sábado, 16 de fevereiro de 2013

A peteca

Texto sem edição
 
Na ultima sexta feira quando os foliões ainda faziam seus últimos preparativos para encarar o carnaval paulistano, eu andando pelas ruas da minha Freguesia do Ó, matando minhas saudades do bairro em que nasci e que vivi até meus 38 anos.
Parado em frente a casa em que nasci, agradecendo o privilégio de poder ver aquele o local totalmente preservado e tombado pelo patrimônio, e assim poder me sentir como em um passe de magica de volta aos anos quarenta, quando em 1948 fui conhecer o Estádio do Pacaembu, levado de carona por um vizinho bondoso chamado João Margine, fanático palmeirense que fez tudo para me levar naquele jogo entre o Corinthians e a Portuguesa de Desportos, permitindo assim que eu pudesse ver o meu Timão ganhar de virada de 3 a 2, do forte time da Portuguesa na época e memorizar para sempre a escalação do meu Corinthians de 1948, que era: Bino Domingos e Belacosa, Palmer Hélio Leite e Aleixo, Cláudio, Baltazar, Servilho, Nenê e Noronha, jogo este que por sinal nunca mais esqueci, mesmo estando na época com apenas nove anos de idade, sendo talvez esse o principal motivo, que solidificou e selou para sempre o meu amor pelo Corinthians, amor esse que aumentou ainda mais recentemente com a conquista da Libertadores e do Mundial. Como também a rivalidade e as dores de cotovelais de nossos adversários e eternos rivais.
Depois dessa reflexão diante daquela casa da minha infância, já de volta para o carro ao lado do Jardim que no passado havia sido um campinho, onde eu e meus amigos de infância como também outros marmanjos, jogávamos nossas peladas diariamente, para o desespero das vidraças das janelas das casas dos nossos pais.
Estava para entrar no carro quando vi no gramado daquele agora jardim publico uma peteca.
Ao segurar a mesma em minhas mãos e entrar no carro, comecei há imaginar quantos anos já fazia que eu não via ou ouvia falar de uma peteca.
Distraído imaginei o velho Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó ainda sem asfalto, onde eu meus amigos e amigas ainda meninos, naquelas ruas ainda de terra, e quase sem transito de veículos, jogávamos livremente e sem receio, taco, barra-bol. e muita peteca. Recordei alguns nomes de amigos o Beto seus manos Mario e João Lourenço, Wilson, o Zeca, o Aguinaldo, o Arnaldo e a Cecilia Faria. a Terezinha e o Zelito Simões. o Celso Corradini, a Teresa e o Renatinho Zampieri o Darcy Simões, o Toneca, o malucão do Paraná, o Vieira, o Pereirinha, a Clarice, a Lourdes, o Pedrinho e seu mano Claudio Bicudo, o Elói Siqueira, o Tonhão, o Erci e o Dedé filhos do Seu Caporto, O Nelson e a Terezinha Abate, que depois de casar com o cantor Tony Campelo irmão da Famosa cantora Cely, tornou-se uma atriz Global conhecida como Teresa Sodré.
Segurando aquela peteca achada assim por acaso em minhas mãos. Foi recordando-me um pouco de toda a minha infância adolescência e juventude, nome de famílias conhecidas que nunca mais soube delas, pessoas ilustres, e importantes para o bairro.
Do bondoso e saudoso João Abrão, a muito já falecido, fundador da Contábil Ozanan e presidente dos Vicentinos nos anos 50, grande benfeitor do Bairro, ao qual eu e minha falecida mãe e irmãs, temos eternamente uma divida de gratidão.
Outro que muita gratidão nossa merece, é aquele que em minha opinião foi a pessoa que mais fez pelo bairro até os dias atuais e que merecia pelo menos um busto em Praça Publica na Freguesia, pelo muito que fez e ajudou as pessoas menos favorecidas do bairro, sem querer nada em troca, e que mais tarde morreu pobre praticamente só e esquecido, já que era oriundo de Portugal e não tinha familiares no Brasil, seu nome, Joaquim Fernandes.
Recordo também aqui do saudoso e querido Professor Salvador Ligabue, talentoso artista pintor, que imortalizou com sua arte em tela, cenários e flagrantes da antiga Freguesia dos meus tempos de menino. Atualmente no bairro existe um Centro Cultural que leva o seu nome, nada mais justo.
Em fim, quantas recordações uma saudosa peteca nos traz, se eu pudesse voltar ao passado eu diria a todos eles, que eu estou com muitas saudades, uma grande saudade de todos eles.
 
Por Arthur Miranda

15 comentários:

Soninha disse...

Olá, Arthur!

Um pequeno objeto fez você reportar-se à sua infância querida e tantas outras recordações vieram-lhe à memórias...
Pessoas queridas que já se foram, outras tantas que ainda estão por aqui e o seu velho e querido bairro da Freguesia do Ó!
Muito bacana, viu?
Obrigada.
Muita paz!

Anônimo disse...

