quinta-feira, 13 de outubro de 2011

E lá se foi o maior humorista do Brasil

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O que dizer de alguém que, tendo nascido no Acre e passado grande parte de sua vida na cidade do Rio de Janeiro, era um paulistano de corpo e alma e que, além de um enorme talento, ainda foi sempre um excelente colega, grande amigo e um patrão maravilhoso.
Zé era como um irmão, não só para mim, mas para todos os que desfrutaram de sua intimidade.
Jamais encontrei alguém em minha vida que não falasse com muito carinho, do seu enorme talento, do seu profissionalismo e do seu coleguismo.
Foi ele, mais o Oscarito, Ronald Golias e o Palhaço Piolim, que inspiraram minha vocação artística, e a vontade de fazer humor.
Zé Vasconcelos foi meu patrão em 1970, na comédia de Péricles do Amaral, que ele montou no Teatro das Nações em São Paulo; com ele e com essa mesma peça viajamos para encená-la no Teatro Leopoldina em Porto Alegre, em Campinas, em Vitória no Espírito Santo e no Teatro Serrador no Rio de Janeiro.
Meu colega de trabalho, no programa Aperte o Cinto, da TV Manchete em 1986. Onde por mais de um ano, além de estarmos juntos no programa, ainda viajamos lado a lado de São Paulo para o Rio de Janeiro, de carro pela Dutra, para gravarmos o programa, hospedados que ficávamos no Hotel Novo Mundo, bem ao lado da citada Emissora.
Como é maravilhoso ter um amigo e um colega assim!
Se não tivesse nenhum significado a minha participação na vida artística, o fato de ter desfrutado da amizade do querido Zé Vasconcelos, já teria valido a pena.
Saber que alguém como o Zé nos deixou é muito triste, pois com ele se vai um pouco da minha história, uma boa parte da minha vida. É como se eu tivesse perdido um Pai, um irmão (mesmo sabendo que nada disso está perdido).
Fica no ar uma saudade e em nosso peito uma enorme tristeza.
Afinal, não é qualquer artista nesse nosso imenso Brasil que pode dizer, modéstia à parte:

- EU SOU O ESPETÁCULO -

Por Arthur Miranda (tutu)

14 comentários:

Miguel S. G. Chammas disse...

Tutu, aguardei ansioso este pronunciamento. Sabendo um pouco do teu passado artístico e de tua ligação com o Zé, esperava por esse adeus.
Nesta semana presenciei uma despedida e convivi com outras tantas. Mesmo sabendo que a morte não é o fim, percebi, mais uma vez, que nós somos egoístas e não queremos ter a sensação de perda.
O Zé, meu amigo, foi realmente um grande homem. Nos poucos meses que com ele participei do programa Zé Vasconcellos conta a Historia do Brasil, pude constatar essa verdade. Amigo fiel, generoso, companheiro de todas as horas sem distinguir níveis hierárquicos ou de fama. Boa viagem Zé, vai fazer esse outro plano mais alegre.

Miguel S. G. Chammas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
joaquim ignacio disse...

Arthur, Nelson Rodrigues criou um tipo: a estagiária de jornalsmo da PUC, muito bonita mas com total desconhecimento de tudo que estava acontecendo à sua volta; parece que os necrológios de José Vasconcelos vem sendo escritos por essas estagiárias. Para esse pessoal o Zé era um dos alunos da Escolinha do Prof. Raimundo, e nada mais, não teve passado (me lembrei que uma vez o Lima Duarte recebeu o prêmio de ator revelação do Troféu Imprensa!). Eu acompanhava o Zé pelas ondas curtas nas rádios do Rio. Assisti ao Eu sou o Espetáculo no Paramount; lembro-me de suas tentativas de montar a Vasconcelândia... Não sei não, mas seu texto foi o mais honesto que eu li a respeito do Zé, um humorista que fazia o que quizesse da voz...
Ignacio

Luiz Saidenberg disse...

Bela homenagem Tutu. Lá se foi não só um pedaço de sua vida, mas um pedacinho da de todos nós, fãs do rádio nos anos 50 e 60. Como esquecer o bom Zé? Era mesmo um espetáculo! Abraços.

Laruccia disse...

Apesar de não pertencer ao mundo maravilhoso dos artistas de rádio, teatro, televisão, cinema tenho a honra e satisfação de conhecer pessoalmente o meu (se vc me permite)amigo Arthur Miranda, "Tutu". Essa manifestação de consagração ao maravilhoso e talentoso José Vascocelos demonstra um profundo ser humano de que é formado seu carater. Sabendo, agora dessa intimidade em sua vida profissional, Tutu, sinto-me duplamento consagrado, porque eu acho que poucos comediantes brasileiros souberam fazer o público rir as bandeiras soltas, sem apelar em ofenças deturpadoras. Esse merecido apreço que vc externa é perfeitamente merecido. José de Vasconcelos foi, realmente UM GRANDE ARTISTA. Parabéns pela homenagem, Arthur.
Laruccia

margarida disse...

