segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Crônicas de Marcos Falcon
https://soundcloud.com/miltonjung/conte-sua-histo-ria-marcos
Para ouvir, clique no link acima
Por Marcos Falcon
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Um príncipe na Mooca - 2ª parte
Noto que o Waldemar se esforça pra se fazer acreditar, eu acho que ele
não mente, gosta de falar comigo, (nossas secções são bem próximas) e sempre
conversamos sobre vários assuntos.
Mas, uma pequena e maldosa suspeita alimenta minha eterna curiosidade:
ele chega a esse emprego, respondendo a um anúncio ou alguém sugeriu ao sr.
Henry? Não fico sabendo, pois ele procura desconversar quando indagado.
Não me incomodo e nem me interessa, se ele é escolhido, dentre vários
candidatos, é porque é um bom gravador.
Porem, a coincidência de ele ser negro, também, não haveria um “dedo” do
sr. Henry na opção? Mas, ele, o Waldemar, pessoa de fino trato, não se daria a
estas intimidades sexuais, não pode ser, essa desconfiança minha é pura
imaginação.
Uma tarde, durante nossos afazeres, o Waldemar me convida
pra tomar um café no bar próximo. Temos essa liberdade, por sermos do setor
artístico (sic) da empresa. No bar, pergunta se eu já tinha experimentado
lasanha. Respondi que já tinha ouvido falar, mas ainda não havia saboreado. (só
alguns anos depois do termino da guerra é que começaram a se popularizar
as delícias italianas). “Ah, neste caso, convido vc pra uma lasanha no
“Gato que ri”, do largo do Arouche. Vc aceita, não é?”
“Sim”, respondi.
“Hoje é sexta-feira, vamos amanhã, sábado, jantar”
“Nada me impede de aceitar seu convite, Waldemar, só se for almoço,
minha noiva, a Myrtes me espera, a noitnha, sou noivo, vc sabe”
“Muito bem, Modesto, então vamos almoçar, sabe onde é, no largo do
Arouche”
Algo perturba minhas “pequenas células cinzentas”, como diria Herculet
Poirot, de Ágata Crhistie. Conheço a fama do “Gato que ri”, almoçando com um
negro (não me move nenhum preconceito, fica bem claro, naquela época, porém, as
coisas não eram assim, tão liberais como hoje).
Guloso como poucos, chego lá as 13 horas, conforme o combinado.
Essa é a primeira lasanha que como. E gosto. Durante o almoço conta-me
mais detalhes sobre seus parentes, sua falecida mãe, que era muito querida pela
vizinhança da Mooca, entre seus predicados, era pianista , formada em
universidade africana, seus bens que irá recuperar quando a África tiver um
governo democrático. Promete-me presentear com uma pedra preciosa, pois, sua
fortuna está toda ela em pedras, jóias e propriedades.
Passados alguns meses, uma tarde ouço um tremendo barulho vindo da
gravação. O Waldemar sai da secção todo rasgado, gritando com o sr, Henry e um
dos aprendizes, o Edson, com quem havia se atracado numa luta desesperada,
com xingamentos e ofensas pesadas de ambos os lados. Acalmados os ânimos,
Waldemar tenta, em rápidas palavras, me contar o ocorrido: “Esse negrinho sem
vergonha e “sua companheira”, (referindo-se ao sr. Henry) querem me solapar,
fazem de tudo pra me prejudicar, sabotam meu serviço mas, não vão conseguir
nada.”
Conseguem, sim, os dois são despedidos, o sr. Henry é mantido e, por
ordem superior, nada mais foi comentado, o fato fica proibido de ser debatido,
dentro da área industrial.
Fico com pena do Waldemar, logo depois, fora da fábrica o Joaquim, o
imediato do sr. Henry, me conta algumas particularidades dos acontecimentos.
“Modesto, - começa o Joaquim – vc nunca percebeu nada? Nunca ficou
sabendo das sacanagens que eles aprontavam?” - não, - respondi,- sabia
apenas que eles tinham “casos” , mas só entre o sr. Henry e os outros dois.
“ O que acontecia, lá dentro, (referindo-se a secção de gravação) é
coisa de louco. O Edson, enciumado pelo sr. Henry, imaginava um “caso” com o
Waldemar e o sr. Henry, supunha um caso do Waldemar com o outro, o Ademir. E o
pior de tudo, vc não sabe, o Waldemar é, também, homossexual.
Trabalho na Shellmar mais um ano, caso com a Myrtes, arrumo emprego no
Matarazzo, onde fico 15 Anos, os melhores de minha vida profissional.
Saio do Matarazzo, vou pra Pan Brasil, já como vendedor. Quem
encontro lá? O sr. Henry, muito alegre e contente, disse ter trabalhado na
gráfica da revista Manchete, no Rio de Janeiro, que tinha saído de lá porque a
revista fechou.
Casou, (?) com uma negra, tinha dois filhos e era feliz. Poucos
meses se passaram, adivinhem quem apareceu na Pan, pra trabalhar.? O
Waldemar, abatido, doente mal vestido, acabado. Converso com ele, me conta que
nada deu certo na vida dele, se puder, vai trabalhar muito pra se recuperar.
