sábado, 20 de agosto de 2011

Um caipira chamado Vicente

Temos a grata satisfação de postar o texto de nosso mais novo amigo do blog ,o jornalista Paulo Edson.
Entrego-lhes, com meu carinho de sempre.
Muita paz!
Foi no coreto da Praça Gustavo Teixeira por ocasião do Festival Craveiro & Cravinho de Música Caipira de 2006, que conheci Vicente Simionato. Estatura média, chapéu de feltro na cabeça para esconder os ralos cabelos brancos, bigode grisalho aparado, óculos de grau, violão debaixo do braço. Naquele ano Vicente revelou a sua veia poética. Ao lado da esposa Odila, defendeu “Orgulho de Caboclo” e ganhou o primeiro lugar, na categoria composição inédita do festival. Com a classificação, o Duo Paulicéia (Vicente e Odila), além do troféu, ganhou também um casal de viola e violão, um dos prêmios distribuídos pela produção.
Vicente Simionato nasceu no dia 6 de fevereiro de 1936 na vizinha cidade de Pederneiras. Filho do “sêo” Emenegildo, italiano da Sicilia, e de Dona Rosa, nascida em Jaú. Vicente tem 13 irmãos: 6 homens e 7 mulheres. “Sêo” Emenegildo, gente humilde, trabalhava na lavoura de café para sustentar mulher e filhos. Em 1940, aos seis anos, Vicente mudou-se com a família para a cidade de Garça, onde completou o curso primário. Os Simionato ainda seguiam o destino de plantar, cuidar, colher, secar e ensacar café. A família vivia do trabalho e pouco tinha de diversão. Na verdade, nem um rádio para passar o tempo, Foi então que Dona Francisca de Freitas Ribeiro, dona da fazenda, presenteou “sêo” Emenegildo com um rádio ABC de três faixas: ondas médias, curtas e tropicais. O “rádio pegava o mundo”, lembra Vicente. Foi exatamente nessa época que ele viu aflorar o interesse pela música caipira. Eram tempos de Raul Torres & Florêncio e Serrinha & Caboclinho.
O menino pederneirense permaneceu lidando com café até 21 de abril de 1952, quando rumou pra São Paulo para “tentar a vida”. Foi morar no Moinho Velho, nas bandas do Ipiranga. O primeiro emprego veio como auxiliar de serviços gerais numa firma de acumuladores e baterias. Lá no bairro conheceu Odila, mocinha bonita que morava em frente à casa dele. Um olhar aqui, outro ali, e o namoro era só uma questão de tempo. “Sêo” Oriente, pai da moça, era bravo: “O véio era ruim como uma peste. Para ele eu era apenas um pau do mato”, recorda Vicente. Com o tempo o “veio” viu que não tinha jeito mesmo e autorizou o namoro. Quatro anos mais tarde Vicente e Odila casaram-se na Igreja São Vicente, no Moinho Velho. Era o dia 6 de dezembro de 1958. Então casados, Dilo e Dila começaram a perceber que tinham jeito para dupla sertaneja e chegaram até a se apresentar em programas de televisão, como “Som Verde” na Rede Bandeirantes, comandado por Tonico & Tinoco. O casal permaneceu em São Paulo por mais 38 anos.
Em 1996 Vicente e Odila mudaram-se para São Pedro. Foram morar no bairro Alpes das Águas, onde Vicente trabalhou como chacareiro por 10 anos. Foi naquele ano que Vicente compôs pela primeira vez: “Lua” foi o seu primeiro trabalho, lembrando a saudade do tempo que ficou lá atrás.
De minhas crônicas registradas neste espaço, Vicente adaptou algumas, transformando-as em versos. Casos de “A jardineira”, “O meu herói do rádio” e “O pulo do tiziu”. Coisas lindas que emocionam.
Hoje Vicente e Odila residem no bairro Recanto das Águas. Os dois lembram, com tristeza, dos shows no “Som na Praça” e do Festival Craveiro & Cravinho de Música Caipira. Pra matar a saudade, Dilo e Dila cantam nas rodas de viola, promovidas pelo Lucas Baltieri.


Paulo Edson - jornalista e radialista

10 comentários:

Luiz Saidenberg disse...

Bela reportagem, Paulo.
Benvindo a este bom site!
Abraços.

Miguel S. G. Chammas disse...

Paulo, chegou chegando.
Espero que se transforme em companheiro constante.
O texto, bem dele não é precso comentar nada,ra qualdade

Soninha disse...

Olá,Paulo!
Seja bem vindo entre nós!Ficamos muito felizes em ter seu texto aqui em nosso espaço, onde todos são amigos muito queridos.
Que experiência bacana a do Vicente e mais bacana ainda você nos contar sobre esta pessoa e sua família que ilustram e recheiam nossa Sampa querida com muitas histórias.
Valeu!
Obrigada.
Muita paz!

Arthur Miranda - Tutu disse...

BUUUMMMMMM, BUUUMMMMMM, BUUUMMMMM,
FOGOS PARA COMEMORA SUA CHEGADA, NESTE BLOG. SEJA BEM VINDO. INICIO DE CRACK MESMO, PARABÉNS. BEM VINDO À FAMÍLIA MEMÓRIAS DE SAMPA.

MLopomo disse...

Paulo Edson, Bem vindo ao Memorias de sampa, não te falei que a amiga Soninha, era legal? Alem de postar seu texto ainda ilustrou.Ficou muito legal.Eu que já tinha lido anteriormente, agora li com outras vistas.

Zeca disse...

Paulo!

Seja muito bem vindo ao Memórias de Sampa, onde várias pessoas contam suas histórias e seus causos, sempre girando em torno de nossa tão amada cidade.
Seu texto veio acrescentar e brindar-nos com a qualidade e o encantamento de novas histórias.

Abraço.

Modesto disse...

Linda sob vários aspectos sua crônica Paulo. Seja bem vindo ao mundo encantado da saudade e da poesia.
A lembrança de músicas caipiras é sempre bem acolhida pois elas representam o que de mais puro existe no cancioneiro popular. Essa nostalgia lembra, particularmente a mim, minha saudosa mãe pois, apesar de ser italiana ela adorava música sertaneja. Parabéns, Paulo.
Modesto

Wilsonnatale disse...

Olá Paulo! Bem-vindo ao blog!
Também tenho muita saudade dessas personalidades que fizeram parte da constelação da música caipira de raíz.
Muitos partiram desta vida, outros foram saindo de cena... E tantos foram esquecidos!
Hoje, a música sertaneja mudou muito.
Hoje, aos domingos, não se ouve mais no rádio o programa "Festa na Roça"... Ficou a Inezita Barroso.
Vê, Paulo. O quanto, com seu texto você acrescentou às minhas lembranças?
Abração,
Natale

Tania Maria Moreira disse...

Meu tio avô! !!! Minha mãe lembra com saudades de vcs....logo nos veremos. ....Vamos tomar café e relembrar os tempos idos......Tia Dila. ...querida....mamãe se lembrou de seu irmão. .."Neo"....bjs

Tania Maria Moreira disse...

Meu tio avô! !!! Minha mãe lembra com saudades de vcs....logo nos veremos. ....Vamos tomar café e relembrar os tempos idos......Tia Dila. ...querida....mamãe se lembrou de seu irmão. .."Neo"....bjs