sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Uma noite... Uma noite... Só uma noite!


Pois é. Só uma noite, por coincidência, apenas esta noite - vou tratá-lo por Você.

Como escrever a seu respeito, baseada em 80 e tantas crônicas onde constam retalhos da sua vida quando menino, jovem, adulto? E as poucas vezes em que o vi em 2 encontros das Redondas nos quais compareci? É pouco... Muito pouco!

Mas, agora não é hora para lastimar. É apenas um momento para se observar amenidades escritas por trás das estrelas. As amenidades são minhas, o talento é todo seu.

Sim, esse seu talento ao nos dar atenção quando chegamos tímidos, nervosos ao São Paulo Minha Cidade e recebemos "boas vindas" em um comentário simpático escrito por você.

Quando, finalmente, é postado nosso 2º texto, lá vem você comentando e convidando-nos a também fazermos comentários. Passamos a sentirmo-nos parte desta imensa família que escrevem pessoas tão especiais!

E com o conteúdo de seus textos, então? Aprendemos um pouco de tudo... História, imigração, honestidade, respeito, negócios, um pouco mais sobre o nosso querido bairro do Braz (Bráz com Z), exercendo afetos, agregando pessoas, observando a humanidade que nos cerca e, eventualmente, nos dando abrigo e consolo.

Modesto, aproveito para cumprimentá-lo, antecipadamente, pelo seu aniversário e espero que esta data se repita por muitos anos... Com você ao nosso lado, é claro.

Abraços muitos.

Por Lia Beatriz Ferrero

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Acróstico Modesto Laruccia


M uitas memórias,
O u muitos "causos",
D o Modesto
E u
S empre
T erei em minha memória.
O h! Modesto, bom companheiro...

L indas histórias,
A lto astral,
R indo sempre,
U m marido exemplar,
C ompanheiro das "redondas" e
C riador de mais de o...
I tenta histórias no SPMC.
A uguri Modesto! Feliz Aniversário.


Por Berenice Rabello (Berê/Doris)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Ao Mestre com carinho


Meu primeiro contato com Modesto foi através dos comentários que ele escrevia em todos os meus textos. Sempre elogiando e ressaltando as coisas boas do escrito, sem fazer referências às partes que não estavam tão boas. O incentivo a escrita sempre foi o tom de seus comentários.

Pude perceber, analisando seus textos, que se tratava de uma pessoa especial, com conhecimento, cultura, simplicidade e amor ao próximo. Esta percepção veio a se confirmar em nosso primeiro encontro na rodada das redondas organizada pelo amigo Miguel.

Encontrei, não um Italiano, mas sim “um paulistano”, “ um ser humano diferenciado” que mora no “Braz com Z”.

Logo nos papos iniciais de apresentação pessoal sua conversa soava como “musica divina música”. Tivemos o “papo interrompido’ pela “Myrtes, a incendiária”, que o tratava com tanto amor e carinho como se este fosse o seu “panda doméstico”, verdadeiro exemplo de “um amor sincero”.

Neste primeiro encontro, Modesto deu-me uma aula de redação ao comentar um de meus textos, no qual procurou exaltar a forma com que eu escrevia sobre o passado, utilizando o tempo verbal no presente. Confesso que eu mesmo não tinha notado este estilo, que a partir daquele momento passou a ser aperfeiçoado em meus novos textos por incentivo deste homem, com quem eu não queria repartir com mais ninguém o prazer de estar junto, conversando por “uma noite... uma noite... só uma noite”.

Hoje, Modesto é meu ídolo e tudo que ele escreve eu devoro como se fosse a “macarronada da mama”. Seus textos sobre os recantos de “uma cidade fadada à grandeza” contém “emoções sonoras” das madrugadas da “Rua do Gasômetro, seus ruídos”, o roncar do motor do “caminhão do seu pepino”.

Aos poucos passei a conhecer mais sobre este homem, “uma vida, um exemplo”. Para mim, foi uma “surpresa prazerosa”, “uma explosão de alegria” poder escrever este texto com “retalhos” desta figura ímpar, desprovida de “arrogância”, admirado por todos os que tiveram o prazer de desfrutar de sua companhia ou da leitura de seus texto.

Parabéns Mestre e muito obrigado por me permitir sua amizade.

Por Marcos Falcon


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Modesto


Tem gente que é muito modesto em todas as coisas que faz ou fala. Isso é uma coisa nata que certas pessoas carregam, e são modestos, desde o que fazer ou falar. Isso sem falsa modéstia. Ser modesto e fazer a coisa difícil ficar fácil, sem se propagar. É resolver seus problemas sem perturbar pessoas ou a si mesmo.

