sábado, 20 de julho de 2013

Quando a TV chegou



Fiquei pasma quando vi o que minha televisão atual é capaz de fazer. É uma máquina poderosa, praticamente igual a um computador, de tela fina de led, fácil de carregar, de uma imagem muito precisa onde podemos assistir programas em 3D.
Olhando para meu novo monumento aqui na sala de tevê acabei por lembrar-me da primeira televisão que ganhamos quando ainda éramos crianças, lá no bairro da Penha. Da marca SEMP preta e branca, era formada por uma grande caixa com uma tela finalizada com um tubo, além de muito pesada tinha um seletor de canais barulhento e toda vez que girávamos ele fazia um tlec, tlec. Às vezes produzia um chiado e a imagem sumia restando apenas faixas horizontais que podiam ser arrumadas nos botões de sintonia fina.
Bem, na verdade era um trambolho se compararmos com as televisões dos dias de hoje, mas, para nós, era a melhor televisão do mundo, pois sabíamos que iríamos assistir os desenhos animados que eram apresentados dentro da seção “Zás Trás” e que a garotada da rua compareceria em massa em casa, pois éramos a única família a ter uma televisão, o que era uma grande novidade para todos.
Nossa alegria foi imensa quando a TV chegou, minha mãe achou melhor colocá-la sobre um móvel da sala e sentávamos no chão para assisti-la. Aos poucos, fomos nos familiarizando com os canais, com o seletor barulhento e com nosso novo horário de lazer. Meu pai era muito controlador e claro que controlava também os programas que podíamos assistir.
Lembro-me das dos desenhos alegres e deliciosos, eram uma atração infantil e que nos divertiam muito, inclusive os comerciais que passavam nos intervalos entre os desenhos. Nossos olhos eram praticamente colados na tevê para não perder sequer uma imagem, tudo era importante e bem vindo, tanto é que deixou uma marca gostosa de ser lembrada.
 O comercial que eu mais gostava e que dava água na boca era o do Biscoito São Luiz, tinha uma música fácil de memorizar e ao mesmo tempo aparecia uma linda lancheira cheia de biscoitos, que eu imaginava serem os mais gostosos que existiam.
Outros comerciais também eu gostava, como a do Cobertor Parahyba, aquela musiquinha que acompanhava , marcava minha hora de dormir.
Alguns dos comercias eram feitos com desenhos animados e uma boa sonoridade para fisgar as crianças.  Ainda me lembro de um comercial em forma de desenho animado da VARIG, ele contava a historia do Brasil, tinha “jingle” fácil e era de interação com público. O outro comercial também da Varig mais tocado na época do natal, tinha uma apresentação com uma estrelinha da companhia e o “jingle” era de Natal, tudo muito bonito para meus olhos de criança.
Desta forma, a televisão entrou em minha vida e também naqueles televizinhos da Rua Antônio Lobo, local em que eu morava. Com o tempo ela foi barateando e outras pessoas foram adquirindo. Com o tempo a TV se alastrou e hoje faz parte de todas as casas dos paulistanos, inclusive nas mais humildes desta grande cidade de São Paulo. Temos TVs de última geração até as mais simples, mas estão todas ali, fazendo parte do cotidiano das nossas famílias, entrando nas casas e na vida de todos os paulistanos.




Por Maragarida Peramezza

16 comentários:

Soninha disse...

Olá, Margarida!

Que texto gostoso! Me fez voltar à infância querida, quando meu amado pai trouxe nossa primeira TV. Foi uma alegria sem tamanho.
Lembro-me que, naquele dia, final de tarde, ficamos meu irmão e eu assistindo tudo, sentados no chão.
Quando acabou a programação, o canal ficava fora do ar, mas na tela ficava a imagem daquele índio... imagem parada, sem som, mas eu ficava lá, olhando para aquela imagem, quase sem piscar, tamanho meu encantamento. Precisa nossa mãe ralhar conosco para desligarmos a TV e irmos dormir.
Velhos tempos, belos dias!
Valeu, Margarida!
Muita paz! Beijossssssss

Miguel S. G. Chammas disse...

Marga, eu fui durante muito tempo um constante televizinho. Não perdia qualquer programa infantil mesmo que tivesse de percorrer longas distancias atrás de um aparelho de TV ligado. Você de fez lembrar das musicas de comerciais tais como "É hora do lanche, que hora tão feliz, queremos biscoitos São Luiz...", ou então, "Já é hora de dormir, não espere mamãe mandar, um bom sono prá você e um alegre despertar..."
Coias que nos fazem lembrar daqaueles bons tempos, vieram à baila com singelo tecto. Obrigado!

margarida disse...

Soninha e Miguel, quantas coisas a televisão nos trouxe naquela época sem contar com o mundo de imaginações. Nossa quantas lembranças! Obrigada pelo comentário.

Bernadete disse...

Mana, se me lembro e quanto dessa TV!!!!...Ela foi montada pelo Sr.Narciso,que era técnico em eletrônica.Ele era o encarregado do som nas procissões do bairro., lembra-se?
Seu texto me fez voltar uns 60 anos, mas mesmo assim,ainda estão vivas em minha memoria,até a decoração da nossa sala e,o tal móvel,onde a mamãe colocou a "famosa"TV...Bjos querida.

margarida disse...

