segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Um triste Natal

Imagem abaixo retirada da internet: time do Palmeiras campeão paulista de 1942
Ano de l942... Tenho este ano guardado na memória e me lembro bem dos fatos ocorridos no Natal daquele ano com riqueza de detalhes, como se eles tivessem ocorrido ontem.
Eu, meu irmão Luiz, papai e mamãe morávamos na Rua Agostinho Gomes, nº. 2.197, casa simples de 1 quarto e cozinha, o banheiro ficava fora (a casa ainda existe, agora com outro aspecto). Nos fundos morava uma família de espanhóis dos quais ainda hoje me lembro com saudade.
Meu pai, homem simples, porém correto e trabalhador, lutava com dificuldade para manter a família e seu salário mal dava para chegar ao final do mês. Naquele ano papai estava alegre porque o Palmeiras se sagrara campão paulista, com uma vitória em cima do São Paulo e o tricolor abandonou o campo quando o placar estava 3x1 no primeiro tempo.
Uma noite, no mês de dezembro, eu e meu irmão já estávamos deitados quando ouvi meu pai comentar, na cozinha com a minha mãe, qualquer coisa a respeito de uma distribuição de brinquedos que seria feita pela Dona Leonor Mendes de Barros, no Largo São Paulo, em frente ao Cine São Paulo, na manhã do dia 24 (esse largo ficava onde hoje passa a Radial Leste, no Viaduto que está na Rua da Glória); isso nos deixou ansiosos e não víamos a hora de ver o que iríamos receber de presente (cheguei até a ver os cupons que minha mãe tinha guardado dentro de uma caneca na cozinha).
No dia aprazado meu pai levantou bem cedo e juntos fomos para a Rua Silva Bueno, a fim de tomarmos o bonde que nos levaria até o Largo São Paulo.
De repente, comecei a me sentir enjoado (na véspera, eu tinha comido vários bombons de chocolate que o Tio Nado havia enviado); não chegamos nem ao ponto do bonde, pois a coisa se complicou e eu passei o dia todo com problemas estomacais e intestinais, só melhorei no dia seguinte após uma medicação que me foi passada por um farmacêutico conhecido nosso.
Meu pai não tinha condições de comprar nada para mim e para meu irmão, assim, tivemos que nos contentar com um pacote de balas e uma bola de borracha que um membro da família de espanhóis nos deu como presente.
Ainda hoje vejo nitidamente o rosto triste de meu pai por não conseguir nos dar um presente de Natal, mas seu amor por nós com certeza foi o melhor presente que ele pode nos dar.

Por Leonello Tesser

domingo, 18 de dezembro de 2011

Sem ela não era Natal

Natal é Natal e ponto final. Tudo fica mais bonito, há uma magia e um encantamento que paira pelo ar e nos enleva além do cotidiano. Não sei por que é assim, mas é e pronto.
E quando a gente é criança, então. Aí sim que o bicho pega.
Vejo isso hoje quando olho nos olhos de meus netos e vejo o brilho e encantamento que outrora, em outros tempos, eu também já tive. Por isso que quero, além de desejar felicíssimo Natal a todos os amigos do Memórias de Sampa e do Minha Cidade Minha História, compartilhar com vocês uma das maiores alegrias que tinha quando, ainda menino, vivenciava a época natalina.
Era uma caixa de vime, treliçada. Tinha em torno de um metro de comprimento, por cinquenta centímetros de altura e de profundidade. Dentro dela havia todo um sonho e por isso que meu pai, nunca deixava que ela faltasse em todos os nossos natais.
Vinha três ou quatro pacotes de figo seco, damasco seco, uvas passas. Panetones e chocotones. Pacotes de nozes, castanhas, avelãs e amêndoas. Pacotes e mais pacotes de biscoitos e bolachas, dos mais diversos tipos, e aquele bonecão enorme, de braços cruzados, que mais lembrava o gênio da lâmpada do Aladim, e mais aquilo que interessava apenas aos adultos, ou seja,  litros de vinho, garrafas de champagne e espumante e outras coisas que não lembro mais.
Minha mãe ficava feliz da vida com ela, pois assim, ela só tinha de preparar os assados.
Os mais antigos já devem estar desconfiados do que estou falando. Seu slogam era: "Seu Natal é mais Natal, com as cestas Amaral. Cesta de Natal Amaral, faz um Natal sem igual".
Pois é, não sei o que aconteceu que ela sumiu. Mas, era uma alegria só quando eu via o caminhão de entrega chegar lá em casa e despejá-la por lá.
Como eu era feliz! Embora ainda hoje seja; e espero que todos vocês também o sejam.
Feliz, mas feliz Natal mesmo a todos vocês, meus recentes e grandes amigos.

Por Marcos Aurélio Loureiro

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Exultação


Exultais povo de São Paulo que habitas na capital. Exultais e fotografais todo o brilho e parafernália da avenida mais famosa, com seus carros “bibelôs de asfalto”.

Árvores a competir em tamanho e grandeza vos contemplarão do alto dos seus patrocinadores. Tudo o que reluz é ouro? Ouvireis jingle e buzinas a cada esquina. Exultais. É chegada hora da messe e aquisições por impulso. Xing Ling ou não, os sinos badalam em sua glória.

Exultais ainda que sejais contristados por várias provações no trânsito caótico, sob um sol incandescente. Um rebanho a clamar pelo tempo que se foi e pelo ano que já vem. A luz emoldurará as cãs e a neve da decoração surreal refrescará toda alma natalina.

A falta de bois, jumentos, reis ou incenso será compensada com lojas abarrotadas e apelo irresistível. Não reduzireis o consumo. Não reutilizareis as embalagens. Não reciclareis os resíduos. Não recusareis o que não é necessário. Entretanto, repensais esta atitude e sereis perdoados de todo egoísmo praticado no ano que se vai.

