domingo, 31 de março de 2013

São Paulo- Amor à terceira vista



imagem: Cidade Universitária - SP


Amigos, tendo nascido e vivido em uma cidade grande e bastante complicada, o meu critério de beleza é bastante questionável. Querem um exemplo? Gramado. É para mim uma linda e grande casa de boneca, mas eu jamais conseguiria morar lá. Dessa forma, vez por outra falarei sobre as cidades que eu gosto (ou não). Hoje a homenageada será São Paulo.
Fui a São Paulo ainda garota pela primeira vez e não sei dizer se gostei ou não porque fui do aeroporto direto para a casa de amigos do meu pai. A casa tinha tudo que uma criança poderia gostar e praticamente não saí de lá, mas não sei dizer o motivo de não ter gostado. Aliás, nem lembro ao certo.
Por volta dos 20 anos fui sozinha para fazer um curso e fiquei muito assustada com o tamanho. Não gostei de absolutamente nada. Gente esquisita com cara de bicho papão. Fui fazer uma visita a uma amiga paulistana que tinha acabado de sair do Rio para trabalhar na USP como professora mesmo. Conheci os seus amigos, curti muito, inclusive a vida noturna. O único senão é que no último dia fui a uma festa com essa amiga e ela tão logo chegou, saiu com um rapaz que tinha acabado de conhecer para ir transar (tentem imaginar essa situação para uma mocinha como eu era).
Fiquei sozinha e não houve uma única pessoa que chegasse perto de mim para falar uma palavra qualquer. Retorna a garota de banho tomado e cabelos molhados e lá fomos nós para a sua casa. Odiei aquela desconsideração e, naturalmente, São Paulo também.
No ano seguinte, conheci uma moça que foi ao Rio participar de um evento no banco onde eu trabalhava e ela me convidou para passar um final de semana em sua casa. Falei com ela sobre o meu trauma com relação à cidade e ela jurou, de pés juntos, que iria fazer de tudo para desfazer a má impressão. E realmente fez.
Prá começar, não fiquei na casa dela e sim em um apartamento imenso cheio de jovens de outros estados que foram tentar a vida na cidade e se juntaram para pagar um único aluguel. Todo mundo maravilhoso. Não só os que lá moravam como também os amigos que frequentavam o apartamento. Todos muito duros ,e por essa razão, ficamos enfurnados no local tomando cervejas, comendo coisinhas gostosas, ouvindo música até não poder mais e rindo bastante. Foi lá que conheci Elba Ramalho, quer dizer, o disco e não a pessoa ao vivo.
O único passeio interessante que fiz foi ir a uma feira em pleno sábado. Feira mesmo de legumes, verduras e frutas. E foi ali, ao ver aquelas pessoas, que eu captei o espírito da cidade. Aquele não era um programa qualquer; era O programa. Tinha gente de todo o Brasil, jovens e velhos. Tinha música, pastel, bagunça e gente animada. De noite, quando fui para o aeroporto e reparei mais uma vez nas pessoas que andavam pelas ruas, passei a adorar a cidade.
Voltei diversas outras vezes e todas as viagens que fiz foram muito agradáveis. Não voltei à feira, aliás, nem sei onde fica, mas conheci outros lugares ótimos. Curto absolutamente tudo, até mesmo a feiura que existe em alguns locais. O que mais me atrai é justamente o povo. São caras e culturas completamente diferentes e esse caldeirão de misturas é o maior patrimônio da cidade. Os paulistanos (nativos ou não) são muito mais fechados do que os cariocas, mas eu penso que quando a gente capta a energia do lugar, a conversa deslancha. Nunca tive problemas com motoristas de táxi, informações erradas ou descortesia de alguém. Até mesmo o meu "s" chiado e o "r" carregado foram motivo de gozações carinhosas por parte de uma senhora dona de cantina do Bixiga que me pedia a todo o momento para dizer determinadas palavras só para rir depois.
Tenho tido saudades, gostaria de ter ido no primeiro semestre, mas não foi possível.
Pois é, São Paulo não tem a beleza estonteante de muitas das cidades brasileiras, é triste em determinados momentos, mas tem um charme que é impressionante, especial e único.
Um viva para São Paulo!