Mana, lembro que o Sr. Narciso ia muitas vezes consertar a nossa TV. E quando o vento derrubava a antena que ficava no telhado da nossa casa, aí ficávamos sem as imagens...era um sofrimento,rsrsrsr. Obrigada mana pelo comentário, beijos.

Anônimo disse...

Delícia de texto, Margarida. A tv chegou ao Brasil em 51, mas na minha casa chegou no Natal de 58. Enquanto isso, era tele-vizinha e não perdia o Cirquinho Bom-Bril, o Sítio do Pica-pau Amarelo, o Clube dos Artistas. Tempo bom que não volta, mas que deixou boas lembranças.
Triste aquele que não tem o que lembrar.

margarida disse...

Eu também adorava o Sítio do Pica-pau Amarelo, como era bom. Muito obrigada pelo cometário no meu texto.

Modesto disse...

Tempo gostoso e alegre, Peramezza, os primórdios da era eletrônica, (pelo menos, pra nos, né?), anunciando maravilhas nesse campo de entretenimentos a embalar nossos sonhos mais ousados. Lembro bem da marca Semp e a Invictus, todas de procedência estrangeira, (japonesa), montadas e batizadas com nomes pronunciáveis. As programações, sempre ao vivo e em filmes, ainda sem os recursos do video-tape, embalavam, principalmente as crianças, ávidos de desenhos e filmes adaptados pra TV. Doce lembrança, Margarida, parabéns.
Modesto

Luiz Saidenberg disse...

Quando mudamos para São Paulo tornamo-nos tele vizinhos de tele vizinhos. Explico- íamos à casa de Tia Zilda, que morava próximo, e com ela íamosà de sua amiga e vizinha Myrtes Marques. Esta sim, tinha TV, que só pegava a Tupi, com faixas, zunidos e distorções. E assim tudo começou...

margarida disse...

Modesto, nossa quantas mudanças já passamos e sabe Deus quantas ainda iremos passar não é mesmo? Muito obrigada pelo comentário. Beijos.

margarida disse...

Saidenberg, que maratona para ser televizinho, e ainda pra ver só a tupi sem contar com os zumbidos....rsrsr. Muito obrigada pelo comentário, beijos.

Anônimo disse...

Marga, que delícia voltar a ler os seus textos, matar as saudades. Isso me provoca uma imensa alegria, Parabéns pelas memórias deliciosas de um tempinho muito bom no meio das nossas limitações. Um abraço da Vera Moratta.

margarida disse...

Vera, estamos felizes por você estar aqui. Saiba que sou sua fã e muito obrigada pelo comentário. Um beijo amiga.

Wilson Natale disse...

PERAMEZZA:
Delícia de texto!
Como praticamente assistíamos os mesmos programas, atenho-me ao televisor. A princípio era um trambolho com uma enorme caixa de madeira. As telas tinham 17, ou 21 polegadas (mais tarde vieram as de 23 e 29 polegadas.
Com o passar do tempo o televisor passou a integrar a decoração do ambiente: Escolhia-se Embuia, Mogno ou Marfim. Aparecem as mesinhas especiais para os televisores. E, claro, os reguladores de voltagem.
Quando ligamos pela primeira vez o nosso televisor RCA existia só a TV Tupi, que era o canal 3, depois vieram a TV Paulista, canal 5 (Hoje Globo) e a TV Record, canal 7.As outras vieram mais tarde.
Depois do RCA, um Invictus e duas Philco e, nos anos 70 um sonho de consumo: Um TV a cores Telefunken 29 polegadas!Depois dela, no ínicio dos anos 90 troquei por uma Panasonic 32" que, como disse meu sobrinho, "morreo de véia" no início desse ano. E agora tenho a Led Samsung 40". Vamos ver quanto tempo vai durar...
Espero que dure tanto tempo quanto as palvras do palhaço Arrelia na minha memória:
"Como vai, como vai, como vai!
Como vai, como vai, vai vai!
Muito bem, muito bem, muito bem!
Muito bem, muito bem,bem, bem!
Abraços,
Natale

margarida disse...

Natale, era assim mesmo e tudo foi evoluindo e agora acho que não para mais. Acho que temos uma TV igual e me junto a você....vamos ver até quando vai durar....hahaha. Muito obrigada e grande abraço.

Zeca disse...

Margarida!

Delícia de texto! Me fez voltar ao tempo de infância onde esperava ansiosamente os domingos para assistir ao meu programa favorito: O Circo do Arrelia, com seu cumprimento sempre igual ao Pimentinha, como bem lembrou o Natale. Tinha também os desenhos animados e os famosos comerciais, dois deles, como com você, os meus favoritos: o da Varig e o dos Cobertores Paraíba. E o meu primeiro contato com teatro foi com o Teleteatro Tupy, que me fazia viajar e sonhar. Mesmo quando meu pai não queria que eu assistisse e eu ficava escondido atrás de uma cortina... ah! bons e ingênuos tempos aqueles!

Abraço.