segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Sonar Radar



Estou no clímax do fechamento de uma partida de tranca. Sim tranca, aquele jogo derivado do buraco, no qual o três preto tranca o jogo e cada um coloca suas regras que são contratadas no início da partida, do tipo: Não vale lavadeira, morrer com três preto na mão perde 100 pontos cada, e outras mais. Em nossa turma o jogo é o mais simples possível, vale tudo, até roubar se for bem feito e não descoberto.
Desculpe-me, vamos retornar ao tema. Minha vez de comprar bastava um coringa ou um seis de espada e eu e meu parceiro João Magro mataríamos a partida com mais de 500 pontos de vantagem sobre nossas queridas parceiras a Paula e a Alice.
Comprei a carta e, antes mesmos de olhar qual era, sinto algo estranho escorrer por minha testa, vindo parar no bigode. Foi uma gargalhada em coro por parte dos parceiros. Passei a mão e pude contemplar um liquido espesso esverdeado e de um aroma fétido. Lentamente levantei o olhar para verificar a origem do mesmo. Foi difícil acreditar, era a cagada de um morcego. Isto mesmo, de um morcego.
Nossa mesa de jogo fica na varanda dos fundos da casa em Bertioga e, acima da mesa, pendurado na viga de sustentação da cobertura, a nossa caseira Marilene colocou um bebedouro para atrair os beija-flores que por lá são inúmeros, de diferentes tamanhos e cores.
Acontece que durante a noite este líquido, que é uma mistura de agua com açúcar, atrai os morcegos e este nosso amigo mal educado já estava viciado em vir servir-se deste néctar colocado à disposição de forma fácil e abundante.
Imediatamente eu, pródigo em travessuras e com o ego ferido pelo bicho ter cagado em minha cabeça, tracei um plano de vingança.  Retirei o bebedouro do arame que o sustentava pendurado na viga. Fui para a cozinha e o lavei bem e preparei novo néctar, porém desta vez a fórmula era cachaça com açúcar. Voltei para a mesa e comentei com o pessoal que, depois de ter aprontado aquela comigo, o visitante deveria ser premiado com uma nova água fresca e limpa.
Recomposto, reiniciamos o jogo; e eu não peguei nenhuma das cartas esperadas e ainda por cima tive que dispensar uma carta colocada que foi a canastra dos adversários. O jogo continuou e por fim eu, que já estava cagado, e meu parceiro João, acabamos perdendo aquela mão e ainda dando uma ré de trezentos pontos o que recolocou as duas novamente na partida.
Agora o jogo certamente iria se estender por mais algumas horas.
Nossa anfitriã, Alice, refez o refil de cerveja gelada, azeitonas e amendoins e, ao iniciarmos a partida, recebemos a visita do nosso amigo cagão.
Ele chegou voando rasante por sobre o muro dos fundos e, com uma manobra digna da esquadrilha da fumaça, orientado por seu infalível sonar radar, pendurou-se de cabeça para baixo no bebedouro de onde sorveu um longo trago antes de retirar-se em nova manobra acrobática com um maravilhoso looping e desapareceu por sobre o telhado da casinha dos fundos.
Jogo reiniciado, cartas distribuídas e lá vem ele novamente com tudo no bebedouro. Alice exclama:
– Marcão ele gostou da nova agua que você colocou, deve estar mais docinha que a anterior. Não respondi, apenas balancei a cabeça de forma afirmativa e fiquei com um olho concentrado no jogo e outro no morcego.
Acabamos de ganhar esta rodada com uma atuação brilhante de meu parceiro o João que estava mais concentrado e foi por poucos pontos de diferença. Este resultado nos aproximava do final da partida, quando ele retornou, agora acompanhado por um amigo de copo e de bar. O amigo pendurou-se na viga enquanto o cachaceiro foi direto ao copo, quero dizer ao bebedouro. Nesta oportunidade sugou um longo trago e pude ver o nível da “Água” baixar rapidamente. Após o trago ele desprendeu um dos pés do bebedouro e ficou pendurado com apenas uma das pernas. Olhou com os olhos arregalados para mim, soltou a perna que o prendia ao bebedouro, ligou o sonar radar e disparou em um voo em parafuso batendo de cara no muro branco entre nossa casa e a do vizinho. Seu companheiro saiu da viga e foi até o chão na beira do muro para ver o real estado do amigo, porém nada podendo fazer neste caso e sem compreender o que ocorria partiu e desapareceu no negrume da noite.
Estabeleceu-se então uma enorme gritaria por parte das mulheres que indignadas me acusaram de ter envenenado a água dos passarinhos. Assim que elas deram um tempo pude explicar que não havia envenenado a água, apenas tinha colocado no bebedouro uma água que passarinho não bebe.
Peguei o Morcego cagão e pude constatar que estava vivo, apenas estava chapado. Com cuidado coloquei-o sobre o muro para que a bebedeira passasse e então pudesse retornar seguro à sua morada.
Passadas algumas horas percebemos que ele não estava mais sobre o muro. Não sei se levantou voo ou simplesmente caiu do lado do vizinho.
O jogo não terminou. Indignadas por minha atitude a Alice e a Paula negaram-se a continuar a partida decretando a nossa derrota pelo ocorrido.
Perdi o jogo, mas não poderia deixar o cara defecar na minha cabeça e sair impune.
Depois deste episódio abolimos a prática de colocar bebedouros para pássaros em casa.
E descobri que, mesmo com sonar radar, bêbado não pode voar.




