terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Viaduto do Chá


imagem - Viaduto do Chá - Sampa

Quando éramos meninos, e pensávamos como meninos, íamos com nossos pais passear na "cidade", como se dizia na época. Recordo-me de minha mãe falando:
- Filhos, hoje, aproveitando que é feriado, vamos passear lá no Viaduto do Chá.

Chá? Para nós, nada significava...

E assim fomos, com nosso pai junto. Logo chegamos e lá no mesmo já estávamos. Lembro-me que ficamos no beiral, olhando e admirando São Paulo e os veículos que passavam por debaixo do Viaduto...

O tempo passou, tudo mudou e, muitos anos depois, num momento de nostalgia, que o frio suave e o silêncio propiciava, pesquisei sobre o mesmo e encontrei o que transcrevo:

Foi inaugurado em 8 de novembro de 1892 o Viaduto do Chá, o primeiro viaduto de São Paulo, idealizado em outubro de 1877 pelo francês Jules Martin.

Durante os 15 anos que a obra levou para ser concluída, Martin teve de convencer os paulistanos da necessidade de ligar a Rua Direita com o Morro do Chá - como era conhecida a área onde estava a chácara dos barões de Tatuí, com plantações de chá.

Os trabalhos só começaram em 1888, mas foram interrompidos um mês depois, por causa da resistência dos moradores da região.

O Barão de Tatuí estava entre os moradores que seriam desapropriados e ele não pretendia sair de sua casa. Até o dia em que a população favorável à obra armou-se de picaretas e atacou uma das paredes do sobrado. Com "argumentos" tão convincentes, o Barão resolveu mudar-se.

A construção do viaduto só foi retomada em 1889. Três anos depois, com estrutura metálica vinda da Alemanha, foi inaugurado o Viaduto do Chá.

Houve uma grande festa, interrompida pela chuva que "batizava" o novo marco de São Paulo. E com uma curiosidade: a Companhia Ferrocarril, responsável pelo viaduto, cobrava três vinténs de pedágio para quem precisava passar para o lado de lá do rio Anhangabaú.

Por lá sempre passavam as pessoas mais refinadas, dirigindo-se aos cinemas e lojas da região e, mais tarde, ao Teatro Municipal, inaugurado em 1911.

Os suicidas também eram frequentadores assíduos do lugar. A cidade cresceu e, em 1938, a construção de metal alemão com assoalho de madeira já não suportava mais o grande número de pessoas que por lá passavam diariamente.

No mesmo ano, o velho Viaduto foi demolido, dando lugar a um novo, feito de concreto armado e com o dobro de largura.

Desde então, pouca coisa foi modificada. Em 1977, a prefeitura proibiu o tráfego de veículos particulares.

Naquele ano, a calçada que liga a Xavier de Toledo com a Falcão Filho foi alargada.

No centenário, em 1992, o piso foi reformado.





Por Asciudeme Joubert

domingo, 2 de fevereiro de 2014

460 anos: Desmemórias de São Paulo



Amo a Cidade de São Paulo incondicionalmente. Não me importa mais se outros a amem ou não. Eu a amo e basta!
25 de janeiro de 2014:-
Estou em minha casa, escrevendo este texto. Fazer o quê no Centro Histórico? “Curtir” o Pão e Circo? Fotografar? Sentir em cada passante uma infinidade de impressões e sentimentos, mas  não sentir-lhe sequer um átimo de orgulho por ser paulistano? Não mesmo! Fico aqui escrevendo em forma de memória as desmemorias de São Paulo... E ainda amargando a desmemoria da edilidade  com relação ao centenário do Viaduto Santa Efigênia (1913-2013).
Mas, antes de falar do monumento mais antigo de São Paulo que, neste ano de 2014, completa 200 anos, a minha memória insiste, inferniza: “Já que o assunto diz respeito ao “Bixiga”, mesmo que não seja um monumento bicentenário, você tem que falar dessa tradição nascida da paixão popular por esta cidade”.
Já que a memória insiste, vamos lá.
Essa tradição, “bixiguense” com muita honra, nasceu tímida.
Resolução tomada, “mammas” brancas, negras, mestiças e algumas padarias do bairro, começaram a fazer UM BOLO PARA SÃO PAULO.
No meio da rua, algumas mesas, unidas uma à outra, um bolo enorme que tomava toda a superfície delas e os convidados – o povo do “Bixiga”, todos os paulistanos e os paulistas ou não, viessem de onde viessem.
Em pouco tempo a festa de aniversário de São Paulo virou tradição popular e, a cada ano, as mesas e o bolo aumentavam um metro no comprimento, acompanhando a idade da cidade. Virou atração turística!
Era uma loucura feliz! A multidão reunida em volta da mesa imensa, com suas sacolas, panelas, “tupperwares”. A um sinal, o bolo era atacado com as mãos. Em pouco tempo ele “evaporava”, restavam apenas migalhas sobre as mesas anexadas e migalhas e glacê nos beiços da criançada. Viva São Paulo!
Mas, como todo o paraíso tem sua serpente de tocaia, sabe-se lá porque, deitaram “olhos gordos” sobre a festa. Ela passou a ser um evento no catálogo oficial. E o bolo do aniversário da cidade passou a ser feito pelos confeiteiros do SESI.
Um belo dia, sem mais, nem menos, talvez por desentendimentos, o SESI deixou de fazer o bolo. E agora, José? A festa acabou e você não viu! Não viu a tradição popular, “bixiguense” e paulistana mais importante da cidade agonizar e morrer.
E agora, Natale? Você não viu? Não viu e nem comerá, ao menos com os olhos, o bolo de aniversário, de 460 metros que não foi oferecido a São Paulo...