O modesto é aquele ser, que se for necessário come cru, para evitar que a coisa esquente e, sempre há adjetivos para o Modesto, e são essas pessoas que no passar da vida de tanto ser modesto, viver a vida modesta. Ai, acaba colocando o nome num filho de Modesto. E como modesto ele abre portas em todos os lugares por onde vai.

Quem é modesto vive muito é por isso que o meu amigo que recebeu esse nome, já está com oitentinha, a vida passa tão rápido que logo ele nos vai mandar um e-mail dizendo; Pessoal já sou, um noventinha. Se com oitenta tem cabelos bem brancos, aos noventa queremos crer que ele ainda os mantenha.

Por Mário Lopomo

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Modesto Laruccia


Logo que o vi, me encantei. Foi o seu jeito simples e alegre que chamou a atenção.
Os cabelos bem branquinhos e ajeitados o marcavam, sua personalidade e simpatia o destacavam, além da companhia de sua fiel companheira, a Myrtes.
Sim. Falo de Modesto Laruccia.
Meu primeiro contato com ele foi lá na Pizzaria Moraes, quando acompanhei Miguel num dos encontros em torno das redondas, em 31 de Outubro de 2008.
Estiveram presentes ao encontro o Nelinho, Jurema, Laer, Margarida, Falcon, Lopomo, Flugge, José Carlos e Silvinha, Modesto, Myrtes, Miguel e eu.
Eu estava acostumada a outros grupos, outros eventos e, naquele dia, pude participar de assuntos aos quais eu não estava habituada e que, felizmente, comecei a inseri-los em minha vida... As coisas de Sampa... Suas histórias, seus casos, seus habitantes, seus mistérios, seus segredos... Tudo.
Que fascinante! As coisas de Sampa, contadas por aquelas pessoas simples e tão acostumadas a escrever sobre nossa querida cidade, a deixavam ainda mais encantadora.
Aquela noite foi memorável para mim e a apoteose da noite foi a história que Modesto nos contou, relembrando o texto que ele já havia escrito no site São Paulo Minha Cidade, “O Porcelanato”.
Rimos muito com a história e, principalmente, com o Modesto, pois o seu jeito de contar é que nos envolveu e integrou o grupo ainda mais.
A partir daquele dia, não mais deixei de participar de todos os famosos encontros das redondas com autores redondos ou não.
Hoje este evento é tradição em nosso meio e devemos agradecer a Deus por ter todos estes queridos amigos e seus familiares entre nós. Especialmente por termos o Modesto, pessoa querida e muito importante para todos nós.
Através de Miguel, que me estimulou a voltar a escrever e por este evento do dia 31/10/2008, passei a escrever sobre minha querida São Paulo, meu berço esplêndido. Eu escrevia sobre tantas coisas e Sampa estava distante de minhas crônicas. O jeito como Modesto falava sobre Sampa, além de todos os outros autores presentes, me estimularam a também escrever minhas histórias sobre nossa querida cidade.
Sou grata.
Valeu, Miguel! Obrigada.
Valeu, Modesto! Obrigada.
Valeu, autores! Obrigada.
Parabéns, Modesto, pelos seus 80 anos!
Muita paz a todos.

 
Por Sonia Astrauskas

sábado, 7 de janeiro de 2012

Uma tragédia urbana

imagens extraídas da internet: portões da escola Alcina Dantas Feijão (SCS); o menino David; Rua Santa Rosa no Bras.