Por Marcos Falcon

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Meus três Papais Noel



Sim, eu como a maioria de descendentes de europeus, principalmente os descendentes de italianos, espanhóis, portugueses do maravilhoso bairro do Braz, zona central dessa fabulosa cidade de São Paulo,  ganhávamos  presentes natalinos, no dia 6 de janeiro, dia da Epifania.
Sem bases históricas, mantidos no  repertório cristão por tradição, esse dia era, (na Europa, até hoje) considerado o dia de se presentear as crianças ou a simples troca de presentes. Agora, após o término da segunda guerra mundial e influenciados  pela filosofia americana e de alguns outros países, num clima totalmente tropical e sem nenhuma necessidade de agasalho tão pesado, permitimos a introdução de São Nicolau, padroeiro da Rússia,  Noruega e Grécia, nascido em Patara, na Lícia, atual Turquia,  como simpático Papai Noel. Tem, também, o São Nicolau de Bari, sul da Itália, que deve ser o mesmo.
Segundo o evangelista Mateus, o único a mencionar os magos, sem, contudo, detalhar se realmente eram só três, se eram reis ou simplesmente, sacerdotes. Historiadores tradicionais aventavam a hipótese que, talvez fossem seguidores do visionário Zaratustra.
Após o nascimento de Jesus, o evangelista Marcos informa  a presença dos reis magos, a saber: Melchior, da Pérsia, Gaspar, da Índia e Baltazar, da Arábia que presentearam Jesus com ouro, incenso e mirra.
Mesmo depois de casado e com três filhos, fui presenteado, com o nascimento de meu quarto filho, Marcelo, nascido em 6 de janeiro de 1968. Um presente que culto até hoje que sempre me dá alegria e prazer, assim como os outros quatro, a mim e a minha querida esposa, Myrtes.

Como estou às portas de completar 82 anos em  5 de fevereiro e quem chega aos “oitentas” volta a ser criança, novamente, se vocês, caríssimos e simpáticos colaboradores deste maravilhoso BLOG, quiserem manter a tradição europeia, mandam-me brinquedos, como, trenzinhos, soldadinhos de chumbo, triciclo, bola de capotão, coleção de gibis, jogo de futebol de botão (não botão de cuecas) e o que vocês quiseram.
Um feliz e maravilhoso ano novo de 2014; desejo a todos vocês com o pedido de perdão pela ironia no final. Abraços a todos.




Por Modesto Laruccia

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Memórias de um Silêncio


Música: Ave Maria, de Gounod - com Jessye Norman (para ouvir, clique no play)

Domingo chuvoso. Estou sozinho.
A TV ligada mostra o burlesco programa do Faustão, e o som dela emanado preenche  os espaços vazios do ambiente.
De repente, não mais que de repente, as notas de uma melodia chegam aos meus ouvidos desatentos.
Procuro prestar mais atenção e reconheço os acordes. É a Ave Maria de Gounod.
Meu coração, tão cansado de apanhar, começa a bater em ritmo de triste lembrança.
Adoro essa Ave Maria. Ela me traz uma calma triste, ou será uma agitação melancólica?
Não sei explicar,  apenas  sei sentir; e sinto.
Será que o clima natalino propiciou essa nostalgia exagerada? Não sei. Só sei que, ouvindo os acordes dessa Ave Maria, senti meus olhos marejados.
Forcei uma piscada mais prolongada para, quem sabe, derrubar o excesso lacrimal em meus olhos, foi em vão, as lágrimas teimaram em minar uma a uma e, lógico, rolarem dessa mesma forma por sobre minha barba já acumulada por dias sem um efetivo escanhoamento.
Busco, lá no âmago do peito, encontrar uma justificativa plausível para esse surto de nostalgia.
Será o excesso de decepções acumuladas nos últimos dias?
Será a falta absoluta de uma reserva de fundos para fazer frente às necessidades básicas?
Será a ausência de entes amados que, por falta de possibilidades ou interesse, cada vez mais se distanciam?
Será o peso inevitável dos anos que a cada dia maltrata meu corpo?
Será que a cada dia aumenta mais a minha decepção com a vida?
Que será? Que será?
Estanco o pensamento e busco ouvir, no silêncio, a resposta dessa indesejada angústia.
Nada...
Apenas  e tão somente a suavidade das notas musicais da peça de Gounod paira no ar e sufoca meu coração.
As lágrimas continuam a brotar, as lembranças, boas e ruins, surgem em borbotões (ou serão golfadas?), a tristeza se acomoda cada vez mais em minh‘alma.
Desisto. Abro mão de buscar justificativas ou soluções.
Calo-me!
Fecho os olhos e aguardo a dissipação desse momento indesejado.
Sei que ele irá passar  e apenas sobrarão os rastros dessa sensação estranha e angustiante.
Aguardemos, pois.
Silêncio!