Memória satisfeita, eu volto ao  bicentenário monumento e ao coração do “Bixiga” do início do século XIX.
No século XIX, o Brasil muda. A família real muda-se, primeiro para a Bahia, e depois, acomoda-se no Rio de Janeiro, onde é instalada a nova metrópole. Deixa também de ser vice-reino e transforma-se em reino: Reino do Brasil, Portugal e Algarves.
É nesse contexto que a cidade de São Paulo começa a mudar e, paulatinamente, a se embelezar.
E grandioso foi o Capitão General e Governador, o Marques de Alegrete que com mãos de ferro governou a cidade e a província. Fez funcionar a máquina pública acercando-se de funcionários competentes e interessados em fazer dessa cidade a melhor.
E a cidade teve tantos benefícios e “alindamentos benéficos a se ver”.
O Senhor Marques beneficiou tanto a cidade e seu povo que, pela vontade popular, o Engenheiro e Marechal Daniel Pedro Muller projetou uma Memória (Padrão de pedra que memoriza um fato, uma figura ilustre para a posteridade.) para perpetuar a obra desse governador.
Aprovada a obra, escolheu-se, como local, uma elevação sob a Rua do Paredão (atual Xavier de Toledo), entre a Ladeira do Piques (atual Ladeira da Memória) e a Ladeira dos Pinheiros (depois Ladeira da Consolação e atual Rua Quirino de Andrade). E ali se construiu, em pedra de cantaria, o obelisco ou pirâmide do Piques, como diziam os antigos paulistas, com uma inscrição e a data 1814. E o local não serviu apenas à justa homenagem. Em benefício do povo se construiu também um chafariz público (o chafariz sobreviveu até o início do século XX)
E o Largo do Piques, por uns tempos chamou-se Largo da Memória, depois voltou a ser do Piques, mais tarde Largo do Bexiga, Largo do Riachuelo (atualmente parte sul da Praça da Bandeira).
Mas, ainda hoje o pequeno largo que o circunda chama-se da Memória. Mas a Pirâmide ainda é do Piques.
No século XX a cidade dia-a-dia vai sofrendo mudanças radicais. A paisagem humana e urbana vai-se modificando num piscar de olhos. No início dos anos 10, há uma necessidade cívica de preparar a cidade para o evento de 1922, o centenário da Independência. Afinal, foram os paulistas que deram ao Brasil o tamanho que ele tem! Aqui, nestes chãos, quis o destino que se fizesse a Independência! Nestes chãos o Brasil se fez Nação!...
E nesse afã de deixar linda a cidade, em 1919, houve por bem restaurar o obelisco e reformar totalmente o Largo da Memória. Primeiro porque se descobriu que o monumento era o mais velho de São Paulo e já centenário. Segundo porque o Largo do Riachuelo à sua frente estava todo modernizado com construções novas.
Então, graças ao projeto do Engenheiro Victor Dubugras do Artista plástico Wasth Rodrigues, o Largo da Memória tem a mesma aparência que sobrevive  até os nossos dias. Mesmo degradado, em meio à imundície, nos seus duzentos anos de existência, parece que a Pirâmide insiste em sobreviver somente para acusar e ironizar. E bicentenária que é será sempre dela a gargalhada final.
Eu explico:
Escrevi acima “uma inscrição e a data 1814”. A omissão foi proposital. Sem ela não haveria o nosso riso irônico ou a nossa gargalhada final.
Vejam vocês que, em algum tempo entre os cem anos de vida da Pirâmide do Piques e a reforma de 1919, sumiu a inscrição e a data. Depois da reforma colocaram apenas uma lápide com a data 1814.
Mas, em um velho livro, de1865, da biblioteca da Faculdade de Direito de São Francisco descobri a descrição da Pirâmide do Piques e a sua inscrição original.
Aqui vai ela:
“AO ZELO DO BEM PUBLICO”
ANNO DE 1814

Será que os tantos políticos “zelosos”, que existem por ai, vão cuidar desse monumento que é o mais velho de São Paulo?... Talvez não. Afinal eles têm tantos bens públicos para “lesar”. Ops! Eu quis escrever “zelar”... (risos)







Por Wilson Natale

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Recordando Ozanan


(O texto é uma comentário do autor numa postagem de Teresa Fiore no Facebook)

Era uma escola de comércio.
Estudávamos à noite, porque trabalhávamos durante o dia.
Tínhamos teatro, fanfarra, jogral e jornal, tínhamos atividades externas, jogávamos vôlei aos sábados à tarde e domingos pela manhã.
Tínhamos professores que sentavam ao nosso lado e compartilhavam nossos pedaços de frango, bolo, tudo que vocês faziam e dividiam nossas batidas, nossos coquetéis, nossas cervejas. Compartilhavam nosso ideal e nos transmitiam os deles. Éramos moldados da forma mais sutil que um ser humano pode ser forjado. Passaram por nós e nós por eles como se fossemos uma massa só.
Tínhamos amigos que desmarcavam compromissos para assumir outros juntos com a gente, amigos que se enamoraram, que ficaram juntos, que se separaram, amigos que estão sempre com a gente, mesmo aqueles que já se foram. 
E já se foram tantos.