Nos dias que correm, deparamos com ocorrências que o rádio, jornais, televisão, internet se apressam em nos por a par de tudo, com detalhes minuciosos, às vezes, exagerados. Quando um fato, de relativa importância, chega ao conhecimento público, ele é exaustivamente noticiado por todos os meios de comunicação, durante todas as horas do dia e, tratando-se de assaltos, latrocínios, “colarinho branco” etc, banaliza-se num instante. A crueldade de um estupro seguido de morte, choca e muito, devido à maldade inata de determinados indivíduos, revolvendo nosso estômago, num desejo imediato de vingança em termos de se infligir o pior dos castigos ao monstro. Chegamos a ficar tão bem informados que, praticamente, numa roda de amigos, em casa ou no clube, quando você se dispõe a contar um fato, todos já tem conhecimento do mesmo, tirando o prazer de começar um bom bate-papo.
O que me traz aqui, prezados colegas, pode ser um papo, mas, não um “bom-papo”. Habituado que estou (porque gosto muito) de ler contos e romances policiais, mesmo com histórias de “arrepiar os cabelos”, envolvendo criminosos inteligentes, cruéis, mulheres não menos espertas, detetives possuídos da arte de descobrir autores de crimes aparentemente insolúveis, à moda de Sherlockianos modernos. Leio com satisfação por que sei que é uma distração pura e inteligente ficção. Lembro que determinados escritores, a maioria norte americanos, mas os melhores eram (ou ainda são) os ingleses, se especializavam em enfoques, criando uma legião de leitores sempre a espera de novas histórias. Criavam investigadores, policiais, agentes da inteligência, detetives que eram personagens principais de todas as histórias que eles publicavam. Um bom exemplo, James Bond, Herculet Poiro, Sherlock Holms etc.
Havia um escritor americano, não lembro seu nome, que se especializou em contos de crimes praticados por crianças. É evidente que todos os escritores baseiam suas histórias em fatos que acontecem ao seu redor e quando terminava de ler um conto dentro desse clima, ficava imaginando que, mesmo sendo ficção, onde ele poderia se inspirar pra contar uma história que causava náuseas, um crime praticado por uma criança.
Em Setembro de 2011 todos vocês tomaram conhecimento sobre o garoto de dez anos, em São Caetano do Sul, munido de um revolver, que atirou na professora, ferindo-a nas nádegas e, em seguida, disparou um tiro na própria cabeça. Menino com bons antecedentes, confirmados pela própria professora, de família classe média, torna-se um mistério, um fato inusitado. Uma verdadeira tragédia urbana, com poucas possibilidades de uma explicação razoável. O pai, guarda-civil, negligenciou sua arma permitindo que o filho se apoderasse da mesma em circunstâncias ainda não esclarecidas.
Pois bem, lendo e ouvindo os detalhes dessa verdadeira tragédia, lembrei-me de que eu quase fui protagonista de um fato semelhante.
Meu falecido pai Bartholomeo, tinha um armazém de cereais com seu irmão, Francisco, na rua Santa Rosa, na época o maior centro de distribuição de alimentos de São Paulo, junto com o mercadão da Cantareira. Vez ou outra ia ao armazém brincar com meu primo Victor, filho do Francisco, eu com 9 ou 10 anos e ele com 12 ou 13. No meio das sacarias de feijão ou arroz, ficávamos pulando de pilha em pilha de sacos, num risco constante de vir abaixo toda sacaria. Depois de uma sonora bronca de nossos pais, resolvemos ir brincar no “quintal” do armazém, onde eram empilhados os caixotes de bacalhau vazios. Logo me inspirou utilizar os caixotes, que eram no formato retangular em pinho de riga, como são até hoje, parecendo um caixão de defunto, só que mais largo.
Na minha imaginação, arrumando as caixas montei uma “carroça do faroeste” sem os cavalos, que eram representados por dois dos caixotes, colocados de pé, na parte estreita e cobertos por dois sacos vazios. Como chibatas e rédeas, dois pedaços de cordas. Nossa brincadeira eram os gritos dos índios “peles vermelhas” ou os bandidos assaltantes de diligências. Meu primo era o xerife e eu, o bandido.
Bang-bang pra lá, bang-bang pra cá, lá íamos nós, “pelos prados verdejantes” de nossa imaginação. “Aiô, Sílver”.
Logo percebi que faltava um revolver. - “Victor, vamos procurar um pedaço de pau e improvisar dois revolveres.”- Nossos pais ficavam sempre no balcão da frente, atendendo a clientela, só iam ao fundo pra alguma necessidade. Nos fundos do armazém, bem escondidinho, tinha uma escrivaninha antiga, fora de uso, toda empoeirada, acredito que era uma verdadeira relíquia do tempo dos pioneiros. Tentei abrir suas gavetas, quase todas emperradas ou fechadas a chave. A última, com muito custo, consegui abrir. Surpresa, UM REVOLVER, todo enferrujado, peguei-o, examinei e tentei (vejam vocês, a imprudência de uma criança) puxar o gatilho. Nem saiu do lugar. Estava pra mostrar pro meu primo quando tentei, de novo, desta vez encostando o cano na parede. Consegui, ouvi o estalo e percebi que não estava carregado. Levei um tremendo susto, coloquei o revolver no lugar, que era do tipo usado pelos “cawboys”. Não contei pra ninguém e nunca fiquei sabendo de quem era a arma, por isso estou aqui, contando essa história.
Por incrível que possa parecer, o prédio do armazém ainda está de pé.

 

Por Modesto Laruccia

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

As pedras do caminho

Imagens retiradas da internet: Liceu Coração de Jesus em dois momentos, atual e em 1920.

Leio nos jornais que as ruas e logradouros próximos ao Liceu Coração de Jesus transformaram-se numa imensa cracolândia. Tal situação, traz preocupação aos pais, acarretando prejuízos à escola com crescente e significativa redução do número de alunos.