Por Yvonne Dimanche

7 comentários:

Soninha disse...

Olá, Yvonne!

Seja bem vinda entre nós.
Fiquei muito feliz por você me autorizar a publicar este seu texto e saber de suas aventuras em São Paulo.
Sampa é assim, amada e odiada; admirada e rejeitada; desejada e desprezada; tudo junto e misturado.
Uma metrópole gigante, símbolo do progresso e do trabalho... meu berço esplêndido que amo tanto.
Que bom que você teve a oportunidade de vir à Sampa mais vezes para poder mudar o conceito que você tinha sobre nossa cidade.
Aqui tem gente boa e ruim, como em todas as cidades do mundo. Mas, inegavelmente, é o principal centro financeiro, corporativo e mercantil da América do Sul e uma cidade como nenhuma outra no Brasil.
Obrigada por compartilhar conosco suas lembranças.
Espero outras histórias suas aqui no blog, ok?!
Valeu!
Muita paz! Beijosssss

Yvonne disse...

Soninha, o prazer foi todo meu. Essa coluna foi escrita há uns cinco anos mais ou menos e de lá para cá não visitamos São Paulo, mas neste ano pensamos em ir, porque eu e o meu marido queríamos matar as saudades e curtir a vida cultural da cidade. Infelizmente foi naquele período de chacinas e ficamos com medo, mas deste ano não passa. Quero conhecer um monte de novidades.

São Paulo é um deslumbre. Se não tem mar, tem coisas maravilhosas para oferecer e eu quero usufruir de tudo isso.

Beijos

Miguel S. G. Chammas disse...

Yvonne, faço neste comentário o agradecimento singelo da minha cidade à visitante que soube descobri-la.
São Paulo é tudo isso e mais um pouco.
Programe sua visita para um período em que seja realizada ,ais uma RODADA DE REDONDAS COM AUTORES REDONDOS OU NÃO, e como participante ativa deste blogue você será recebida com todas as honras paulistanas para saborear uma substanciosa pizza.

Zeca disse...

Yvonne,

que bom que tirou a primeira impressão negativa que tinha da nossa cidade! Ela é assim mesmo! Como disse a Soninha, amada e odiada, rejeitada e desejada e tantas outras coisas que a tornam especial para quem a conhece bem e sabe que tem muitos encantos! E o povo, tão diverso, uma mistura gostosa de todas as raças e de todas as cores dão o colorido especial e também o som único que a distingue.
Eu a deixei por livre e expontânea vontade! Escolhi, para viver, uma cidade do estado do Rio, que também amo e respeito. Mas jamais deixei de amar São Paulo! Com todas suas diferenças e incoerências; afinal, foi aqui que nasci, me criei, me formei e me tornei no homem que hoje sou.
Venha sim, e procure atender o convite do Miguel, para ter o prazer de conhecer outros autores deste blog, todos admiráveis.

Beijão.

Arthur Miranda disse...

Ótimo! Seja bem vinda no Blog e no encontro com as redondas, e tomara que seja na casa de Tango no Ipiranga , pois aí levarei alguns amigos comigo e com a Denise.

margarida disse...

Sampa tem muita coisa maravilhosa que surpreende meu olhar, mas tem outras que não gosto de ver.

Aqui tem gente de todas as zonas da cidade, gente de todos os cantos do Brasil e gente de todos os lugares do mundo.

Yvonne, eu vejo São Paulo com um coração que às vezes mergulha no passado, mas na maioria dos meus momentos vivo o presente e a amo como ela é, com suas qualidades e seus defeitos. Fiquei feliz por refazer a imagem de Sampa, volte mais mais vezes. Um abraço.

joaquim ignacio de souza netto disse...

Humor na media certa, simpatia, e, principalmente, uma eclaração de bem querer por nossa cidade...
Dizem que os franceses são mau humorados (pelo menos na France glorieuse) mas você, apesar do nome e sobrenome, está desmentindo tudo isso - sei lá se você é francesa ou tem ascendência fancesa, me desculpe..
Seja benvinda ao blog e esperamos mais textos...
Abraço do Ignacio