Por Miguel Chammas

sábado, 14 de dezembro de 2013

Memórias Noelistas



Outro dia exatamente igual a tantos outros, nade de novo, nada de diferente, rotina cansativa e desinteressante.
Assim pensava eu sentado, ou melhor, esparramado, no sofá aqui na sala.
-Boa Tarde!
Levanto a cabeça assustado, tinha certeza de que ninguém me fazia companhia. De onde aparecera aquela voz rouca e empostada?
 No canto da sala, bem ao lado da TV, uma sombra foi se fazendo notar e ficando cada vez mais  reconhecível. O que no primeiro instante parecera um borrão vermelho, agora, melhor delineado, se mostrava como o contorno de um imenso e balofo corpo. Dirijo meu olhar um pouco mais para cima e distingo um rosto rosado e bonachão escondido atrás de uma intensa e alva barba e imensos bigodes. Dois olhos azuis e iluminados, quase que escondidos na barra de um gorro vermelho, me olham e transmitem uma ternura jamais vista antes.
Feito o reconhecimento, ainda bastante emocionado com a surpresa, respondi ao cumprimento.
-Boa tarde, Papai Noel, quanta honra! A que devo tamanha gentileza?
-Ho Ho Ho – sorriu fazendo o gesto característico de segurar a barriga com as duas mãos – ora pois.
Se você foi um dos meus representantes durante vários anos, por que não haveria eu de te fazer uma visita de cortesia e, juntos, lembrarmos antigas e pitorescas aventuras?
Refeito da surpreendente surpresa, agradeci a deferência e emendei ao agradecimento um novo comentário:
- Adoro lembrar de coisas passadas, principalmente daquelas que podem nos deixar alegres. Nem sei por que resolvi representá-lo em vários Natais.
- Não sabe? Então não percebeu nunca que tinhas o gene de Papai Noel em sua existência?
- Gene de Papai Noel? Que raio de gene é esse?
- Você herdou esse gene do Alfredo Chammas (seu pai) que, mesmo magrelo, me representava em todos os Natais da ACF-SP, distribuindo presentes em meu nome para todas as crianças. Lembrou agora?
- Lembrei sim; e lembrei também que um dia comentei com ele que, quando fosse maior, iria fazer a mesma coisa.
- Isso mesmo! Assim pensou e assim executou!   Durante muitos anos. Começou com pequenas  participações sem muita evidência, depois atendendo convites foi Papai Noel  do Clube Prada, do Rubro Negro da Bela Vista, depois, para alegrar as crianças, aceitava todo e qualquer convite.
Foi o Papai Noel oficial de todos os Natais das famílias Chammas, Santos Lima, e Avelino.
Puxa vida, é verdade! Quantas vezes eu vesti tua farda vermelha e fui me emocionar com aqueles olhinhos pedintes das criancinhas ávidas por um presentinho.
Nas festas da família, chegava ao romper das 12 badaladas, cumprimentava a todos, distribuía alguns presentes, buscava não ser reconhecido (como era difícil!). A criançada era páreo duro para ser convencida! Cada ano mais esperta. Que sufoco!
- Teve um ano que você, por problemas particulares, decidiu não ser meu representante e colocou seu filho no lugar. Coitado,  mesmo com toda a boa vontade apresentada ele não conseguiu um bom desempenho e abandonou a causa no fim da festa.
- Pois é, Papai Noel, e eu, mesmo querendo me afastar, ainda representei-o por alguns Natais.
- Hoje já não existe ninguém para fazer minha imagem se perpetrar. Para mim, ficou bem mais complicado e difícil.
- Vou confessar uma coisa, velho Noel, eu na verdade sinto muita saudade daqueles dias de Papai Noel, ficaria muito feliz se pudesse voltar a representá-lo e acarinhar os corações infantis.
- É uma pena mesmo, mas você está participando de grupos de mais idade, não tem à sua volta crianças famintas por carinho e atenção... Em todo caso, fica o convite, se quiser voltar, é só buscar quem te queira e recomeçar a brincadeira... Eu ficaria muito feliz!
- E eu também, Santo Velhinho!
- Bem meu velho, missão cumprida! Visita realizada e lembranças reavivadas. Fiquei feliz e sei que também te fiz feliz. Até uma próxima vez.
- Feliz e Santo Natal!
- Amém Papai Noel,  amém!
O vulto se desfez. Foi tão rápido seu sumiço que dos meus olhos rolaram lágrimas de inconformismo.
Emoção à flor da pele, resolvi escrever esta crônica.
Quem sabe, qualquer hora dessas, eu a leia novamente e, num surto de extrema coragem, volte a envergar certa roupa vermelha, jogue por sobre os ombros um saco cheio de pacotes e vá visitar antigas crianças que, hoje, já são jovens rapazes e moças.