Meu querido e velho Liceu não merece tal sorte. Dirigido pelos padres salesianos, sempre foi exemplo de disciplina e bom ensino. Lá fiz meus estudos secundários na década de 50. Professores competentes contribuíram para moldar o caráter de muitos adolescentes que, como eu, deixavam a família no interior para frequentar boas escolas na capital paulista.

Eu morava relativamente perto e ia, caminhando, pela Alameda Glete, chutando as pedras do caminho, sem sustos ou sobressaltos, até o Largo Coração de Jesus. Carregava minha bolsa - que foram substituídas pelas mochilas- cheias de sonhos, lanche e refrigerante, já que ninguém vive só de sonhos. Jamais fui importunado. Era uma região tranquila, que oferecia paz e segurança aos pedestres.

Por isso que li com assombro e perplexidade a notícia de jornal. Lamentei profundamente, pois na velha casa de ensino ficou parte de minha distante e irrecuperável mocidade. Que Deus tenha misericórdia do Liceu!

Por Deraldo Mancini


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A Sessão


José de Assis Cabral é meu primo, sobrinho de meu amado pai´, mora em Itajubá - MG.
Entrego-lhes, com meu carinho de sempre.

Oi, prima...
 
Vou repassar um caso acontecido comigo ai em São Paulo, na Zona Leste de São Paulo, mais precisamente no Bairro Vila Prudente, onde passei algumas das minhas férias escolares na casa de meus tios (Divino-Virginia, José-Izailda, Argelim-Laura).
Na Vila Prudente havia o Cine Amazonas, que se localizava no Largo da Vila Prudente (Praça Padre Damião), depois virou estacionamento.
Uma história do tempo de criança aconteceu comigo envolvendo o Cine Amazonas. Em Itajubá-MG, na vila residencial da Fábrica de Armas de Itajubá – FI, hoje Indústria de Materiais Bélicos – IMBEL, tinha um cinema que se chamava Cine Auditório Fábrica de Itajubá, que toda semana soltava um boletim informativo dos filmes da semana, que no cabeçalho vinha escrito Sessão Cinematográfica.
A palavra sessão, para mim, era sinônimo de cinema.
Naquele tempo se falava:
- Você vai à sessão hoje? (Você vai ao cinema hoje?)
Em uma de minhas férias escolares, estando eu na casa da tia Izailda, uma de minhas primas convidou-me para ir à seção e eu, mais que depressa, aprontei-me a fim de ir ao Cine Amazonas, que dava para ir a pé, era só descer a Rua Umuarama. Mas, minha prima, no caminho, entrou na casa de outro parente nosso... Pensei que era mais uma pessoa que iria conosco ao cinema. Porém, qual não foi a minha surpresa, quando fomos convidados para sentar em uma mesa de sessão espírita.

 
Por José Cabral

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Subindo a mais “augusta” das ruas em direção à mais famosa avenida de São Paulo, Av. Paulista... na virada do ano