Seu trabalho terminou por aqui, mas vai continuar fazendo graça lá no céu, afinal o outro mundo também precisa de alegria extra. Zé, vá com Deus e curta o amor divino com todo seu merecimento.Tutu, parabéns pelo seu texto e um grande abraço.

joaquim ignacio disse...

Arthur, creio que entre os profissionais do entretenimento, José de Vasconcelos foi o único a apresentar seu show em idioma estrangeiro, no caso em espanhol, em teatro de Buenos Aires, Argentina. José se apresentou com o show adaptado. As piadas e situaçoes foram traduzidas por sua esposa e, além do sotaque portenho perfeito, ele usou o 'lunfardo' em diversas ocasiões.
Confere?
Ignacio

Wilsonnatale disse...

Arthur:
Bela e justa homenagem.
José Vasconcelos, o primeiro comediante a fazer um show solo. Pretencioso, o show tinha o título de "Eu Sou o Espetáculo"!... E o Zé mostrou-nos que ERA O ESPETÁCULO! e foi, realmente um sucesso!
José Vasconcelos precisava apenas, de um palco. Ela era o cenário, o elenco e o personagem principal. A ele bastava o corpo e o rosto. E uma platéia.
Então, a multidão dos personagens se apossavam do seu corpo e fazía-nos rir.
Para mim, a segunda experiência de ver um ator sozinho em um palco enorme... A primeira experiência foi em "As Mãos de Eurídice", com o Rodolfo Mayer. E, nos dois casos, a grandeza dos atores foi maior que a do palco.Ele tornou-se pequeno.
José Vasconcelos em "Eu Sou O Espetáculo", uma comédia com um grande elenco de um homem só... E o homem era "muitos"...
Anos mais tarde, na Aliança Francesa, vi o filme "Edit Piaf, no Olympia". Piaf - la mome, l'oiseau de France, sozinha,vestida de negro,tão pequenina naquele palco imenso soltou sua voz e então,como mágica, tudo ficou infinitamente pequeno...
Lembrei do Zé Vasconcelos: Ele, com seu terno, seus óculos, suas expressões voz e gestos, engolia a imensidão do palco.
Por décadas cumpriu sua missão de levar o humor às multidões através da televisão. Partiu deixando boas lembranças e, mesmo na notícia da sua partida causa alegria - culpa dele mesmo que transformou o seu nome em sinônimo de humor e alegria... Ou seja: Deixou a nós, os contemporâneos, um legado e tanto!
Que fique em paz! Que realize em algum lugar no infinito, o seu grande sonho que foi a VASCONCELÂNDIA!
Mas, o show deve continuar pois, por causa dele "Nós Somos O Espetáculo"!!!
Valeu, Arthur!
Natale

suely aparecida schraner disse...

Bela homenagem. Como disse Fernando Pessoa, " morrer é só não ser visto". Ele vive. Abraço.

José Beira disse...

Caro Arthur Miranda, que bela homenagem, e que previlegio conviver com o Zé...lembr-me quando todos lá em casa em volta do rádio para ouvi-lo e ir durmir gargalhando com o humorista que fazia graça sem precisar apelar para vulgaridades...parabéns pela homenagem, o Zé merece..forte abraço do Beira

Soninha disse...

Olá, Arthur!

Agora,no céu, será O Espetáculo.
Tomara que minha mãezinha,que partiu neste último domingo, também possa rir a bessa com o Zé Vasconcelos, lá por aquelas paragens espirituais.
Valeu, Tutu!
Obrigada.
Muita paz!


PS: Ainda bem que ainda temos você, nosso ídolo!

Leonello Tesser (Nelinho) disse...

Tutu, parabéns pela merecida homenagem que você prestou ao José Vasconcellos, na minha opinião um dos maiores humoristas do Brasil, que descanse em paz, abraços, Nelinho.

Zeca disse...

Tutu!

Que bela homenagem você presta a um dos maiores humoristas deste nosso país com este texto! Claro, direto e sem falsas demagogias, você mostra o lado "humano" de um homem que, por onde passava, deixava um rastro de alegria e bom humor! E mostra a verdadeira dimensão da sua amizade por ele!

Que ele acorde, do outro lado, com serenidade e faça ainda mais alegre a vida que segue...

Abraço.

Anônimo disse...

Fazer humor não é facil. Agora fazer humor sem palavões, é muito mais dificil. José Vasconcelos foi assim, fez humor sem apelação, o ruim disso é que os grandes artistas estão indo embora e a reposição, não aparece...Mário Lopomo