Era uma escola de comércio.
Gente simples, com seus vestidos mais aprumados, com seus ternos já muito surrados. Alguns vinham até com a marmita vazia dentro da pasta, pois para muitos, o almoçar fora estava além do horizonte, além de qualquer possibilidade. A mensalidade às vezes atrasava e os responsáveis pela escola, fingiam não perceber isto e a gente ia levando como podia. Muitas vezes, o almoço (ou possivelmente o jantar) era a mortadela do bar do Miguel. Tínhamos amigos que nos eram tão caros e que nós, como tão humanos que somos, erramos em não colocá-los numa redoma e protegê-los dos desencontros da vida.
Mas, acho que isso nem eles iriam querer.

Era uma escola de comércio.
Hoje, perdida entre a estrutura de um prédio recém acabado, repousa uma alma sublime. Mais ainda, repousam energias de todos nós que por lá passamos. Ninguém, em sã consciência, vai entender que nas entranhas daquele edifício existe um pedaço do tudo que passamos na vida. Passo por lá e silenciosamente relembro quase tudo que lá vivi. Pouco fiz nesta jornada. Fui um aprendiz de aprendiz que hoje, desgraçadamente, choca quem nunca viu ou ouviu tudo aquilo que passamos. 
Somos antigos; saudosistas; retrógrados, mas serei e ostentarei todos os adjetivos que me forem imputados porque um dia eu vivi aqueles incomensuráveis anos doirados. 
Escrevo hoje este pequeno texto depois de uns dois ou três anos de auto exílio. Tua mão me fez retornar a isto e contrario senso ao que imaginava quando comecei a escrever isto, não vou chorar não.





Por José Carlos Munhoz Navarro

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Entrevista com São Paulo



Completar 460 anos é maravilhoso, mas também muito exaustivo, não?

Consegui uma entrevista com a minha querida cidade de São Paulo, vamos conferir:


- Boa tarde São Paulo!
- Boa tarde!
- Como você se sente com 460 anos de vida?
- Sinto-me feliz e orgulhosa por poder hospedar tanta gente, dar empregos, oferecer hospitais, escolas, moradias, abastecer com alimentos, enfim, minorar um pouco o sofrimento de tantos que aqui chegam.
- Sente-se realizada?
- Não, não! Gostaria de poder oferecer muito mais!
- É difícil satisfazer a todos, não é?
- Muito difícil! Eu preciso da ajuda dos administradores e governantes para diminuir as enchentes, acabar com a violência, melhorar o transporte público e solucionar os congestionamentos do trânsito.
- É difícil mesmo! E você encontra essa ajuda?
- Nem sempre! Apesar de eu ser a maior cidade da América Latina, falta recursos e pessoas honestas e dispostas a trabalhar para acabar com todos esses transtornos.
- É verdade! Mas vamos mudar um pouco a nossa conversa!
- Você sente saudades de como você era antigamente?
- Sinto! Anos atrás eu era uma cidade tranquila, mas sempre trabalhei muito. A Avenida Paulista era o palco das mansões dos fazendeiros, principalmente dos cafeicultores! Eles abasteciam os paulistanos com produtos agrícolas!
- Muitos vieram da Europa com a esperança de recomeçar a vida aqui e a maioria obteve sucesso! Eu era mais romântica!
- Havia mais respeito entre as pessoas!
- É verdade, São Paulo! Lembro-me que os homens cumprimentavam as mulheres tirando o chapéu; havia mais romantismo. Mas diga-me uma coisa: apesar de cansada você tem projetos para o futuro?
- Sim, e muitos! Eu não posso parar, afinal sou a locomotiva do Brasil, não é o que dizem?
- Você nunca pensou em colocar uma placa nas chegadas das estradas de: “Lotado”?
- Nunca! Tenho um coração muito grande e sempre cabe mais um.
- É por isso que eu te amo tanto, São Paulo. Bem, obrigada pela entrevista e mais uma vez: parabéns! Que Deus a abençoe!

Por Yvone de Moraes Joubert.

(não temos foto da autora)

sábado, 25 de janeiro de 2014

São Paulo quatrocentão



imagem: triângulos de alumínio que foram espalhados sobre Sampa em janeiro de 1954


Era a noite de 25 de janeiro de 1954 e caiu sobre a cidade de São Paulo uma chuva de triângulos prateados. A maior parte foi no Anhangabaú, mas lá para os lados do Brás caíram alguns.
Não são estes das fotos; os que peguei perderam-se no tempo, mas graças a Angelo Calheiros com estes que foram guardados por meu cunhado e minha irmã por 60 anos.
Alguns devem se lembrar dos festejos do IV Centenário. Para mim foram, particularmente, inesquecíveis, pois num dia vai o Getúlio Vargas e numa noite fui ao Ibirapuera, recém inaugurado.