Não fica mais do que alguns meses, vai embora e o sr. Henry, também.
Termino aqui minha narrativa, com uma dúvida, até hoje, um mistério pra
mim: a coincidência que, depois de mais de quinze anos, reencontro os dois
personagens de minha história e onde foram parar, o Sr. Henry e o Waldemar,
príncipe da Mooca. Espero que tenham encontrado um caminho ou, um destino
melhor,
Diante da onda avassaladora de fatos relacionados com homofobismo,
homossexualismo, pederatismo, com as múltiplas apresentações de peças, shows,
telenovelas, radiofonizações de caráter atrativo e pedagógico, explorando estes
segmentos, lembrei-me de fatos que, na época não dei a importância devida,
mesmo por que, não era muito apropriado a menção desses fatores em
qualquer redação ou menção em papos de esquinas.
Pelos jornais e revistas, pode-se sentir a enorme diferença nas
publicações entre aquela época, (1940\50\60), e atual, a recorrência de
termos que, outrora, por tabus ou receios da opinião pública, não havia
abuso. Simplesmente o redator recorria a um sinônimo ou, eufemisticamente
mencionava, num texto qualquer, rebuscava toda a seqüência da crônica
afim de fugir da palavra correta mas, ofensiva aos leitores alheios a esta
“ousadia”.
Com a permissão dos amigos leitores, vou recorrer ao tempo verbal,
presente, o que pretendo contar.
Todos os nomes citados são fictícios, por motivos óbvios e pra que eu
tenha um pouco mais de liberdade.
Pois bem, por volta dos anos da década de 1950, na eminência de casar,
trabalho numa empresa de embalagens, Shellmar, empresa americana, que esta
localizada na rua Pres. Batista Pereira, travessa da av. Presidente Wilson,
entre a Moóca e Vila Prudente, conhecida como “ilha do sapo”, na função
de desenhista. Como vizinhos, temos uma industria relativamente
nova, a Kibon, fabricante e distribuidores de picolés, popularizando a venda em
carrinhos, como fazem, atualmente os ambulantes de guloseimas destinadas as
crianças.
Temos, também, a Lorenzetti, Arno, Cia Antártica e outras empresas
de porte.
Na Shellmar, no setor de desenho, somos três funcionários, com a grande
artista Anna, alemã que relata a nós, as atrocidade sofridas na Alemanha,
perseguida que foi por ser judia. Muito simpática, mas enérgica nas atividades
correlatas, como chefe da seção. O setor de gravação de cilindros, tem,
como chefe, o gravador suíço, sr. Henri, altamente técnico, favorecido pelo
empirismo, adquiridos em seu pais.
Os auxiliares do sr Henry, são três, o Joaquim, com mais experiência é o
imediato do chefe e os outros dois rapazes, aprendizes. Os dois
aprendizes, Edson e Ademir, são negros, o Joaquim, não. Poucos meses se passam
pra eu ficar sabendo que o sr. Henry é homossexual, tem visceral preferência
por negros, como parceiros e os dois aprendizes, Edson e Ademir, são
tratados com todo cuidado, respeito, carinho e paparicados por ele, sr. Henry.
Os dois membros do pequeno harém do sr. Henry, são simpaticíssimos, educados e
muito bem asseados, com vestimentas muito bem selecionadas, só da “A
Exposição”.
O ambiente é sempre bem amistoso, há bons papos e boas situações
irônicas, como o que aconteceu com um porteiro, Benedito, negro, alto, quase
dois metros de altura mas, de uma simpatia quase infantil, tanto é sua
inexperiência dos fatos da vida atual. Um dia, passo por ele e noto que está
com uma lámina apontando o que parecia ser um lápis. Ele me pergunta: “Seu
Mudesto, meu lápis num escreve mais, acabou a ponta e não encontro mais o
grafite, por mais que tento cortar essa madeira tão dura... o sr. pode ver se
consegue?” Logo vi que o que ele tem em mãos é a recem-lançada caneta
esferográfica, sem gozação, conto a ele e ele fica admirado.
Um dia desses, soubemos que foi contratado mais um gravador, de nome
Waldemar Costa, moço de uns 27 ou 28 anos, também negro.
Fomos apresentados, o Waldemar é muito simpático, educado tem, nas
palavras proferidas, algo que foge um pouco do português comum. Exprime bem
termos poucos usuais, delicada e corretamente, sem fugir de uma conversa sobre
qualquer assunto. É delicado nos gestos, nobre nas atitudes, de uma
bondade sem igual, sempre pronto a servir quem dele precisasse.
Como fanático leitor de contos policiais e de mistério, minhas
eternas suspeitas de haver algo de, não errado, mas diferente nos dias que
seguem, vou a fundo. Converso com Waldemar e ele se abre comigo.
