sábado, 12 de fevereiro de 2011

Anos de guerra, anos de paz - primeira parte

Turma do Braz contra os “coca-cola”
Parte 1

Peço a todos a gentileza de compreenderem a situação de uma família enorme, como a minha, meus pais, Bartholomeu e Felícia, com nove filhos, (eu o 7º), apesar de morar a 5 ou 6 quilômetros da Praça da Sé, não posso, aqui, registrar escolas, colégios, universidades, que poderia ter frequentado e que, além dos 4 anos no G.E. Romão Puiggari e, por 6 meses, apenas, a Escola de Comércio “30 de Outubro”, não tive outra escolaridade.
Nos meus sonhos de juventude, sempre ambicionava fazer uma faculdade e, já que sonhar não custa nada, sonhar por sonhar, só me colocava na melhor, que era (ainda é) a USP. Vim realizar este sonho depois dos sessenta anos, quando, por dez anos fiz cursos da Terceira Idade, com aulas de história universal, pintura, música e jornalismo.
Nos comentários que habitualmente faço, nunca menciono noitadas de bailes de formaturas, bailinhos de fim de semana, etc, como a maioria dos meus colegas. Não que não gostasse, porém, não sabia dançar, uma “dureza” eterna, sem ir a um baile, como aprender a dançar e, por uma destas infelicidades vergonhosa, era tímido demais. Sofri muito, por isso.

Trabalhando durante o dia, durmo quase todas as aulas, a noite, principalmente a de caligrafia, do prof. João Alegretti, com o caderno do De Franco; boníssima pessoa, e seu outro irmão, prof. Oswaldo Alegretti, de matemática, falecido prematuramente, os dois irmãos do dono da escola, Derville Alegretti. Por ironia do destino, comecei como desenhista na Shelmar Embalagens desenhando letras. Hoje, sem falsa modéstia, tenho uma letra muito bonita. Isso ocorre nos anos “cinzas” de 1940 a 1944. A 2ª guerra mundial termina e eu estou com 8 a 12 anos, já trabalhando.
O que ajudou muito, foi eu ter contato com os “gibis” da época; adoro ler e por muito tempo, meus “livros de cabeceira” eram os Gibis, Globo Juvenil, O Lobinho, O Guri, O Mirim, os almanaques anuais, depois os livros de histórias juvenis, Emílio Salgari, Júlio Verne, Alexandre Dumas, Monteiro Lobato e posteriormente, revistas policiais, Dectetive, X-9, Mistério Magazine do Ellery Queen, romances de aventuras, mistérios, suspense, históricos etc. Lia e leio até hoje, bons romances, já posso descartar escritores muito populares como Sidnei Sheldon, Dan Brown etc, fabricantes (aliás, bem sucedidos) de emoções baratas. Como literatura, nenhu
m bate “Os doze trabalhos de Hércules”, do Monteiro Lobato.
Tanto na música como na leitura, devo a meus irmãos Vito e Santo, já falecidos, o amor por estes dois entretenimentos; Vito tinha uma biblioteca de cair o queixo, ele era contador e um inveterado leitor de romances. Só gostava de ficção, como eu, até hoje. O Santo tinha as melhores coleções de concertos sinfônicos, operas completas, músicas de balet, populares, italianas, principalmente. Todos os discos em 78 rotações, falecendo, prematuramente, poucos anos depois dos lançamentos em LP.
Pode-se imaginar como devia ser reforçada a discoteca.
Como recebi observações por me alongar muito nos meus escritos, aguardem a 2ª parte.

Por Modesto Laruccia

9 comentários:

Miguel S. G. Chammas disse...

Mô, li teu texto, como sempre impecável e fiquei com gosto de quero mais.
Estou aguardando a 2a. parte, tomara que ela não demore tanto.
Miguel

miguel disse...

Lindo texto, maravilhoso, lembrou-me etapas da minha vida, quando com muita luta consegui me formar. Tenho também uma coleção de Gibis antigos, espero que ainda existam pois deixei na casa da "ex", exemplares como Tarzan, Capital Marvel, Mandrake, Superman, todos em branco e preto, vou tentar resgatá-los. De resto, estarei sempre por aqui. Quero convidá-los a visitar nosso blog, escrevo crônicas, será um prazer recebê-los, grande abraço.

Zeca disse...

Caro Modesto,

não querendo ser desrespeitoso com quem o admoestou quanto a alongar-se nos seus escritos, deixo aqui registrado que gosto muito deles e não me importaria em continuar lendo, por horas, um texto como este.
Eu também fui leitor de gibis. Aliás, foi através deles que, já aos seis anos de idade, sabia ler e escrever perfeitamente, o que me garantiu ser o primeiro aluno da classe durante o curso primário. E uma vez picado pelo gosto da leitura, passar para os livros não foi nem um pouco difícil, gosto que conservo até hoje.
Estou, desde já, na expectativa da continuação deste texto.
Abraço.

Soninha disse...

Olá, MOdesto!

Que benção quando podemos ter boas referências em nossa vida...
A convivência com familiares e amigos, podem contribuir para formar nossa personalidade,definitivamente.
A sua, pelo jeito, não poderia ser melhor,não é mesmo?!
Conte-nos logo o resto desta hisória.
Valeu!
Obrigada.
Muita paz!

arthur miranda disse...

Modesto. Estou louquinho para ler o restante da historia, estou aguardando o proximo capitulo.

Luiz Saidenberg disse...

Grande Modesto, tivemos um iníco de leitura muito parecido. Aos gibís, que meu pai trazia-nos semanalmente, uniram-se Lobato e
O Tesouro da Juventude, inestimáveis.
Como ele era fã de policiais, tb participei da Coleção Amarela, Ellery Queen e Terramarear. Cada história, meu ! Corria pela época que os gibís faziam mal às crianças. Não foi meu caso; além de despertar-me o gosto pela leitura, ainda ajudaram muito em minha formação de desenhista.
Continue contando, está muito legal ! Abraços.

Wilsonnatale disse...

Larù, nesta primeira parte do teu texto, um pouco da vida da maioria dos brasileiros.
Tempo em que se fazia o chamado "Primário", recebia-se o diploma e se partia para os cursos profissionalizantes. Como o SENAI.
E a vida ia ensinando, na prática, tudo o mais.
Os livros eram caros. As Bibliotecas públicas eram poucas. Restavam apenas os gibís a nos levar para o mundo fantástico das aventuras.
Tanta coisa fomos aprendendo por nossa própria necessidade e conta. Coisas que nos faziam melhor e melhoravam a nossa qualidade de vida.
Ai, neste início de texto, começa a história de um vencedor fazendo o próprio caminho.
È proprio così che si fà: Cercare il bello della vita, sempre.
Parabéns,
Natale

MLopomo disse...

Modesto. O Brasista que sempre nos coloca grandes textos, tão bem elaborados.

suely schraner disse...

Modesto,
Belas lembranças literárias, valeu! Abraço, Suely