Por Teresa Fiore

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

De ruas e pensões


imagem: vista aérea da região da Consolação em 1935 (extraída da internet)

Durante muitos anos, quando estudante em São Paulo, morei em dezenas de pensões. Ora perdidas em distantes bairros, ora em antigas e históricas ruas próximas ao centro. Aquelas vetustas mansões, remanescentes da decadente aristocracia cafeeira, tiveram importante papel em minha vida.
Baronesa de Itu, Cândido Espinheira, Conselheiro Brotero, Monte Alegre, Veiga Filho, Alameda Glete, Conselheiro Nébias, Dona Veridiana, Helvetia, etc, foram alguns de meus endereços durante os longos doze anos em que resisti ao casamento. Nomes majestosos, solenes, bucólicos às vezes, seguramente de pessoas importantes, respeitáveis, que tiveram a glória de serem nomes de vias, logradouros ou avenidas na maior cidade do país.
Quem foram essas pessoas? Respondam, por favor, a este pobre, ignaro e desbussolado analfabeto urbano. Qual a origem de Chora Menino, Largo da Misericórdia, Lavapés, Ladeira da Memória, João Cachoeira, Aurora, Bela Cintra e tantas outras denominações impregnadas de lirismo e de poesia?
Mas o que eu queria dizer mesmo, é que as pensões foram para mim uma grande escola. Convivi com músicos, estudantes, jóqueis (só davam "barbadas" frias), professores e, numa delas, havia até bela e atraente dançarina de boate, que despertava desejos e sonhos inconfessáveis neste que "vos fala". Asseguro, todavia, que ela era de uma dignidade exemplar.
Entre os hóspedes, vindos dos mais distantes recantos do país, prevalecia uma saudável, fraterna e sincera camaradagem, e a palavra solidariedade fazia parte de nosso repertório. Com o músico - trombonista - fui conhecer o local onde ele exercia sua arte, integrando uma admirável orquestra - o Avenida Danças. Ali, na pista, brilhava o ruivo dançarino Ponce de Leon (lembram-se?), bom de bola e bom de samba. Com terno de linho, sapatos de duas cores, ele fazia incríveis coreografias, dignas de um Fred Astaire.
Com o professor, pela primeira vez, fui e adquiri o gosto pela magia do teatro (Moral em Concordata, no Maria Della Costa). Levou-me, também, a conhecer o Clube do Professorado Paulista, onde exercitei minha sofrível arte de dançarino de boleros. Lembra-se, Mário Lopomo? Um garçom paraibano era meu fiel escudeiro nas gerais do Pacaembu, em cujo gramado, Cláudio Cristóvão do Pinho, o "Gerente", dava sempre novas lições de futebol, ao lado de Luisinho, Baltazar, Carbone e Mário. Inesquecível.
A memória me trai e não me lembro, perdoem-me, os nomes de todas aquelas generosas pessoas, parceiras e cúmplices nas rações insípidas e insossas das gororobas diárias. De suas ocupações, em busca da sobrevivência, na cidade imensa, eu pouco sabia, mas, ali, no convívio com os demais moradores, eram pessoas confiáveis, cheias de sonhos e esperanças, em busca de melhores oportunidades. Com eles aprendi lições de lealdade, coragem e simplicidade. Obrigado, amigos!





Por Deraldo Mancini

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

SÃO PAULO – 25\01\1554 – 25\01\2014 - 460 ANOS



São Paulo que, desde seu nascimento, é a pedra angular na sustentação de uma nação de dimensão continental, predestinada a ser uma potência, sempre cumpriu e cumpre sua missão de abraçar, receber, proteger a quem recorre à seus préstimos.

Um caudaloso receptáculo de oriundos representantes  naturais de todas as raças, nações e obscuros e pequenos países. Nunca, ninguém é repelido, impedido ou, simplesmente, passear por seus limites geográficos. Artistas, cientistas, pintores, hábeis escultores, escritores, atores, empresários, esportistas, inventores, enfim, uma verdadeira seleção de celebridades que aqui aportaram e aportam, periodicamente, são recebidos de braços abertos; sabem que nessa bendita terra paulistana está o mais bem preparado solo onde as sementes de seus mais ambiciosos sonhos se tornarão realidade. 

Esta cidade, que leva o nome do antigo soldado romano, perseguindo e matando cristãos, marcado por Deus pra ser o mensageiro dos Salmos após sua conversão ao cristianismo, fez jus ao nome do santo, onde sempre espalhou, com dignidade, as mensagens de progresso a todos os povos do mundo.

A minha São Paulo faz, dia 25\01\2014, 460 anos, idade de jovem, perto de países europeus. Com dinamismo  fulgurante, espantosa alegria, exuberante progresso, muitos poderiam encontrar exageros na minha dissertação, porém nunca se deve esquecer que, apesar dos problemas que surgem na caminhada rumo ao grande futuro, certas peculiaridades inevitáveis e necessárias ao processo de grandiosidade, não podem ser evitadas por pertencerem ao conjunto de itens imprescindíveis pra se alcançar o ápice do seu objetivo.