Parabéns pela crônica quase musical. Não música que remete à saudades sofridas, ms à nostalgia, lembrança dos bons tempos... Menos Gardel y Lepera e mais Ney Lopes, Zeca do Pagode Pequeno...
Abraço grande do Ignacio

margarida disse...

Arthur, quantas lembranças e doces saudades lhe trouxe uma simples peteca. Saudades do seu bairro e de pessoas que movimentaram sua vida nos tempos de outrora. Parabéns pela linda cronica.
PS: sempre gostei de jogar peteca, comprei uma para meu neto e expliquei como fazíamos quando criança.Um abraço.

joaquim ignacio de souza netto disse...

Arthur, então você também viu o Domingos da Guia"Divino Mestre", mesmo parando, jogar, heim? Somos privilegiados, pudemos ver Gilmar, Cabeção, Bino "Gato Preto", Belacosa, Valussi, Belfare, Luizinho, Cláudio, Mário, Roberto, Idário e vários outros mandatários da nação alvinegra do Parque São Jorge. (Pelé e Zizinho, dos inimigos (rs!)
assim como o Clovis Bornay foi, são hors concours - mas valeu a pena tê-los visto também.
Grande abraço
Ignacio

Miguel S. G. Chammas disse...

Tutu, é muito bom recordar passagens de há muito vividas. Nossa memória, cada vez mais, nos prova sua eficiencia.
Chega até mao absurdo de nos lembraer os ultimos tapas na pteca que corajosamente nós demos tempos atrás rsrsrsrs
Valeu amigo

Zeca disse...

Arthur!

Linda crônica relembrando os amigos dos tempos de criança, nomeando-os e mostrando o quanto os queria/quer bem!
E já que comentou sobre o benfeitor do bairro, o português Joaquim Fernandes, que acabou morrendo pobre e esquecido, que tal a sugestão de nos contar sua história, resgatando, assim, sua memória? Se não o homenageiam com um busto, você pode imortalizá-lo com uma bela crônica!

Abraço.



Arthur Miranda disse...

Zeca, belíssima ideia não havia pensado nisso, vou tentar escrever alguma coisa sobre o Seu Joaquim Fernandes. OBRIGADUUUUU.

Laruccia disse...

Miranda, suas recordações, pautadas por uma peteca, faz sua memória despertar de tal forma que até um pobre habitante do bairro, sr. Fernandes, mereceu um lugarzinho na formidável crônica. E, por sugestão do Zeca vc vai contar mais algumas passagens da vida desse senhor. Parabéns, Arthur, além de ótimo ator vc é um grande contador de histórias com extraordinária memória. Parabéns, querido amigo.
Laruccia

Leonello Tesser (Nelinho) disse...

Arthur, parabéns por mais este texto, elaborado com maestria tendo como pano de fundo uma simples peteca.- O meia-esquerda Nenê que consta na escalação do time do Corinthians é irmão da Jurema e meu cunhado, infelizmente já falecido, ele foi revelado pelo Clube Atlético Ypiranga, celeiro de grandes craques do passado, abraços, Nelinho.-

Leonello Tesser (Nelinho) disse...

Arthur, parabéns por mais este texto, elaborado com maestria tendo como pano de fundo uma simples peteca.- O meia-esquerda Nenê que consta na escalação do time do Corinthians é irmão da Jurema e meu cunhado, infelizmente já falecido, ele foi revelado pelo Clube Atlético Ypiranga, celeiro de grandes craques do passado, abraços, Nelinho.-

Leonello Tesser (Nelinho) disse...

Arthur, parabéns por mais este texto, elaborado com maestria tendo como pano de fundo uma simples peteca.- O meia-esquerda Nenê que consta na escalação do time do Corinthians é irmão da Jurema e meu cunhado, infelizmente já falecido, ele foi revelado pelo Clube Atlético Ypiranga, celeiro de grandes craques do passado, abraços, Nelinho.-

Leonello Tesser (Nelinho) disse...

Arthur, parabéns por mais este texto, elaborado com maestria tendo como pano de fundo uma simples peteca.- O meia-esquerda Nenê que consta na escalação do time do Corinthians é irmão da Jurema e meu cunhado, infelizmente já falecido, ele foi revelado pelo Clube Atlético Ypiranga, celeiro de grandes craques do passado, abraços, Nelinho.-

Leonello Tesser (Nelinho) disse...

Arthur, parabéns por mais este texto, elaborado com maestria tendo como pano de fundo uma simples peteca.- O meia-esquerda Nenê que consta na escalação do time do Corinthians é irmão da Jurema e meu cunhado, infelizmente já falecido, ele foi revelado pelo Clube Atlético Ypiranga, celeiro de grandes craques do passado, abraços, Nelinho.-

Leonello Tesser (Nelinho) disse...

Arthur, este maldito 3G da Vivo me deixa maluco!!! clíquei pensando que não tinha sido enviada a mensagem!!! abraços.

Leonello Tesser (Nelinho) disse...

Arthur, este maldito 3G da Vivo me deixa maluco!!! clíquei pensando que não tinha sido enviada a mensagem!!! abraços.