Os fogos espocando e suas luzes, como idéias reluzentes, acalentarão corações e mentes. Exultais e também orais. Com o advento da temporada das chuvas e das enchentes, virão escorregamentos. Na São Paulo de inundações, o medo das bactérias da urina do rato, será ofuscado pelo brilho incontido das luzinhas multicoloridas.

Exultais que por ora, prevalece o espírito natalino. Exultais que neste advento, as doações são mais generosas e os sentimentos mais fraternos. Exultais que é tempo de celebrar.

Exultais e orais, para que o festim pantagruélico, não corroa o fígado cansado de guerra. Orais para que se precisar, os doutores estejam lúcidos e não transformem seu diagnóstico em simples virose.

Por Suely Aparecida Schraner

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Parabéns Moderna Senhora


Entre uma história de Natal e outra, uma homenagem à nossa querida Avenida Paulista com história de Natal, texto cedido pelo Marcello Pizo Moreira Martins, amigo de Miguel Chammas.
Entrego-lhes, com meu carinho de sempre.
Muita paz!

Nasci numa travessa dela, na extinta Maternidade de São Paulo, 24 anos antes do seu centenário. Devo ter cruzado seus caminhos nos primeiros dias de vida, indo para o Paraíso, onde meus pais moravam.

Meu pai trabalhou um período nela, num prédio de arquitetura moderna, e me levou com ele algumas vezes, geralmente aos sábados. Era bem garoto, tinha uns 8 anos.

Também na juventude, após uma mordida de um macaco que quase amputou meu dedo, tive que tomar uma injeção enorme, dolorida e horrível no Instituto Pasteur. Até hoje aquela casa amarela de esquina me dá arrepios.

Falando em trabalho, quando iniciei minha vida profissional numa agência de publicidade do meu amigo Pedro Ferraro, adorava marcar visitas por aquelas bandas. Parava o carro num estacionamento na altura do número 2.300 – já eram caros, porém bem menos que hoje em dia – e ia visitar meus clientes de prédio em prédio... Parque Paulista, José Papa Jr., Olivetti, Horsa I, Horsa II,... aliás até hoje não sei o que significa Horsa.

A Livraria Cultura do Conjunto Nacional é um capítulo a parte. Quantas histórias, descobertas e aquisições para a minha biblioteca.

Uma vez em 87, na era pré-tucana, saí do trabalho com meu pai e fomos no meu carro para uma noite de autógrafos de um livro de fotos históricas do PMDB da Sonia Russo. Tava todo mundo lá: FHC, Montoro, Quércia, Covas, etc. Na fila das assinaturas, atrás de mim, surge a musa da minha pré-adolescência Fafá de Belém – confesso que foi ela que despertou meu fetiche por gordinhas e peitos, além de ser a dedicação das minhas primeiras masturbações. Conversamos, rimos e saímos juntos do evento. Na despedida ela pediu uma carona e deixei-a na porta de sua casa, na Peixoto Gomide. Se fosse alguns anos antes, minha noite solitária seria bastante agitada.

Noutra noite de autógrafos, há uns 3 anos, tive o prazer de conhecer o Reali Jr. que já apresentava sinais do câncer que o levou em abril deste ano. Foi simpaticíssimo e fez uma linda dedicatória no seu Ás Margens do Sena para mim e o meu filho Dudu que me acompanhava.

Outra marca dela na minha vida está ligada a liberdade. Naqueles tempos os shoppings centers não haviam acabado com a sétima arte, nas suas salas diminutas. Cinema era ali, Center 3,Gemini, Gazeta, Gazetinha e Gazetão. Já era mocinho e podia ir sozinho com os amigos assistir Flash Dance, Arthur, Guerra nas Estrelas, Betty Blue, Footloose, Conan. Pegava o ônibus Ipiranga na rua Caraibas, encontrava o pessoal na bilheteria e terminada a seção rolava um Jack in the Box com direito a melhor bomba de chocolate de sobremesa do mundo.

Foi no escurinho desses cinemas que aprendi as técnicas de invadir discretamente suéteres, camisetas, moletons e sutiãs, para poder assistir aos filmes com a mão repousada na rigidez – sim, naqueles tempos eles eram rígidos – e no calor de um peito. Confesso que ainda hoje em dia gosto de dar umas apalpadas no cinema, mesmo com os protestos da Patricia. Não podemos abrir mão de certos hábitos!

Inesquecíveis também as aquisições na feirinha do vão do MASP, os eletrônicos contrabandeados no Promocenter, a manifestação pelo impeachment do Collor, o primeiro contato no MASP com Renoirs, Rembrandts, Portinaris, Van Goghs...

Quando o Papai Noel existia na minha casa, as crianças me faziam enfrentar o trânsito de dezembro para ver os enfeites de Natal e o desfile deles na frente do Banco Real. Nem ele nem o Real existem mais.

A única coisa que não me lembro de ter feito por aquelas bandas foi beber. Semana que vem vou aproveitar algum momento de ócio e pedir um Old Parr com duas pedras de gelo para comemorar os 120 anos da minha mais linda avenida Paulista. Parabéns moderna senhora.

 
Por Marcello 'Pizo' Moreira Martins

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Memórias em doses homeopáticas


Natal! Época de que nós, componentes do batalhão da melhor idade, comovidos, buscamos nas cinzas do passado motivos que nos fizeram viver marcantes alegrias ou grandes decepções.

São pequenas lembranças que, solitárias, não mereceriam um texto épico, mas juntas, em doses homeopáticas, poderão render uma boa descrição e, consequentemente, uma boa leitura. Esta fórmula, acredito, poderá render bons resultados. Vamos a ela!