Por Miguel Chammas


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Um conto de Natal



Para assistir, basta clicar no play

Olá, queridos autores e leitores!
Trago algo diferente para iniciar as histórias sobre Natal e festas de fim de ano, aqui em nosso blog, este cantinho que conta as mais incríveis e encatadoras histórias sobre nossa querida cidade de São Paulo.
Começo, lhe entregando o trabalho de Flávio Brabo, um jovem autor, residente em Guarulhos e que é apaixonado por filmes e histórias de terror. Dedica seu tempo livre escrevendo contos de suspense, terror e humor negro.
Este conto que vocês irão ouvir, pode parecer estarrecedor, mas achei incrível a mensagem subliminar que traz, ou seja, "ninguém deve esquecer o verdadeiro espírito de Natal". Um jeito diferente e inteligente de mostrar esta mensagem tão importante.
Mais histórias de Flávio Brabo podemos encontrar em seu blog:


Flávio Brabo

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Uma Ode a Miguel S. G. Chammas



Nos idos de 2007, por conta de uma indicação de meu irmão Vicente Laruccia, 88 anos, tomei conhecimento da existência do SPMC. Mandei meu primeiro texto, sobre minha tia Carmela, vítima da revolução de 1924. Em seguida, fui convidado a comparecer na sede da “São Paulo Turismo” para dar um depoimento. Éramos os quatro colaboradores, eu, Mario Lopomo,  professora   Neuza Carvalho, Luiz Saidenberg e Miguel S. G. Chammas.
De cara, fiquei conhecendo todos, menos a profª. Neuza, que já a conhecia da USP. O Luiz, muito simpático, o Mario, taciturno e o volumoso e bondoso Miguel. Conversamos longamente, gravamos o depoimento e o Miguel se mostrou de uma bondade tão volumosa ou mais que seu físico propunha. A mim, parecia que o conhecia há muitos anos, tamanha acolhida que ele me deu; nunca vou esquecer aquele dia. Conversou sobre meu texto, animou minha iniciativa, contou que estava no site desde seu início, em 2005. Tivemos várias trocas de e-mails, conversamos várias vezes por telefone, o Miguel demonstrou logo ser um perfeito incentivador de novos colaboradores, sendo ele, já um grande, respeitoso e muito bom colaborador do site, Teve, um dia, a ideia de criar o que seria uma reunião de todos numa pizzaria de São Paulo, batizando-a simpaticamente de “RODADAS DE REDONDAS COM AUTORES REDONDOS OU NÃO”. Pelos anos seguintes, sempre com o espinhoso trabalho de escolha da pizzaria, locais que poderiam agradar ou não alguns dos colaboradores enfim, o Miguel, sempre levou a bom termo essa iniciativa, com a boa vontade e disposição do casal, sem esquecer que ele mora na Praia Grande,  deslocando-se à capital, sem nunca se queixar.
Pois, como ele confessa em uma mensagem enviada a todos que sempre emprestaram seu apoio ao ágape, tudo tem seu princípio e um fim. Discordo de você, Miguel. O que ocorreu na despedida do ano, em 30\11\2013, não é o fim,  meu grande amigo Miguel que, por problemas de saúde e outras ocorrências, não vai mais poder continuar a organizar novas rodadas. Vamos todos nos reunir, dando ao Miguel aplausos e agradecimentos, por tudo que ele fez em 5 anos, com aquela bondade e simpatia, repito, em prol união fraterna de todos os colaboradores e suas famílias.

Miguel, você nunca será esquecido, temos dentro de nossos corações uma imagem fraterna de um irmão com um coração que vale ouro. Em geral, somos da faixa de idosos, por isso devemos honrar nossa condição de colaboradores, continuar o trabalho do Miguel, se alguém se manifestar em receber o cetro dessa missão, que se manifeste.


Como último parágrafo desta ode, peço, em nome de meus colegas que você, Miguel, continue a tarefa iniciada por você, nós te amamos, Miguelão; você mora em nossos corações. Um abração.



Por Modesto Laruccia

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Nem te conto...



Imagem: Biblioteca Malba Tahan

Estamos todos assanhados para aprender informática. 

A sala cheinha de gente. Gente cheinha de experiência. O local: Telecentro Malba Tahan, na Biblioteca do mesmo nome, em Veleiros, Capela do Socorro. 

O duro que é uns estão com pouca acuidade visual. Outros com a audição um tanto avariada e todos com alto colesterol e algumas câimbras inexplicáveis que acabam surgindo no meio das explicações. 

