sábado, 29 de janeiro de 2011

Reparação




É lamentável ler alguns comentários, no último texto, justamente de quem se diz paulistano autêntico.
O paulistano tem a qualidade de bem receber a todos os quem vem a São Paulo, sem distinção.
Aqui, no blog, que considero um pedacinho de Sampa, devemos agir como bons cicerones e saber ouvir a opinião de todos.
O amigo Jens aqui veio, a meu pedido...Fui eu, Sonia, quem pediu o texto a ele, que já havia publicado em seu próprio blog.
Fiquei muito feliz pela presença de tão ilustre jornalista, José Edi Nunes da Silva, jornalista responsável pelo sindicato dos árbitros de futebol do Rio Grande do Sul (SAFERGS), cujo diretor é nada mais nada menos que Carlos Eugênio Simon, conhecidíssimo árbitro de futebol e jornalista. Jens, como gosta de ser chamado, humildemente e com toda boa vontade, me entregou seu texto. Texto que, aliás, não me deu trabalho algum para editar, pela lisura da escrita.
Minha alegria ficou maior depois de ler os comentários de Wilson Natale, de Arthur Miranda, Miguel Chammas e Luiz Saidenberg, que expressaram as boas vindas, com extrema educação e trato literário. Leram e compreenderam o texto, que foi mais um relato, mais um fato sobre Sampa, nada mais que isso. Não houve ofensa, de forma alguma. Ao contrário, no final do texto a expressão respeitosa à São Paulo.
Que pena que algumas pessoas não compreenderam o que leram. Lamento pelos comentários desairosos e me desculpo com nosso amigo Jens. Que este fato não o afaste de nosso blog.
Eu poderia excluir os comentários,mas, não o faço, justamente por respeito à democracia, por educação e pelo espírito de pacificação que sempre prego.
Muita paz a todos.

Por Sonia Astrauskas

8 comentários:

Miguel S. G. Chammas disse...

Sonia, li seu deaabafo, concordo plenamento com ele, aprovo tudo que foi escrito e se me permiir, assino em baixo.
Tenho dito!

Wilsonnatale disse...

Soninha: Você sabe muito bem o quanto eu amo essa cidade. Cidade que eu defino como santa e prostituta. Não fujo à realidade dela e, essa dualidade bem/mal faz com que eu a ame muito.
Nela ainda aprendo e experiencio. Nela, vou amando, pecando; perdendo e vencendo.
E penso como Santo Agostinho: Quem não pecou, não pode avaliar a bondade de Deus. E esta Cidade é a Escola Da Vida mais completa. Bons alunos evoluem e os maus alunos vão aprendendo e um dia chegarão lá.
Esta cidade é um paraíso. Como o Édem que, embora perfeito tinha a sua serpente. Ou seja: em todo o paraíso há um perigo.
A cidade evolui, involui. É feita de grandes acontecimentos e também de dramas, tragédias.
É perfeita/imperfeita! Nunca fugí dessa realidade.
Romantizo São Paulo, nunca fantasio.Sou realista demais para isso.
E o José foi realista! Trouxe até nós as suas impressões sobre a primeira vez nesta cidade.E não mentiu! Basta ler o meu comentário. Vivi a famosa esquina e entorno até, do meio de 60 ao final dos anos 80. E, afirmo, era assustador para os forasteiros dessa imensa cidade visitantes de outros estados. A realidade não tinha nada a haver com a propaganda mirabolante que faziam.
E o José citou muito bem a famosa RONDA - um retrato daquela região desde os anos 50. "Cenas de sangue" sempre se viu e, creio, se verá por lá.
Infelizmente, na primeira vez, ele viu uma esquina e região, dita maravilhosa, como ela realmente era: torpe, triste e desesperada no seu todo.
Ele, como tantos, não se maravilhou e sim se espantou diante de "um gato por lebre" vendido pela propaganda enganosa.
José falou com verdade sobre as suas impressoões de um local. Não da cidade.
E gostei do que ele escreveu!
A única coisa que me incomoda é ver alguém falando sobre esta cidade sem nunca ter posto os pés nela. Vivido aqui, um hora seguer. Aí o "bicho" pega!
O que mais não gosto? É de ver paulistanos que´, há décadas, não vão ao centro histórico falando mal, apenas porque ouviu dizer e transformando o que ouviu em realidade, sem se dignar a ver com os próprio olhos. O Centro Histórico está bom? Está uma maravilha? Não! Mas não está como o pintam os medrosos e os alarmaistas.