“Modesto, não sou brasileiro, sou africano, meu nome, Waldemar, é o que recebi
na pia batismal da igreja católica da Moóca, onde moro. Meu nome é Faissal, sou
um... príncipe, descendo de família imperial. Meu pai, preso pelo rei
Farouk, está sendo julgado por posse indevida do protetorado de sua
responsabilidade.
Meu tio, irmão do meu pai, foi fuzilado, perdemos nossos bens e fugimos,
eu e minha mãe, viemos para Brasil. Minha mãe, não resistiu a separação,
faleceu algum tempo atraz. Estou sozinho aqui, aprendi a gravação graças a
minha mãe que gozava de boas amizades, não quis ser mais muçulmana, pra mudar
meu nome, fui batizado com o nome cristão, Waldemar.”
Por Modesto Laruccia
sábado, 12 de outubro de 2013
Um príncipe na Mooca
Diante da onda avassaladora de fatos relacionados com homofobismo,
homossexualismo, pederatismo, com as múltiplas apresentações de peças, shows,
telenovelas, radiofonizações de caráter atrativo e pedagógico, explorando estes
segmentos, lembrei-me de fatos que, na época não dei a importância devida,
mesmo por que, não era muito apropriado a menção desses fatores em
qualquer redação ou menção em papos de esquinas.
Pelos jornais e revistas, pode-se sentir a enorme diferença nas
publicações entre aquela época, (1940\50\60), e atual, a recorrência de
termos que, outrora, por tabus ou receios da opinião pública, não havia
abuso. Simplesmente o redator recorria a um sinônimo ou, eufemisticamente
mencionava, num texto qualquer, rebuscava toda a seqüência da crônica
afim de fugir da palavra correta mas, ofensiva aos leitores alheios a esta
“ousadia”.
Com a permissão dos amigos leitores, vou recorrer ao tempo verbal,
presente, o que pretendo contar.
Todos os nomes citados são fictícios, por motivos óbvios e pra que eu
tenha um pouco mais de liberdade.
Pois bem, por volta dos anos da década de 1950, na eminência de casar,
trabalho numa empresa de embalagens, Shellmar, empresa americana, que esta
localizada na rua Pres. Batista Pereira, travessa da av. Presidente Wilson,
entre a Moóca e Vila Prudente, conhecida como “ilha do sapo”, na função
de desenhista. Como vizinhos, temos uma indústria relativamente
nova, a Kibon, fabricante e distribuidores de picolés, popularizando a venda em
carrinhos, como fazem atualmente os ambulantes de guloseimas destinadas às
crianças.
Temos, também, a Lorenzetti, Arno, Cia Antártica e outras empresas
de porte.
Na Shellmar, no setor de desenho, somos três funcionários, com a grande
artista Anna, alemã que relata a nós, as atrocidades sofridas na
Alemanha, perseguida que foi por ser judia. Muito simpática, mas enérgica nas
atividades correlatas, como chefe da seção. O setor de gravação de
cilindros, tem, como chefe, o gravador suíço, Sr. Henri, altamente técnico,
favorecido pelo empirismo, adquiridos em seu pais.
Os auxiliares do Sr Henry, são três, o Joaquim, com mais experiência é o
imediato do chefe e os outros dois rapazes, aprendizes. Os dois
aprendizes, Edson e Ademir, são negros, o Joaquim, não. Poucos meses se passam
pra eu ficar sabendo que o Sr. Henry é homossexual, tem visceral preferência
por negros, como parceiros e os dois aprendizes, Edson e Ademir, são
tratados com todo cuidado, respeito, carinho e paparicados por ele, sr. Henry.
Os dois membros do pequeno harém do Sr. Henry, são simpaticíssimos, educados e
muito bem asseados, com vestimentas muito bem selecionadas, só da “A
Exposição”.
O ambiente é sempre bem amistoso, há bons papos e boas situações
irônicas, como o que aconteceu com um porteiro, Benedito, negro, alto, quase
dois metros de altura, mas de uma simpatia quase infantil, tanto é sua
inexperiência dos fatos da vida atual. Um dia, passo por ele e noto que está
com uma lâmina apontando o que parecia ser um lápis. Ele me pergunta: “Seu
Mudesto, meu lápis num escreve mais, acabou a ponta e não encontro mais o
grafite, por mais que tento cortar essa madeira tão dura... o Sr. pode ver se
consegue?” Logo vi que o que ele tem em mãos é a recém lançada caneta
esferográfica, sem gozação, conto a ele e ele fica admirado.
Um dia desses, soubemos que foi contratado mais um gravador, de nome
Waldemar Costa, moço de uns 27 ou 28 anos, também negro.
Fomos apresentados, o Waldemar é muito simpático, educado tem, nas
palavras proferidas, algo que foge um pouco do português comum. Exprime bem
termos poucos usuais, delicada e corretamente, sem fugir de uma conversa sobre
qualquer assunto. É delicado nos gestos, nobre nas atitudes, de uma
bondade sem igual, sempre pronto a servir quem dele precisasse.
Como fanático leitor de contos policiais e de mistério, minhas
eternas suspeitas de haver algo de, não errado, mas diferente nos dias que
seguem, vou a fundo. Converso com Waldemar e ele se abre comigo.