E por falar em explicações, após tantos: - 'hein(?) e não tô vendo'- a professora Gisele ensinou logo a clicar em ' Ver e Ampliar', uma lição imprescindível.

Algumas vezes, perdemos o fôlego porque clicamos mal e apaga tudo. Não queremos passar vergonha. Pressão a mil.

Leques, garrafinhas de água e muita sudorese pra ninguém botar defeito. Olhos estatelados na tela e mão descontrolada que teima em apresentar mal de Parkinson bem na hora de arrastar o tal do mouse e clicar. Êta nóis! Devia ter desfibrilador nesta sala! Má circulação, taquicardia e uma ânsia de saber. Não temos tempo a perder.

Para aulas de HTML avançado, a presença do cardiologista devia ser obrigatória. Ser um internauta é muito perigoso.

A Gisele passou semana inteira se esgoelando: Cliquem em Ver e Ampliar. 

Na sexta-feira seguinte, não é que tinha um cara na porta do Telecentro entregando panfletos: "Exame de vista grátis e óculos em suaves prestações".

Nem te conto!



Por Suely Schraner

Obs: Se quiserem ouvir esta história em áudio, acessem o link: 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Um príncipe na Mooca - 2ª parte



Noto que o Waldemar se esforça pra se fazer acreditar, eu acho que ele não mente, gosta de falar comigo, (nossas secções são bem próximas) e sempre conversamos sobre vários assuntos.
Mas, uma pequena e maldosa suspeita alimenta minha eterna curiosidade: ele chega a esse emprego, respondendo a um anúncio ou alguém sugeriu ao sr. Henry?  Não fico sabendo, pois ele procura desconversar quando indagado. Não me incomodo e nem me interessa, se  ele é escolhido, dentre vários candidatos, é porque é um bom gravador.
Porem, a coincidência de ele ser negro, também, não haveria um “dedo” do sr. Henry na opção? Mas, ele, o Waldemar, pessoa de fino trato, não se daria a estas intimidades sexuais, não pode ser, essa desconfiança minha é pura imaginação.

Uma tarde, durante  nossos  afazeres, o Waldemar me convida pra tomar um café no bar próximo. Temos essa liberdade, por sermos do setor artístico (sic) da empresa. No bar, pergunta se eu já tinha experimentado lasanha. Respondi que já tinha ouvido falar, mas ainda não havia saboreado. (só alguns anos depois do termino da guerra é que começaram a se popularizar as  delícias italianas). “Ah, neste caso, convido vc pra uma lasanha no “Gato que ri”, do largo do Arouche. Vc aceita, não é?”
“Sim”, respondi.
“Hoje é sexta-feira, vamos amanhã, sábado,  jantar”
“Nada me impede de aceitar seu convite, Waldemar, só se for almoço, minha noiva, a Myrtes me espera, a noitnha, sou noivo, vc sabe”
“Muito bem, Modesto, então vamos almoçar, sabe onde é, no largo do Arouche”

Algo perturba minhas “pequenas células cinzentas”, como diria Herculet Poirot, de Ágata Crhistie. Conheço a fama do “Gato que ri”, almoçando com um negro (não me move nenhum preconceito, fica bem claro, naquela época, porém, as coisas não eram assim, tão liberais como hoje).
Guloso como poucos, chego lá as 13 horas, conforme o combinado.  Essa é a primeira lasanha que como.  E gosto. Durante o almoço conta-me mais detalhes sobre seus parentes, sua falecida mãe, que era muito querida pela vizinhança da Mooca, entre seus predicados, era  pianista , formada em universidade africana, seus bens que irá recuperar quando a África tiver um governo democrático. Promete-me presentear com uma pedra preciosa, pois, sua fortuna está toda ela em pedras,  jóias e propriedades.

Passados alguns meses, uma tarde ouço um tremendo barulho vindo da gravação. O Waldemar sai da secção todo rasgado, gritando com o sr, Henry e um dos aprendizes, o Edson, com quem havia se atracado numa luta desesperada, com  xingamentos e ofensas pesadas de ambos os lados. Acalmados os ânimos, Waldemar tenta, em rápidas palavras, me contar o ocorrido: “Esse negrinho sem vergonha e “sua companheira”, (referindo-se ao sr. Henry) querem me solapar, fazem de tudo pra me prejudicar, sabotam meu serviço mas, não vão conseguir nada.”
Conseguem, sim, os dois são despedidos, o sr. Henry é mantido e, por ordem superior, nada mais foi comentado, o fato fica proibido de ser debatido, dentro da área industrial.