Natais das décadas de 40/50, eu não posso afirmar ser oriundo de uma família bem posicionada financeiramente; éramos, por assim dizer, remediados, e como tal dispúnhamos de parcos recursos para gastar. Tínhamos em uma caixa, guardada no porão da Rua Augusta, várias bolas de vidro colorido, lindas e frágeis, embrulhadas uma a uma em pedaços de jornal quando do desmonte da árvore de Natal do ano anterior.

No início de cada mês de Dezembro, minha mãe conseguia, a custo de suas rendas advindas de bordados que ela fazia por encomenda, comprar um belo pinheiro. Entregue a árvore símbolo natalino, íamos todos, mãe, tias, eu, meu irmão e meus primos, iniciar a tarefa de decoração.

Primeiro, com papel celofane colorido, encapávamos a lata onde a árvore havia sido plantada dando-lhe uma aparência mais agradável. Depois, com todo o cuidado, desembrulhávamos cada um daqueles pacotinhos de jornal e acondicionávamos as bolas coloridas na mesa da sala. Algumas, que pena, quebravam e eram motivos de broncas ou de gestos de conforto, dependendo do motivo que gerava o incidente. Finda a tarefa, meu pai, por sua altura, era incumbido de pendurar as bolas na árvore; subia numa cadeira e ia recebendo os enfeites e, lógico, os palpites. Pendura ali naquele galho... Isso... Um pouco mais para frente... Assim está melhor... Era uma tarefa que, por sua importância e delicadeza, consumia algumas horas e às vezes era cumprida em duas noites. Terminávamos a decoração da árvore com a colocação na sua ponta da estrela cometa, devidamente preparada com esmero e carinho por minha mãe, usando papelão de uma caixa de sapatos, cola e muita purpurina prateada. Ela representava a estrela guia dos Reis Magos.

Pronto! Árvore decorada, cabia a este que vos escreve, seu irmão e primos, a missão de armar, aos pés do pinheiro, o presépio representativo do nascimento do Menino Jesus.

A serragem que eu já havia conseguido junto a uma serraria que ficava próxima de casa, era esparramada ao redor da arvore. O estábulo colocado na parte central recebia as imagens de José e Maria e entre eles a manjedoura que, no dia 24 à meia noite, iria receber a imagem do Menino Jesus. As demais imagens eram espalhadas ao redor, espelhos eram usados para representar lagos, pedregulhos para representar caminhos e lá no extremo do presépio, imponentes, os 3 Reis Magos despontavam. Era, ainda, nossa missão, mover os Reis Magos, um cadinho a cada dia para que, no dia 25, eles chegassem à manjedoura e rendessem homenagens ao recém nascido.

Nós, crianças, também chegávamos no dia 25 até os baixos da árvore para buscarmos nossos presentes que eram, invariavelmente, iguais todos os anos. Para mim cabia sempre um revolver de chumbo prateado, acondicionado numa cartucheira de plástico e um almanaque do Tico-Tico.

Anos de agruras, mas também de muita felicidade.

Por Miguel Chammas

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Lenda de Papai Noel


Há muito, muito tempo, numa terra de neve eterna, no alto das montanhas da Lapônia, vive cercado de elfos e duendes, um velhinho bonachão e sorridente que é conhecido no mundo todo por vários nomes.

Entre nós, brasileiros, ele é conhecido como Papai Noel. Sua casa fica dentro de uma floresta, cercada de pinheiros e a ela só têm acesso os animais que vivem por ali. Ele mora com sua esposa Mamãe Noel, os elfos que o auxiliam na mágica oficina de brinquedos e as nove renas voadoras que, uma vez ao ano, na noite de Natal, voam pelos céus mundo afora levando o velhinho para a já tradicional distribuição de brinquedos e doces. Essas renas mágicas se chamam Rodolfo, Corredora, Dançarina, Empinadora, Raposa, Cometa, Cupido, Trovão e Relâmpago. A rena Rodolfo tem o nariz vermelho e brilhante, pois é a que vai à frente das demais e serve de guia para as outras que a seguem. Papai Noel voa em seu trenó repleto de brinquedos e vai levar esperança e alegria para todas as pessoas.

Dizem que ele presenteia as crianças que foram boazinhas e bem comportadas durante o ano e, como castigo, nada leva para as que foram malcriadas, malvadas, mal comportadas. Mas eu não creio que ele realmente castigue alguém! Crianças do mundo todo escrevem cartinhas para ele contando suas façanhas e pedindo os presentes que desejam ganhar na noite de Natal. Os correios ficam abarrotados de correspondência para o bom velhinho que, de uma maneira mágica, recebe e lê todas ainda antes da data principal.

Talvez, hoje em dia, ele as receba via internet, mas nem a modernidade quebra o encanto de sua figura. Ao longo dos tempos suas roupas de gala foram mudando, de acordo com as épocas e, na atualidade, ele se veste com um casaco vermelho com golas e punhos de pele artificial branquinha, calças também vermelhas e botas e cinto de courino preto. Ele é um bom velhinho, rechonchudo e muito alegre, com cabelos e barbas tão brancos como os arremates de suas roupas e, politicamente correto, jamais usaria peles e couro de animais.

Eu sempre acreditei no Papai Noel e, quando criança, não deixava de escrever uma cartinha para ele todos os anos e, depois, ficava esperando sua visita misteriosa na Noite de Natal para ver se meu desejo seria atendido. Geralmente ganhava os presentes que desejava e, por ter sido um bom menino e bom aluno durante o ano, ainda recebia outros como recompensa. Como em casa não havia chaminé, meus pais deixavam uma janela aberta para que ele entrasse quando todos estivessem dormindo e espalhasse, sob a árvore de natal, presentes para todos. E de manhãzinha, quando acordávamos, era uma explosão de alegria encontrar sob o pinheiro colorido uma porção de presentes embrulhados em papéis decorados e presos por fitas e laços coloridos.