Parabéns a São Paulo, a sua câmara, a sua prefeitura,  a todos os que trabalham no sentido de engrandecer mais ainda sua beleza, sua pujança e seu amor pelos seus filhos.  Obrigado



Por Modesto Laruccia

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Sonar Radar



Estou no clímax do fechamento de uma partida de tranca. Sim tranca, aquele jogo derivado do buraco, no qual o três preto tranca o jogo e cada um coloca suas regras que são contratadas no início da partida, do tipo: Não vale lavadeira, morrer com três preto na mão perde 100 pontos cada, e outras mais. Em nossa turma o jogo é o mais simples possível, vale tudo, até roubar se for bem feito e não descoberto.
Desculpe-me, vamos retornar ao tema. Minha vez de comprar bastava um coringa ou um seis de espada e eu e meu parceiro João Magro mataríamos a partida com mais de 500 pontos de vantagem sobre nossas queridas parceiras a Paula e a Alice.
Comprei a carta e, antes mesmos de olhar qual era, sinto algo estranho escorrer por minha testa, vindo parar no bigode. Foi uma gargalhada em coro por parte dos parceiros. Passei a mão e pude contemplar um liquido espesso esverdeado e de um aroma fétido. Lentamente levantei o olhar para verificar a origem do mesmo. Foi difícil acreditar, era a cagada de um morcego. Isto mesmo, de um morcego.
Nossa mesa de jogo fica na varanda dos fundos da casa em Bertioga e, acima da mesa, pendurado na viga de sustentação da cobertura, a nossa caseira Marilene colocou um bebedouro para atrair os beija-flores que por lá são inúmeros, de diferentes tamanhos e cores.
Acontece que durante a noite este líquido, que é uma mistura de agua com açúcar, atrai os morcegos e este nosso amigo mal educado já estava viciado em vir servir-se deste néctar colocado à disposição de forma fácil e abundante.
Imediatamente eu, pródigo em travessuras e com o ego ferido pelo bicho ter cagado em minha cabeça, tracei um plano de vingança.  Retirei o bebedouro do arame que o sustentava pendurado na viga. Fui para a cozinha e o lavei bem e preparei novo néctar, porém desta vez a fórmula era cachaça com açúcar. Voltei para a mesa e comentei com o pessoal que, depois de ter aprontado aquela comigo, o visitante deveria ser premiado com uma nova água fresca e limpa.
Recomposto, reiniciamos o jogo; e eu não peguei nenhuma das cartas esperadas e ainda por cima tive que dispensar uma carta colocada que foi a canastra dos adversários. O jogo continuou e por fim eu, que já estava cagado, e meu parceiro João, acabamos perdendo aquela mão e ainda dando uma ré de trezentos pontos o que recolocou as duas novamente na partida.
Agora o jogo certamente iria se estender por mais algumas horas.
Nossa anfitriã, Alice, refez o refil de cerveja gelada, azeitonas e amendoins e, ao iniciarmos a partida, recebemos a visita do nosso amigo cagão.
Ele chegou voando rasante por sobre o muro dos fundos e, com uma manobra digna da esquadrilha da fumaça, orientado por seu infalível sonar radar, pendurou-se de cabeça para baixo no bebedouro de onde sorveu um longo trago antes de retirar-se em nova manobra acrobática com um maravilhoso looping e desapareceu por sobre o telhado da casinha dos fundos.
Jogo reiniciado, cartas distribuídas e lá vem ele novamente com tudo no bebedouro. Alice exclama:
– Marcão ele gostou da nova agua que você colocou, deve estar mais docinha que a anterior. Não respondi, apenas balancei a cabeça de forma afirmativa e fiquei com um olho concentrado no jogo e outro no morcego.
Acabamos de ganhar esta rodada com uma atuação brilhante de meu parceiro o João que estava mais concentrado e foi por poucos pontos de diferença. Este resultado nos aproximava do final da partida, quando ele retornou, agora acompanhado por um amigo de copo e de bar. O amigo pendurou-se na viga enquanto o cachaceiro foi direto ao copo, quero dizer ao bebedouro. Nesta oportunidade sugou um longo trago e pude ver o nível da “Água” baixar rapidamente. Após o trago ele desprendeu um dos pés do bebedouro e ficou pendurado com apenas uma das pernas. Olhou com os olhos arregalados para mim, soltou a perna que o prendia ao bebedouro, ligou o sonar radar e disparou em um voo em parafuso batendo de cara no muro branco entre nossa casa e a do vizinho. Seu companheiro saiu da viga e foi até o chão na beira do muro para ver o real estado do amigo, porém nada podendo fazer neste caso e sem compreender o que ocorria partiu e desapareceu no negrume da noite.
Estabeleceu-se então uma enorme gritaria por parte das mulheres que indignadas me acusaram de ter envenenado a água dos passarinhos. Assim que elas deram um tempo pude explicar que não havia envenenado a água, apenas tinha colocado no bebedouro uma água que passarinho não bebe.
Peguei o Morcego cagão e pude constatar que estava vivo, apenas estava chapado. Com cuidado coloquei-o sobre o muro para que a bebedeira passasse e então pudesse retornar seguro à sua morada.
Passadas algumas horas percebemos que ele não estava mais sobre o muro. Não sei se levantou voo ou simplesmente caiu do lado do vizinho.
O jogo não terminou. Indignadas por minha atitude a Alice e a Paula negaram-se a continuar a partida decretando a nossa derrota pelo ocorrido.
Perdi o jogo, mas não poderia deixar o cara defecar na minha cabeça e sair impune.
Depois deste episódio abolimos a prática de colocar bebedouros para pássaros em casa.
E descobri que, mesmo com sonar radar, bêbado não pode voar.