“Modesto, não sou brasileiro, sou africano, meu nome, Waldemar, é o que recebi
na pia batismal da igreja católica da Moóca, onde moro. Meu nome é Faissal, sou
um... príncipe, descendo de família imperial. Meu pai, preso pelo rei
Farouk, está sendo julgado por posse indevida do protetorado de sua
responsabilidade.
Meu tio, irmão do meu pai, foi fuzilado, perdemos nossos bens e fugimos,
eu e minha mãe, viemos para Brasil. Minha mãe, não resistiu a separação,
faleceu algum tempo atrás. Estou sozinho aqui, aprendi a gravação graças a
minha mãe que gozava de boas amizades, não quis ser mais muçulmana, pra mudar
meu nome, fui batizado com o nome cristão, Waldemar.”
Por Modesto Laruccia
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Retornando
Olá, amigos autores e leitores deste blog!
Estamos voltando com as postagens dos textos preciosos de todos os autores e colaboradores deste humilde espaço, que tem como objetivo divulgar as belezas e peculiaridades de Sampa, sob a ótica dos próprios autores.
Nossa ausência se deu por excesso de trabalho profissional que nos levou a muitas viagens fora de Sampa. Mas, agora, já mais tranquila pela finalização de todos os projetos de 2013, posso atualizar o blog.
Conto com a valorosa colaboração de todos vocês e, também, com a presença e comentários em todos os textos.
Estou aguardando a foto da pequena Helena, filha de Marcos Aurélio e Isabel, nascida recentemente.
No mais, deixo-lhes com o texto de nosso querido Arthur, logo abaixo.
Com meu carinho de sempre.
Muita paz! Beijosssssss
Sonia Astrauskas
É Campeão!
Ser corintiano é ser consciente
Que sempre ter-se-á pela frente
Muitos radicais opositores,
Que são também como nós
Fanáticos torcedores
De outros times rivais.
Que sempre estarão unidos,
Para torcer contra nós.
É também estar consciente
Que teremos muitas alegrias
E até algumas tristezas,
E por fim, tal e qual acontece agora.
Chegaremos a grandes vitórias,
De um titulo Mundial.
E então como melhores do Mundo
Sentir que aqui nesse planeta
Não existe nenhum esquadrão
Melhor que o nosso TIMÃO.
Ganhamos o Brasileirão
Invictos a Libertadores
E também esse Mundial,
E se um dia houver um campeonato
Na lua ou em outro planeta qualquer.
A fiel vai estar lá presente
Seja lá onde for
Haverá invasão corintiana
Com uma bandeira na mão
Esse enorme Bando de Loucos
Irão gritar como poucos
Em frente! Oh, poderoso Timão.
Depois desses anos seguidos
De magoas e desilusões,
Muitos horríveis apelidos
Tivemos que suportar.
Faz-me rir, arroz brejeiro,
Tou limado, e até o tal Gambás.
Mais o castigo dessa tal segundona,
Fazendo a Fiel toda chorar.
Então veio essa volta por cima.
A libertadores, e também o Mundial
Nosso time rodou a baiana
A atual Nação Corintiana
Verdadeiro Bando de Loucos
Tomou de assalto o Japão
Trazendo lá do estrangeiro
Para o nosso torrão brasileiro
Esse titulo de Campeão.
E agora essa festa nas ruas
de nossa bela capital
é o Corinthians nos braços do Povo
com o titulo de Campeão Mundial,
nessa bela manhã paulistana
o preto e branco domina a cidade,
são crianças, jovens e adultos
alegria jamais teve idade.
todos querem saldar o Corinthians
e gozar essa felicidade.
Gritando bem no meio da rua!
È !!! CAMPEÃO.
Por Arthur Miranda (tutu)
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Viaducto Santa Ephigenia - 100 anos 26/07/1913 - 26/07/013
imagem: Viaduto Santa Efigênia 1913 e 2013
Alguém, Paulista e Paulistano pode me dizer,
em número de quilômetros, o quanto andou, percorrendo, indo e vindo, pelo
Viaduto de Santa Efigênia?
Duvido que alguém saiba... Nem eu mesmo o sei.
Com certeza foram muitos!
Quem, Paulista e Paulistano, hoje, ainda se
lembra dele? Quero acreditar que, muitos ainda se lembram... Que não o
esqueceram.
Mas, ao que parece, a Prefeitura, a Regional
da Sé, a São Paulo Turismo, esqueceram dele.
Amanhã, ao que me parece, o Viaduto de Santa
Efigênia completará os seus 100 anos, sem bolo e sem festa. E sem
convidados...
Sem festa, O MAIS ANTIGO VIADUTO EM USO DE SÃO
PAULO está, como um velho hóspede de um desses depósitos, pomposamente chamados
de Casa de Repouso, à espera de parentes que não virão.
_ “NATALE, VOCÊ SE ENGANOU! O MAIS ANTIGO
VIADUTO DE SÃO PAULO É O DO CHÁ”!