Fico com pena do Waldemar, logo depois, fora da fábrica o Joaquim, o imediato do sr. Henry, me conta algumas particularidades dos acontecimentos.
“Modesto, - começa o Joaquim – vc nunca percebeu nada? Nunca ficou sabendo das sacanagens que eles aprontavam?” - não, - respondi,-  sabia apenas que eles tinham “casos” , mas só entre o sr. Henry e os outros dois.
“ O que acontecia, lá dentro, (referindo-se a secção de gravação) é coisa de louco. O Edson, enciumado pelo sr. Henry, imaginava um “caso” com o Waldemar e o sr. Henry, supunha um caso do Waldemar com o outro, o Ademir. E o pior de tudo, vc não sabe, o Waldemar é, também, homossexual.

Trabalho na Shellmar mais um ano, caso com a Myrtes, arrumo emprego no Matarazzo, onde fico 15 Anos, os melhores de minha vida profissional.
Saio do Matarazzo, vou pra Pan Brasil, já como vendedor. Quem  encontro lá? O sr. Henry, muito alegre e contente, disse ter trabalhado na gráfica da revista Manchete, no Rio de Janeiro, que tinha saído de lá porque a revista fechou.
Casou, (?) com uma negra, tinha dois filhos e era feliz.  Poucos meses se passaram, adivinhem quem apareceu na Pan,  pra trabalhar.? O Waldemar, abatido, doente mal vestido, acabado. Converso com ele, me conta que nada deu certo na vida dele, se puder, vai trabalhar muito pra se recuperar. Não fica mais do que alguns meses, vai embora e o sr. Henry, também.

Termino aqui minha narrativa, com uma dúvida, até hoje, um mistério pra mim: a coincidência que, depois de mais de quinze anos, reencontro os dois personagens de minha história e onde foram parar, o Sr. Henry e o Waldemar, príncipe da Mooca. Espero que tenham encontrado um caminho ou, um destino melhor,

Diante da onda avassaladora de fatos relacionados com homofobismo, homossexualismo, pederatismo, com as múltiplas apresentações de peças, shows, telenovelas, radiofonizações de caráter atrativo e pedagógico, explorando estes segmentos, lembrei-me de fatos que, na época não dei a importância devida, mesmo por que, não era muito apropriado a menção  desses fatores em qualquer redação ou menção em papos de esquinas.

Pelos jornais e revistas, pode-se sentir a enorme diferença  nas publicações entre aquela época,  (1940\50\60), e atual, a recorrência de termos que, outrora, por tabus ou receios da opinião pública,  não havia abuso. Simplesmente o redator recorria a um sinônimo ou, eufemisticamente mencionava, num texto qualquer,  rebuscava toda a seqüência da crônica afim de fugir da palavra correta mas, ofensiva aos leitores alheios a esta “ousadia”.

Com a permissão dos amigos leitores, vou  recorrer ao tempo verbal, presente, o que pretendo contar.
Todos os nomes citados são fictícios, por motivos óbvios e pra que eu tenha um pouco mais de liberdade. 

Pois bem, por volta dos anos da década de 1950, na eminência de casar, trabalho numa empresa de embalagens, Shellmar, empresa americana, que esta localizada na rua Pres. Batista Pereira, travessa da av. Presidente Wilson, entre a Moóca e Vila Prudente, conhecida como “ilha do sapo”,  na função de  desenhista. Como vizinhos, temos  uma industria relativamente nova, a Kibon, fabricante e distribuidores de picolés, popularizando a venda em carrinhos, como fazem, atualmente os ambulantes de guloseimas destinadas as crianças.
Temos, também,  a Lorenzetti, Arno, Cia Antártica e outras empresas de porte.

Na Shellmar, no setor de desenho, somos três funcionários, com a grande artista Anna, alemã  que relata a nós, as atrocidade sofridas na Alemanha, perseguida que foi por ser judia. Muito simpática, mas enérgica nas atividades correlatas, como  chefe da seção. O setor de gravação de cilindros, tem, como chefe, o gravador suíço, sr. Henri, altamente técnico, favorecido pelo empirismo,  adquiridos em seu pais.
Os auxiliares do sr Henry, são três, o Joaquim, com mais experiência é o imediato do chefe e os outros dois rapazes,  aprendizes. Os dois aprendizes, Edson e Ademir, são negros, o Joaquim, não. Poucos meses se passam pra eu ficar sabendo que o sr. Henry é homossexual, tem visceral preferência por negros, como parceiros e os dois aprendizes, Edson e Ademir,  são tratados com todo cuidado, respeito, carinho e paparicados por ele, sr. Henry. Os dois membros do pequeno harém do sr. Henry, são simpaticíssimos, educados e muito bem asseados, com vestimentas muito bem selecionadas, só da “A Exposição”.

O ambiente é sempre bem amistoso, há bons papos e boas situações irônicas, como o que aconteceu com um porteiro, Benedito, negro, alto, quase dois metros de altura mas, de uma simpatia quase infantil, tanto é sua inexperiência dos fatos da vida atual. Um dia, passo por ele e noto que está com uma lámina apontando o que parecia ser um lápis. Ele me pergunta: “Seu Mudesto, meu lápis num escreve mais, acabou a ponta e não encontro mais o grafite, por mais que tento cortar essa madeira tão dura... o sr. pode ver se consegue?”  Logo vi que o que ele tem em mãos é a recem-lançada caneta esferográfica, sem gozação, conto a ele e ele fica admirado.

