para a rapaziada se dar bem nos bailes.


Por José Camargo Beira

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Meu Tatuapé sumiu


imagem: José Beira aos 20 anos de idade, em seu querido Tatuapé

Os campos de futebol da várzea da Rua Melo Peixoto, o campo do Paulistinha, onde disputei vários festivais, virou a Radial Leste e outros vários campos de futebol viraram bairro chique Anália Franco.

A capelinha onde eu tocava o sino sumiu da praça, o cine Leste das matinês aos domingos e seção das moças às quartas, virou um enorme espigão, o Grupo Escolar Visconde de Congonhas do Campo, onde aprendi a ler e escrever, ainda esta lá, mas escondido atrás de muros tão altos que mais parecem uma prisão.

Procurei a sede do Cruzeirinho onde havia bailes memoráveis e muitos amores. Virou um enorme estacionamento.

Meu Tatuapé sumiu.

Passei na Rua Tuiuti para ver o casarão onde cheguei com um mês de vida... Outro espigão.

Prédios, prédios e mais prédios foi o que virou meu Tatuapé querido.

A caixa d’água com o galo da empresa de Maio e Gallo sumiu junto com a empresa.

Sumiu a famosa porteira e o sinal “din din din” da passagem de nível dos trens da Central do Brasil. Virou shopping e estações.

Sumiu tudo que me lembra de meus dias felizes da infância e juventude.

Para onde foi meu Tatuapé?

Ficou parado na minha memória, pois eu saí há 40 anos do Tatuapé, mas aquele Tatuapé dos anos 50/60 jamais sairá de mim.


Por José Camargo Beira
 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Pagando promessa


imagem: Ladeira da Penha (atual Ladeira Cel. Rodovalho). No canto direito o monumental Palacete Rodovalho que tinha uma ponte de ferro sobre a ladeira para acesso à Estação Penha de um ramal da E.F. Central do Brasil. Ao fundo, o Tatuapé, ainda uma região rural, cortada pela Estrada da Intendência (atual Av. Celso Garcia)



Olhando uma postagem de Miguel Chammas, de uma charge com foto,  dizendo sobre o baiano pagando promessa, onde aparece um “cabra” ajoelhado na escada rolante, lembrei-me de um tio meu, irmão de minha mãe, que fez uma promessa de ir de joelhos até a Penha.
Isto quando sua mãe, minha bisavó, sarou de uma doença grave. 

Era o início do século passado e seus familiares moravam no Cambuci;  neste dia, o tio que era muito jovem, nem imaginava onde era a Penha. Muito menos, ainda, o restante da família, imigrantes espanhóis chegados há pouco ao Brasil. 

O caso foi resolvido deste modo:  Naquela época quase ninguém tinha carro. Resolveram chamar um carro de aluguel e o coitado do motorista, a pedido do meu tio, arrancou o banco da frente do carro para que ele pudesse ficar ajoelhado e ir até a Penha. 

Promessa era coisa séria e todos daquela rua cooperaram com dinheiro e com a trabalheira que foi arrancar o banco. 

O tio foi vestido de “San Antonio" ao qual fizera a promessa e ainda levaram uma cesta cheia de pedidos de graças feitos pelos amigos e vizinhos.



Por Trini Pantiga

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Uma volta pelos anos 60 em São Paulo

 
Para assistir ao vídeo, clique em play
 
Confira o vídeo com a seleção de fotos muito especiais da década de 60 da cidade de São Paulo.

Nele estão listadas as seguintes ruas:

Rua Bela Cintia
Rua Cardoso de Almeida
Rua Benjamin Constant
Rua Líbero Badaró
Rua XV de Novembro
Rua bom Pastor
Rua Amaral Gurgel
Rua Conselheiro Crispiniano
Rua Estados Unidos
Rua Dom José
Rua Direita
Rua Doze de Outubro
Gasometro
Mooca
Xavier de Toledo
Treze de Maio
Santo Antonio
Voluntários
Rua Senador Feijó

Informações e vídeo extraídos de:
http://soudesaopaulo.com.br/coisas-de-sao-paulo/1701/Vamos-dar-uma-volta-pelos-anos-60.html