Com um litro de Pernod Fils  a tiracolo e um amigo com sua garrafa de Cinzano, subimos a Rua Augusta, completamente “tocados”, em direção à Avenida Paulista.
Era 31 de dezembro de 1967.
O plano era passar o dia no sítio dos Andradas, da família da minha então namorada. 
Iciamos nossa jornada etílica na Galeria Ouro Fino, devidamente calibrados, rumo ao topo.
No caminho, paramos para dar um abraço no amigo Valdomiro de Deus, o artista plástico primitivista, que teve a audácia de pintar um quadro da Sagrada Família, vestindo Jesus com uma bermuda e Sua Mãe, de mini-saia.
Valdomiro também usava mini-saia, cabelo à lá Black Power para chamar mais ainda a atenção. Acabou sendo capa do Jornal da Tarde. 
Nesse dia Waldomiro estava meio atacado; deveria estar escondendo alguma gata e não estava pra muita conversa. Ao “sacar” o assunto, levantamos acampamento, desejando a ele um feliz 1968, sem saber que este seria o ano mais complicado para os brasileiros.
Ele morava num quartinho onde funcionava também seu atelier, ao lado do HI-FI, o santuário das músicas importadas, que municiava a guerra das rádios Excelsior e a Difusora, na época.
Entre goles de Pernod e Cinzano nos colocamos de novo em marcha.
No caminho, paramos na Alameda Itu, endereço da turma que nos abrigava naquele tempo, para abraçar os amigos Vadinho, Magôo, Sandra e Dulce, todos embarcados na viagem rumo a Marrakech e pra lá de Bagdá...
Ali ficamos o tempo suficiente para dar um abraço geral na galera, seguindo em frente, só parando no cruzamento da Augusta com a Paulista, esperando a chegada do Ano Novo. E ali permanecemos, tomando nossos drinques, em ritmo de conta gota, até esvaziar a garrafa.
À meia noite em ponto, nos abraçamos e a todos que passavam por ali. Fizemos uma algazarra junto com o buzinaço de quem passava. Algumas pessoa lançavam serpentina e confete nos passantes. Nos divertimos um bocado.
Duas horas mais tarde, o fígado do meu amigo acusou fragilidade...
Seu estado era terrível. Totalmente fora de si, ele se postava de forma ereta, para logo em seguida seu corpo pender para a frente fazendo as mãos encostarem no chão, mas sem cair. Logo retomava a posição de sentido, para depois pender o corpo para frente, encostando as mãos no chão. Ficou assim se repetindo durante uns 30 minutos. Sua postura parecia um polichinelo, variando do dramático ao hilário.
Quando me dei conta eram quase 4 horas, quase amanhecendo, me lembrei que ainda tinha o dia cheio pela frente, no sitio.
Nesse momento, ouço uma voz: “sujei nas calças”. Caraca. Era tudo o que eu não queria ouvir.
Rapidamente deu pra sentir que alguma coisa tinha acontecido.
Assim como um incenso, aquilo tinha tomado conta do ar.
Me deu pânico. Como iria levar o cara pra casa, todo travado e ainda por cima, com “a mala cheia”.
Precisava encontrar uma solução para o caso e também na minha ida para o sitio.
O ‘’perfume” estava cada vez mais triste, difícil de aguentar.
Com muito custo, consegui encontrar um taxi que topasse a empreitada.
Falei com o motorista, que ele havia vomitado e precisava levá-lo para sua casa na avenida Santo Amaro. Após discutirmos o preço e com uma boa gorjeta, ele topou.
Coloquei-o no banco de trás do Ford Mercury, deixando todas janelas abertas e fui na frente, com o nariz pra fora. 
Chegamos ao prédio que ele morava.
Apertei a campainha. Assim que a porta se abriu, vi a figura do pai do meu amigo que perguntava: O que havia acontecido?
Expliquei, enroladamente, que havia bebido umas doses a mais e coisa e tal... daí o estrago.
Ajudei-o a entrar até o meio da sala. O pai dele disse que iria colocá-lo no banho...
Em seguida, virei as costas e cai no mundo.
Passei o dia no sítio, extremante preocupado com o desenrolar da história, pois ambos éramos menores de idade.
Não consigo me lembrar de nada do sitio, somente das felicitações que recebia: Feliz ano novo, Feliz 1968, quando faria 18 anos.
Ainda bem que tudo isso agora é passado. 
Feliz ano novo para todos !
Um feliz 2@12 para nós todos             
Por Luigy Marques