Luiz Saidenberg disse...

Belo comentário, Soninha. Agradeço a minha parte, pela qual temi tb ser mal compreendido. Foi dito que de falar mal de S. Paulo bastam já os paulistanos. Bem, se falam mal, é porque têm suas razões. Mas pior do que isto é o elogio gratuíto,servil, de quem sabe que, com louvores à capital, será mais fácimente publicado, em outros sites. In medium virtus, diziam os romanos. São Paulo não é maravilha nem inferno, nem isto nem aquilo, muito pelo contrário: é TUDO; tudo que há de bom e mau, de riquíssimo e miserável no Brasil se concentra aqui, de forma superlativa.
Tão imensa que não cabe em definições, e infelizmente nosso amigo gaúcho conheceu-a no lugar errado, e no momento errado. Mas, como tb foi dito, ele e seus colegas foram levados por propaganda enganosa, de pessoas que cantam velhos clichês, e que atualmente já não são mais nada de seu glorioso passado, infelizmente.
Abraços.

Jens disse...

Oi Soninha.
Mais uma vez você dá mostras públicas da sua educação e generosidade para com os amigos. Sua manifestação me deixou contente. Obrigado.
Porém (ai porém...), acho que este desagravo foi um excesso de gentileza da tua parte (comportamento natural entre bons amigos). Não me senti ofendido por nenhum dos leitores que criticaram o texto. Não levei as discordâncias para o lado pessoal; trata-se de algo natural que acontece quando nos expomos através das palavras. Há quem goste e há quem desgoste, manifestando sua posição com mais ou menos veemência. Normal.
A pretensão do meu texto foi (é) apenas relatar uma experiência dos meus verdes anos que deixou forte impressão em meu espírito, auxiliando-me a conhecer um pouquinho mais as coisas da vida. Esclareço que nada tenho contra a pujante São Paulo. Ao contrário, tenho boas lembranças. Por exemplo, foi com destino à cidade que realizei a minha primeira viagem de avião. Foi também na capital dos bandeirantes que pela primeira vez – e única, até agora – hospedei-me numa luxuosa suíte de hotel e desfrutei das delícias de tomar banho em uma banheira de hidromassagem. Foi em Sampa também que me encantei com a diversidade humana, artística e comercial na colorida Praça da Sé.

Abraço a todos.

Arthur Miranda disse...

Soninha, estive fora esses dias fiquei de sexta até nesse instante, em um gostoso Hotel Fazenda aqui e Taubaté e só não vou dizer que foi no Hotel Fazenda Mazzaropi um dos melhores do Brasil para não fazer propaganda gratuita do mesmo.kkkk, Estou voltando feliz e me sentindo alegre e tranquilo e abrindo na pagina do Blog notei que na ultima mensagem do Jens ele encarou a coisa toda como um toque de sinceridade de todo mundo, e isso foi muito bom, pois todo mundo vai continuar presente aqui no Blog, e é isso que interessa, o resto não tem pressa.

Clésio disse...

Sonia
Li atentamente o texto e comentários, extraindo o segte texto para contribuir.
Bom dia a todos, Sonia, Miguel e Jens.
Eu também sou do Sul. Acho que não importa tanto donde se é, mas, o que se é. Em nosso cotidiano vemos coisas na qual se fica triste ou envergonhado. Isto de ver, não deveria nos surpreender.

Se atentarmos para as cenas que vemos em filmes e documentários, sobre a II guerra mundial,por exemplo, aqueles bombardeios destruindo cidades e pessoas dá no que pensar. Um país como a Alemanha devastada e dividida com um muro chamado da vergonha, que felizmente caiu.
Cada pessoa tem o seu modo de ver como o nosso Jens. Ele o viu assim à Av. São João e outras nas quais escreveu...