_ “NÃO ME ENGANEI, NÃO! O PRIMEIRO VIADUTO DO
CHÁ (inaugurado em 1892) FOI DESMONTADO Entre 1938-1939, QUANDO O SEGUNDO
VIADUTO, EM CONCRETO, FOI INAUGURADO (1938). E O SEGUNDO VIADUTO AINDA NÃO
CHEGOU AOS 80 ANOS”.
Penso com ironia no ano de 1992, quando se fez
com toda a pompa e circunstância, as “festas de 100 anos” de um viaduto que
tinha pouco mais de 50 anos...
Voltemos ao Santa Efigênia.
Ao contrário do antigo Viaduto do Chá, o
Viaduto de Santa Efigênia é uma obra de arte.
Projeto de Júlio Micheli, parte metálica
importada da Bélgica e montagem a cargo da Firma Lidgerwood Manufaturing Co. Ltd.
O peso do aço dissolve-se, na beleza do
projeto, passando a impressão de leveza. Arcos apoiados em pedra de
cantaria finamente recortada. Os parapeitos da pista é um fino
trabalho de serralheria, estilo “Art Nouveau”. E neles, de espaço em espaço,
afixadas luminárias no mesmo estilo. Nas calçadas, postes em forma de tridentes
sustentando a rede elétrica dos bondes. E, do lado esquerdo de quem vai do
Largo São Bento ao Largo de Santa Efigênia, uma escada levava ao sanitário
público (local onde hoje está o mezanino da estação São Bento do metro). Um dos
primeiros sanitários a ser cuidado, sanitizado e vigiado pela prefeitura.
Viaduto de Santa Efigênia. 100 anos
embelezando a Cidade, poupando a ´população das agruras da Ladeira de São João
e, mais que isso, 100 anos como testemunha da História de São Paulo, como as
Revoluções de 1924 e 1932.
E 100 anos - um século, de sua
história pessoal:
No começo, os bondes eram “os senhores do
viaduto”. Então vieram os automóveis. Velhos “landaus”, “coches” e suas parelhas
foram aposentados. Bondes e automóveis! Bondes, automóveis e – Meu
Deus! – os “Omnibus” (ônibus)!... Bondes, automóveis, ônibus, lotações,
utilitários, motos... Depois Lambrettas, Vespas, Volkswagens, Dauphines,
Gordines, DKWs e, acredite, um trambolho de nome Romi-Izzeta!...
São Paulo, uma cidade evoluída, progressista.
Da pra acreditar que ainda circulam carroças de entrega? Pois é!...
E o Viaduto, através das décadas foi sendo
abalado na sua capacidade estática e rolante, necessitando, cada vez mais, de
reparações onerosas. Quase desativado foi deixado ao Deus dará... As lindas
luminárias desaparecidas há muito tempo, o banheiro em extrema decadência foi
fechado. Agonizava o viaduto.
Durante e depois da construção da Estação São
Bento do Metro, de passagem de pedestre, o Santa Efigênia foi tomado pelos
ambulantes.
Com a revitalização do Vale do Anhangabaú,
cogitou-se o desmonte do Viaduto. O clamor público fez com que o Patrimônio
Histórico reagisse rápido tombando o Santa Efigênia. Restaurado, transformado
em calçadão ele continua lá. Sabe Deus por quanto tempo!
Ele é velho, velhíssimo. Mas é tão
Paulistanamente Paulista. Ele é São Paulo.
Alguém, Paulista e Paulistano pode me dizer,
em número de quilômetros, o quanto andou, percorrendo, indo e vindo, pelo
Viaduto de Santa Efigênia?...
Por Wilson Natale
sábado, 3 de agosto de 2013
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Olá, amigos!
Nosso querido colaborador Modesto Laruccia nos avisou sobre o falecimento de Izaura Marques Piffer, antiga atriz da Rádio Record, aos 93 anos.
Modesto escreveu, há algum tempo, um texto sobre ela, aqui mesmo no blog:
Que Jesus a receba e lhe proporcione um despertar bem tranquilo, na espiritualidade.
Nosso mais profundo pesar e respeito por ela.
Muita paz! Beijossss
Sonia Astrauskas - Memórias de Sampa
Como vê meu coração!
Recordo-te
com as cadeiras na calçada, as brincadeiras de rua e do entardecer que
suavemente anunciava o fim do dia. Lembro que à noite, apenas a luz da lua por
muitas vezes era a nossa maior guia e como era bom tê-la como nossa companheira
noturna sempre vigiando as nossas travessuras.
Os
passeios de bondes, o coreto lá na praça, o circo de rua, o Grupo Escolar de avental
branco e laços de fitas, as fogueiras de São João, as pipas lá no céu, o jogo
bolinhas e de botões lá na calçada, são cenários dos inúmeros que guardo na
lembrança e que o tempo não apagou.
A
sensibilidade dos meus olhos percebem os pinceis mais nobres cobrirem todos os teus
cenários com o colorido das pessoas e isso é o que Sampa tem de melhor.