Por Marcos Falcon

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Meus três Papais Noel



Sim, eu como a maioria de descendentes de europeus, principalmente os descendentes de italianos, espanhóis, portugueses do maravilhoso bairro do Braz, zona central dessa fabulosa cidade de São Paulo,  ganhávamos  presentes natalinos, no dia 6 de janeiro, dia da Epifania.
Sem bases históricas, mantidos no  repertório cristão por tradição, esse dia era, (na Europa, até hoje) considerado o dia de se presentear as crianças ou a simples troca de presentes. Agora, após o término da segunda guerra mundial e influenciados  pela filosofia americana e de alguns outros países, num clima totalmente tropical e sem nenhuma necessidade de agasalho tão pesado, permitimos a introdução de São Nicolau, padroeiro da Rússia,  Noruega e Grécia, nascido em Patara, na Lícia, atual Turquia,  como simpático Papai Noel. Tem, também, o São Nicolau de Bari, sul da Itália, que deve ser o mesmo.
Segundo o evangelista Mateus, o único a mencionar os magos, sem, contudo, detalhar se realmente eram só três, se eram reis ou simplesmente, sacerdotes. Historiadores tradicionais aventavam a hipótese que, talvez fossem seguidores do visionário Zaratustra.
Após o nascimento de Jesus, o evangelista Marcos informa  a presença dos reis magos, a saber: Melchior, da Pérsia, Gaspar, da Índia e Baltazar, da Arábia que presentearam Jesus com ouro, incenso e mirra.
Mesmo depois de casado e com três filhos, fui presenteado, com o nascimento de meu quarto filho, Marcelo, nascido em 6 de janeiro de 1968. Um presente que culto até hoje que sempre me dá alegria e prazer, assim como os outros quatro, a mim e a minha querida esposa, Myrtes.

Como estou às portas de completar 82 anos em  5 de fevereiro e quem chega aos “oitentas” volta a ser criança, novamente, se vocês, caríssimos e simpáticos colaboradores deste maravilhoso BLOG, quiserem manter a tradição europeia, mandam-me brinquedos, como, trenzinhos, soldadinhos de chumbo, triciclo, bola de capotão, coleção de gibis, jogo de futebol de botão (não botão de cuecas) e o que vocês quiseram.
Um feliz e maravilhoso ano novo de 2014; desejo a todos vocês com o pedido de perdão pela ironia no final. Abraços a todos.




Por Modesto Laruccia

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Memórias de um Silêncio


Música: Ave Maria, de Gounod - com Jessye Norman (para ouvir, clique no play)

Domingo chuvoso. Estou sozinho.
A TV ligada mostra o burlesco programa do Faustão, e o som dela emanado preenche  os espaços vazios do ambiente.
De repente, não mais que de repente, as notas de uma melodia chegam aos meus ouvidos desatentos.
Procuro prestar mais atenção e reconheço os acordes. É a Ave Maria de Gounod.
Meu coração, tão cansado de apanhar, começa a bater em ritmo de triste lembrança.
Adoro essa Ave Maria. Ela me traz uma calma triste, ou será uma agitação melancólica?
Não sei explicar,  apenas  sei sentir; e sinto.
Será que o clima natalino propiciou essa nostalgia exagerada? Não sei. Só sei que, ouvindo os acordes dessa Ave Maria, senti meus olhos marejados.
Forcei uma piscada mais prolongada para, quem sabe, derrubar o excesso lacrimal em meus olhos, foi em vão, as lágrimas teimaram em minar uma a uma e, lógico, rolarem dessa mesma forma por sobre minha barba já acumulada por dias sem um efetivo escanhoamento.
Busco, lá no âmago do peito, encontrar uma justificativa plausível para esse surto de nostalgia.
Será o excesso de decepções acumuladas nos últimos dias?
Será a falta absoluta de uma reserva de fundos para fazer frente às necessidades básicas?
Será a ausência de entes amados que, por falta de possibilidades ou interesse, cada vez mais se distanciam?
Será o peso inevitável dos anos que a cada dia maltrata meu corpo?
Será que a cada dia aumenta mais a minha decepção com a vida?
Que será? Que será?
Estanco o pensamento e busco ouvir, no silêncio, a resposta dessa indesejada angústia.
Nada...
Apenas  e tão somente a suavidade das notas musicais da peça de Gounod paira no ar e sufoca meu coração.
As lágrimas continuam a brotar, as lembranças, boas e ruins, surgem em borbotões (ou serão golfadas?), a tristeza se acomoda cada vez mais em minh‘alma.
Desisto. Abro mão de buscar justificativas ou soluções.
Calo-me!
Fecho os olhos e aguardo a dissipação desse momento indesejado.
Sei que ele irá passar  e apenas sobrarão os rastros dessa sensação estranha e angustiante.
Aguardemos, pois.
Silêncio!