sábado, 31 de dezembro de 2011

Memórias Natalinas


Estamos em Dezembro, mês de festas, de confraternizações, de religiosidade. Mês das árvores enfeitadas de bolas e luzes. Mês dos presépios representativos do nascimento de Jesus Cristo, desde os mais simples com as figuras de José e Maria, uma manjedoura abrigando Menino Jesus e, ao fundo, um burrico e uma vaquinha, até os enormes e detalhados presépios que abrangem desde a época do nascimento de Jesus Cristo até os dias atuais, numa miscelânea de tempos e objetos.
Pois muito bem, Natal, para mim, é vida, é alegria. Mesmo quando nos momentos mais íntimos, nas horas mais contemplativas, quando a lembrança chega de mansinho e lembro-me da minha velha mãezinha que me deu adeus num final de tarde de 25 de Dezembro e foi ter com a Luz em outro plano, não consigo ficar triste.
Fui criado numa família que respeitava essa data e fazia questão de comemorá-la reunida.
Comemorávamos a Ceia Natalina, servida, impreterivelmente após a alegria das doze badaladas que anunciavam o nascimento de Cristo. Nesse momento nos abraçávamos, brindávamos a data com uma taça de champagne e trocávamos presentes (momento esperado com ansiedade por nós, as crianças).
A ceia era farta, pernil suíno, frangos assados (às vezes um peru), maionese, farofa, arroz, frutas frescas e frutas secas e, lógico, o panetone. No dia 25, ao almoço, tínhamos farta e generosa lasanha, feita por minha mãe e todas as sobras da ceia. Lembro bem,os adultos ficavam à mesa, por muito tempo após o termino da refeição, jogando conversa fora, enquanto nós, crianças, curtíamos nossos presentes e mordiscávamos frutas secas, frutas frescas e doces.
Falar de Dona Thereza é lembrar de vários natais, e lembrar de meus natais é reviver um rosário de emoções. Muitas são as lembranças, entre elas, uma se apresenta e, pululando entre as minhas idéias, busca ser escolhida como a principal. Não conseguindo me desvencilhar dessa inquieta memória, me rendo a ela e a elejo como minha principal lembrança natalina, então cabe agora caprichar no relato, vamos tentar:
O ano não tenho certeza, mas vamos situar-nos como se fora entre os anos de 1948/1950, o local, com absoluta certeza é a minha casa na Rua Augusta, 291.
O Sr. Alfredo (meu pai) numa de suas viagens profissionais comprou um leitão e mandou despachá-lo para nossa casa.
Assim, um belo dia de Setembro, chega em nossa cassa,o alegre e espalhafatoso bacurinho, que deveria ficar solto em nosso quintal e muito bem alimentado para, já gordinho, enriquecer nossa ceia natalina.
Solto no quintal, juntou-se logo com os de igual idade, nós as crianças da casa, eu, meu irmão, minha prima e meu primo. Foi então batizado, ganhou o nome de Pepeu.
Os dias passavam e Pepeu ficava cada vez mais gordinho e cada vez mais amigo, nosso companheiro. Abríamos a porta da cozinha para ganhar o quintal, gritávamos por seu nome e ele atendia ao nosso chamado e conosco brincava.
Eis que, senão, quando adentramos no mês de Dezembro, época do Natal, um belo dia, a sentença foi decretada, Pepeu estava com os dias contados. Iria ser sacrificado para ser copiosamente devorado na Ceia de Natal.
Nós, os companheiros de arruaças do pequeno suíno, iniciamos uma campanha contra sua morte. Choros, rogos, teimosias, desobediências, tudo que era infantilmente possível foi tentado. Mas, de nada adiantou e, no dia aprazado, um vizinho experiente nesse tipo de sacrifício e de olho num bocado de carnes do Pepeu, chegou em casa para cumprir a sentença.
Foi terrível. Ainda hoje tenho em meus ouvidos os guinchos do coitado do Pepeu. Depois de algum tempo, os guinchos pararam de machucar nossos ouvidos e eu tive a certeza, “consumado est”, Pepeu estava morto, assassinado brutalmente.
Foi um Natal meio triste, as crianças, Dona Thereza, Dona Neide e Dona Zazá, tomaram uma decisão, não iriam sequer, experimentar aquela “iguaria”, passariam, se preciso fosse, a pão e água naquele Natal.
Como diz o velho ditado: “Felicidade de uns, infelicidade de outros” a mesa da vizinhança, naquele oportunidade, ficou mais rica, muitos tiveram pedaços do Pepeu para se alimentar.
Nós? Ora, nós passamos muito bem, como sempre passamos, comemos as comidas tradicionais de todos os natais.
Estávamos, apenas, um pouco tristes pois já não tínhamos a companhia de nosso amiguinho, mas, a vida seguiu em frente e novos Natais vieram para ser comemorados.
Por Miguel Chammas