Hoje, fico
deslumbrada com os pedacinhos de São Paulo. Aos poucos a percorro e vão
surgindo novos parques, novas estações do metro, edifícios com novos figurinos,
lindas pontes suspensas, shoppings pra ninguém botar defeito, novas escolas,
templos religiosos, centros esportivos e de lazer, praças, ótimos restaurantes,
grandes avenidas, até fonte sendo restaurada e muito mais. Sampa tem muita
coisa maravilhosa que surpreende meu olhar, mas tem outras que não gosto de
ver.
São
Paulo, todos sabem, é uma mistura de gente. Gente que trabalha ou não, que
chora e que ri que cuida e descuida também. Gente que não sai do celular, do
computador, da tevê. Gente pobre e rica também, gente que pede e muita gente
que dá. Gente que destrói, mas que constrói também. Gente que apenas por aqui
passa, mas tem os que ficam também. Gente que procura e acha e os que nunca acham.
É gente de todas as zonas da cidade, gente de todos os cantos do Brasil, é
gente de todos os lugares do mundo.
Hoje,
minha querida São Paulo é assim que te vejo, com um coração que às vezes
mergulha no teu passado, mas que na maioria dos meus momentos vive você no
presente e te ama como você é com suas qualidades e seus defeitos.
Você
tem sido o palco da minha vida e de tantos outros que por aqui vivem e daqueles
que te procuram. São Paulo é minha cidade querida e minha paixão, me orgulho de
aqui ter nascido. Parabenizo-te por toda
sua metamorfose e estarei com você sempre!
Por
Margarida Peramezza
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Memórias médicas
Sou um memorialista, não nego, mas nem todas as minhas memórias são de
coisas agradáveis. Algumas poucas, bem sei, são amargas e dolorosas, mas não
posso me furtar em lembrá-las.
A memória que originou este texto é recente. Aconteceu há poucos dias,
mas tenho certeza, será lembrada com dor até o fim de meus dias.
Bem, sem mais delongas, sem rodeios e caminhos tortuosos, vamos ao
registro desse episódio constrangedor a que me submeti recentemente.
Quando entramos na “melhor idade” somos obrigados a dar “melhor vida
profissional” aos médicos e demais profissionais da área da saúde. Comigo nada
é diferente. Há poucos dias fui a uma consulta com a geriatra que
controla minha vida, receitando drogas que possam me manter ativo e
independente. Independente até a página terceira, pois ganhei de uns tempos
para cá, a companhia constante de minha fiel escudeira em todas as entrevistas
médicas que sou obrigado a comparecer.
Necessário registrar que não estou, de forma alguma, reclamando da
companhia, mas na presença dela algumas mentiras, ou melhor, algumas ocultações
de verdades não mais me são permitidas. Ela não permite e me desmente
abertamente.
Pois muito bem. Nessa recente consulta eu já havia decidido que iria
comentar de minha preocupação em reativar um acompanhamento urológico, mercê de
pequenos probleminhas que vinham ocorrendo. Essa decisão veio à baila na
consulta e, questionado, disse que estava inclinado, acreditando ser necessária
uma consulta com o especialista da área.
Ela, de imediato recomendou uma colega especialista em Urologia e
prescreveu os exames preliminares de sangue e urina que eu devia fazer para
apresentar na primeira consulta.
Sabendo ser uma médica quem iria me atender, desarmaram-se as
“restrições machistas”. Marquei a data, fiz os exames e esperei o momento da
consulta.
Na data aprazada, nos encaminhamos, eu e minha fiel escudeira para o
local onde a médica nos atenderia. Lá chegando, bisbilhotei e descobri que a
doutora em questão era bem mais jovem do que eu imaginara. Assim sendo, fiquei
ainda mais tranquilo. Na certa ela era adepta de procedimentos mais modernos e
teria abolido as práticas hediondas de urologistas do passado.
Fui chamado e adentramos ao consultório. Sentamo-nos e o bombardeio de
perguntas teve início. Respondia a todas lógico, evitando pintar de vermelho ou
ser demais alarmista nas respostas. Evitava olhar para o lado da minha
acompanhante para não ver o olhar reprovativo para algumas respostas menos
esclarecedoras.
Pronto, a inquisição terminava sem maiores consequências. Analisando os
resultados dos exames que eu lhe apresentara, a médica conclui que meu caso não
era de extrema dificuldade. Uma acentuada perda de hormônios exigia uma
reposição imediata. Outros pequenos problemas deveriam ser combatidos
ministrando remédios paliativos.
Convidou-me a médica a acompanhá-la para o outro lado do consultório,
sem a minha acompanhante e pediu-me que deitasse numa maca. Confesso que
no momento, dando vazão à minha veia histriônica, pensei, agora ela vai me “abusar”.
Deitei. Pediu-me ela então que soltasse minha cinta, abaixasse a calça e
a cueca até os joelhos, dobrasse as pernas e relaxasse o corpo.
Disse,
então, a frase mais indesejada “-Fique calmo, não vai doer nada!” e, de
imediato, procedeu ao gesto odiado, mas claro, necessário.