Por Miguel Chammas

sábado, 14 de dezembro de 2013

Memórias Noelistas



Outro dia exatamente igual a tantos outros, nade de novo, nada de diferente, rotina cansativa e desinteressante.
Assim pensava eu sentado, ou melhor, esparramado, no sofá aqui na sala.
-Boa Tarde!
Levanto a cabeça assustado, tinha certeza de que ninguém me fazia companhia. De onde aparecera aquela voz rouca e empostada?
 No canto da sala, bem ao lado da TV, uma sombra foi se fazendo notar e ficando cada vez mais  reconhecível. O que no primeiro instante parecera um borrão vermelho, agora, melhor delineado, se mostrava como o contorno de um imenso e balofo corpo. Dirijo meu olhar um pouco mais para cima e distingo um rosto rosado e bonachão escondido atrás de uma intensa e alva barba e imensos bigodes. Dois olhos azuis e iluminados, quase que escondidos na barra de um gorro vermelho, me olham e transmitem uma ternura jamais vista antes.
Feito o reconhecimento, ainda bastante emocionado com a surpresa, respondi ao cumprimento.
-Boa tarde, Papai Noel, quanta honra! A que devo tamanha gentileza?
-Ho Ho Ho – sorriu fazendo o gesto característico de segurar a barriga com as duas mãos – ora pois.
Se você foi um dos meus representantes durante vários anos, por que não haveria eu de te fazer uma visita de cortesia e, juntos, lembrarmos antigas e pitorescas aventuras?
Refeito da surpreendente surpresa, agradeci a deferência e emendei ao agradecimento um novo comentário:
- Adoro lembrar de coisas passadas, principalmente daquelas que podem nos deixar alegres. Nem sei por que resolvi representá-lo em vários Natais.
- Não sabe? Então não percebeu nunca que tinhas o gene de Papai Noel em sua existência?
- Gene de Papai Noel? Que raio de gene é esse?
- Você herdou esse gene do Alfredo Chammas (seu pai) que, mesmo magrelo, me representava em todos os Natais da ACF-SP, distribuindo presentes em meu nome para todas as crianças. Lembrou agora?
- Lembrei sim; e lembrei também que um dia comentei com ele que, quando fosse maior, iria fazer a mesma coisa.
- Isso mesmo! Assim pensou e assim executou!   Durante muitos anos. Começou com pequenas  participações sem muita evidência, depois atendendo convites foi Papai Noel  do Clube Prada, do Rubro Negro da Bela Vista, depois, para alegrar as crianças, aceitava todo e qualquer convite.
Foi o Papai Noel oficial de todos os Natais das famílias Chammas, Santos Lima, e Avelino.
Puxa vida, é verdade! Quantas vezes eu vesti tua farda vermelha e fui me emocionar com aqueles olhinhos pedintes das criancinhas ávidas por um presentinho.
Nas festas da família, chegava ao romper das 12 badaladas, cumprimentava a todos, distribuía alguns presentes, buscava não ser reconhecido (como era difícil!). A criançada era páreo duro para ser convencida! Cada ano mais esperta. Que sufoco!
- Teve um ano que você, por problemas particulares, decidiu não ser meu representante e colocou seu filho no lugar. Coitado,  mesmo com toda a boa vontade apresentada ele não conseguiu um bom desempenho e abandonou a causa no fim da festa.
- Pois é, Papai Noel, e eu, mesmo querendo me afastar, ainda representei-o por alguns Natais.
- Hoje já não existe ninguém para fazer minha imagem se perpetrar. Para mim, ficou bem mais complicado e difícil.
- Vou confessar uma coisa, velho Noel, eu na verdade sinto muita saudade daqueles dias de Papai Noel, ficaria muito feliz se pudesse voltar a representá-lo e acarinhar os corações infantis.
- É uma pena mesmo, mas você está participando de grupos de mais idade, não tem à sua volta crianças famintas por carinho e atenção... Em todo caso, fica o convite, se quiser voltar, é só buscar quem te queira e recomeçar a brincadeira... Eu ficaria muito feliz!
- E eu também, Santo Velhinho!
- Bem meu velho, missão cumprida! Visita realizada e lembranças reavivadas. Fiquei feliz e sei que também te fiz feliz. Até uma próxima vez.
- Feliz e Santo Natal!
- Amém Papai Noel,  amém!
O vulto se desfez. Foi tão rápido seu sumiço que dos meus olhos rolaram lágrimas de inconformismo.
Emoção à flor da pele, resolvi escrever esta crônica.
Quem sabe, qualquer hora dessas, eu a leia novamente e, num surto de extrema coragem, volte a envergar certa roupa vermelha, jogue por sobre os ombros um saco cheio de pacotes e vá visitar antigas crianças que, hoje, já são jovens rapazes e moças.



