segunda-feira, 16 de abril de 2018

O marginal



Corro pelas marginais dos rios sujos da Pauliceia de todos os rumos 

com o pudim de coco no saquinho plástico
e os esqueletos magros dos cachorros soltos
da cidade de ferida aberta atrás de mim.

Corro pela São João e a Ipiranga de toda gente de toda espécie

com o pão de mel na mão de unhas pretas pela fuligem cinza
e os motoqueiros de viseira inútil das buzinas insanas atrás de mim.

Corro pela Paulista da elegância com o anel de pedra de mil quilates 

no bolso direito das calças jeans e a ambulância do instituto do coração na exclusiva faixa da via pública atrás de mim.
Corro pelo Minhocão do padre Péricles com o buquê no peito dos laços rosa entre as lanternas vermeho-brancas do subsolo escuro da Praça Roosevelt para lhe dar um beijo na sua boca inchada, mas a polícia de cavalos pardos atrás de mim. 

Por Eloi Fonseca

7 comentários:

Memórias de Sampa disse...

Olá, eloi!
Seja bem vindo ao nosso blog.
Lembro-me desde episódio, desta foto... Nas mídias em geral ficou bem famosa.
E seu texto, poético, nos remete à realidade de nossa judiada, porém muito amada cidade de São Paulo.
Gostei muito.
Traga-nos mais textos, ok?
Muita paz!

Sonia Astrauskas

Miguel Chammas disse...

Bem vindo Eloi,
Tua corrida é parte integrante desse lufa-lufa paulistano.
São Paulo fecha o ano com corrida, are o ano com corrida e nós vivemos na corrida.
Parabéns pelo texto.

Elói Fonseca disse...

Agradecer a gentileza de Sônia Astrakas e de Miguel Chammas.
Ótima semana a ambos. Abraço.

Teresa disse...

Gostei muito do seu texto, Elói. Um belo retrato de nossa louca cidade. Parabéns. E bem-vindo ao blog. Espero mais textos.

Elói Fonseca disse...

Bom dia.
Obrigado Teresa.
Ótimo dia.
Abraço.

Elói

Marcos Loureiro Loureiro disse...

Em poucas palavras uma síntese perfeita de Sampa Parabéns

Leonello Tesser disse...

Retrato fiel desta cidade desvairada, louca corrida na luta pela existência, parabéns pelo texto.