Pensei:
“até tu, doutora?”. Nem tive tempo de buscar uma resposta mais esclarecedora;
ela, como se estivesse ministrando uma aula, foi apalpando, ou melhor,
dedilhando e dizendo, aqui está a próstata, não tem nada de anormal, apenas
está um tanto alterada devido sua idade.
Terminou
a consulta, mandou que eu me recompusesse e disse, vou lhe ministrar uns
remédios para o período de um mês e depois, no seu retorno, vamos ver como
estará (acho que ela gostou de me dedilhar).
Recebi a receita,
agradecemos e saímos. Comentei com a Sonia que tinha sido abusado com muito
carinho, no que ela concordou.
E nos
dirigimos à farmácia para comprar os tais remedinhos. Foi então que eu percebi
que minha urologista era, realmente, uma grande tarada. Um dos remedinhos por
ela receitado tinha o custo, absurdo de R$ 269,00. Prova mais do que clara que
ela queria mesmo me F......., não comprei o remédio e estou
pensando seriamente se irei ao retorno da consulta, uma vez que ainda sou um
pobre e remediado aposentado que ganha pouco e não tem reposição de perdas há
muitos anos.
Por
Miguel Chammas
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Flagrado no ato
A cena é mais que clássica, e já se prestou a muitos contos e mesmo piadas. O cidadão vai para a cama com a amante, no apartamento dela, e eis que o marido volta, depois de perder o avião, ou desistir da viagem. E aí, o outro fica no mato sem cachorro, ou num apartamento sem saída, com uma sacadinha para o abismo, ou coisa assim.
É trágico, ou cômico, ou em dois exemplos, de Fernando Sabino e Luiz Fernando Veríssimo, tragicômico. Mas, no fim essas histórias terminam bem, o que deve ser difícil na dura realidade.Espera-se que este caso também termine numa boa, mas isto vocês vão saber no final.
Meu amigo trabalhava em publicidade, num agencia da Av. Brigadeiro Luís Antonio. Numa pitoresca galeria de esquina. Tinha algum dinheiro e lá o seu charme, e por isto a bela morena engraçou-se com ele. Ela vivia com um senhor considerávelmente mais velho, o de imediato já levanta suspeitas sobre seu caráter. E assim prosseguia o caso. Um belo dia...
Aliás, bela noite. Ficaram de se encontrar após o expediente dele. Mas não é de hoje que agencias de propaganda não respeitam limites de horário. Ele, louco para revê-la, o outro tinha ido para o hospital, e ela estava livre. E o serviço entrando, mais e mais. Tudo urgente, para amanhã.
Passava muito da hora combinada, e não conseguia desgrudar dali. Até que, a deshoras, terminou enfim sua missão. Ela devia estar furiosa, achou melhor ir até o apartamento, que ficava na Alameda Santos, ali perto.
Estacionou e entrou no velho prédio, sem complicações. Naqueles inícos dos anos 70 porteiro, câmera eletrônica, tudo isso era raridade. Chegava-se, e geralmente entrava-se dar sem maiores satisfações. Bateu à porta, e a morena apareceu de baby doll. Puxou-o para dentro.
Mais tarde descansava na cama do casal, e aí, como na história clássica...a chave girou na fechadura da sala! O dono da casa teria tido alta do hospital? Desistido do tratamento, que não era coisa grave? Não havia como escapar. Pior que na crônica de Sabino, em que havia uma sacada com persianas para se esconder, ali não havia nada. A grande vidraça nua dando para o vazio.
Para baixo da cama, se esconder no armário? Complicadas soluções. Na dúvida, aguardou o desenlace. Mas, então, graças, era só a irmã mais nova que voltava do colégio! Meu amigo suspirou de alívio. Recobrou o ânimo, e como escreveu Rubem Braga, " éramos rapazes "!
Respirou fundo, e partiu para o segundo tempo.
Por Luiz Saidenberg
quarta-feira, 24 de julho de 2013
O mais longo dos dias (dentro de um cinema)
imagem enviada pelo autor, sem legenda
Houve um momento em minha
vida que cinema era mais sagrado do que missa.
Aos 14 anos de idade já
estava em processo de rompimento com a igreja pela falta de respostas às minhas
perguntas ou a não divulgação das verdades desejadas.
Depois de estudar em colégio
de padres e pela obrigatoriedade em assistir missas todos os domingos, acabei
achando tudo meio sufocante.
Sempre tive um lado
espiritual forte dentro de mim, mas que esbarrava nos dogmas e ainda ter que
engolir a tudo de modo obrigatório.
Frequentava então as missas
da paróquia de São Dimas na Vila Nova Conceição. Mas o que era imperdoável eram
os comentários jocosos das beatas sobre as roupas repetidas e risinhos de
deboches todos os domingos.
Tal comportamento acabou por
me levar a romper com essa rotina.
Estudei na Escola Meninópolis
(Brooklin) e no Colégio São Alberto (perto do Paraíso). Tentando buscar
respostas acabei por encontrar novos caminhos...