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Reveillon 2009/2010


Queria estar em casa, em companhia dos amigos, da família.
Perguntava-me em pensamento:
- O que estou fazendo aqui, meu Deus?!
Ou eu era um tremendo masoquista, ou um covarde que, incapaz de cometer o suicídio profissional de dizer um não, optara por agonizar e morrer de tédio naquela festa de fim de ano.
O Coordenador geral convidou a todos da equipe, os efetivos, estagiários e os contratados para passar o “Réveillon” em sua casa. Como dizer não à sua majestade, o “chefão”? Como dizer não a quem tanto nos elogiava e, ao mesmo tempo, nos confiava novas pesquisas? Como estar em um lugar, onde o antagonismo se fazia presente? Efetivos e contratados não se “bicavam”. Resignação, teu sobrenome é Natale! Menti a mim mesmo. E lá estava eu, a morrer de tédio, naquela mansão do Morumbi, preocupado apenas em como voltar para casa.
Uma festa artificial. Ali, tudo era “pelo social”. Tudo na base da “rasgação de seda” e elogios falsos. Gente polida e educada, fingindo afetividade e sentimentos inexistentes. A única afinidade que havia era a relação de trabalho que, por sinal, era muito desgastante e competitiva. Estar ali me lembrou a cena do baile do filme “A Dança dos Vampiros”, do Roman Polanski.
Sentado no meu canto, bebendo champanhe, via e ouvia a “fauna” a desfilar.
Uma “perua” comenta com a amiga que “estava de branco e que, para ter sorte e dinheiro no ano novo, estava com uma calcinha amarela... Não uma calcinha qualquer! – enfatizou – Era uma Victoria’s Secret”! Satisfeita, ela ouvia as exclamações invejosas da amiga. Banalidades, futilidades.
O “garotão” malhado exibia o seu duvidoso Armani... Com aquela costura e aquela linha de poliéster, só se o terno fosse um “Armênio”, dono da confecção de roupas masculinas lá do Bom retiro! Tudo pelo social.
Uma festa cheia de conversas vazias, risinhos, hálitos alcoólicos. Abraços de tamanduá e beijinhos ofídicos.
Uma estagiária jovenzinha, caindo de porre, comenta com a amiga: -“Você sabia que “Réveillon” é uma palavra francesa”?
Putz! Pensei comigo: “Não, sua anta! É uma palavra havaiana, como a sandália!... Ri de mim mesmo e da bobagem que pensara.
Perguntava-me em pensamento: ”O que eu estou fazendo aqui”?
Isolei-me. Bom comediante que sou, deixei o meu corpo expressar os sorrisos, as piscadelas e gestos. Refugiei-me em meus pensamentos.
“Réveillon”, palavra francesa... Não é que a constatação da “anta” levou-me a passear pelo ”réveillon” e pelos anos 60?
Lembrei aqueles anos, quando muitos achavam que era importante (outros achavam uma tremenda “viadagem”) falar Francês. Era chique! Afinal, era o idioma universal, idioma dos diplomatas e tudo neste país ainda era francês: Etiqueta, roupas, perfumes; literatura, teatro, cinema; Beauvoir, Genet, Sartre, Sorbonne. Revoluções por minuto... E virou moda a tradição do “Réveillon” francês: Ostras com Champanhe!
Automaticamente, olhei para a taça que estava ao meu lado, com o conteúdo ainda pela metade... Fingia que bebia. Não conseguia engolir aquele “champagne Veuve Clicquot”. O chefão oferecera a todos, ou a mim, um champanhe “arrolhado” (gôsto de rolha). Ahahahaa!... Se o champanhe estava assim, imaginem as ostras, se fossem servidas.
Pensava: “Estou rindo de quê? O que estou fazendo aqui, droga”?!
Estava nos meus últimos estertores da agonia. Queria estar em qualquer parte. Agarrado a uma bóia, no meio do oceano.
Comecei a vagar pelos meus “Réveillons” de antigamente, os tais “Rei-velhão”, como dizíamos a sorrir.
Queria estar naquele escritório da Rua Álvares Penteado, onde pela janela eu despejava toneladas de papéis picados sobre a rua... Queria de volta a energia, aquela egrégora de felicidade que envolvia o hoje Centro Histórico. Queria os abraços sinceros e despretensiosos, as palavras bem humoradas dos colegas de trabalho. Queria novamente sentir a seiva da vida (o centro da cidade) a correr em minhas veias. Eu era o dono do mundo! Podia tudo.
Queria do trabalho, voltar para casa e confraternizar-me com os amigos e vizinhos! Depois, em frente ao televisor, esperar pela Corrida de São Silvestre. E, meia-noite, ao finzinho da corrida, ouvir o toque das buzinas dos carros, os sons dos apitos e sirenes das fábricas; os nossos gritos de Feliz Ano Novo dentro de casa, pela rua e o nosso incessante correr aos portões das casas tocando insistentemente as campainhas... Era preciso fazer muito barulho para despertar, acordar o Ano Novo!
Então, uma pausa para a ceia. Sentar-se e devorar o pato ou o ganso com laranja. Mas, só depois de comer três bagos de romã (tradição vinda do Dia de Reis e agregada ao Ano Novo).
Como eu queria ter de volta os meus bailes de “Réveillon” do Juventus, do Palmeiras; queria de volta aquele baile tão especial no Palácio Mauá...
Pensava: “Se eu não sair daqui o mais rápido possível, pelas minhas próprias pernas, vou sair dentro um “rabecão”! Causa da morte: Um ataque fulminante de tédio”.
Meia-noite e meia, alguém resolve ir embora e pergunta: ”Alguém quer uma carona até a Av. Paulista?"
Eu disse que queria! Ufa!... Abençoei, do fundo do meu coração, aquela boa alma.
“Largado” na Paulista, sentia-me livre e feliz! Livre demais, feliz demais para tomar um táxi e ir para casa. Precisava de movimento.
A pé, desci a Rua da Consolação, rumo ao centro. Carros passavam e buzinavam. Passageiros anônimos desejavam a mim um Feliz Ano Novo. Eu retribuía.
Andando, seguia em frente. Na Xavier de Toledo, olho para a Rua 7 de Abril das minhas correrias de office boy, dos meus passeios. Vou seguindo. Viaduto do Chá, Patriarca, Rua Direita, Largo da Misericórdia... Na Misericórdia, olho para a Álvares Penteado. Com o meu coração apertado, lembrei dos dias que vivi ali. Naquela rua está o tudo de bom que fez com que até hoje a minha vida valesse a pena!
Na Sé, à espera de um táxi, percebo que naquele momento, juntos estávamos eu e a cidade. E todos os “Réveillons” que passamos. Percebi também que o meu “Réveillon” verdadeiro havia começado quando eu coloquei meus pés na Paulista! Eu como eu sou, a cidade como ela é, acabamos por ter, juntos, um grande e Feliz Ano Novo!
Às vezes é preciso andar. Vagar. Perder-se para encontrar a si mesmo...