Administradora do blog Memórias de Sampa

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

As esfihas duplas


 
imagem: Rua Barão de Itapetininga - década de 60
 
No início dos anos 60, bem ali, na rua Barão de Itapetininga, junto à Livraria Francesa, o seu Natalino vendia aquelas esfihas gordurosas em uma estufa que ficava na porta de um bar.
Em volta da tal estufa, transeuntes de poder aquisitivo irrisório, eu era um deles, se reuniam para degluti-las na hora do almoço.
Eu era office-boy e trabalhava ali perto, na Galeria Califórnia, e sempre marcava o ponto na porta daquela bar.
"Seu Natalino, manda ver uma esfiha dupla aí para mim, não comi nada até agora" pedia eu.
Com o pegador de metal, o seu Natalino colocava uma esfiha sobre a outra e as dobrava colocando-as naquele papelzinho liso que não absorvia nada.  Era a tal "esfiha dupla". Depois de encharcá-la de limão com aquelas bisnáguas um tanto encardidas, seu Natalino estendia o braço dando-me a preciosa iguaria. Além do limão, o que não faltava era o óleo que a esfiha esbanjava.
Normalmente o freguês se inclinava para a frente e recuava os pés para trás evitando que o óleo caísse no sapato quando a esfiha era abocanhada. Como ganhava pouco e não tinha grana para gastar em sanduíche e em PF, as esfihas duplas do seu Natalino quebravam um galhão.
Bons tempos aqueles.
Por Nelson José Xavier da Silva
 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Lembranças da 4ª série

 
imagem: "O SOLDADO TANAKA" - DE GEORG KAISER - 1959 TEATRO BELA VISTA - SÃO PAULO TARCÍSIO MEIRA E SÉRGIO CARDOSO


Quando estava na 4ª série do ginásio (oitava série ou novo ano hoje), fazia parte de uma comissão de alunas que não queria a diretora na nossa escola (Instituto Feminino de Educação Padre Anchieta). A famosa Dona Helena.
Enfim, um dia, o jornal da hora do almoço da TV Tupi (Tico-Tico e Maurício Loureiro Gama) chamou essa comissão para falar do caso e eu, no auge da minha adolescência, vi Tarcísio Meira no mesmo ônibus que eu (um daqueles que saía da Praça do Patriarca). Eu o conhecia dos teleteatros da mesma TV Tupi e, como acompanhava as críticas no jornal, sabia do ator jovem e bonito, que havia participado de O Soldado Tanaka. Naqueles tempos eu só havia assistido Gigi no Teatro Bela Vista, com Paulo Goulart, onde Conchita de Moraes apareceu e foi aplaudida em cena aberta (eu não entendi, mas aplaudi também porque sabia que era alguém importante). 
Bem, tudo isso, apenas para dizer que hoje assisti, via internet, ao Roda Viva, onde Tarcísio Meira foi entrevistado e, não sei porque, lembrei do meu amigo Miguel. Até sei, pois o Miguel Chammas era o diretor-produtor-primeiro ator do GATO, Grupo Amardor de Teatro Ozanam e, um vez, trabalhou no Teatro Bela Vista e participou de um "teatro jovem", inclusive com Osmar Prado.
Padre Anchieta, Miguel, Tarcísio Meira, Teatro Bela Vista são passado, mas não passaram .
Por Teresa Fiore
 

sábado, 7 de novembro de 2015

Molecagens

 
 
imagem etraída da internet: Rua Tuiuti - Tatuapé - década de 50 e 60
 
Tatuapé, parte de cima, década de cinquenta, a única rua calçada com paralelepípedos era a Tuiuti, a artéria principal do bairro, as travessas, ruas do Ouro, Platina e paralelas eram todas de terra.
 A molecada se divertia, as brincadeiras mudavam sem que ninguém percebesse, era tempo de uma coisa, de repente era de outra, tempo de pião, bola de gude, pipa, raquete. Cada bairro tinha sua peculiaridade. Num lugar os garotos empinavam pipa, noutros maranhão ou papagaio, nós empinávamos quadrado ou barraca.
 Uns jogavam bolinha de gude, outros burquinha, mesmo sendo o mesmo jogo. Nós jogávamos raquete, noutros bairros o mesmo jogo era betis ou taco. Mãe da rua, queimadas, palha ou chumbo, onde está fica. As únicas brincadeiras que não tinham seu tempo certo eram as peladas de futebol, entre nós ou contra os da rua de cima ou de baixo, que as vezes rendia belas brigas, coisa de que anos depois riamos a valer. E no mês de junho, os balões e fogueiras.
 Havia também o tempo de colecionar figurinhas, as famosas Balas Futebol,
 colecionávamos as figurinhas com a foto dos jogadores e jogava-se fora as balas, intragáveis de tão doces. Certa ocasião, por absoluta falta de dinheiro e excesso de imaginação, começamos a colecionar maços de cigarros, e como nas figurinhas, tinham os fáceis e os difíceis. Marcas como Continental, Belmonte, Macedonia, Beverly, eram os mais fáceis, tinham os mais ou menos, Hollywood, Luiz XV, Mistura Fina, e os mais difíceis eram os famosos cigarros ovais Fulgor, Castelões, Aspásia e o dificílimo
Caporal Lavado, havia também o Negritos, um cigarro com papel escuro adocicado e uma infinidade de quebra peito que naquele tempo não vinham com o aviso que cigarro faz mal e nem as fotos assustadoras de hoje, que parece, ainda não assustam ninguém. O bairro estava crescendo e com inúmeras construções, brincávamos no monte de areia, de caminhão, e o nosso "caminhão" era um tijolo.
Cada coisa no seu tempo, não sei dizer se era melhor ou pior do que nestes tempos de videogames, lan houses etc., mas lembro-me que o grande "bandido" da época era o Menegueti, uma espécie de Robin Hood, que nos dias de hoje seria um Franciscano, e o mais grave que acontecia com as pessoas, as adultas claro, era um "nervoso" que era curado com chá de cidreira. Não se ouvia falar em stress, depressão ou síndrome do pânico.
Como diria minha mama Angelina: Mária Vérgine, como era buono San Paolo nos  anos tchincoenta.
 
Por José Beira

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Evento Fenomenal

 
Durante um grande evento, aqui em Praia Grande, considerada o maior pólo turístico do mundo, ilustres pessoas conversavam, fervorosamente, sobre vários assuntos, quando eu, Sonia Astrauskas, tirei o pino da granada agitadora. A abundante presença de certos elementos raros encontrados no manto da Terra não bate com as teorias vigentes até agora sobre a formação do planeta que, segundo recentes pesquisas, a crosta terrestre apresenta metais raros que remontam de zilhões de anos e que teriam dado origem ao nosso amado planeta. Foi o suficiente para o furdunço se formar. Margarida Peramezza dizia ter ouvido que o Pico do Jaraguá era formado por rochas vulcânicas e que, em breve, poderiam provocar uma transformação do monte, providencialmente para acabar com as manobras dos mandantes do crime organizado nas comunidades da periferia da cidade de São Paulo. Suely Schraner, que explanava sobre o complexo Olímpico em Sampa, com tudo pronto para 2016, quase desmaiou e gritou em alto e bom som: comigo não, violão... Nem vem acabar com minha alegria, pois estas notícias são especulatórias só para colocar caroço no angu paulistano.
Antes que o alvoroço tomasse conta dos presentes, Marcia Ovando surge, pacificadora, pedindo calma a todos e que  prestassem mais atenção, pois todos os olhares estavam sobre aquela cidade panorâmica e luxuosa, Praia Grande, e que o evento não poderia ser prejudicado; afinal, não são todos os dias que Sonia se dispõe a caminhar sobre as águas mornas e claras desta rica região.
Eu explicava que ao redor da Terra existe um imenso campo magnético formado há mais de 3 bilhões de anos, fortalecido pela combinação destes metais e que continham, inclusive, a ação do urânio.
Logo chegaria ao evento uma das mais ilustres personalidades terrena, Yeshua, filho de importantes comerciantes do ramo da marcenaria e de criação de pombos. Viria com sua comitiva, um verdadeiro séquito de colaboradores que tudo faziam para o êxito dos negócios da família. Luiz Saidenberg,  queria aproveitar a ocasião e promover uma mostra de artes, juntamente com Arthur Miranda  e José Carlos Munhoz Navarro, que vieram de Lorena e Itatiba especialmente para o evento, providenciavam a arrumação do local, assessorados por Vera Lúcia de Angelis. Naida Armbrust Ribeiro, que estava dando umas voltas pela Europa, ficou uma fera quando não conseguiu vôo para o Brasil, a fim de prestigiar o grande acontecimento.
A imprensa, sempre presente, não deixou de registrar um pingo de “i” sequer. Modesto Laruccia, escriba dos bons, tudo anotava, juntamente com Joaquim Ignácio Netto que não perdia um detalhe e, com suas lentes poderosas, fotografava tudo e todos. Escritores e poetas, enternecidos, escreviam seus poemas e frases inesquecíveis, Zeca Paes Guedes exaltou a grandeza daquele mar limpo e belo e Marco Aurélio Loureiro esculpiu com palavras exóticas a beleza das mulheres locais. Cida Micossi me amparava em todos os preparativos para o momento tão esperado. Não faltou a mão prestativa de Ivette Gomes Moreira. Miguel Chammas degustava uma boa cachaça vinda diretamente dos famosos alambiques  do Bixiga, região produtora do mais fino néctar de cana, assessorado pelo Nelinho, igualmente especialista no assunto, mas que pedia tocassem um belo tango que o remetesse aos velhos tempos de bailarino, das grandes casas noturnas de Sampa nos idos de 1960.
Chefiando a equipe do Buffet, riquíssimo em iguarias de todas as regiões do planeta, estava Bernadete Pedroso, com sua postura impecável, a tudo comandava com esmero. Teresa Fiore liderava a equipe de produção e trouxe os produtos e utensílios italianos e franceses de sua última viagem à Europa, para as makes das estrelas. Sem largar o microfone, Mayara de Castro seguia fervorosamente ministrando sua palestra sobre terapia holística.
Chegavam os convidados de todos os locais do Brasil e do mundo, ansiosos para o grande momento. Acomodavam-se pelas areias brancas e macias da praia. Fogueiras enormes eram acesas e canções entoadas para celebrar tão importante fato. Um coral imenso se formou. Lourdes C. B. Ciavata, Mirça Bludeni de Pinho, Isabel Loureiro, Berenice Vasconcelos, Marcia Saidenberg, Myrtes Laruccia, Jurema Tesse, Valfrio de Souza, Guilherme Carlos Graziano, Roberto Capuano, pai e filho, Marcello Pizo, Clésio Deluca, Denise Procópio, Pedro Nastri, Nelson de Assis,  Erta Tamberg, Wilson Natale, Luiz Sales, Marcia Calixto e sua filha Fernanda, Clara Azevedo e tantos outros, em uníssono cantavam e pediam: agora, agora, agora.
Movida pela emoção e chegado o momento glorioso, trajando meu manto branco e dourado, caminhei por entre os convivas e adentrei no mar... Bastaram poucos segundos para que eu andasse, calmamente, sobre as cristas das ondas em direção ao mar alto, deslizando pelas águas tranquilas, sob aplausos frenéticos e gritos de louvor.
Jamais esquecerei.
Por Sonia Astrauskas
 

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Memórias Primárias

 
imagem: Colégio Des Oiseaux
 

Hoje, 15 de Outubro de 2015, afamado por ser festejado nesta data o dia dos professores, eu resolvi dar um pulo no passado e, lembrar dos meus primeiros mestres.
Justiça seja feita, na verdade minha alfabetização foi promovida por minha primeira professora, ou seja, minha própria mãe. Ela me ensinou a ler e escrever utilizando para tal façanha, a grande paciência que tinha as propagandas, que eram exibidas nos transportes urbanos da época, principalmente os bondes. Foi ali, naqueles bancos duros dos bondes camarão e aberto que eu soletrei minhas primeiras leituras.
Depois, já ultrapassada a fase de alfabetização, iniciei a minha peregrinação pelo mundo dos estudos e experiências literárias. Fui cursar o Primário (assim eram conhecidos os quatro primeiros anos de estudos de uma criança).
Para iniciar minha vida estudantil, minha mãe optou por me matricular numa escola de princípios católicos que era a base fundamental de minha família.
Juntando o útil ao agradável, fui matriculado, por volta de 1947, na Escola de Santa Monica que ficava na Rua Augusta, bem em frente a minha residência e fazia parte do conglomerado educativo do Colégio Des Oiseaux, um colégio das freiras belgas da Ordem das Regrantes de Santo Agostinho, que tomava a maior parte do quadrilátero compreendido pelas Ruas Augusta, Caio Prado Jr, Consolação e Marquês de Paranaguá.
Ora muito bem, matriculado fui aos poucos sendo apresentado às mestras e diretora do estabelecimento educacional.
A primeira a me conhecer foi a diretora Madre Olavo, um anjo de ternura com um rosto de uma boneca de porcelana, linda e delicada. Depois conheci a vice-diretora, Madre Yvone, uma velha rabugenta com rosto de bruxa das historias infantis (se a memória não me falha, tinha até uma verruga na ponta do nariz), nossa convivência nunca foi das mais agradáveis.
Vieram em seguida as professoras que deveriam cuidar de transmitir meus primeiros conhecimentos, eram elas Da. Rina (magra, quase cadavérica, de ossos salientes, voz esganiçada e de comportamento temido por todos), Da. Angela (aparência comum, mas igualmente brava e determinada, que não pedia permissão a ninguém para nos aplicar safanões e puxões de orelhas), e finalmente, a doce e querida Da. Maria de Lourdes, que tal e qual a Madre Olavo era um anjo de candura e paciente como ninguém, gostava de ensinar e tratava a todos os alunos deferência especial, não me recordo de ter, por uma única vez, ouvido sua voz extrapolar o nível de um volume agradável e inteligível.
Bem, mesmo tendo cada uma das minhas primeiras mestras, uma personalidade única, me ensinaram muito, e me deram todo o apoio nos primeiros passos da minha caminhada pela vida e neste texto quero deixar expressa a minha eterna gratidão.
Por Miguel Chammas

Saudade

 
imagem: Paróquia São José do Ipiranga
 
 São 01:15 horas da madrugada; todos aqui em casa já se recolheram para o merecido descanso e eu continuo acordado pois o sono ainda não chegou a me incomodar. Vou à janela para sentir a brisa refrescante da madrugada... Meu olhar se dirige para o final da rua, lá em baixo, e logo começo a recordar os bons momentos que passei neste meu querido bairro do Ipiranga e, também, as pessoas com as quais tive algum contato durante todo esse tempo.
Na esquina das ruas Lino Coutinho e Lucas Obes, ficava a barbearia do Afonso, depois passou para o Antônio Grimaldi e, finalmente, ficou com o Jeremias Sapupo; hoje já não existe mais.
O campinho de terra batida, onde joguei bola, deu lugar a um prédio de apartamentos e uma fileira  de sobrados. Onde estarão os amigos de ontem? O Valdemar, o Nilson, a Irene filha do alfaiate, a Jane com a qual cheguei a manter um breve namorico... Era uma loira muito bonita (há anos fiquei sabendo que ela casou-se com um americano e foi morar em Nova York), a Madalena que morava na Rua Cipriano Barata, tinha longos cabelos cor de ouro, as duas filhas do Sr. Issa que moravam na Lucas Obes, onde ele mantinha um empório, a Inês neta de um casal de alemães que residiam na Rua Agostinho Gomes, graças a essa família passei a gostar da salada de beterraba, a Cidinha filha da Elvira e do Alberto, a Dalva Abdala, o José Cursio companheiro do tempo de coroinha na Igreja São José, o Paulinho Carioca, o Porfirio grande bailarino que dançava nas noites de domingo no CDR São José, o Eurípedes Lastebasse,  com quem disputei memoráveis partidas de xadrez.
  São lembranças que estão adormecidas em algum escaninho de minha memória mas, de vez em quando despertam e trazem consigo uma imensa saudade.


Abraços, Leonello Tesser (Nelinho)