Temos que ver as obras e os fatos que edificaram a nossa cidade, tornando o que é ou que já foi. Também temos que nos ater e não se esquecer de dizer sobre as “sujeiras” que há ou existiram por trás da política ou dos palácios. Também nos barracos existiram as “sujeiras”.

A Bíblia conta que Caim matou o irmão Abel por inveja. Parece que havia uma mulher entre eles que preferia o Abel e outras coisas mais.
Caim matou Abel a pauladas, ele não sabia ao certo o que estava fazendo, a morte assim foi um aprendizado para a humanidade, até então não existia no contexto da época.

Esse ato trouxe conseqüências, sim até os nossos dias. Dizem que os árabes descendem dessa linha de Caim, marcados por Deus para continuar e viver e errar pela terra, formando povos e nações.

Não vamos tirar aqui os méritos desses povos, sabemos que são diferentes, como outros também.

Há uma expressão guardada na memória, de certo escritor, C. Campos: “...homem esbofeteando homem enquanto não aflorava em mim a flor aristotélica.”

Assim amigos, desde que o homem é homem, e se entregue a si mesmo, vai continuar vendo as coisas e fazendo, o que é pior, enquanto não “aflorar” o que Aristóteles mencionava.

Cito trechos do livro Médico de homens, médico de Almas, da escritora Taylor Caldwell:

“—Disse-te freqüentemente, como o disse José Bem Gambiel, que Deus criou o homem perfeito e integral, sem a ameaça da doença e da morte. Mas os homens desobedeceram a Deus e trouxeram essas coisas para o mundo com sua desobediência. Foi o homem quem se exilou da alegria, quem atraiu para si próprio o espírito do mal, que fez com que a maldição caísse sobre a terra”.

“Pg.410 —¬.Deus disse que é bom rezar pelas almas dos mortos que dormem na terra. Sua memória é para nós uma benção.

“Poder é corrupção, e está na natureza do homem insultar o que domina. O desejo de dominar vive em nós, como uma negra enfermidade.

De maneiras, que acho muito normal e natural as controvérsias sobre textos e comentários. Claro que é preciso sempre se esforçar para que a delicadeza e o respeito vigorem nas nossas relações e caso não venham acontecer ai a gente já sabe a razão.

http://www.mensageirovirtual.zip.net disse...

Pe Luiz
Estou realizando uma pesquisa sobre alguns assuntos, dentre eles...sobre a descêndencia de Caim o senhor sabe de alguma coisa sobre a descendência de Caim, os árabes descendem dele, ou não?

Clesio
Resposta de Padre Luiz, Jesuita

A Bíblia nunca falaria sobre a descendência de um povo (sendo uma iniciativa de Deus) que um povo ou raça haveria de descender de um homicida. Ora, a questão étnica é assunto da antropologia moderna. Assuntos raciais entre os povos entram na abordagem bíblica entre os problemas de subsistência que os nômades árabes procuram resolver pela migração. Mas disso resulta outro poblema, como por exemplo a transferência dos conflitos da vivência de grupos marginalizados migrando para outras regiões levando consigo as tensões vividas nas áreas de risco para outros países sem ter procurado a solução com novos modos de vida para se adapar ali e serem um grupo de gente oferecendo valores positivos. Aliás, pensar que a presença de gente estranha num outro lugar (a não ser que sejam turistas que pagam pela estadia) não é uma surpresa positiva, mas assustadora porque põe em cheque o lugar de moradia de toda a população, lugar de emprego, abastecimento de comida e água como também o desafio de integrar gente sem escolaridade, profissionalismo, saúde pública e costumes primitivos. Hoje ninguém de nós saberia o que fazer com sambaquis do século 21. Saudações cordiais,
Pe. Luís Stradelmann

Memórias de Sampa disse...

Obrigada, Clesio!

Muita paz!