Morando no bairro de Vila
Nova Conceição, éramos bem servidos no quesito de cinemas.
Eram cinco salas de exibições
ao largo da mesma avenida: Cine Graúna -1960 (depois Chaplin), Cine
Guarujá (depois Excelcior), Cine Bruni Vila Nova-1966 (depois Cinelândia
II), Cine Vila Rica -1963 (depois Del Rey) e Cine Radar. No Brooklim havia
ainda o Meninópolis e na Joaquim Floriano, o Cine
Iguatemi.
Ao entrar adolescência, não
perdia uma matinê aos domingo. Com tal variedade de salas, dava até pra
escolher.
Nessa época, os meninos
andavam à caça nas matines especificamente para arrumar alguma namorada. Tentar
era parte do jogo. Os resultados nem sempre eram satisfatórios.
No escurinho do cinema todos
os gatos são pardos, então a ordem era atacar, enrolar ou puxar conversa mole e
aproveitando para oferecer Dropes Dulcora ou Mentex para suavizar qualquer
hálito. Se o papo colasse, era meio caminho andado. Quanto mais vivência,
melhor era o aprendizado. A ordem era arriscar sob pena de ficar sozinho.
Com os hormônios fervendo
éramos levados avante quase que sem perceber
Era a época da aproximação em
relação às garotas e vive versa.
Garotas e garotos tinham seus
medos e receios, mas também tinham vontades e desejos. Era a energia parecido
com um imã.
Iniciada a sessão, o escuro
dentro do cinema pouco dava pra perceber algum tipo de beleza. O que valia
mesmo era a paquera. Uma gracinha bem colocada poderia render o céu é o
infinito. Uma palavra mal colocada colocava tudo em risco.
Hoje sabemos que o bom humor
é a chave na paquera.
Aceito a gracinha, era o
sinal verde quase que imperceptível para seguir adiante...
Perguntas sobre o nome, onde
moravam e estudavam, se estava gostando do filme ajudavam a pavimentar a
conversa. Ficávamos a espreita de algum pequeno sorriso, que hoje sabemos que
poderia de incentivo ou nervosismo.
Mas ali nada disso era sabido
Depois de alguma conversa,
passava-se a segunda etapa, que era tentar aproximação das mãos.
A procura pelo contato das
mãos, calor delas acabavam por misturar as ansiedades.
As tentativas eram muitas. Os
resultados eram menores.
Mas quando davam certo,
corações quase pulavam de corpo de cada um.
Apertar a mão de uma garota
até então desconhecida era empolgante, gerava energia de calor, satisfação e de
bem estar.
Nas primeiras vezes, dava
vontade de querer parar o tempo e assim permanecer para sempre.
Amigos mais experientes já
usavam a técnica de posicionar o braço por cima da cadeira e do ombro da
menina.
Mas esse era um passo ainda
futuro.
Passávamos o filme inteiro a
esperar uma cena de amor para tentar algo mais arriscado, um beijo no rosto ou
nos lábios...
Para aquele domingo
escolhemos o Cine Excelcior, o filme não ajudava muito, passava Os Dez
Mandamentos com 4 horas de exibição, era cansativo, mas dava mais tempo para se
fazer diversas tentativas...
A sessão começou às 14 horas
e terminaria às 18.
Após muitas tentativas que
ocuparam quase 4 horas com poucos resultados, resolvemos ficar para tentar para
a sessão seguinte.
Fracasso total, pois o
público já era outro.
Ao invés de ir embora ficamos
indo pra cá e pra lá sem ter certeza do que fazer.
A lotação do cinema era de
600 lugares. Éramos em 4 amigos.
Depois de muito perambular
fomos novamente ao banheiro para fumar escondido.
Saindo do banheiro vimos algo
no chão. Era uma carteira que aparentava estar bem gordinha.
A intenção era gritar, mas
abafamos nossos gritos após abri-la.
Encontramos uma carteira com
quase Cr$ 400,00. A entrada para o cinema custava Cr$ 10,00.
Ao ver tanto dinheiro assim
ficamos excitadíssimos.
Resolvermos ficar sentados na
segunda fileira para observar se o dono estaria à procura.
Assim permanecemos por mais
uma sessão de quatros horas.
Aguardamos calados e ansiosos
durante todo esse tempo.
Fomos os últimos sair da
sessão ao final dessa sessão que terminou às 22 horas.
Na rua dividimos em quatro
partes a grana e fomos para o Chico Hambúrguer na Galeria do Bruni. Hambuguers ,
milkshakes, bananas splits... Comemos até não poder mais...
Depois compramos cigarros e
soltamos fumaças até cansar e ainda sobrou muito dinheiro que ficou para a outra
semana...
Mais tarde, disfarçadamente,
deixamos a carteira vazia, mas com todos os documentos na caixa do correio do
cinema.
Sim, foi errado.
Politicamente incorreto. Éramos jovens, imprudente e imaturos, mas
foi divertido.
Com o tempo a gente amadurece
e toma prumo.
Por Luigy Marques
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