Um dia desses, soubemos que foi contratado mais um gravador, de nome Waldemar Costa, moço de uns 27 ou 28 anos, também negro.
Fomos apresentados, o Waldemar é muito simpático, educado tem, nas palavras proferidas, algo que foge um pouco do português comum. Exprime bem termos poucos usuais, delicada e corretamente, sem fugir de uma conversa sobre qualquer assunto.  É delicado nos gestos, nobre nas atitudes, de uma bondade sem igual, sempre pronto a servir quem dele precisasse.

Como fanático leitor de contos policiais e de mistério,  minhas eternas suspeitas de haver algo de, não errado, mas diferente nos dias que seguem, vou a fundo. Converso com Waldemar e ele se abre comigo.  “Modesto, não sou brasileiro, sou africano, meu nome, Waldemar, é o que recebi na pia batismal da igreja católica da Moóca, onde moro. Meu nome é Faissal, sou um... príncipe, descendo de  família imperial. Meu pai, preso pelo rei Farouk, está sendo julgado por posse indevida do protetorado de sua responsabilidade.
Meu tio, irmão do meu pai, foi fuzilado, perdemos nossos bens e fugimos, eu e minha mãe, viemos para Brasil. Minha mãe, não resistiu a separação, faleceu algum tempo atraz. Estou sozinho aqui, aprendi a gravação graças a minha mãe que gozava de boas amizades, não quis ser mais muçulmana, pra mudar meu nome, fui batizado com o nome cristão, Waldemar.”




Por Modesto Laruccia

sábado, 12 de outubro de 2013

Um príncipe na Mooca



Diante da onda avassaladora de fatos relacionados com homofobismo, homossexualismo, pederatismo, com as múltiplas apresentações de peças, shows, telenovelas, radiofonizações de caráter atrativo e pedagógico, explorando estes segmentos, lembrei-me de fatos que, na época não dei a importância devida, mesmo por que, não era muito apropriado a menção  desses fatores em qualquer redação ou menção em papos de esquinas.

Pelos jornais e revistas, pode-se sentir a enorme diferença  nas publicações entre aquela época,  (1940\50\60), e atual, a recorrência de termos que, outrora, por tabus ou receios da opinião pública,  não havia abuso. Simplesmente o redator recorria a um sinônimo ou, eufemisticamente mencionava, num texto qualquer,  rebuscava toda a seqüência da crônica afim de fugir da palavra correta mas, ofensiva aos leitores alheios a esta “ousadia”.

Com a permissão dos amigos leitores, vou  recorrer ao tempo verbal, presente, o que pretendo contar.
Todos os nomes citados são fictícios, por motivos óbvios e pra que eu tenha um pouco mais de liberdade. 

Pois bem, por volta dos anos da década de 1950, na eminência de casar, trabalho numa empresa de embalagens, Shellmar, empresa americana, que esta localizada na rua Pres. Batista Pereira, travessa da av. Presidente Wilson, entre a Moóca e Vila Prudente, conhecida como “ilha do sapo”,  na função de  desenhista. Como vizinhos, temos  uma indústria relativamente nova, a Kibon, fabricante e distribuidores de picolés, popularizando a venda em carrinhos, como fazem atualmente os ambulantes de guloseimas destinadas às crianças.
Temos, também,  a Lorenzetti, Arno, Cia Antártica e outras empresas de porte.

Na Shellmar, no setor de desenho, somos três funcionários, com a grande artista Anna, alemã  que relata a nós, as atrocidades sofridas na Alemanha, perseguida que foi por ser judia. Muito simpática, mas enérgica nas atividades correlatas, como  chefe da seção. O setor de gravação de cilindros, tem, como chefe, o gravador suíço, Sr. Henri, altamente técnico, favorecido pelo empirismo,  adquiridos em seu pais.
Os auxiliares do Sr Henry, são três, o Joaquim, com mais experiência é o imediato do chefe e os outros dois rapazes,  aprendizes. Os dois aprendizes, Edson e Ademir, são negros, o Joaquim, não. Poucos meses se passam pra eu ficar sabendo que o Sr. Henry é homossexual, tem visceral preferência por negros, como parceiros e os dois aprendizes, Edson e Ademir,  são tratados com todo cuidado, respeito, carinho e paparicados por ele, sr. Henry. Os dois membros do pequeno harém do Sr. Henry, são simpaticíssimos, educados e muito bem asseados, com vestimentas muito bem selecionadas, só da “A Exposição”.