Sua figura tem diversas origens, mas a mais conhecida é a do Arcebispo de Mira, na Turquia, Nicolau Taumaturgo, que viveu no século IV e costumava ajudar, anonimamente, quem estivesse em dificuldades financeiras, deixando nas chaminés das casas, um saquinho com moedas de ouro. Mais tarde, na Alemanha, aconteceu a transformação do santo em um símbolo natalino. No entanto, apenas em 1822, um professor de literatura grega de Nova Iorque, escreveu o poema “Uma visita de São Nicolau” para seus seis filhos, onde pela primeira vez o bom velhinho viaja num trenó puxado por renas e visita os lares entrando pelas chaminés. Nessa época, muitas pessoas tinham o hábito de limpar as chaminés nessa época, para que a boa sorte entrasse em suas casas e ali permanecessem durante todo o novo ano. Mas na Lapônia, onde vive o Papai Noel, antigamente se vivia em pequenas tendas, cobertas com pele de rena, semelhantes a iglus e a única entrada para essas “casas” era um buraco existente no telhado.

Em 1886, o cartunista alemão Thomas Nast publicou na revista Harper’s Weeklys a figura do Papai Noel usando, pela primeira vez, suas roupas vermelhas com detalhes em branco e botas e cinto pretos. Até essa data ele apareceu de várias formas: com roupas de bispo, ou roupas de inverno na cor verde, como as usadas pelos lenhadores.

Apenas em 1931 a Coca-Cola realizou uma grande campanha publicitária vestindo-o com as roupas em vermelho e branco, como as do cartunista Nast, devido principalmente a serem as mesmas cores do rótulo. Essa campanha, destinada a promover o consumo da bebida durante o inverno alcançou enorme sucesso e, especialmente devido aos novos veículos de divulgação, a imagem espalhou-se rapidamente pelo mundo. E como é um velhinho extremamente simpático e bem humorado, acabou se confundindo com os símbolos do Natal. Mas a Coca-Cola não foi a responsável pela sua criação!

A figura do Papai Noel é bastante controversa e criticada por ser um símbolo do consumismo, do americanismo, da Coca Cola e outras coisas mais. Dizem também que sua figura acaba desviando a atenção das verdadeiras origens e propósitos do Natal. Também dizem que ele não visita as crianças da África, dos países orientais, muçulmanos, etc.. E nos países por ele visitados, não presenteia as crianças mais pobres e menos favorecidas. E por isso discrimina essas crianças.

Na verdade, poderíamos associar tudo a essas diferenças (religião, crenças, usos e costumes, pobreza, etc.), mas como frutos do capitalismo nascemos e nos tornamos adultos consumindo muito mais do que, na realidade, necessitaríamos para viver. A distribuição de renda é excludente e discriminatória. Somos “possuidores” por natureza. Possuímos casas, apartamentos, sítios, fazendas, casas de praia e/ou de campo, além de possuirmos automóveis, motocicletas, bicicletas, iates, barcos, ilhas e até aviões. E na verdade, não precisamos de tudo isso para vivermos! Também possuímos roupas, agasalhos, jóias e acessórios além das nossas necessidades. E o que poderíamos dizer dos nossos alimentos? Quantas pessoas poderíamos alimentar com aquilo que consumimos em nossos lares? E bebemos vinhos, champanhe, refrigerantes, “Coca-Cola”, sucos e tantas outras coisas que os menos favorecidos, muitas vezes nem conhecem!
E também trocamos presentes! E gostamos disso!
Não apenas no Natal, mas na Páscoa, no Dia das Crianças, no Dia dos Namorados, nos nossos aniversários e em tantas outras datas! Por que, então, criticarmos as tradições natalinas? Elas servem, inclusive, para nos lembrar que, nessa data, se comemora o nascimento de Jesus! E tal data deve ser comemorada com amor, com alegria, com esperança! E, por que não com presentes? E por que excluir a figura rechonchuda, alegre e bem humorada do Papai Noel?

Resta a cada um de nós, em nossos momentos de recolhimento, meditar sobre a importância e a magnitude dessa data e tomarmos uma resolução: de agora em diante, espalhar o verdadeiro Espírito de Natal e levar aos menos favorecidos, não apenas nessa data, mas em todos os dias do ano, um pouco daquilo que torna nossas vidas mais confortáveis. Levar aos menos favorecidos um pouco de conforto e de compaixão e, com eles, dividirmos nossos alimentos, nossas roupas, nossas bebidas e nossa esperança de que o ser humano é, em essência, bondoso e sabe compartilhar com alegria tudo aquilo que Jesus, em Sua infinita bondade nos concedeu!


Por Zeca Paes Guedes


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Natal Animadíssimo


imagens da internet: Pronto Socorro do Butantã; Rodovia Raposo Tavares; Vista aérea do Hospital das Clínicas

1984, 1985... Já se passou muito tempo dos fatos ocorridos.
Noite de Natal. Estou de plantão no Pronto Atendimento (P.A.) Municipal do Jardim Arpoador, um dos bairros/quebradas do Butantã, nas bandas da Raposo Tavares. Como não poderia deixar de ser, faz frio, o posto está cheio de gente e os médicos ainda não chegaram para assumir seus plantões.

7:00h da noite.
Enquanto os "dotô" não chegam, nós, Enfermagem, vamos adiantando o expediente, preenchendo formulários, desarquivando prontuários, preparando as salas de curativos e pequenas cirurgias, conferindo as medicações de tarja preta, ouvindo reclamações e ameaças de depredação e espancamento o tempo todo, um ambiente ideal para quem gosta de viver perigosamente (P.A. de periferia não é bolinho, minha gente!).
- Êpa, chegou a Dra. X; vou colocando as fichas e prontuários no consultório, que ela está estacionando o carro, "vamo que vamo"... Ainda bem que chegou alguém...
Vozerio no salão de espera:
- Chegou a 'dotora'... Esses médico véve atrazado...
- Vai vê essa vaca 'tava' em argum motér da Raposo e perdeu a hora... Eu conheço essa gente... Essa gente num presta... Ainda mais uma médica gostosa dessa...
- Ó pessoar, si argum arguém docês mordê a língua morre envenenado...
A Dra. X chega à porta do consultório:
- Senha nº 1...
Aos poucos vão chegando o médico chefe do posto e a Dra Y e, então, o 'bonde' começa a andar...

11:00h da noite
O movimento caiu, bebuns foram atendidos e dispensados (... eu só vim prá tomar uma 'gricose' nos 'cano' e já vou imbora...), alguns casos de 'espirrose aguda', uma diarréia aqui e ali, um ou outro caso de 'esculhambose' na coluna... (viu dotô, fui inchê uma lajia pro visinho e fudi co espinhaço! Tem jeito de dá um tranco prá pô o espinhaço no lugá?...), os hipocondríacos foram atendidos e medicados com drágeas de "substância G" (açúcar) e totalmente curados, sendo dispensados sem receita ou pedido de exames e com a recomendação de retornar no caso de os "sintomas" voltarem...
A Ceia de Natal já estava sendo preparada por nossas colegas de Enfermagem e pelas médicas e tudo levava a crer que seria deliciosa: café com leite, 3 "frangos à manivela" de padaria, algumas garrafas de guaraná e coca-cola e sanduiches de pão de forma com um patê de sardinha em conserva e maionese industrial, um opíparo banquete (certa vez, numa das últimas entrevistas que Procópio Ferreira concedeu, ele usou esses termos - opíparo banquete - que, pessoalmente, eu achei pedante, deslocado do contexto da entrevista, não eufônico, demonstração do uso de uma falsa condição cultural; no Brasil, no sermo vulgaris, ninguém fala desse jeito e, só porque lembrei do nariz do Procópio, resolvi usar a frase)!
Não conseguimos celebrar o nascimento do Menino e muito menos participar da ceia, aliás, não teve ceia de Natal porque, naquela noitemadrugada, o 'couro comeu largado'... Quase meia noite, duas viaturas da PM descem, de ré, a rampa que leva à porta do P.A., sirenes explodindo em som, encrenca da braba! Macas e cadeiras de roda na porta! Dois casos: um homem com FAF (Ferimento por Arma de Fogo) e uma gestante em trabalho de parto.
- Anda, anda, depressa com as coisas, baleado na sala de curativos, o cara tá sangrando muito. Acho que algum vaso grande tá estourado, a subclávia talvez, orifício de entrada: região escapular direita, não há sinal de saída; no mínimo pneumotórax também, não dá prá nós cuidarmos aqui, curativo compressivo bem apertado, ambulância e HC, a Dra. Y acompanha... E chama uma menina prá te ajudar com esse parto...
- 'Peraí', doutor! Que conversa é essa de "me ajudar com o parto"? Eu nunca fiz um parto em toda minha vida...
- Vai se paramentar, calça as luvas, que hoje você vai fazer o seu primeiro parto...
- Mas doutor...
- Que cazzo, Joaquinzão! O cara aqui tá sangrando muito, não dá prá eu largar prá partejar essa mulher... Deixa de resmungar que nem velho... Essa criança vai sair sozinha... O que não dá é prá por a criança de volta!
- Muito engraçado, doutor...
A mãe acabou dando a luz em pé e eu e a Marisa apenas aparamos a criança para que ela não caísse de cara no chão, o que, definitivamente, não seria um bom começo de vida numa noite de Natal. Mãe, nenê e placenta foram encaminhados para a (antiga) Maternidade da Lapa, para término de procedimentos.
E o baleado? O que foi feito dele? Bem, essa é outra história absurda daquele Natal inesquecível: diminuído o sangramento, o paciente foi levado para o HC, com acompanhamento da Dra Y e deve ter sobrevivido (pelo menos daquele tiro); minutos depois da saída da ambulância com o ferido, o PA foi invadido por um bando que, simplesmente, foi lá prá acabar com a vida do baleado... Ameaças, os consultórios e salas de procedimentos revirados, gritos, correrias, tiros para cima, debandada geral. Pulei uma janela e caí em cima do meu próprio carro (uma Brasilia sofrida). Entrei na Raposo voando baixo, uns 60 por hora... 03h00minh da manhã, Dona Odete espantou-se com minha chegada:
- Ué! Liberaram você mais cedo? 'Tá tudo bem? Tudo bonitinho?
- 'Tá tudo bem... Feliz Natal...
- Prô 'cê também!
- Vamdormí que daqui a pouco eu pego no HC...
- 'Cê tá esquisito! Tá tudo bem, mesmo?
- 'Tá! Eu ajudei num parto...
- Gostou? Menino ou menina?
- Um menino, a mãe quer dar meu nome prá ele e eu disse que não, meu nome não cai bem prum recém-nascido, é nome de adulto...
- Coincidência, heim?
- ???
- Natal, parto, menino, entendeu?
- Só que os Reis Magos chegaram atirando...
- Agora sou eu que não entendi...
- Não esquenta; depois eu te explico com mais calma...
- Tchau então, parteiro...
- Num enche, Dé! Vê se dorme... Tchau!