A TODOS, UM FELIZ ANO NOVO!

Por Wilson Natale

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Virada na Av. Paulista 2010


Este evento teve inicio com muito sucesso em 1997.
Era um projeto da prefeitura para acontecer na virada do século, mas resolveram colocá-lo em prática um pouco antes, fazendo a virada de 1997 para 1998 e então não parou mais.
No ano de 2010, tive a oportunidade de experimentar a virada na mais linda avenida da cidade, pelo meu olhar. Minhas filhas, genros, netos e eu ficamos bem em frente ao palco montado pela prefeitura de São Paulo e desfrutamos do maravilhoso show que aconteceu naquela noite. Era evidente a felicidade em nossos rostos, ver tudo tão próximo enchia nossos corações de emoção.
A Avenida Paulista, toda iluminada, com sua bela decoração natalina e cheia de gente vestida de branco, formava um cenário de inigualável beleza, sem falar no coral formado por milhares de pessoas que cantavam com a alma as músicas apresentadas naquela noite para brindar a chegada do ano novo.
Este momento ficou marcado em nossas vidas, principalmente pela contagem regressiva e o festival de fogos de artifício que, durante 15 minutos, iluminaram a Avenida Paulista. Sentir a vibração de milhares de pessoas que lá estavam, com a mesma finalidade que eu, é ver a vida acontecer, é acreditar que a paz existe dentro dos corações e que o amor ainda é a maior fortaleza da humanidade.
Agradeço a Deus por ter vivido intensamente este momento e pela realização de mais um grande sonho de minha vida.
Deixo também meu agradecimento a João Carlos, meu querido genro, que colaborou com a nossa presença neste evento para dar adeus ao ano velho e felicitar o ano novo.
A Avenida Paulista está fazendo aniversário então faço um brinde a este recanto e encanto mais badalado da cidade de São Paulo.
Aproveito para desejar um Feliz Ano Novo a todos os amigos do grupo, cheio de conquista e muitas realizações.

 
Por Margarida Peramezza

domingo, 25 de dezembro de 2011

Um bebê e o Natal

O mês de Dezembro de 1982 foi muito especial para mim.
Exatamente no dia 6 nascia meu filho Vicente, às 22:10 h, de um parto normal, no Hospital João XXIII, na Mooca.
Era um bebê lindo, gordinho... Nasceu com 4 quilos e duzentos gramas... Imaginem!
Eu já tinha minha filha, Kátia, que estava com quase cinco anos (4 anos e 8 meses); já frequentava a escola, mas, naquele período já estava em férias.
A vida seguia num ritmo quase normal, afinal, agora eu tinha mais um filho em casa... Um bebê que, embora muito bonzinho, exigia todos os cuidados necessários.
Com a presença de um recém nascido em casa, o tempo passa a ser calculado de acordo com as trocas de fraldas e a próxima mamada, sem deixar de cuidar de toda a rotina da irmãzinha maior, além de todo o trabalho que uma casa exige. E eu, logo depois do parto, sofri uma hemorragia uterina intensa, levando-me a ficar mais em casa. Sentia-me bem cansada e não tinha vontade de sair, de passear, de ir a festas, etc.
Os passeios com a pequena Kátia eram feitos pelo pai, pois não era justo privá-la destas coisas de criança.
Logo chegaria o Natal e as festas de fim de ano, mas, a situação era nova. Tínhamos um bebê recém nascido em casa que exigia cuidados especiais, além do meu estado de saúde... Eu precisava me recuperar.
Então, decidimos que o Natal, naquele ano, passaríamos em nossa casa, proporcionando conforto e tranquilidade ao nosso bebê, à nossa filha e a nós mesmos.
As tradicionais compras de Natal eu já havia feito, antes do bebê nascer, justamente porque eu queria muita tranquilidade para nossa família depois do nascimento.
Assim foi feito. Arrumei e enfeitei toda a casa, como de costume, preparei toda a comida, sobremesas e ficamos em casa, na noite de Natal, com nossos filhinhos e com a visita de alguns familiares.
Foi um Natal de muita paz e alegria, com a benção de Jesus.
Feliz Natal a todos. Prosperidade para 2012!
Muita paz!

Por Sonia Astrauskas

sábado, 24 de dezembro de 2011

Nosso querido amigo Zeca deixou a todos nós este cartão.
Entrego-lhes.
Muita paz!