O texto abaixo també foi sonorizado na Rádio CBN: https://soundcloud.com/miltonjung/conte-sua-histo-ria-de-s-o-9
Consta que Deus, cansado de ouvir reclamações sobre a Terra, mandou que
o urubu sobrevoasse tudo e retornasse dizendo o que viu. Ele voltou contando
das guerras, carniças (delícias), poluição, violência, catástrofes e vícios, um
inferno enfim.
Desolado, Deus quis ouvir uma segunda opinião. Pediu então que a pomba
fizesse o mesmo. Aí ela retornou dizendo do sol clareando a terra e o orvalho
das plantas. Dos passarinhos arrulhando nas árvores após um dia de chuva. Das
flores com seus diversos matizes sob o céu de azul diáfano. Das cachoeiras que
inundavam a atmosfera com sua música maviosa. De crianças a brincar e a sonhar.
De velhos nas praças a ver a vida passar com graça a dar milho aos pombos.
Deus então deu um
logo suspiro e declarou: é preciso olhar o mundo com os olhos da pomba.
Esse é o desafio do
paulistano: olhar esta cidade com os olhos da pomba. Ver a beleza que existe na
diversidade, na concentração de talentos, nas oportunidades de desenvolvimento
e mudança. Beleza no seu centro cultural, nas atividades criativas. Na poesia
concreta das suas esquinas, como na canção.
Cai, levanta, cai
levanta. Vocês sabem do que estou falando. Como na teoria do evolucionismo, os
mais aptos sobreviverão. Uns chegam de longe para se tratar e vão ficando. Outros
chegam munidos de muita vontade de trabalhar, transformar o pouco em muito.
Tenacidade de aço e nervos de concreto faz do cidadão paulistano um ser
singular. Caçadores de beleza na cidade dos migrantes e imigrantes. Diz-se que
quem vive aqui, está apto a viver em qualquer lugar. Uma metrópole que
contempla tanto o olhar do urubu como o olhar da pomba. A escolha é sua.
São Paulo é um pólo de atração. Atrai os que ousam sair da zona de conforto e
mudar, transformar, garimpar ouro em merda. Cidade em constante mutação a
provocar mudanças em seus atores. Quantos desses 11 milhões de habitantes, sem
contar os 10 milhões no entorno, aqui chegaram apenas com a roupa do corpo,
coração acelerado e, um sonho na cabeça povoada de ilusões. Educaram seus
filhos, trabalharam e conquistaram seu espaço. Quem não se envolve não
desenvolve.
Por Suely Aparecida Schraner
6 comentários:
Olá, Suely!
Uma grata satisfação é, para mim, ler seus textos, cheios e delicadeza, romantismo e um olhar apaixonado sobre Sampa.
Ouvi a sonorização da CBN também. Ficou MARAAAAAAA!
Obrigada.
Muita paz! Beijosssss
Muitíssimo obrigada, Soninha! Me encanta seus comentários e incentivo. Paz e flores! Beijos.
Suely, fazia tempo que eu lia um texto seu, este veio para matara saudade e, ao mesmo tempo, me fazer repensar n vida.
Obrigado por mais este momento de reflexão e suavidade.
Suely, há quanto tempo você não nos brindava com uma cronica tão maravilhosa, volte sempre, abraços, Nelinho.
Suely, São Paulo é a maior cidade das Américas. um caudal de raças, estrangeiros, brasileiros de todas as vertentes, sem nenhum rancor de quem fala mal de nós.
Belo texto o seu, Suely, assim é que devem os paulistas reagirem com nossos detratores profissionais. Parabéns, Su.
Modesto
Miguel S. G. Chammas, eu é que agradeço pela sua gentileza. Saudade também. De tanto em tanto, me atrevo nestas mal traçadas linhas.Abraço.
Leonello Tesser (Nelinho), que alegria voltar e dar de cara tanta delicadeza de sua parte. Abraço.
Modesto, muito obrigada. Também adoro seus textos. Abração.
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