 
Por Joaquim Ignacio de Souza Netto

domingo, 11 de dezembro de 2011

Relembrando meu primeiro Natal


Aproximava-se o natal de 1955.
Eu morava na zona norte de São Paulo, no bairro da Parada Inglesa, Tucuruvi.
Acabara de completar 5 aninhos e estava empolgado com tudo sobre o Papai Noel.
Em casa e na escolinha esse era o assunto que dominava.
Na rua este tema também acabou entrando na roda.
Eram tempos de simplicidade e de lutas. Mas, nada impedia crianças de sonharem. Cada guri sonhava o seu sonho mais impossível.
Um, queria ganhar um trenzinho, outro, uma bola de futebol, outro um patinete... E eu queria ganhar uma bicicleta.
Na roda, cada um contava a sua vantagem. A imaginação corria solta.
A cada dia aumentava, dobrava o tamanho dos presentes, conforme o desejo de cada um.
Naquela época, a gente não tinha idéia do tamanho da pobreza da maior parte da população.
Não passava pela nossa cabeça que aquilo tudo era um mero exercício imaginativo. Desconhecíamos a real situação de nossos pais e a possibilidade de bancarem nossos sonhos infantis.
O natal estava mais próximo.
Toda manha a gente se reunia para acrescentar um novo item sobre nossos presentes.
A festa da véspera de natal seria na casa de minha avó, que tinha uma casa bem grande.
Dois dias que antecediam o natal, minha avó e suas filhas já estavam nos preparativos para a comilança natalina.
Minha mãe, com certeza, estava preparando um cordeiro temperado com hortelã, comida predileta de meu pai. Minha tia traria um pequeno leitão. Minha avó, com fama de boa cozinheira, ia preparar um pato assado, que ela vinha engordando durante o ano. Fora isso, haveria pavês, rabanadas, pudins e todas as castanhas típicas.
Com a chegada do natal, dava pra perceber que as pessoas pareciam mudadas, mais alegres, com vontade ajudar uns aos outros. Era fácil notar essa alegria.
Não me lembro de ter pedido nada de natal pra ninguém. Mas, me lembro de ter começado um desenho na sala de aula do prézinho.
Era o desenho do meu pedido ao Papai Noel e não sei por que não consegui acabá-lo na escola. Ao pensar nele, me deu certo medo, por que o velhinho poderia ficar sem saber qual seria minha intenção.
Enfim, chegou o dia.
Durante boa parte desse dia, o vento trazia os mais diversos cheiros vindos da vizinhança. Era uma mistura danada que fazia a gente salivar.
Ao cair da noite, foram chegando meus primos e os tios.
Era um falatório e algazarra da criançada.
Comida e bebida à vontade, com o pessoal querendo comer de tudo como se o mundo fosse acabar.
Houve farta trocas de presentes.
Acabei ganhando um pijama, dois pares de meias e uma camiseta. Isso fora tudo que ganhei.
Meio chateado, fui para um canto relembrando que minha vontade era ganhar uma bicicleta. Ninguém falou nada a respeito.
Fui brincar com a turminha e acabei me esquecendo do assunto.
Bem mais tarde, fomos para casa e cai no sono de cansado.
Acordei tarde, quase meio dia, quase pronto pra cair na rua, quando me lembrei dos presentes que ganhara... Fiquei miúdo.
Perdi a vontade de ir pra rua por não ter o que explicar.
Fiquei rodando pelo quintal meio sem rumo e querendo infernizar a vida de meu cachorro.
Minha mãe estava de saída para ajudar no almoço na casa de minha avó, para onde eu iria depois.
Minha mãe estava de saída para ajudar no almoço na casa de minha avó, para onde eu iria depois.
Do portão, minha mãe gritou: por favor, meu filho, recolha para mim uns cobertores que estão aí, no chão do meu quarto. São cobertores que saíram do varal, queria que os guardasse no armário. Depois, você pode ir para a casa da sua avó.
Não gostei nem pouco daquele pedido. Sai resmungando, chutando baldes, pedras e tudo que via pela frente.
Ao chegar ao quarto de minha mãe, notei que havia um monte de cobertores jogados um em cima do outro, que pareciam uma montanha.
Pensei que era muito trabalho para mim...
Não gostei.
Colocando toda minha bronca para fora acabei dando um chutão naquela montanha como se quisesse destruir tudo.
Chutei forte e com raiva... E um grito alto saiu de dentro de mim.
Achei que tinha quebrado o pé, pois acertara alguma coisa bem dura que estava por baixo dos cobertores.
Chorei de dor e de raiva.
Minha mãe voltara rapidinho, pois sabia o que estava acontecendo...
Quando a vi, chorei mais ainda como se minha dor tivesse aumentado.
Disfarçando, ela perguntava o que havia acontecido?
Expliquei a ela o ocorrido e ela disse que eu deveria ver o que havia embaixo...
Correndo tirei um por um dos cobertores. Quando consegui tirar o último, surgiu uma bicicleta, toda azul e com campainha.
Chorei de novo de alegria e de vergonha.
Ria e chorava ao mesmo tempo.
Depois de muitas compressas no local, pude afinal ir pra casa da minha avó levando junto a bicicleta, mas sem ainda poder andar pois a dor estava forte. Somente no outro dia pude felizmente levá-la na rua para mostrar aos meus amiguinhos.
Ah! Com receio que tudo aquilo fosse um sonho, meu pai disse que dormi com as mãos agarradas ao guidão.
No outro dia, percebi que meu sonho sobre o Papai Noel, havia se acabado...
Mas o espírito natalino permanece dentro de mim, com a renovação da vida, da paz e do aniversariante, o Cristo.

Por Luigy Marks

sábado, 10 de dezembro de 2011

Os Natais da minha vida


imagens abaixo retiradas da internet: Rua dos Andradas (atual); Igreja Divino Salvador, na Vila Olímpia

* O texto foi publicado sem nenhuma edição.

Em toda a minha infância o Natal era um dia que as crianças ganhavam presentes, eu ganhava brinquedo barato, como um caminhãozinho, uma bola, um pião de alumínio que rodava sobre pressão, ou outro brinquedinho qualquer. Um presente inesquecível foi em 1953, quando fui ao açougue, coisa que fazia todos os domingos pela manhã, que a mulher do açougueiro disse que na semana do Natal, logo no domingo seriam distribuídos presentes a crianças do bairro na Rua Ribeirão Claro, Vila Olímpia e me deu uma senha, para tal. Foi nesse dia que ganhei o ultimo presente natalino, uma bola de borracha que recebeu chutes por muito tempo, até que uma cerca de Arame Farpado fez o favor de furá-la.

Depois de alguns anos saindo da adolescência entrando para a juventude não ganhei amais nada. Dos dezoito aos vinte sete anos, passei os Natais na Rua, sendo que na véspera de Natal do ano de 1968 uma namorada me levou na casa de um tio dela e foi o primeiro Natal que não passei zanzando na Rua. Foi uma noite muito agradável com os donos da casa muito solícitos me colocaram bem a vontade que foi até a madrugada e depois fui levar a namorada na casa dela, que ficava num casarão da Vila Buarque dos ex. barões do café, que alguém alugou e subalugava, os quartos para pessoas solteiras . No dia seguinte o dia de Natal, ela que trabalhava na telefônica foi cumprir seu missão de interligar as pessoas através da linha de comunicação, trabalho que foi até as 18 horas, ai o Hotel Rialto, Rua da Consolação em frente à Biblioteca Municipal nos recebeu, onde ficamos até a meia noite “trocando figurinhas”.

De 1958 até o de 1968, eu comemorava os Natais na Rua e, sempre em boa companhia, não só com uma companhia como de vez em quando com varias, e isso acontecia quando era convidado a ir no sexto andar do numero 69 da Rua dos Andradas, onde funcionava um RendeVous, em que os mais chegados da casa e, as Putas comemoravam o Natal, como se fosse um Natal familiar. As mulheres tanto do sexto andar como nos andares superiores ou inferiores que não iam passar com a família levavam algum tipo de comida e, os homens os clientes na mesma situação levavam as bebidas e, a comemoração era feita numa mesa com uma bela arvore de Natal ao lado. Era um dia que os quartos onde normalmente pessoas os parceiros gemiam de prazer, ficavam de portas fechadas. Era o único dia do ano que havia Forfait (um dia sem sexo) na celebre “casa do amor”. Até mesmo na sexta feira da paixão as portas do puteiro ficavam abertas, a “quem queria molhar o pescoço”.

A cafetina dona Carmem desligava as lâmpadas da arvore deixando somente as lâmpadas do presépio acesas. Era feita uma oração, com um texto do programa “o Domingo” panfleto oficial das missas dominicais da igreja católica, e depois de um padre nosso e uma Ave Maria participávamos da ceia de Natal. Apesar de estar numa casa tido como sendo do pecado original, a reza era feita com o maior respeito com pessoas fazendo o sinal da cruz. Os que não sabiam espalhar pelo corpo, o faziam em voz alta.

A partir daí dona Carmem tirava o Peru do forno (presente dela) aos que participes do ano inteiro da sua casa. Era um Natal entre família, uns diziam família dos solitários ou renegados pela família que ali se emocionavam quando um ser qualquer presente se mostrava poeta e declamava seus versos nem sempre bem concatenados e muitos sem nexo, dava para entender nas “mal traçadas linhas” o sentido que um semi-analfabeto, ou um intelectual bêbado, colocava no papel e com dificuldade se posta a ler.

Era como dizia o padre Jeremias da igreja católica da Vila Olímpia. O Natal, ele é Santo quando comemorado até mesmo numa casa onde se concentra, um enorme numero de “Quengas” , que são mulheres desprezadas pela sociedade hipócrita. E, foi numa dessas casas do amor que um padre foi convidado para dar sua benção a aquelas pessoas que praticamente não iam a missa, nos domingos de festas e guardas. Chegando na casa do sexo o padre meio sem jeito ficou descontraído, quando as mulheres se apresentaram com vestido pouco abaixo do joelho, e com decote descente. Em sua palestra o padre disse, que nem sempre as pessoas que vão a todas as missas são os melhores religiosos. E contou a historia do menino filho de uma família católica que exigia que ele fosse em todas as missas dominicais. E, ele cumpria religiosamente a determinação de seus pais, e logo que chegava em casa depois da missa, colocava um milho no seu cofrinho destinado a moedas, para conferir a quantas missas ele tinha ido durante o ano inteiro.

Um domingo ele dormiu um pouco a mais, e não foi à missa, bastante chateado resolveu cumprir sua missão religiosa em sua própria casa. E como ele se sentiu como se estivesse na igreja colocou também o milho no cofre. No ultimo dia do ano quando ele quebrou o cofre de barro para ver quantos milhos estavam no cofre, para sua surpresa tinha somente um milho,e foi justamente aquele milho que ela colocou rezando em sua casa. Moral da historia: Foi o dia que ele realmente rezou pensando em Deus.

Mesmo sendo um rueiro inveterado gostava de ir na Missa do Galo, que era rezada a meia noite, já entrando para o dia 25 de Dezembro, mas passou para as 21 horas por causa de assaltos, já naquela época final dos anos 1960. Como circulava muito pelo Jardim Paulista gostava de ir, e fui muitas vezes na igreja de São Gabriel na, Avenida do mesmo nome.

A minha “vida de pecador” terminou em maio de 1969, quando eu ma casei, é bem verdade que carola não fiquei, também não fui a todas as missas de festas e guardas, mas continuei respeitando a igreja, fazendo o sinal da cruz ao passar em frente a elas.

Por Mário Lopomo

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Mistérios Natalinos


Eu e meu amigo Luiz Tadeu praticamente crescemos juntos. Éramos vizinhos de residência e também de nascimento, minha mãe e a mãe dele foram ambas assistidas em parto, quase no mesmo dia e no mesmo horário pela mesma parteira, na época muito conhecida e estimada por todas as famílias dos moradores da Freguesia do Ó; chamava-se Dona Zelinda.
Dona Zelinda, depois de atender a mãe de Luiz Tadeu, e isso perto das 23h00min do dia 26, correu para minha casa que ficava ao lado, para fazer o parto de minha mãe, era eu que chegava meio atrasado, perto de 01h00min e obrigado por isso a nascer no dia seguinte no dia 27 de Dezembro. Dia dedicado a São João Evangelista, o discípulo predileto de Jesus. Em uma linda noite de céu estrelado do Dezembro de 1938. (sei disso por que mamãe sempre falou que quando eu nasci ela viu estrelas, kkk). Se a parteira Dona Zelinda tivesse atendido minha mãe antes da mãe do Luiz Tadeu, eu seria algumas horas mais velho do que ele, como isso não aconteceu ele ficou sendo o mais velho.
Estudávamos no mesmo Grupo Escolar, jogávamos futebol e estávamos juntos em quase todas as brincadeiras da adolescência e mocidade, como também tínhamos os mesmos amigos, os pais dele se davam muito bem com os meus, assim como os meus com os dele.
Só havia uma diferença entre nós, isso a partir dos sete aninhos de idade, ele não acreditava, e acho que nunca acreditou, na existência de Papai Noel e eu acreditava. Isso aconteceu até os meus nove anos, depois eu passei a concordar com ele de que Papai Noel não existia mesmo. Pois a gente nunca tinha visto um que fosse de verdade, entregando presentes nas vésperas de Natal, em nossas casas ou pelas vizinhanças.
Íamos ao Cine Metro Juntos assistir Tom e Jerry, Tarzan e mais tarde Jim das Selvas, com o mesmo ator, Johnny Weissmuller, no Cine Avenida, bem em frente ao Largo Paissandu e seu mictório (cheiroso), ao lado da padaria Ayrosa, onde na saída do cinema sempre aproveitávamos para comer uns pãezinhos feitos na hora.
A partir do ano de 1958, quando mudei de casa e fui morar no mesmo bairro, porém em outra rua, passamos então a nos encontrar menos, mas assim mesmo, às vezes aos finais de semana nos víamos e batíamos aqueles papos.
Mais tarde ele se casou mudou de bairro, eu também, e praticamente não nos vimos mais. O tempo passou... Soube, por intermédio de outros amigos, que ele estava morando em Pinheiros perto da Vila Madalena, os anos foram passando. Em 1987 encontrei-o no Largo da Matriz da Freguesia, onde fui passar o Natal na casa de minha irmã Jurema.
Foi uma festa... Fazia pelo menos 24 anos que eu não falava com ele; conversamos por perto de 3 horas, ele me falou de sua família, dos três filhos, o mais velho já bem casado e, é claro, dos dois netos. E como não poderia deixar de ser, falamos também do nosso passado e como era dia de Natal. Eu lembrei-me que ele nunca acreditou em Papai Noel, resolvi perguntar se ele havia mostrado isso também aos filhos e também aos netos.
Foi então, para minha surpresa, que descobri que meu querido amigo e velho companheiro Luiz Tadeu, estava mudado... Que depois de vários anos descrente de Papai Noel, naquele momento ele era o maior crente do mundo em Papai Noel.
Achei que isso aconteceu em função do nascimento dos netos. Mas não, me disse ele! Foi algo que aconteceu 10 meses antes do nascimento de seu segundo filho, que nasceu em 1974. Algo que mexeu com seu interior e despertou dentro dele uma felicidade quase infantil, algo que sempre esteve morto em seu coração, desde a mais tenra idade. E o que é mais interessante, envolvendo o Dia de Natal e o Papai Noel.
Então ouvi o seu relato que muito me emocionou e comoveu. E eu até não gostaria de acabar acreditando em Papai Noel dessa mesma maneira.
Ele me disse que, na véspera do natal de 1973, isto é, no dia 24 de Dezembro de 1973, ele teve um encontro pessoal com Papai Noel.
Falou que no dia 24, ao voltar para casa, por que havia saído com seus filhos e voltava da casa de seus pais, na estrada perto de Jundiaí bateu o seu fusca, o acidente não foi grave, mas o carro não estava em condições de andar e ele foi levado com seus filhos pelo guincho até um funileiro mais próximo, para que o mesmo desse um jeito de colocar o carro em condições de poder chegar até São Paulo, a tempo de estar junto com a esposa que estava só em casa na Vila Formosa e, como não possuía telefone, achava que ela estaria super preocupada.
E assim, desesperado e muito preocupado com a esposa, Luiz Tadeu só chegou à casa às 23h30min, praticamente início do dia de Natal, enquanto os filhos dormiam amontoados no banco traseiro do fusca 71.
Ao parar o carro lentamente em frente a sua casa, notou um vulto que saltava da janela. Um ladrão, pensou... Correu e agarrou o danado quando o mesmo tentava pular o muro da frente de sua casa para ganhar a rua.
Mas, o cara assustado disse rapidamente: - calma, meu amigo, muita calma, eu sou o Papai Noel e estou apenas entregando os presentes que seus filhos pediram.
Ele então, agradeceu o Papai Noel e nunca mais duvidou de sua existência. Ele só não aceita a forma como as pessoas descrevem o Papai Noel como um velho barbudo usando roupas vermelhas e botas pretas, quando na verdade o verdadeiro Papai Noel segundo ele, usa um conjunto de moletom cinza escuro tênis Nike e não carrega o saco a vista.
Ano passado Luiz Tadeu deixou esse nosso mundo, sem realizar jamais o seu último desejo, que era o de poder tirar uma foto com aquele “verdadeiro” Papai Noel.
ET: Essa historia é fictícia e qualquer coincidência com pessoas reais é mera semelhança.

BOM NATAL, CHEIO DE ALEGRIA E FELICIDADES À TODOS.

Por Arthur Miranda (tutu)