O ambiente é sempre bem amistoso, há bons papos e boas situações irônicas, como o que aconteceu com um porteiro, Benedito, negro, alto, quase dois metros de altura, mas de uma simpatia quase infantil, tanto é sua inexperiência dos fatos da vida atual. Um dia, passo por ele e noto que está com uma lâmina apontando o que parecia ser um lápis. Ele me pergunta: “Seu Mudesto, meu lápis num escreve mais, acabou a ponta e não encontro mais o grafite, por mais que tento cortar essa madeira tão dura... o Sr. pode ver se consegue?”  Logo vi que o que ele tem em mãos é a recém lançada caneta esferográfica, sem gozação, conto a ele e ele fica admirado.

Um dia desses, soubemos que foi contratado mais um gravador, de nome Waldemar Costa, moço de uns 27 ou 28 anos, também negro.
Fomos apresentados, o Waldemar é muito simpático, educado tem, nas palavras proferidas, algo que foge um pouco do português comum. Exprime bem termos poucos usuais, delicada e corretamente, sem fugir de uma conversa sobre qualquer assunto.  É delicado nos gestos, nobre nas atitudes, de uma bondade sem igual, sempre pronto a servir quem dele precisasse.

Como fanático leitor de contos policiais e de mistério,  minhas eternas suspeitas de haver algo de, não errado, mas diferente nos dias que seguem, vou a fundo. Converso com Waldemar e ele se abre comigo.  “Modesto, não sou brasileiro, sou africano, meu nome, Waldemar, é o que recebi na pia batismal da igreja católica da Moóca, onde moro. Meu nome é Faissal, sou um... príncipe, descendo de  família imperial. Meu pai, preso pelo rei Farouk, está sendo julgado por posse indevida do protetorado de sua responsabilidade.
Meu tio, irmão do meu pai, foi fuzilado, perdemos nossos bens e fugimos, eu e minha mãe, viemos para Brasil. Minha mãe, não resistiu a separação, faleceu algum tempo atrás. Estou sozinho aqui, aprendi a gravação graças a minha mãe que gozava de boas amizades, não quis ser mais muçulmana, pra mudar meu nome, fui batizado com o nome cristão, Waldemar.”




Por Modesto Laruccia

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Retornando

Olá, amigos autores e leitores deste blog!
Estamos voltando com as postagens dos textos preciosos de todos os autores e colaboradores deste humilde espaço, que tem como objetivo divulgar as belezas e peculiaridades de Sampa, sob a ótica dos próprios autores.
Nossa ausência se deu por excesso de trabalho profissional que nos levou a muitas viagens fora de Sampa. Mas, agora, já mais tranquila pela finalização de todos os projetos de 2013, posso atualizar o blog.

Conto com a valorosa colaboração de todos vocês e, também, com a presença e comentários em todos os textos.
Estou aguardando a foto da pequena Helena, filha de Marcos Aurélio e Isabel, nascida recentemente.

No mais, deixo-lhes com o texto de nosso querido Arthur, logo abaixo.
Com meu carinho de sempre.
Muita paz! Beijosssssss

Sonia Astrauskas

É Campeão!



Ser corintiano é ser consciente
Que sempre ter-se-á pela frente
Muitos radicais opositores,
Que são também como nós
Fanáticos torcedores
De outros times rivais.
Que sempre estarão unidos,
Para  torcer contra nós.

É também estar consciente
Que teremos muitas alegrias
E até algumas tristezas,
E por fim, tal e qual acontece agora.
Chegaremos a grandes vitórias,
De um titulo Mundial.
E então como melhores do Mundo
Sentir que aqui nesse planeta
Não existe nenhum esquadrão
Melhor que o nosso TIMÃO.

Ganhamos o Brasileirão
Invictos a Libertadores
E também esse Mundial,
E se um dia houver um campeonato
Na lua ou em outro planeta qualquer.
A fiel vai estar lá presente
Seja lá onde for
Haverá invasão corintiana
Com uma bandeira na mão
Esse enorme Bando de Loucos
Irão gritar como poucos
Em frente! Oh, poderoso Timão.

Depois desses anos seguidos
De magoas e desilusões,
Muitos horríveis apelidos
Tivemos que suportar.
Faz-me rir, arroz brejeiro,
Tou limado, e até o tal Gambás.
Mais o castigo dessa tal segundona,
Fazendo a Fiel toda chorar.
Então veio essa volta por cima.
A libertadores, e também o Mundial

Nosso time rodou a baiana
A atual Nação Corintiana
Verdadeiro Bando de Loucos
Tomou de assalto o Japão
Trazendo lá do estrangeiro
Para o nosso torrão brasileiro
Esse titulo de Campeão.

E agora essa festa nas ruas
de nossa bela capital
é o Corinthians nos braços do Povo
com o titulo de Campeão Mundial,
nessa bela manhã paulistana
o preto e branco domina a cidade,
são crianças, jovens e adultos
alegria jamais teve idade.
todos querem saldar o Corinthians
e gozar essa felicidade.
Gritando bem no meio da rua!

È !!!  CAMPEÃO.




Por Arthur Miranda (tutu)