Por Miguel Chammas


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Um conto de Natal



Para assistir, basta clicar no play

Olá, queridos autores e leitores!
Trago algo diferente para iniciar as histórias sobre Natal e festas de fim de ano, aqui em nosso blog, este cantinho que conta as mais incríveis e encatadoras histórias sobre nossa querida cidade de São Paulo.
Começo, lhe entregando o trabalho de Flávio Brabo, um jovem autor, residente em Guarulhos e que é apaixonado por filmes e histórias de terror. Dedica seu tempo livre escrevendo contos de suspense, terror e humor negro.
Este conto que vocês irão ouvir, pode parecer estarrecedor, mas achei incrível a mensagem subliminar que traz, ou seja, "ninguém deve esquecer o verdadeiro espírito de Natal". Um jeito diferente e inteligente de mostrar esta mensagem tão importante.
Mais histórias de Flávio Brabo podemos encontrar em seu blog:


Flávio Brabo

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Uma Ode a Miguel S. G. Chammas



Nos idos de 2007, por conta de uma indicação de meu irmão Vicente Laruccia, 88 anos, tomei conhecimento da existência do SPMC. Mandei meu primeiro texto, sobre minha tia Carmela, vítima da revolução de 1924. Em seguida, fui convidado a comparecer na sede da “São Paulo Turismo” para dar um depoimento. Éramos os quatro colaboradores, eu, Mario Lopomo,  professora   Neuza Carvalho, Luiz Saidenberg e Miguel S. G. Chammas.
De cara, fiquei conhecendo todos, menos a profª. Neuza, que já a conhecia da USP. O Luiz, muito simpático, o Mario, taciturno e o volumoso e bondoso Miguel. Conversamos longamente, gravamos o depoimento e o Miguel se mostrou de uma bondade tão volumosa ou mais que seu físico propunha. A mim, parecia que o conhecia há muitos anos, tamanha acolhida que ele me deu; nunca vou esquecer aquele dia. Conversou sobre meu texto, animou minha iniciativa, contou que estava no site desde seu início, em 2005. Tivemos várias trocas de e-mails, conversamos várias vezes por telefone, o Miguel demonstrou logo ser um perfeito incentivador de novos colaboradores, sendo ele, já um grande, respeitoso e muito bom colaborador do site, Teve, um dia, a ideia de criar o que seria uma reunião de todos numa pizzaria de São Paulo, batizando-a simpaticamente de “RODADAS DE REDONDAS COM AUTORES REDONDOS OU NÃO”. Pelos anos seguintes, sempre com o espinhoso trabalho de escolha da pizzaria, locais que poderiam agradar ou não alguns dos colaboradores enfim, o Miguel, sempre levou a bom termo essa iniciativa, com a boa vontade e disposição do casal, sem esquecer que ele mora na Praia Grande,  deslocando-se à capital, sem nunca se queixar.
Pois, como ele confessa em uma mensagem enviada a todos que sempre emprestaram seu apoio ao ágape, tudo tem seu princípio e um fim. Discordo de você, Miguel. O que ocorreu na despedida do ano, em 30\11\2013, não é o fim,  meu grande amigo Miguel que, por problemas de saúde e outras ocorrências, não vai mais poder continuar a organizar novas rodadas. Vamos todos nos reunir, dando ao Miguel aplausos e agradecimentos, por tudo que ele fez em 5 anos, com aquela bondade e simpatia, repito, em prol união fraterna de todos os colaboradores e suas famílias.

Miguel, você nunca será esquecido, temos dentro de nossos corações uma imagem fraterna de um irmão com um coração que vale ouro. Em geral, somos da faixa de idosos, por isso devemos honrar nossa condição de colaboradores, continuar o trabalho do Miguel, se alguém se manifestar em receber o cetro dessa missão, que se manifeste.


Como último parágrafo desta ode, peço, em nome de meus colegas que você, Miguel, continue a tarefa iniciada por você, nós te amamos, Miguelão; você mora em nossos corações. Um abração.



Por Modesto Laruccia

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Nem te conto...



Imagem: Biblioteca Malba Tahan

Estamos todos assanhados para aprender informática. 

A sala cheinha de gente. Gente cheinha de experiência. O local: Telecentro Malba Tahan, na Biblioteca do mesmo nome, em Veleiros, Capela do Socorro. 

O duro que é uns estão com pouca acuidade visual. Outros com a audição um tanto avariada e todos com alto colesterol e algumas câimbras inexplicáveis que acabam surgindo no meio das explicações. 

E por falar em explicações, após tantos: - 'hein(?) e não tô vendo'- a professora Gisele ensinou logo a clicar em ' Ver e Ampliar', uma lição imprescindível.

Algumas vezes, perdemos o fôlego porque clicamos mal e apaga tudo. Não queremos passar vergonha. Pressão a mil.

Leques, garrafinhas de água e muita sudorese pra ninguém botar defeito. Olhos estatelados na tela e mão descontrolada que teima em apresentar mal de Parkinson bem na hora de arrastar o tal do mouse e clicar. Êta nóis! Devia ter desfibrilador nesta sala! Má circulação, taquicardia e uma ânsia de saber. Não temos tempo a perder.

Para aulas de HTML avançado, a presença do cardiologista devia ser obrigatória. Ser um internauta é muito perigoso.

A Gisele passou semana inteira se esgoelando: Cliquem em Ver e Ampliar. 

Na sexta-feira seguinte, não é que tinha um cara na porta do Telecentro entregando panfletos: "Exame de vista grátis e óculos em suaves prestações".

Nem te conto!



Por Suely Schraner

Obs: Se quiserem ouvir esta história em áudio, acessem o link: